Start Over

14 Verdades à tona - Parte 1


Ponto de Vista – Abigail

Acordei com uma puta dor de cabeça, mas graças a alguém chamado Bianca tinha remédio e um copo d’água ao lado da minha cama logo cedo. Desbloqueei meu celular e mandei uma mensagem de bom dia para Bernardo, que provavelmente ainda estava dormindo àquela hora e logo abri outra conversa, com o Gabriel.

Havíamos quase namorado, alguns anos atrás enquanto ainda estávamos no primeiro ano do ensino médio, antes de eu aceitar o pedido de namoro do Carter, eu e Gabriel simplesmente nos tornamos muito próximos e começamos a ficar, eu não sabia que Priscila gostava dele, por este motivo por um bom tempo eu acabei escondendo do nosso grupo que eu estava saindo com Gabriel, nós éramos discretos, mas qualquer pessoa notava que havia algo entre nós.

Mas certa vez eu acabei indo em um racha com meu irmão e ele me apresentou o Carter, falando que ele era seu amigo e queria apresenta-lo para a irmã. Fiquei sem graça com Carter dando em cima de mim, mas não dei muita moral, pois na época estava com Gabriel e eu realmente gostava dele. Quando Bianca nos convidou para a sua festa de debutante eu fiquei em choque, primeiro porque Priscila fazia questão de sempre que podia humilha-la, e segundo porque Gabriel disse que eu teria uma surpresa na noite. A grande noite chegou e eu fui logo puxada por ele, dizendo que gostava de mim e que não queria mais esconder, após isso acabei beijando-o pouco me importando se os outros estavam vendo, até que Priscila fez o maior escândalo e nos separou, gritando a péssima amiga que eu era e que eu sabia que ela gostava do Gabriel, até que ela o beijou, e eu simplesmente saí correndo depois disso. Bianca me encontrou no banheiro da festa encolhida chorando, ela me abraçou e ficamos assim por um tempo, me desculpei com ela por tudo que eu havia feito enquanto era amiga de Priscila.

Após a festa eu e Bianca nos tornamos amigas, enquanto eu e Gabriel nos tornamos amigos, mas evitávamos contato físico, ou sermos vistos próximos por muito tempo. Por um bom tempo, pelo menos após a festa da Bianca, fomos um dos assuntos do momento da escola. O pessoalzinho que não sabe cuidar das próprias vidas e fica comentando a dos outros. Após minha bem dizer “separação” com Gabriel, Carter investiu em dar em cima de mim, e começamos a namorar, se eu pudesse voltar no passado me impediria disso...

Bear: Bom dia flor do dia. – meu celular vibrou com a mensagem de Gabriel, parece que ele leu meus pensamentos em querer falar com ele.

A: Olha só quem já tá acordado

A: Bom dia Bear

Bear: Você ainda continua com esse apelido Abby?

Bear: Hahahahah

A: É claro que sim, só eu posso te chamar assim inclusive.

A: Fora que, lembra Beer, que é bem mais tua cara né

A: Hahahah

Bear: Idiota você ein

A: Você ainda me ama

A: Dá nisso ai

A: Aguenta

Bear: Seeeei

Bear: Tá se achando demais

A: Hahaha realista

Bear: *carinha revirando os olhos*

Bear: Tenho que estar bem pra hoje a noite, não estrague minha moral já cedo

A: Iiiiih, vai aonde?

Bear: Racha, zona sul

A: POSSO IR

A: POR FAVORZINHO

A: Nunca te pedi nada Gabi

Bear: Isso é uma mentira, você já me pediu muitas coisas *carinha maliciosa*

A: Idiotaaaaaa

A: To falando sério

Bear: Não sei se é uma boa ideia Abs

Bear: O que as pessoas vão falar se nos verem juntos?

A: *carinha pensativa*

A: Eu levo a Bia junto oras

A: Já somos passado nos assuntos das pessoas

A: Não devem nem lembrar

Bear: Sei não

Bear: Vê com a Bia

Bear: Se ela aceitar me avisa

Bear: Pego vocês às 8 dai

Levantei da cama seguindo Bianca até a cozinha para fazemos café, entreguei meu celular para ela ler as mensagens.

— Leia, e você não tem direito a não como resposta – falei sorrindo — E então? – Perguntei, tenho certeza que meus olhos estavam brilhando – Eu acho uma oportunidade ótima, sempre quis saber como rachas funcionam e sei que lá no fundo você também – Bianca me olhou com as sobrancelhas arqueadas e torcendo a boca – Então?

