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32 Surpresas


Meus primeiros dias no hospital foram complicados, eu não conseguia conversar com ninguém, as duas primeiras semanas eu ficava em completo silêncio, a única pessoa que ficava comigo no quarto era Bianca, pois eu deixei claro por um bilhete que eu queria ela ali, me sentia segura.

Notei que meus pais e minha irmã não concordaram 100% com a minha decisão, deixar uma pessoa de fora cuidar de mim naquele momento delicado, Guilherme concordou comigo e como escutei ele mesmo falando “era Bianca, ela era tudo o que Abby precisa agora”. Fiz as palavras dele as minhas, ela era realmente isso, irmã, melhor amiga, cunhada, eu sabia que para tudo ela estaria ali ao meu lado, inclusive naquele momento delicado. Diferente de minha mãe, ela estava respeitando o silêncio que eu estava precisando após meu surto no dia em que acordei e meu irmão estava ali, me sentia mal por ter feito ele ser retirado do quarto daquela forma, mas quando Bianca chegou ela me explicou que aquilo era normal após um momento traumático, que aos poucos eu ia me curar.

Durante esses dias as enfermeiras apareciam no quarto fazendo suas rondas, trocando meus soros, me entregando alguns remédios que depois descobri ser complementos vitamínicos, pois eu estava com falta. Após duas semanas voltei a falar, Bianca ficou feliz com minha volta “ao normal”, pedi para ela que eu precisava de ajuda e logo uma psicóloga da própria polícia veio conversar comigo, pedi para que Bianca ficasse comigo, a psicóloga respeitou e pediu para que eu relatasse tudo o que havia acontecido no tempo em que me mantive sequestrada, não deixei nenhum detalhe de fora, desde o momento em que acordei em uma casa no meio do nada, amarrada na cama de Carter/Willian, dele utilizando meu corpo da forma que bem entendia, os banhos sobre vigia da irmã, nos momentos em que ele não estava em casa Priscila/Charlotte tentava de todas as formas me humilhar, em algumas vezes até me bater, pois ela sabia que eu não poderia fazer nada que as consequências seriam piores.

— O último dia, após a tia dele vir até meu quarto e me soltar um embrulho escondido perto da cama, alguns minutos depois ele chegou, conversamos, e eu resolvi agir, me fiz de dissimulada, fingi aceitar minhas condições, a tia dele saiu do quarto e ele disse que estava feliz com minha mudança e me falou que iriamos sair naquela noite – Respirei fundo, continuei encarando minhas mãos. Bianca passou a mão em minhas costas me incentivando a colocar tudo pra fora.

— E o que tinha no embrulho? – a psicóloga perguntou.

— Um celular – foi a primeira vez que encarei ela – Quando eu vi eu senti um fio de esperança, em avisar minha família do que estava acontecendo e o que eu iria fazer naquela noite, esperança de que no momento em que eu enviasse a mensagem pro meu irmão ele entendesse que eu precisava dele, que ele me tirasse de lá, e foi o que aconteceu no fim. Eu enviei a mensagem, que ele iria encontrar com a irmã dele a noite, que ele precisava ficar preparado para o momento em que eu o avisasse ir até o local.

— Ele sabia que era você?

— Não, não sabia, como o celular era diferente, ele não tinha esse número, além de que eu não poderia ligar para ele, Carter iria ficar sabendo que eu estava conversando com alguém e todo o plano iria por terra.

— Carter que você fala é Willian?

— Sim, foi como ele se apresentou anos atrás pra mim, com esse nome.

— Esse era o nome do pai dele, você sabia disso?

— Não, nunca soube nada relacionado a família dele.

— Claro, prossiga.

— Então quando ele me disse que iriamos para um restaurante que íamos com frequência no nosso início de namoro, eu fui até meu quarto, naquela casa, e enviei uma mensagem para Guilherme, que me respondeu com um OK. Como eu disse antes, minha esperança era que ele acreditasse. O “passeio” foi tranquilo, sempre quando estávamos em público era tranquilo, mas quando saímos do restaurante eu vi o carro de Guilherme, só que ele também viu. Me fez entrar à força no carro e começou a correr, eu vi que o ponteiro do velocímetro já estava nos 140km/h, ele ultrapassava os carros sem se importar se iriamos bater, então em um ato... de sei lá, bravura?! Puxei o freio de mão e capotamos o carro, os airbags impediram que nos machucássemos, nada de ferragens nos prendeu, ele cortou o cinto e tentou fugir, mas foi impedido.

— Por quem?

— Primeiro meu irmão, depois disso acho que pelos homens que estavam trabalhando com meu pai no meu resgate.

