State Of Grace
54 A queda da Prisão
Notas iniciais
Bela:
Aquela ruiva psicopata estava mesmo pedindo para morrer, como ela tem coragem de pegar o meu bebê e tentar dar ele de lanchinho para os walkers?
Ela se vira lentamente e me entrega o bebê, nenhuma das minhas amigas abaixam as armas durante isso. Pego meu bebê nos braços, ele esta chorando e muito assustado mas essa maluca vai pagar por isso.
–Olha, eu poderia te dar uma bela surra, mas tem uma pessoa que pode fazer isso por mim e que vai acabar com você. Falo sorrindo malvada. –Alice! Chamo e ela se aproxima.
–Já vou avisando que a Bela é ótima em bater, já eu sou ótima em cortar. Alice diz com uma faca na mão.
–Não é pra tanto, vamos fazer uma reunião do concelho e...
–Fica quieto xerife! É uma briga de mulheres, deixa rolar. Merle diz todo animado.
–Merle cala essa boca se não eu corto você também! Alice ameaça.
Me afasto um pouco e sigo para perto do Daryl que está com a Annie no colo, a minha princesa esta assustada e isso também é culpa daquela vadia ruiva. Faço um carinho em seu cabelo e ela sorri de lado pra mim, o mesmo sorriso do pai. Então a Alice se aproxima e quando vai fazer o primeiro corte no rosto da Emma, ela pega a arma da Alice e atira para o alto.
–Ninguém encosta em mim! Emma grita e seu olhar me assusta. Até parece que ela foi possuída ou algo do gênero.
–Vamos parar com isso agora! Não somos selvagens e podemos resolver isso como pessoas normais. Rick diz entrando no meio da confusão.
–E o que vai fazer? Vai colocar ela presa em uma cela como fez com a Maryna? Não se você se lembra mais isso foi um erro enorme que matou o Hershel e quase matou a Bela. Mich fala ainda com sua espada na mão.
–Pessoal, sem querer parecer chato ou atrapalhar a conversa de vocês, mas nós temos companhia. Glenn diz e aponta para o outro lado da prisão.
Prendo a respiração quando vejo o que esta acontecendo. Pela estrada e vindo direto para as cercas da prisão, uma multidão de zumbis caminhava. Mas não são poucos, deveria ter uns mil vindo na nossa direção. Zumbis de varios tamanhos, formas e estados de decomposição diferentes. Crianças, jovens, adultos e idosos numa verdadeira caminhada da morte que vem diretamente ao nosso encontro.
–Caramba agora sim estamos ferrados! Daryl diz ao meu lado.
–O que vamos fazer agora? Maggie pergunta sussurrando como se isso fosse evitar que aqueles monstros chegassem até nós.
–As cercas vão cair! Elas não vão suportar uma horda desse tamanho. Alice diz tão assustada quanto o resto de nós.
–E a nossa munição vai acabar antes mesmo de conseguirmos acabar com os que vem por esse lado. Merle diz e olhamos para ele sem entender.
–Como assim?
–Olhe para trás irmãozinho, nós estamos mais que ferrados, estamos fudidos! Merle responde.
Atrás de nós, vindo pela floresta, mais zumbis caminhavam. Só que agora o número parece ser ainda maior do que o do grupo que vinha pela esquerda.
–É aquela horda que a gente viu quando fomos buscar os remédios, só que agora em maior número. Falo apavorada.
–Eles demoraram todo esse tempo para vir até aqui? Não faz sentido. Bob diz assustado.
–Não importa se faz sentido ou não. Eles poderiam estar seguindo outro caminho mas o tiro atraio eles para a prisão, e também eles devem ter se juntado com outros walkers, passamos por 3 cidades antes de chegar aqui, são mais de 60 km de zumbis e sobreviventes. Por isso demoraram tanto.
–A Bela tem razão! Além de burros eles são lerdos e se distraem com qualquer barulho, devem ter demorado por isso e foram atraídos pelo tiro da Emma. Daryl fala e dá pra ver que ele está tão preocupado quanto os outros. Nunca vi o Daryl perder o controle por causa de zumbis, mas dessa vez a situação é diferente.
–O que vamos fazer agora? Ty pergunta.
–Vamos entrar e esperar, eles não vão conseguir derrubar os muros do bloco.
–E fazer o que depois Emma? Morrer de fome e de sede? Acha mesmo que depois que eles entrarem aqui eles vão simplesmente embora?Eles podem passar meses aqui e nós ficaremos presos definhando nos blocos. Temos que ir embora! Digo apertando meu bebê nos braços.
–Rick?
–A Bela tem razão Glenn, não podemos ficar aqui.