— Você disse que não aceitava não como resposta – Ela me respondeu revirando os olhos e dando de ombros. Dei pulinhos de felicidade e mandei uma mensagem avisando o Bear pra ele passar aqui as oito para nos buscar. Fui até meu quarto acordando Alice e Jess para virem comer.

Após as meninas irem embora voltei para a cozinha para ficar mais um pouco com Gui e Bianca.

— Vocês vão onde hoje à noite? – Guilherme pediu. Encarei Bia na esperança que ela me ajudasse a sair dessa, mas pelo jeito eu teria que me virar.

— No racha da zona sul com o Gabriel – dei de ombros e notei a careta que meu irmão fez – Então vamos ver você correr, provavelmente.

— Vão. Achei que você odiava rachas. – ele disse me encarando e eu fiz uma careta em resposta.

— Eu ia com o Carter.

— Eu podia te proibir e fazer um discurso, mas você já é bem grandinha para saber o que faz ou não. – ele alterou o olhar de mim para Bianca – Agora, você aceitar isso é uma surpresa. Achei que Bianca Cortez odiava rachas com todas as suas forças.

Dito isso, Bia acabou se engasgando com o café. Eu quis cair na risada com seu acesso de tosse, mas me contive.

— É o que fazemos pelas amigas – Ela disse por fim. – E como você vai estar lá acho que não tem tanto problema, vai?

Guilherme apenas deu de ombros e saiu da cozinha. Comecei a arruma-la animada, mesmo que parecesse que Bianca não estava compartilhando da mesma felicidade que eu. Bianca subiu e foi tomar um banho antes que eu, enquanto encomendava o nosso almoço. Gui estava enfurnado no quarto estudando e resolvemos não atrapalha-lo até o almoço chegar. Durante a tarde, eu e Bia ficamos assistindo filme até dar o horário para começarmos nos arrumar.

Subimos até meu quarto e comecei a revirar o guarda-roupa a procura das roupas perfeitas.

— Abby, você não vai me fazer ir como uma boneca pra um racha – Bianca disse catando uma calça jeans preta, seus típicos coturnos e retirando a blusa do pijama. Eu iria responder algo até que notei as marcas de chupões em seus seios e pescoço. Ela notou meu olhar e logo colocou a regata virando para o espelho arrumando seus cabelos.

— BIANCA MARIA CORTEZ – gritei indo em sua direção sorrindo marota – O que é isso no seu pescoço e por que não me contou?

— Não contei o que? – ela estava se fazendo de desentendida e eu acabei rindo.

— Que você perdeu a virgindade, ué. Porque isso aí não é só de uns pegas, que eu sei – ela abriu e fechou a boca e não saiu nenhuma resposta a principio. – Sério, Bi.

— Eu não sabia como contar e você anda meio distante, e não queria falar pras outras meninas porque elas pediriam com quem foi e não posso contar. – ela estava sendo sincera e eu fiquei abismada, mas logo me virei voltando ao guarda-roupa.

— Você está tendo um caso? Bianca Cortez? Isso não soa como você. Mas eu fico me perguntando, o quanto eu realmente sei sobre você.

— Mais do que todo mundo.

— E essa pessoa que você não pode dizer quem é... Você gosta? Tipo, de verdade? – pedi a olhando.

— Mais do que eu achei que gostava do Henrique – dito isso eu soltei um “uau”.

— Então você deve estar muito apaixonada, hein – respondi rindo – Mas, por que manter em off se você gosta dele?

— Porque ambos temos o mesmo problema de gostar de pessoas e em estragar tudo isso. Então estamos vendo onde isso vai dar.

— E quando vou conhecer ele? Ou é ela? – perguntei rindo, eu sabia que a Bia era bi, então, por um lado eu acharia fantástico se fosse uma garota.

— É ele e talvez você já o conheça, não tenho certeza. – ela disse terminando de passar a sua maquiagem enquanto eu apenas segurava minhas roupas na mão – Eu vou descer e deixar você se trocar, já que você está evitando tirar a roupa na minha frente... Provavelmente você e Bernardo andam se divertindo, hein? – ela sorriu marota.

— MARIA – gritei e joguei um sapado em sua direção, o qual acabou batendo na porta recém-fechada.

Bem que eu queria que fosse por isso Bia. Pensei comigo e retirei minha roupa. Os roxos nas costas e ombros ainda eram bem aparentes, o que me fez ter que escolher outra blusa para ir. Coloquei uma calça jeans de cintura alta, um cropped branco com algumas florzinhas e um cardigã azul. Procurei nos meus calçados uma sapatilha que combinasse. Olhei o resultado no espelho e gostei do que vi.

