Stay
27 Gravity
Notas iniciais
POV (Carol)
Acordei cedo, mais cedo que o normal... Na verdade eu nem dormi, minha cabeça não saía de Daryl. Como se isso fosse alguma novidade para mim.
Não posso negar que Daryl se tornou uma parte importante de mim... Não só para mim. Para Sophia também. As coisas pareciam estar indo tão bem... E agora, somos praticamente estranhos.
Não gostava de pensar em tudo que havia acontecido... Isso me dava a sensação de que nós tínhamos chegado a algum fim. Não é verdade... Não poderia ser. Daryl tinha razão quando disse que salvou a vida de Sophia. Aquela poderia ser a atitude de um homem sem coração? Aquilo poderia significar um fim? Ele iria pedir desculpas... Dizer coisas que nunca tinha dito antes... Vê-lo partindo... Deus, eu nunca me acostumarei com isso.
Daryl é o bem e o mal dentro de mim... Ele é a mistura de tudo que tenho evitado e tudo que sempre desejei ter. Aquilo me enlouquecia.
Ele não poderia ser simplesmente... Normal? Digo, sem toda essa complicação?
Não.
Ele não poderia... E eu sei que se pudesse, não seria.
Não importa o quão diferente ele seja, ou o quanto ele tente mudar seu jeito... Daryl sempre será o Daryl. Me assusta saber que eu o conheço tão bem... Não é tão diferente dele. Daryl me conhece tão bem quanto eu me conheço.
Me levantei da cama e fui direto para o chuveiro.
Sophia desceu as escadas como uma bala, pude a observar esbarrando nos móveis até chegar na cozinha.
Ela não tem jeito.
– Bom dia mamãe. – Diz sorrindo abertamente.
– Bom dia, querida. – Retribuo seu sorriso.
Sophia está falante... Como sempre.
Me pergunto como alguém pode ter tanta energia a essa hora. Sophia sempre foi agitada, desde que era um bebe. Nunca gostou de ficar parada ou presa.
É totalmente diferente de Carl... Ele é tão quieto e tímido. Os dois cresceram praticamente juntos e são totalmente o oposto um do outro.
Saí de casa com Sophia, meus pensamentos voltaram para Daryl... Gostaria de passar, um minuto que fosse, sem pensar nesse homem.
Quem foi o canalha que inventou esse tal de amor? E por que o fez tão complicado? Seja quem for... O odeio.
– Boa aula. – Digo me despedindo de Sophia
Sigo para o trabalho. Não consigo deixar de esboçar um largo sorriso, á cada vez que uma das crianças me chama de tia Carol.
Eu amo meu trabalho... Realmente amo.
Mesmo que as vezes eu saio do sério... Trabalhar com crianças não é fácil, mas é incrivelmente satisfatório.
Peguei um de meus livros preferidos... Era o que minha mãe sempre lia para mim.
Era incrível o que um simples livro podia despertar em mim... Lembranças, sentimentos... Culpa.
Minha mãe sempre foi protetora de mais... Eu me lembro do quanto odiava a forma como ela me tratava. Não podia sair com meus amigos, não podia ter um namorado, não podia andar como as garotas da escola... Aquilo me parecia ridículo de sua parte. E ela sempre dizia que iria entender quando tivesse uma filha... Nunca pensei que ela fosse ter tanta razão.
Não a vejo desde que contei estar grávida de Ed. Como gostaria de poder esquecer aquele dia...
– Vamos Carol... Vai ser tão divertido. – Lori continuava a insistir.
Ela estava tão linda. Sua barriga já havia crescido, consideravelmente. Ela estava tão animada, feliz... Oh, Lori.
– Estou cansada... Aquelas crianças quase me deixaram maluca hoje. – Digo suspirando alto.
– Carol... Por favor. – Ela continua a insistir. – Vai recusar o pedido de uma mulher grávida?
– Boa, tia Lori. – Sophia diz. Posso ver Rick e Carl se divertindo com a cena.
– Você não presta Lori. – Começo a rir. – Espere eu tomar um banho.
– Coloque algo sexy. – Lori diz enquanto eu subo a escada.
Consigo ouvir Carl perguntando a sua mãe o que aquilo significava... Gostaria que Sophia tivesse essa inocência.
Tomei um banho rápido e desci para encontrar uma Lori impaciente na sala.
Ela me lançou um olhar mortal quando terminei de descer os degraus.
– Pensei que tinha morrido lá em cima. – Ela bufa e sai batendo os pés.
– Hormônios... – Rick fala e balança a cabeça rindo.
Encosto a cabeça na janela do carro, pensando no quanto aquilo estava sendo desgastante... Eu queria terminar minha noite de sexta feira trancada em meu quarto, com uma garrafa de vinho e um bom filme romântico. Gostaria de chorar. Precisava colocar pra fora toda aquela culpa reprimida. Eu estava desesperada.
Não sei o que está acontecendo... Ultimamente eu não tenho feito mais nada a não ser chorar, e chorar e chorar. Isso é tão autodestrutivo. Eu quero chorar neste momento... quero correr até a casa dos Dixon e chorar. Quero chorar enquanto Daryl me abraça e diz que está comigo... Quero fazer tantas coisas, gostaria de ter coragem para gritar o quanto preciso dele.