–Vamos logo! Alice grita.
–Maggie e Glenn, levem as pessoas para o ônibus agora mesmo. Carl, você vem comigo e Beth pegue a Judith. Rick manda e cada um corre para um lado.
Assim que chego na porta do nosso bloco para pegar nossas coisas, a primeira cerca caí e os zumbis entram no primeiro pátio. O pânico toma conta de todo mundo, as pessoas do outro bloco começam a atirar e a quantidade de walkers só aumenta.
Entro correndo no bloco e vou direto para a minha cela, Daryl deixa a Annie comigo e vai até a cela onde ficam as armas. Gritos e pessoas correndo, a nossa casa está caindo e estamos perdendo o nosso lar.
–Annie, pegue as coisas mais importantes e coloque na mochila ok? Peço e a vejo engolir o choro e começar a me ajudar.
Os tiros ficam mais altos e tenho certeza de que mais uma cerca caiu, agora só mais uma e a prisão estaria tomada. Coloco as coisas na mochila e pego minha besta colocando-a nas costas para poder pegar o Eric e ainda segurar a mão da Annie. Não temos tempo pra nada e eu ainda preciso encontrar com o Daryl, Annie fica com a mochila menor e eu com a maior pedurada em um braço.
Também pego uma pistola, meu bebê começa a chorar por causa dos tiros. Saio da cela e encontro com a Beth que tem a Judith nos braços e o Carl estava com ela.
–Temos que sair daqui agora! Grito e pego na mão da Annie a puxando para fora do bloco. –Não solte minha mão princesa e não se afaste.
–Você viu o Rick? Beth pergunta.
–Não, mas acho que ele está com o Daryl preparando os carros.
–Eu vou na frente ajudar meu pai! Carl grita e corre na nossa frente.
Ao sair do bloco as coisas estavam bem pior do que eu tinha imaginado, metade da cerca caiu e já tem zumbis andando pelo pátio principal e devorando pessoas. A maioria estava desorientadas e correm diretamente para os zumbis, a quantidade também aumentou e agora devem ter mais de 5.000 zumbis, pelo menos até onde eu posso ver.
–Bela! Beth me chama e eu a empurro para correr para o outro lado.
Beth corre na minha frente com a Judith e eu vou mais atrás com a Annie e o Eric, a minha ideia é fugir pelo buraco feito na cerca nos fundos da prisão. Quando chegamos lá a Emma estava saindo mais três zumbis aparecem e antes que ela pudesse se defender um deles morde seu pescoço, ela grita de dor mas consegue se soltar.
Ty aparece do nada e tenta ajudar ela a se levantar, mas então ela o empurra para cima do walker e ele morde o Ty. Tento ir ajudar mas não posso por causa do bebê, então ele nos olha e vejo a dor estampada em seu olhar.
–Corram! Agora! Manda e logo depois grita de agonia quando um zumbi começa a abrir sua barriga.
–Vamos Beth! Não podemos fazer mais nada. Falo chorando, mas tenho que engolir o choro para poder salvar minha familia e encontrar o Daryl.
Ao passar pela Emma que esta caída no chão agonizando com a mordida no pescoço, pego minha arma e miro em sua cabeça.
–Olhe para a Beth, Annie. Mando e assim que ela faz isso eu atiro na cabeça da Emma. –Adeus vaca ruiva!
Guardo minha arma e corro para a floresta com a Beth e a Annie, eu queria voltar e procurar pelo Daryl, mas não posso deixar a Annie e o Eric sozinhos com a Beth e a Judith. Tenho que mantê-los a salvo e é isso o que eu vou fazer. Daryl vai nos econtrar depois e disso eu tenho certeza, só espero que o resto da nossa familia consiga sair dessa também.
Corremos pela floresta, desviando de zumbis mas tínhamos que matar alguns as vezes, atravessamos uma ponte e quando chegamos do outro lado encontramos com zumbis presos na lama.
–Mais o que é isso? Beth pergunta em pânico. Judith começa a chorar junto com o Eric e isso faz os zumbis quererem sair da lama, então eles esticam as mãos em nossa direção.
–Mãe! Annie me chama me fazendo sair do estado de choque.
–Vamos voltar e tentar chegar na rodovia, precisamos de um carro. Digo e voltamos a correr.
Já estava escurecendo quando chegamos a rodovia que está completamente deserta, confesso que tinha um pouco de esperança de que o Daryl estivesse aqui.
–Vamos procurar por mantimentos, gasolina e um carro que ainda esteja funcionando. Mas não vamos nos afastar muito uma da outra ok? Sussurro e Beth concorda.