Fui até a penteadeira e soltei meus cabelos, coloquei o babyliss esquentar até eu terminar de me maquiar, o que se resumiu em um blush, rímel, lápis de olho e batom rosa. Fiz alguns cachinhos nas pontas e estava pronta. Sai do quarto e fui caminhando em direção as escadas.

— Bianca. Tá bom assim? – parei no topo da escada e ela me encarou.

— Depende, você quer parecer a Abby ou uma garota malvada? – abaixei a cabeça corando com sua resposta. – Você tá bonita, vem cá Guilherme, diz se tá bom pra um racha. – meu irmão veio e me encarou.

— Parece um pouco princesinha demais pra um racha, não acha? – ele recebeu uma cotovelada de Bianca quando disse isso.

— Exatamente o que eu sou, já que você é o rei eu sou a princesa, certo? Ouvi falar que o apelido de rainha já está em uso – dito isso desci as escadas sorrindo marota para meu irmão, e logo a campainha tocou. Bianca foi até a porta atender enquanto eu fiquei conversando com Gui.

— Você tem certeza que tá tudo bem em ir? – ele pediu tocando meu ombro.

— Gui, tá tudo certo. Por que a preocupação? – arqueei as sobrancelhas em resposta.

— Não, sei lá... só achei que não se sentia confortável lá. Mas acho uma boa ideia vocês irem, sinceramente – ele deu de ombros.

— Eu gosto de rachas Gui, só não gosto de você, ou qualquer pessoa que eu me importe, correndo... se algo acontecesse eu não poderia fazer nada – dei de ombros também e fui até a porta.

— Eu juro que se a gente se machucar ou algo acontecer eu te ressuscito pra te matar de novo – Bianca falou dando de dedo para Gabriel, que apenas riu.

— Calma, Bi, não tem nada demais em rachas. E o Gui acha uma boa ideia – dei um sorriso para ela e a afastei pulando no pescoço de Gabriel para abraça-lo.

— Acha é? – Bianca encarou meu irmão que apenas sorriu maroto.

— Ué, você nunca foi em rachas, Bia? Parece tão assustada com a ideia – ele disse cruzando os braços e encostando-se na parede, encarei os dois meio desconfiada.

— Vamos então? – Bianca passou por nós como um furacão. Apenas ri acompanhada de Gabriel que continuava com a mão em minha cintura até o momento. Acenei para Guilherme.

— Alguém parece irritada – Cantarolei indo pulando até o carro. – Se está tão irritada com o racha, como explica mesmo o chaveiro da zona sul que você tem nas suas chaves do carro? – perguntei cruzando os braços.

— Touché – berrou Gabriel abrindo o carro e Bianca apenas entrou no mesmo sem falar nada.

— Não vai responder? – Perguntei virando para trás a encarando.

— Alguém deu pra mim, nem sabia que era da zona sul. – Ela disse simplesmente enquanto eu a encarava.

— Vou acreditar, por enquanto – falei virando para frente novamente. Gabriel me explicava como eram os rachas, como eles funcionavam normalmente e coisas do tipo. Eu sabia poucas coisas então não foi tão difícil de entender. – E quem é essa rainha que vocês andam comentando? Às vezes eu escuto os papos dos rachas – perguntei encarando Gabriel. – Ela está mesmo saindo com meu irmão?

— É o que dizem. Ela é filha de um mafioso da cidade, não chegamos muito perto. Superou seus outros irmãos nos rachas e também Guilherme – arqueei as sobrancelhas quando ele disse isso. Então ela era boa mesmo. – Mas eles vivem superando um ao outro, então é divertido.

— E quem ela é? Gui parece estar realmente interessado nela, como eu nunca vi. E andei vendo uns recados no quarto dele o que significa que ela já foi lá em casa, no quarto dele. Guilherme nunca leva ninguém para o quarto. Nunca. – Era uma verdade, Gui nunca levava uma garota para o quarto, ele dizia que apenas uma especial teria este direito, que o limite era a sala de estar. Lembro que a sua última ficante nunca foi para o seu quarto.

— Eles têm algo intenso Abby, mas não sei o nome dela. Apenas o apelido – ele respondeu dando de ombros.

— Bem, espero que não seja encrenca – virei para frente e reconhecendo aquele caminho.

Logo chegamos ao local e fomos bem recebidos, Bianca logo desapareceu e notei alguns olhares quando viram que era eu quem estava ao lado de Gabriel.

— Ei, tá tudo bem? – ele pediu apoiando a mão em meu ombro.

— Tá sim... só achei que eles não se lembrassem – encarei seu rosto e ele me deu um sorriso de canto.

— Acho que eles nunca esqueceram, pra ser sincero. – dito isso ele foi até alguns amigos e eu encontrei Bianca. Segui seu olhar e notei Priscila com os braços em volta do pescoço do meu irmão.

