Starting Again
17 Dúvidas
Notas iniciais
Parada em frente a casa, Angeles observava pela janela do carro as luzes ainda acessas. Havia passado uma tarde maravilhosa com seu irmão e sua nova família, mas não pode evitar sentir a dor que se instalara a pouco em seu peito, só a lembrança de German e sua namorada mais cedo, a deixava nauseada. Victor observava a irmã atentamente, sabia que algo estava errado, e definitivamente, não gostava de ver a irmã assim.
– Uma hora vai ter que me contar o que houve – disse carinhosamente. Angeles não desgrudou o olhar da casa a sua frente, sabia que não poderia esconder nada de seu irmão. Se virou lentamente e encarou a face preocupada do irmão, não gostava de o ver assim.
– Acha errado eu ter me apaixonado por meu "irmão" postiço? — proferiu as palavras fazendo aspas no ar com as maos, era a primeira vez que assumiu a si mesma ou a alguém o que realmente sentia, e estava temerosa com a resposta do irmão. Mas para sua completa surpresa não fora bronca nenhuma que saira da boca do irmão. Victor abriu um sorriso e encarou a irmã. Segurou uma de suas mãos que estava repousado no assento do carro.
– Achei que nunca chegaria o dia que eu veria minha irmãzinha apaixonada — soltou uma risada um tanto alta. Angeles riu junto com o irmão, mas nem ela havia se imaginado nessa situação, quando pequena, como toda criança, era avessa a relacionamentos, um motivo a mais para expulsar as "amiguinhas" de seu irmão. Mas os anos transformam as pessoas, o sentimento por German era diferente de qualquer outro, nunca havia sentido aquilo, um sentimento novo que a estava destruindo por dentro.
– Não acho errado você se apaixonar por ele — proferiu as palavras docemente — se querem ficar juntos não vejo o porque de não estarem — continuou. Angeles sabia o porque de não estarem juntos, havia milhares de contras em estarem juntos, Priscila, seus pais, o fato de German não sentir o mesmo que ela.
– Há vários motivos para não estarmos juntos — falou em um fio de voz e encarou a face do irmão. Victor apertou carinhosamente a mão da irmão, ele entendia o que ela estava passando.
– Quando o amor é verdadeiro, nada nem ninguém é capaz de impedir que fiquem juntos — disse Victor.
Angeles havia sentido falta dos conselhos do irmão, de alguém que a entendesse como, só ele conseguia.
– Bom, acho que vou ter que entrar — tentou se despedir do irmão.
– Antes, quero te pedir uma coisa, posso? — Perguntou Victor. Angeles assentiu com a cabeça e continuou a encarar o irmão. Victor se debruçou sobre Angie, alcançando o porta luvas do carro, agarrou dois envelopes pardos de dentro e voltou a fecha-lo.
– Amanhã é uma data muito importante para você e para mim também — falou sorrindo, Angie não imaginava que o irmão se lembraria do seu aniversário — quero que leia essas cartas com cuidado, e que, por favor, entenda que tudo o que fizemos foi por amor você. Não duvide que te amamos — dizendo isso Victor entregou os envelopes a Angie e a abraçou. Um alerta começou a soar no interior de Angeles.
Angeles se despediu do irmão com a promessa de que no dia seguinte se veríam. Ficou do lado de fora da casa esperando o carro desaparecer no meio da escuridão, encarou novamente os envelopes em sua mão se perguntando o que havia ali dentro. Afastou os pensamentos e adentrou a casa, mas o que viu a surpreendeu. German estava em pé no meio da sala, sem camisa, andando de um lado para o outro, deixando mensagens de voz em sua caixa postal. Quando ouviu o barulho da porta sendo fechada, German virou rapidamente, correu até Angie e a envolveu em seus braços.
– Onde você estava? Porque não atendeu o telefone? Está tudo bem? — German perguntava sem dar tempo a Angie para responder. Angie não disse nada, apenas aproveitou o abraço e as emoções que a cercavam naquele momento. German a apertava em seus braços, como se a qualquer momento ela fosse desaparecer.
