State Of Grace
50 Sobreviventes...
Notas iniciais
Alice:
Não tenho nem palavras para descrever o que estou sentindo nesse momento, tudo bem que eu já sabia que o Merle era importante para mim, mas não sabia que perdê-lo me provocaria uma dor tão grande como essa.
Pra mim, meu mundo acabou alí com ele e nada mais tem importância. Olho ao redor, com a visão embaraçada pelas lágrimas, vendo o que restou de uma guerra sem sentido. Carl, que ainda é apenas um garoto de 13 anos, está matando zumbis para me proteger quando tudo o que eu faço é chorar. Porque é só isso o que eu sei fazer, é perder pessoas e chorar.
Os tiros acabam e ao longe vejo o Rick, Ty e Michonne recolocando a cerca no lugar, enquanto a Sasha corria para dentro do nosso bloco com a Annie. Não quero ver isso! Quero que tudo volte a ser como era antes do maldito do Richard chegar na prisão.
–Alice? Carl me chama, mas não respondo. Não consigo fazer nada a não ser chorar abraçada ao Merle. –Alice, olhe!
Tudo está um caos ao meu redor, corpos jogados pelo chão, fumaça, fogo em alguns lugares e admito que eu pensei que não escaparíamos dessa vez. Mas nem todo mundo teve a sorte de sobreviver...
–Barbie... É apenas um sussurro, mas que muda toda a minha vida.
Meu coração parece que vai sair pela boca quando vejo o Merle olhando para mim, isso é demais pra mim. Mas mesmo assim consigo sorrir para ele, que tenta sorrir mas parece mais uma careta de dor.
–Merle? Amor você tá bem? Pergunto para ter certeza.
–Vou estar melhor se você parar de chorar como se tivesse ficado viúva! Tudo bem que eu quase morri, mas...
–Eu te amo! Interrompo o enchendo de beijos.
–Eu sei disso e adoraria continuar com essa pegação, mas estou morrendo de dor aqui. Acho que quebrei alguma coisa, porra como dói! Reclama fazendo careta de dor.
–Carl chame o Bob por favor! Peço tentando tirar os escombros de cima do Merle.
–Eu te disse para olhar, não disse? Bem vindo de volta Merle. Carl diz sorrindo.
–Vá chamar o médico louco logo, pirralho! Deixe esse lance de “Bem vindo” para as garotas, isso é bem gay sabia?
–É, ele voltou!
–Merle! Não precisava falar assim com o Carl! Ele também estava preocupado com você, eu quase morri e é assim que você nos trata? Pergunto irritada, quando o Carl sai para buscar o Bob.
–Não é porque eu quase morri que eu me tornei um santo, Barbie. Ainda sou Merle Dixon, então se acostume!
–Quer saber? Não me importo se continua sendo um caipira chato, grosso e idiota. Você está vivo e vai continuar assim, é o que importa.
–Eu sou Merle Dixon, sou eu quem escolhe a hora que devo morrer e eu não iria te deixar sozinha nessa droga de fim de mundo. Essa é a forma, Dixon de dizer que ama uma pessoa.
Pelos poucos minutos em que passei pensando que ele estava morto, eu tive a certeza de que não sei mais viver sem o meu Dixon. Agora sei que podemos recomeçar, com Merle ao meu lado, sinto que posso fazer qualquer coisa.
A primeira delas é não deixar o Merle querer dar uma de heroi e ir salvar a Bela, Daryl já foi fazer isso e o Merle está machucado demais para se envolver em uma briga. Eu sei que é uma missão quase impossivel, mas vai dar certo.
Só espero que dê tudo certo para os outros também e que a minha amiga Bela fique bem e volte logo pra casa.
Beth:
O pânico tomou conta da prisão de novo, mas dessa vez foi muito pior. Eu tinha que cuidar de dois bebês assustados com os tiros e ainda ficar com a Bela, mas tudo piorou quando percebi que o Governador tinha conseguido entrar na prisão.
Ele pegou a Bela e eu não pude fazer nada a não ser esconder os bebês e protegê-los em minha cela, a Belinha é como uma irmã para mim e eu sei que se acontecer alguma coisa com ela vou carregar essa culpa para sempre.
