Starting Again
15 Passado
Notas iniciais
Naquele momento, o coração de Angeles apertou, aquilo foi a confirmação de que German não sentia nada por ela, é ela faria o impossível para esquecer os sentimentos que a cercavam todos os dias. Angie não disse não, fechou a porta, que ainda encontrava-se aberta, com um grande estrondo. O casal levantou-se rapidamente, assustados com o barulho emitido pela porta. A expressão de ódio na face de Angeles era mais que evidente.
– Se querem ficar se agarrando, o quarto do German é o lugar propicia para isso, não a sala — logo em seguida deixou a sala em passos largos. Chegou a seu quarto e a frustração tomou conta de seu interior, não queria sentir aquilo, não queria ser afetada por German, mas era evidente que ele já havia tomado parte de seu coração, e mais uma vez amaldiçoava o amor, por fazê-la sofrer uma vez mais.
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Adentrou a casa lentamente, aquele lugar lhe provocava arrepios, mas não era de sustos, era algo bom, algo que não sentia a muito tempo. Era um alívio, e ao mesmo tempo muito estranho saber que aquele local não havia sido demolido, os móveis continuavam no mesmo lugar e uma grossa camada de poeira os cobria. Caminhava lentamente pela casa, como se cada movimento que fizesse fosse capaz de quebrar a magia daquele lugar. A garota subiu as escadas observando cada detalhe. Definitivamente as coisas não haviam mudado. O fato de estar em outra cidade sem o consentimento de ninguém a trazia um pouco de culpa, mas precisava voltar aquele lugar, o lugar onde havia sido feliz, o lugar onde amou e que foi amada. Não que não fosse amada por seus pais adotivos, mas era impossível não sentir falta dos biológicos, era uma dor que parecia não querer ir embora.
Seu telefone tocou, imaginou que fosse Fran ou algum de seus amigos, mas se surpreendeu ao deparar-se com o nome de German na tela do telefone, apertou o botar de ignorar a chamada e continuou a explorar a velha casa. Abriu a porta do primeiro quarto e várias lembranças invadiram sua mente. Para qualquer outra pessoa, aquele poderia parecer apenas um quarto de menina, mas para ela não era só isso, ia além de apenas um quarto de menina. Seu antigo quarto continuava da mesma forma que havia deixado, as bonecas todas arrumadas em uma prateleira, o guarda-roupa com os milhares de adesivos grudados. Sorriu ao ver o porta retrato, ainda, em cima da mesinha do quarto. Aquela foto havia sido tirada em seu aniversário, estavam todos reunidos, seu irmao havia lhe dado uma correntinha com uma rosa, costumava dizer que ela era uma rosa, delicada e linda, mas perigosa. Acabou por rir com quele pensamento, nunca havia sido uma criança birrenta ou difícil de lidar, mas não aceitava que falassem ou fizessem algo de sua família, nesse momento a pestinha dentro de si tomava as rédeas da situação.
Pensou que no momento que voltasse aquela casa, a dor se faria presente em seu interior, mas estava enganada, nunca havia estado tão bem em toda a sua vida, a felicidade em seu interior havia retornado.
Continuou a vagar pela casa, as lembranças que invadiam sua mente, eram boas, maravilhosas. Não havia percebido o quanto sentia falta daquele lugar, até voltar para lá. Seu telefone tocou novamente, mas não se deu ao trabalho nem de olhar quem era. Abriu maid uma porta da casa, deparando- se com o quarto que um fia havia sido de seu irmão, as inúmeras aventuras vividas pelos dois veio a sua mente. Não conseguiu em momento nenhum tirar o sorriso de seu rosto.
De repente algo chamou sua atenção, um barulho vindo da parte de baixo da casa.
Será que alguém havia comprado o lugar?
Perguntou seu inconsciente. Não parecia um lugar habitado, com certeza era alguém explorando o lugar. Saiu devagar, olhando com cuidado cada lugar, se fosse um assaltante sairia gritando. Mas para sua surpresa, a pessoa que encontrou na casa era sua antiga vizinha, Margô.