Angeles se afastou aos poucos dos braços de German, a realidade, a pouco esquecida, a havia atingido repentinamente.
– Não quero falar sobre o que aconteceu — falou sem o encarar.
– Angie, me desculpa pelo o que aconteceu hoje mais cedo, você estava certa, fui um idiota — era perceptível o remorso em sua voz, mas Angie não sabia se era capaz de ficar ao seu lado sabendo que tinha uma víbora como namorada.
– Tudo bem — deu de ombros — vocês são namorados, tem o direito de fazerem o que bem entenderem — proferiu ainda sem o encarar. Encarou rapidamente a face agoniada de German e se retirou da sala. A única coisa que queria no momento era descobrir o conteúdo daquela carta.
– Nós não estamos mais namorando — as palavras de German fizeram com que os passos de Angie cessassem.
– Como assim? — Perguntou confusa — até hoje de manhã estavam muito bem — proferiu com certo desdém.
– Descobri o que ela fez com você — a encarou — não conhecia esse lado da Priscila, me enganei com ela — disse cabisbaixo.
– Como ficou sabendo? — Angeles perguntou receosa, não havia contado aquilo para ninguém a não ser para Fran e sua mãe, não acreditava que alguma delas fosse capaz de fazer algo do tipo.
– Seu ex, o Leonardo, veio atrás de mim hoje, me contou o que aconteceu e me fez um pedido — aproximou-se de Angie.
– Que pedido? — Perguntou com a voz falha.
– Que eu não deixe que ninguém mais te machuque, que eu tenha certeza de que você irá ser feliz — cada palavra proferida, era um passo a mais na direção de Angie — para não sair do seu lado — German colou seu corpo ao de Angeles e olhou em seus olhos, a seu ver não havia par de olhos mais lindo do que aqueles que estavam agora na sua frente — Me desculpa, por não ser o que você esperava que eu fosse, por muitas vezes te ver como um monstro e não como o Anjo e eu e todos sabemos que é. Eu... — Engasgou entes de continuar — eu acho que me apaixonei por você.
O coração de Angeles havia pulado algumas batidas após ouvir aquilo, chegou a cogitar a hipótese de que aquilo era um sonho, uma peça infeliz que sua mente havia criado e que não estava sendo capaz de lidar. Mas não poderia estar mais errada. Aquilo era real, mais real do que qualquer outra coisa naquele momento. German aproximou seus lábio dos de Angeles, esperando alguma desaprovação. Angeles fechou os olhos e esperou o ansiado beijo. German selou seus lábios aos de Angeles, em um beijo lento, apaixonado, que demonstrava todos os sentimentos reprimidos durante os últimos meses. Angeles jogou seus braços em volta do pescoço de German, acariciando sua nuca. Sensações inexplicáveis rondavam os corações de ambos. Se afastaram do beijo lentamente, como se tivessem medo de perder um ao outro. German olhou nos olhos de Angeles e sorriu, ao que ela devolveu o sorriso, ele a pegou no colo e a levou até seu quarto, Angeles não necessitava nada mais do que descansar depois do dia complicado que tivera. German a depositou na cama e deitou-se ao seu lado.
– Se importa se eu ficar aqui? — Perguntou German.
– Nem um pouco — respondeu. German a envolveu em seus braços e assim adormeceram. Dois corações um dia feridos pelo amor, naquele instante ganharam novas forças.
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Os raios do sol invadiam o quarto, Angeles despertou aos poucos, abrindo os olhos vagarosamente, tentando evitar a claridade. Sentiu que um braço rodeava sua cintura, e no mesmo instante lembranças do dia interior invadiam sua mente. Não sabia se aquilo era certo, não sabia se iria dar certo, mas iria tentar. Virou-se lentamente, para não acordar German, e ficou observando-o. Se perguntava como alguem podia ter tanta beleza. A lembrança da carta em sua escrivaninha veio repentinamente, havia esquecido completamente, mas, não sabia se estava pronta para ler-la, mal sabia Angeles, que aquela carta carregava grandes verdades de seu passado e algo que mudaria seu futuro.
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