Finalmente a confusão terminou lá fora e os bebês se acalmaram e dormiram, os deixei trancados em minha cela e sai do bloco. Do lado de fora as coisas pareciam ainda piores, é como se a prisão tivesse se tornado um campo de batalhas, mas foi isso o que aconteceu aqui.
Uma guerra que pode ter destruido muita coisa, estou preocupada com a Annie, mas logo a vejo correndo em minha direção com a Sasha.
–Hey pequena! Tá tudo bem agora. A pego no colo, ninando-a.
–Eu quero a minha mãe! Onde tá o papai? Tio Merle? Tia Alice? Meu irmãozinho? Pergunta nervosa, chorando.
–Vamos ver o seu irmão e comer alguma coisa ok? Sua mãe e seu pai saíram mais vão voltar logo, eu prometo. Digo com o coração apertado.
Eu sei que não deveria mentir para a Annie, mas eu não iria conseguir ver ela sofrendo ainda mais hoje. Já basta o terror que ela deve ter presenciado quando o Governador a pegou, ela é só uma criança e precisa ficar bem.
–Beth? Você está bem? Rick pergunta ao se aproximar.
–Eu estou bem e você precisa de cuidados já! Falo assustada ao ver ele todo machucado.
–Briguei com o Governador e acabei levando a pior, mas vou ficar bem. Agora preciso ir ajudar o Bob a levar o Merle para dentro, pode ir ver se o Carl está bem?
–Claro, mas por favor tome cuidado e depois passe na minha cela para que eu cuide desses seus machucados.
–Ok, passo lá depois! Te amo. Diz e me beija antes de ir até o Merle.
–Também te amo. Sussurro para mim mesma.
–O tio Merle tá doente?
–Ele caiu uma queda, mas já vai ficar melhor.
Não sei porque mas sinto que esse não é o fim, não vai ser o fim enquanto o Governador estiver vivo. Então só nos resta esperar e torcer para que esse fim chegue logo, ou nos preparar para a proxima batalha.
Só sei que esse Governador não vai tirar mais nada de mim.
Bela:
Meu corpo inteiro dói, mas alguma coisa arde em minhas costas. Só então me lembro de tudo o que aconteceu, a Maryna me esfaquiou pelas costas. Será que eu morri? Acho que não, se não meu corpo não estaria doendo tanto assim.
Quero o Daryl, quero me sentir segura de novo e só me sinto assim quando estou nos braços dele. Agora por exemplo, sinto que algo ruim esta acontecendo.
Parece que estou em um carro, meu corpo balança com o movimento e isso me deixa um pouco enjoada. Mas porque eu estaria em um carro? Será que teve invasão na prisão e tivemos que fugir?
Abro meus olhos devagar dando de cara com uma estrada vazia, minha cabeça doi e meus olhos se fecham novamente por causa da luz forte.
–Oi meu amor! É bom te ver acordada de novo. Meu corpo congela de medo ao ouvir essa voz.
Bem ao meu lado, dirigindo esta o homem que eu mais odeio nesse mundo. O homem que dias atrás eu descobri ser meu pai, mais o que eu perdi? Como vim parar aqui com ele?
–Eu vou explicar tudo depois porque sei que está confusa agora, mas primeiro precisamos despistar o seu caipira. Ele diz olhando para trás.
Pelo retrovisor vejo a moto do meu Daryl perseguindo o carro, mas outra coisa me assusta. O corpo de um homem morto com um tiro na cabeça deitado no banco de trás.
–Eles me disseram que você estava em coma e que iria morrer, mas eu sei que você é forte e que ia sair dessa. Agora nós vamos nos casar e seremos muito felizes! Ele sorri.
–Não pode...eu...Minha voz falha e sou tomada por um choro descontrolado.
–Calma meu amor, você vai ficar bem. Não precisa ter medo.
Ele continua dirigindo a toda velocidade, mas um errante entra na frente do carro fazendo o Philip ter que desviar. O carro derrapa e eu me seguro quando ele capota, a cada impacto meu corpo doi ainda mais.