Sua expressão demonstrava o cansaço em sua face, não parecia muito mais velha do que a última vez que a havia visto, mas seus traços haviam mudado com o tempo, continuava a mesma senhora elegante e cuidadosa que um dia conhecerá.
Em um movimento involuntário, correu para os braços da senhora e a abraçou imediatamente. Margô rapidamente respondeu ao abraço. Ela se lembrava de Angeles, vira aquela garotinha crescer, e havia a consolador quando a garota viu seus pais partirem, era uma segunda mãe para ela.
A alegria no interior de Angeles ao abraçar Margô era imenso, finalmente se sentia em casa. Angeles se afastou do abraço e olhou para a mulher a sua frente.
– Como você cresceu Anjinha — Margô olhava atentamente para cada novo traço presente na garota — o que faz aqui?
– Tentando fugir do mundo — respondeu cabisbaixa. Não podia negar nem a si mesma que o motivo de estar ali era German. A cena que havia visto a algumas horas a havia perturbado, e fugiu, como fazia desde que German aparecerá em sua vida.
– veio ao lugar certo então — sorriu para Angie. Margô voltou a abraça-la, ela conhecia Angie ao ponto de saber que o único que ela necessitava naquele momento era de um abraço.
– Preciso te mostrar uma coisa — falou sorrindo. A curiosidade cresceu no interior da garota, não fazia ideia do que era.
– Me mostrar o que? — Perguntou com a curiosidade estampada em sua cara.
Margô a pegou pela mão e a puxou para fora da casa. O bairro onde havia passado a maior parte de sua vida, havia mudado muito, árvores haviam surgido ao longo de algumas calçadas, casas novas surgiram e as pessoas pareciam não saírem de suas casas. A casa de Margô estava diferente, a fachada, que antes era de um vermelho vivo, naquele dia encontrava-se em um tom verde claro, sua cor preferida, havia surgido também vários vasos de flores, não se lembrava de haver planta alguma no quintal da senhora, quando era criança, ela afirmava que não era boa em cuidar de plantas, mas agora a gente se sua casa parecia maid com uma floricultura. Aquela quantidade de flores a encantou e não deixou de notar que boa parte das flores que ocupavam o local eram rosas.
Margô a levou até dentro da casa, Angie não fazia ideia do que a Senhora queria mostrar-lhe, mas não discutiria, nem faria perguntas, a conhecia o suficiente para saber que não era de dar pistas para nada. A senhora a levou até a cozinha da casa é pediu para que se sentasse.
– Espere aqui — pediu gentilmente — já volto — o sorriso em seu rosto demonstrava que a notícia ou qualquer que fosse o que dona Margô a queria mostrar era algo bom.
Quando a senhora deixou o cômodo, Angeles começou a observar o local a sua volta, mesmo com o exterior da casa totalmente transformado, o interior parecia o mesmo de alguns anos atrás, a mesma cor nas paredes, os mesmos móveis e a única plantinha na janela da cozinha. Se lembrava exatamente dos momentos que havia passado naquela casa.
De repente ouviu o barulho da porta da casa sendo aberta,.virou-se para trás e deu de cara com um rapaz que a observava. Podiam se passar uma eternidade mas Angie não o esqueceria. Eduardo, filho de Dona Margô, e também sua primeira paixão. Ele era um amigo que nunca esqueceria.
– Angie — andou até a garota e a abraçou. Angie retribuiu o abraço, a saudade apertou em seu peito, não fazia ideia de como sentia falta de Eduardo — o que faz por aqui? — Perguntou empolgado.
– Se eu te disser que nem eu mesma sei você acredita? — Perguntou rindo, ela sabia porque estava ali, mas não queria se abrir naquele momento, queria por um segundo esquecer que German existia, e com o seu passado tão presente naquele momento, começou a cogitar que aquilo era possível.
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