Começamos a procurar tentando fazer o maior silêncio que conseguirmos, temos que fazer isso rápido antes que anoiteça. Encontramos algumas coisas, então paramos para comer alguma coisa. Beth sempre está preparada nesse sentido, alimentamos as crianças dentro de um carro e eles acabam adormecendo, deixamos os 3 dentro do carro e fechamos as portas para continuar nossas buscas.
Estava procurando mantimentos em um carro vermelho, apenas à dois carros de distância de onde a Beth está, quando vejo alguns zumbis vindo pela rodovia. Não são muitos, mas também não são poucos. Corro até a Beth e a empurro para baixo do carro onde as crianças estão dormindo.
–O que foi? Pergunta baixinho.
Aponto para os pés que caminham por entre os carros e ela entra em pânico, fecho a boca dela para que não grite.
–As crianças? Sussurra em meu ouvido.
Agora sim entro em pânico, e se um deles acordassem chorando eos zumbis os verem? E se a Annie acordar e se assustar? Merda! O que eu faço? Eles começam a passar por nós sem nos perceberem ou perceberem as crianças no carro, fico tensa o tempo todo e a Beth chora baixinho. Como eu queria que o Daryl estivesse aqui agora, só ele me faria ficar calma.
Os minutos passam como se fossem horas, os pés passando ao nosso lado sem se darem conta da nossa presença. Ficamos esperando, a noite chega rápido. Os pés finalmente acabam e ficamos esperando mais um pouco antes de sair, tudo está calmo quando ficamos de pé. Olho para o carro e vejo a Annie acordada e com os olhinhos cheio de lágrimas e assustados.
Abro a porta do carro lentamente e a tiro de lá, ela se joga em meus braços chorando e tremendo de medo.
–Calma princesa, eu estou aqui!
–Eu pensei que eles tinham te pegado, queria chorar mas o papai me disse pra fazer silêncio e ficar quieta quando tivesse monstros por perto e foi isso o que eu fiz.
–Fez muito bem princesa! Estou orgulhosa de você, agora vamos procurar um lugar para ficar e passar a noite. Amanhã vamos procurar o seu pai e o resto da nossa familia.
Coloco gasolina no carro enquanto a Beth cuida das crianças dentro do carro que escolhemos, depois de tudo pronto, entro e começo a dirigir.
–Para onde nós vamos? Beth pergunta ninando a Judith.
–Passamos por uma escola quando voltamos para a prisão depois do ataque na fazenda da Alice, acho que podemos passar a noite lá.
–Boa ideia.
Seguimos pela estrada, até chegar na escolhinhha. Paro o carro e abro o portão, entro com o carro e depois a Beth fecha o portão. Deixamos as crianças no carro, Annie está acordada e cuidado dos bebês. Vou na frente com a minha besta e vasculhamos toda a escola, nada de zumbis, apenas um em uma sala. Era uma mulher com roupa de professora, a mato rapidamente e voltamos para buscar as crianças.
O dia foi cheio, perdemos nossa casa e agora estamos sozinhas para cuidar de 3 crianças no meio de um apocalipse, isso acaba com qualquer uma. Trancamos as portas e escolhemos uma sala para ficar, como é uma escola e creche tem berços para os menores, então colocamos os bebês nos berços e procuramos colchões para nós.
–Nós vamos encontrar com o papai amanhã? Annie pergunta enquanto comemos.
Não quero mentir para ela, nem eu sei se vamos nos reencontrar um dia mas também não posso acabar com as esperanças da minha princesa.
–Nós vamos procurar o seu pai todos os dias até o encontrarmos ok? Somos uma familia e vamos ficar juntos de novo.
–O tio Merle e a Tia Alice também?
–Eles também, agora durma. Beijo seu rosto e ela logo adormece.
–E se não os encontrarmos? Como vai ser Bela? Não temos onde ficar e somos só nós duas e três crianças no meio de um apocalipse.
–Eu sei que vai ser dificil Beth e que podemos não sobreviver, mas nós vamos dar um jeito e lutar até o último suspiro. São nossos filhos e nós temos que encontrar com o resto da nossa familia, ninguém vai desistir e vamos todos ficar juntos de novo.
Queria muito ter certeza de que isso vai mesmo acontecer, mas só o que posso fazer agora é ser forte e tentar manter todos vivos. Só tenho certeza de uma coisa: eu não vou desistir tão fácil. Aperto o anel que o Daryl me deu entre as mãos rezando para que ele esteja vivo em algum lugar e que logo nos encontre.
–Nós vamos conseguir! Sussurro para mim mesma.
Pode não ser hoje ou amanhã, mas tenho certeza de que vamos nos reencontrar de novo.
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