“É agora que eu morro!” Penso quando o carro finalmente pará, abro os olhos sentindo o sangue escorrer pelo meu rosto e o corte em minhas costar arder ainda mais.
O Governador parece estar desacordado ao meu lado, então tiro o sinto de segurança e me arrasto para fora pela janela quebrada. Me arrasto pela grama até encostar em uma árvore distante, mais um walker aparece bem na hora. Não tenho nenhuma arma por perto, o medo toma conta de mim quando vejo o walker cair com uma flecha no meio da cabeça.
–Daryl...Sussurro quando o vejo correndo até mim.
–Até que fim você acordou meu amor. Pensei que ía te perder pra sempre! Eu te amo tanto Bela. Ele diz e sinto ele distribuir beijos pelo meu rosto.
–Eu também te amo! Fiquei com tanto medo quando acordei e vi que estava com o Philip.
–Ele invadiu a prisão, mas conseguimos acabar com o ataque. Vem amor, temos que ir pra casa! Ele me ajuda a levantar bem na hora em que o Philip sai do carro.
–Solta ela agora! Manda mirando a arma no Daryl.
–A Bela é minha mulher e a levarei de volta para casa agora mesmo.
–Isabela é minha noiva! É comigo que ela vai se casar e eu sou o pai do filho dela.
–O Eric é meu filho e nem morto você coloca as mãos na Bela de novo! Daryl grita furioso.
–Ela vai ser minha esposa! Ele grita descontrolado.
–A Bela é sua filha! Daryl diz o deixando petrificado.
E agora, o que vai acontecer?
Daryl:
Tudo bem que não deveria ter sido eu a dizer a verdade para esse idiota, mas eu tinha que fazer alguma coisa para impedí-lo de tentar levar a Bela com ele ou fazer ele desistir da ideia absurda de casar com a Bela.
–Não é possivel! A Isabela não pode ser minha filha. Ela é filha do Richard!
–Minha mãe estava grávida quando se casou com o Richard, ela foi te dizer mas você a expulsou de casa. Eu sou sua filha sim! Bela diz chorando.
O Governador cai de joelhos com uma cara de louco, acho que ele não consegue acreditar que esteve prestes a casar com a garota que é sua filha. Abraço a Bela porque percebo que ela está fraca e precisa de apoio, essa droga de apocalipse esta virando a cabeça de todos os sobreviventes.
–Você, é minha filha? Mais não é possivel! Ele fala e se levanta. Alguma coisa muda em seu olhar. –Estão mentindo pra mim, não é? Querem que eu acredite nisso para que eu deixe a Isabela ir com você, mas isso nçai vai acontecer! A Isabela é minha e eu não vou perdê-la de novo.
–Não seja idiota! O Richard disse que você é meu pai, está pensando que eu estou gostando de saber que tenho seu sangue podre correndo em minhas veias? Bela pergunta cheia de nojo.
–Cala a boca! Isso acaba aqui! Ele grita e vem pra cima de mim.
Empurro Bela para o lado antes de começar a lutar contra o Governador, rolamos pelo chão distribuindo socos e chutes um no outro. As armas são esquecidas e uma luta começa, meu ódio por ele só aumentando. Agora tenho a chance de acabar com ele e não pretendo perder isso, não dessa vez! Já está na hora de mandar esse filho da puta para o inferno.
Não sei como mas ele consegue pegar a arma e bate com ela em minha cabeça, ouço a Bela gritar e logo o Governador sai de cima de mim. Quando abro os olhos novamente o vejo lutanto com a Bela pela arma, me levanto e tento ir até eles mas sou impedido por um walker tentanto morder meu pé.
Pego uma pedra e bato na cabeça dele, ainda não foi o suficiente então bato novamente até ele cair sem vida no chão. Quando olho novamente para a briga entre pai e filha, percebo que eles estão caminhando para o fim de um penhasco.
–Bela cuidado! Grito me levantando e indo até eles.
Mas antes que eu pudesse sequer me aproximar, a arma dispara me fazendo ficar paralizado de choque quando vejo que o disparo atingiu...
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