Starting Again
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Sabe aquela garota que acredita que tudo é perfeito, que um dia irá encontra seu príncipe encantado e viver o seu felizes para sempre? Eu era essa garota. Sim, era. Vivia em uma família perfeita com meus pais e meu irmão, tinha tudo o que eu sempre quis, fui criada para viver em um mundo perfeito, mas ninguém havia me avisado que o mundo real não tem nada a ver como nos filmes de princesas. Se a dez anos atrás me dissessem que meu conto de fadas teria um fim trágico, eu não acreditaria, mas aconteceu. Era uma noite fria, mas não me importava com isso, afinal era Natal, aquela alegria contagiando a todos. Eu e meu irmão brincávamos correndo em volta da árvore de natal, ele era oito anos mais velho do que eu, mas isso nunca impediu de nos darmos muito bem, naquela época ele tinha quinze anos e eu sete. Nossos pais estavam sentados no sofá nos observando com um sorriso no rosto. Éramos somente nós quatro, não tinha avós, tios ou primas e não me importava em saber onde estavam ou se existiam, eu era feliz com minha família e isso era o que importava. Meus pais eram médicos, apaixonados pela profissão, pela arte de salvar vidas e isso me encantava. Naquela noite o telefone tocou, a ligação era do hospital, os dois necessitam ir urgentemente para lá, e até hoje não entendi o porquê. Quando me falaram aquilo fiquei chateada, afinal era natal e queria ficar com minha família, mas não havia nada que pudessem fazer. Totalmente contrariados eu e meu irmão aceitamos ficar na vizinha até eles voltarem, alegando que não demorariam. Mas não foi o que aconteceu. Aquela foi a última vez que pude abraça-los.
Horas se passarmos desde que haviam saído, e minha preocupação e o nó na garganta aumentaram. Quando o relógio marcou exatamente as 2:11 da manhã meu mundo perfeito havia sido destruído após ouvir aquelas palavras: meus pais haviam se envolvido em um acidente. Sem sobreviventes. Aquelas palavras fizeram minha vida um poço de solidão, eu não tinha mais ninguém além do meu irmão... Duas crianças sem pais. Minha vizinha não tinha como cuidar de nós dois, ou talvez não quisesse, não tínhamos avós, ou qualquer outro parente. Passamos um tempo sendo empurrados para todos os lados, até que veio a notícia: nós iríamos para um orfanato. Eu simplesmente não aceitava, ir para um orfanato era a oficialização de que meus pais não voltariam e de que eu era realmente uma órfã. Os quatro anos seguintes foram difíceis, eu não gostava daquele lugar, não gostava das pessoas, não tinha amigos, meu único companheiro era meu irmão, que logo que chegou foi adotado, não posso culpa-lo, ele era realmente incrível e fiquei feliz por ele, mas triste por perder a única pessoa que ainda me ligava aos meus pais. O tempo foi passando e a cada dia eu me isolava mais, me sentia mais sozinha. Aos onze anos minha vida finalmente mudou quando aquela família cruzou meu caminho, lembro-me perfeitamente de quando os vi pela primeira vez e o que senti ao olha-los, e para minha felicidade foi a mim que escolheram. Aquela sensação de estar em casa, de ter uma família, de ser amada havia voltado. Mas havia um mistério naquela família, que todos os dias me enchia de dúvidas, mas não era corajosa o suficientes para perguntar a meus novos pais. O mistério era o filho mais velho do casal, German Castillo, o pouco que eu soube, através de Federico, meu novo irmão, que por sinal era um amor de pessoa, era que ele havia ido embora pouco antes de eu chegar por brigar feio com os pais, havia ido morar com os tios com doze anos, mas quando perguntava o porque da briga nunca me contava. Apesar disso cresci em uma família que me deu muito amor e que me fez feliz. Hoje tenho dezessete anos, acabei de terminar o ensino médio e estou ingressando na faculdade de medicina, é como se fazer o que eles amavam me aproximasse deles. Mas não posso negar que herdei deles a paixão por salvar vidas.
Passei os últimos meses atrás do meu irmão biológico, mas infelizmente não obtive resultado nenhum. A falta que ele me faz é muita, quando penso nele a dor no peito, o nó na garganta e a vontade de chorar voltam e me atingem em cheio. Nunca contei a ninguém, além de Federico sobre meu irmão, é como se fosse um segredo que devesse permanecer apenas comigo. *******
Estávamos todos sentados na mesa jantando, uma alegria diferente parecia preencher o ar, algo distinto, conversava-mos sobre assuntos aleatórios, sobre o clima, futuro, férias entre outros. Foi quando o telefone tocou, minha mãe saiu para atender enquanto continuávamos sentados a mesa. Quando voltou sua expressão estava diferente, não sabia se era de felicidade ou estava assustada, foi ai que disse algo que revolucionou minha vida novamente:
German Castillo estava voltando para casa.
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