A noite parecia estar sendo mais longa do que eu gostaria que fosse. Eu sorria e fingia estar me divertindo, mas na verdade, eu só gostaria de estar sozinha agora. Isso é tão frustrante.
– Ele está vivo, afinal. – Ouço a voz de Sophia, não muito longe dali.
Quase caio de costas quando o vejo... Sim... Ele. O causador de tudo que está acontecendo. O homem encara minha filha por alguns segundos, antes de envolve-la em um forte abraço. “gostaria que ele me abraçasse assim”
Depois do que me pareceu muito tempo, Daryl olhou para mim... Uma onda de sensações e lembranças me atingiu, quando o azul de seus olhos se misturou com o meu. Era inevitável não lembrar, era impossível não reviver cada momento... Daryl fez de um jeito que eu nunca vou me esquecer.
Crio coragem e o chamo para termos uma conversa... Eu precisava fazer aquilo... Precisava. Já adiei isso por tempo o bastante.
Não fazia a mínima ideia de como fazer aquilo... Daryl não dizia uma única palavra, eu muito menos. Tentava puxar assunto em alguns momentos, o que era totalmente em vão. Ele me tratava como uma completa estranha, era como se não nos conhecêssemos mais... Como chegamos a esse ponto?
– O que aconteceu com nós? – Pergunto em um sussurro.
Daryl não me olha... Mantém seus olhos fixos em suas botas. Aquilo era tão doloroso. Talvez isso tenha sido um erro, talvez tenhamos nos perdido, talvez... Só talvez...
– Eu me pergunto isso. – Ele diz olhando para todos os lados, menos para mim.
– Foi real. – Digo, disposta a concertar tudo. – Daryl, eu... – Tive vontade de dizer as palavras... Elas estavam tão preparadas, tão prontas... Por que era tão difícil dizer “eu te amo”? – Sei que você acredita.
Daryl continua da mesma forma... Seus lábios nem ao menos se movem.
– Olhe para mim. – Seguro seu rosto entre minhas mãos, quebrando aquela maldita distância que me torturava. Ele estava tão perto... Eu não poderia deixá-lo ir... Não dessa vez. – Eu preciso de você.
A atitude de Daryl me surpreendeu... Eu nunca imaginei que ele fosse me beijar. Não depois de tudo...
Ele me beijava de uma forma doce e brutal... Era selvagem e... Romântico. Me beijava como se sua vida dependesse daquilo, como se o mundo estivesse prestes a desabar sobre nós dois.
Não sou capaz de explicar o que estou sentindo. Não sou capaz nem de raciocinar, tamanha a emoção. Ter ele ali... Depois de todo esse tempo. Depois de tudo o que passamos. Deus, como senti sua falta.
Daryl continuava a tomar meus lábios, suas mãos firmes em minha cintura fina. Eu acho que poderia morrer ali, eu estaria feliz.
Sim... Feliz.
Uma palavra que tem me incomodado nas últimas semanas... Eu não saberia o que significava ser feliz... Não sem Ele.
Queria permanecer ali, com seus lábios colados nos meus, meu corpo enroscado no dele, procurando alguma forma de contato pele a pele. Mas o maldito ar nos foi necessário.
Gostaria que ele arrancasse minhas roupas ali e me tomasse como sua mulher... Aqui... Agora...
– Carol... – Ele sussurra depois de algum tempo. Meus olhos estão fechados e eu aprecio o carinho que Daryl faz em meu rosto. – Não faça isso outra vez...
Abro meus olhos e vejo lágrimas se formando nos dele, por um segundo eu pensei que ele fosse partir.
– Não me deixe outra vez... Eu não posso... Não consigo viver sem você... Não mais. – Sinto meu mundo desabar quando escuto suas palavras.
Eu não era a única...
– Daryl... – O abraço. E choro... Choro por saber que ele me ama... Que ele sentiu tanto a minha falta, como eu senti a sua. – Eu nunca mais te deixarei... Eu te amo.
Ele me aperta, me envolve... Eu estava errada o tempo inteiro... Daryl é como o mundo para mim.
Ficamos um bom tempo ali, abraçados... Apenas apreciando a presença do outro. Não posso imaginar quantas vezes desejei estar aqui. Eu não poderia sentir tanta segurança com outra pessoa, não conseguiria. Daryl é o único capaz de me fazer sentir tão em paz. Tão feliz. Não acredito que ficamos tanto tempo longe um do outro.
– Pensei que tinha te perdido. – Sussurro depois de muito tempo. Daryl ainda está calado, quieto. Ele apenas me apertou mais contra ele. – É assustador pensar na possibilidade de não te ver outra vez...
– Pare. – Sussurra contra meu ouvido. – Esqueça.
– Só me diga... – Mordo meu lábio, pensando se deveria fazer aquela pergunta. – Estamos... Juntos?
Os segundos que Daryl passa sem dizer nada, são como um veneno. Sinto o desespero começando a tomar conta de mim... Aquilo foi um erro.
– Carol... – Ele se afasta um pouco de mim. – Eu acho que nós nunca estivemos, realmente, separados... Eu pertenço a você... Faço o que precisar que eu faça... Apenas não me deixe...
– Nunca mais. – Ele sorri e novamente eu estou no lugar que deveria ter estado o tempo inteiro... Nos braços dele.
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