— Vaca. Não creio que Gui esteja dando bola pra ela! – falei com desgosto da cena.

— Ele não está – Bianca respondeu.

— Alguém tem que tirar ela de lá. – Notei que Bianca saiu caminhando na direção deles, isso não ia acabar bem. Vi que ela passou os braços por cima dos ombros do Gui e lhe deu um beijo na bochecha. Bianca nunca fazia isso, COM NINGUÉM. Guilherme abraçou a cintura de Bianca e meu queixo quase caiu. Cheguei perto deles para escutá-la falando “A rainha chegou, baby. Já pode ir, vassala, obrigado por tê-lo animado por mim”. Arqueei as sobrancelhas e Priscila saiu enfurecida dali.

— Obrigado. Eu não sabia como me livrar dela sem a machucar. – Ele disse a agradecendo.

— Que papo de rainha foi esse? E essa inteiração? – falei apontando pros dois.

— Priscila odeia Bianca, e fingimos que ficamos para ela, para parar de encher meu saco na academia. A Bi é umas das rainhas da academia. – Ele deu de ombros, mas eu não havia caído nesse seu papinho. – Então, ela veio com o mesmo papo só para fazer ela vazar.

— E desde quando você se encosta em alguém assim? – Pedi arqueando as sobrancelhas para Bianca. Em vez ela me responder...

— Quem quer cerveja? Talvez vodka pra mim. – Ela disse se desvencilhando de Guilherme e indo até o local das bebidas. Caminhei pisando duro atrás dela.

— Bianca Maria Cortez – ela se virou com um sorriso no rosto e me entregou uma latinha de cerveja, voltando a caminhar. Fiquei abismada com sua atitude, ela voltou ao lado dos meninos e conversava com eles como se fosse à coisa mais natural estar ali. Meu irmão foi para o seu lado e pegou a cerveja de sua mão, enquanto a outra passava por sua cintura. Ok, aquilo definitivamente não era só amizade. Caminhei em sua direção a fim de puxa-la e pedir explicações meu irmão grita.

— Beleza, já fechou a primeira corrida? – Diversas pessoas gritaram confirmando. – Ei meninas, Gabs, vamos combinar como vai ser.

— Abby vai contigo e a Bia comigo? – Gabriel falou e eu sorri, mas meu irmão ficou apenas o encarando.

— Eu confio que você vai correr bem e cuidar da minha irmã. Se algo acontecer eu juro que esgano você. – Que? Migo, não. Você sabe que tá todo mundo achando que eu e ele estamos juntos, você não poderia deixar isso continuar. Porra Guilherme— Bianca vem comigo.

— Por que será que ela vai com você? – pensei alto demais e Guilherme apenas riu puxando-a até seu carro. Fui caminhando com Gabriel até o dele, que abriu a porta do carona pra mim.

— Primeiro as damas – fez uma leve reverencia e eu apenas ri entrando. Logo ele estava em seu lugar.

— Sabe que isso não ajuda a diminuir os comentários, não sabe? – perguntei o encarando.

— Sei, mas não devemos nos importar com o que eles pensam não é? – ele arqueou as sobrancelhas sorrindo e eu concordei. Ele foi até a linha de largada. O carro de Guilherme estava a nossa esquerda, e mais um carro a nossa direita.

— Apenas três? – pedi.

— Às vezes acontece... mas não tem problema – deu de ombros e logo foi dada a largada.

Acho que agora eu entendia o que o Gui falava sobre a adrenalina que corria em suas veias enquanto você corria. Foi uma das melhores sensações que tive. Notei que o carro da nossa direita estava emparelhando com Gabriel.

— Não dessa vez – ele disse apertando mais o volante e passando em segundo lugar no fim, se bem que ambos terminaram com pouca diferença de tempo, diferente do meu irmão que havia passado com uma boa vantagem dele e do outro carro.

— Você correu bem – falei para Gabriel que sorria para mim, mesmo tendo chegado em segundo.

— Obrigada Abs – falou rindo parando o carro próximo aos outros.

Desci do carro e fiquei esperando Gui e Bia voltarem para ali. Logo senti alguém me encarando e saindo do outro carro que estava no racha agora a pouco, quando olhei para trás notei Bernardo me olhando. Sorri em sua direção um pouco indignada com a situação e ele veio caminhando duro em nossa direção.

— O que está fazendo aqui? – Ele pediu me olhando, notei que ele encarou Gabriel que estava atrás de mim.

— Calminha ai. O que você está fazendo correndo em um racha Bernardo? – Cruzei os braços sobre o peito e me coloquei na frente de Gabriel.