— Sabe me dizer se seu irmão agrediu Willian?

Eu lembrava do barulho de soco, do corpo de Carter sendo arremessado no chão, dele cuspindo sangue, me encarando e Guilherme puxando-o novamente para mais socos, mas o que saiu de resposta em minha melhor cara foi:

— Não posso te falar sobre isso, pois no momento em que ele saiu do carro um amigo meu, Charles, me orientou a proteger minha cabeça que ele iria estourar o vidro para me tirar dali, e foi o que fiz, quando sai do carro abracei Charles, e depois disso meu irmão chegou ali e abracei ele também, senti minhas costelas doerem e meu irmão me colocou no carro e me trouxe pra cá, é só isso.

Respirei fundo e dei de ombros encarando a psicóloga, ela encerrou a gravação e deu um sorriso pra mim.

— Entregarei a gravação para o Delegado Mendes dar prosseguimento com o Inquérito e após isto com o processo, obrigada pelas informações Abigail, e qualquer coisa que se lembre podem entrar em contato comigo – Ela entregou o cartão para Bianca e se despediu, saindo do quarto do hospital.

Após sua saída soltei meus ombros e joguei minha cabeça para trás, apoiada no encosto das costas da poltrona.

— Você mentiu pra ela – Bianca afirmou, estava apesar disso sorrindo pra mim – Na parte que você disse que não poderia afirmar se Guilherme bateu nele, você mentiu.

— Xiu, não deixa ela escutar – eu também sorria – Espero que ele tenha batido o suficiente para ele lembrar com quem ele se meteu, mas sim, Gui bateu nele, eu só vi o corpo dele caindo no chão e cuspindo sangue, depois disso Guilherme puxou ele de volta e provavelmente continuou batendo, mas como eu disse, Charles chegou e chamou minha atenção mandando eu proteger minha cabeça, então eu não menti, só omiti os fatos – pisquei para ela.

As semanas se passaram, continuei fazendo diversas baterias de exames, Bianca saia do quarto apenas para ir comer algo no restaurante do Hospital, Hugo normalmente estava com ela aqui. Guilherme havia me enviado um celular novo de presente.

O presente é simples, mas sei que você deve estar sentindo falta de conversar com todos, então aproveite o presente. Eu amo você, sinto sua falta.

Com carinho.

Gui.

Sorri quando Sophie veio me entregar, ela e Ayla havia aparecido hoje me visitar.

— Então, me atualizem, como estão as coisas? – Pedi e as duas começaram a falar sem parar.

Falamos sobre tudo um pouco, me atualizaram como estava as coisas na escola, como todos ficaram em choque com a descoberta sobre Priscila, mas que nosso grupo não se espantou muito com ela saindo acompanhada da escola por policiais.

Contaram ainda sobre os treinos dos garotos, que Gustavo havia sido chamado para jogar no lugar de Bernardo, claro, ocorreram os testes, mas Gustavo conseguiu assumir muito bem a posição do irmão. Bernardo também havia voltado para a escola e não conseguiu ficar fora do jogo, entretendo, assumiu junto com o técnico deles os treinos e orientações pro time. Ele sempre foi um ótimo capitão, e agora, que não poderia estar em campo, se mostrou muito melhor do que antes.

— Estamos sentindo a sua falta na escola, não só nós não é – Soph alfinetou e Ayla começou a sorrir.

— Claro, Bernardo sente muito mais falta dela do que todos nós juntos.

— Eu não sei se vou voltar – disse por fim e o sorriso das duas murchou, continuei – Eu já tenho médias, então pedi pro papai ver a possibilidade com a diretora de eu me formar em gabinete, antecipada no caso.

— Mas a formatura de vocês está logo ai – Soph parecia desapontada.

— Eu sei, mas eu já havia enviado minhas cartas para as universidades, algumas já voltaram com a resposta, então opções não estão faltando, por isso quero ser se consigo me formar assim – Dei de ombros e sorri, ambas se encaram e começaram a rir – O que foi?

— Aí porque já tenho médias, posso ir pra faculdade – Soph começou a me imitar.

— Já posso ir embora – Ayla continuou a imitação

Comecei a rir das duas e logo a porta foi aberta por Bianca, notei que ela começou a sorri de me ver sorrindo.

— Ei Bia, vem cá, vamos conversar também – Falei dando espaço na cama para ela sentar ao meu lado, mas antes que ela viesse seu celular começou a tocar.

— Só um minutinho, preciso atender – Ela disse. Notei seu olhar, e se eu não estava enganada era Guilherme.

— Ela tá estranha nos últimos dias – Soph disse séria – Não vejo mais ela e o Gui juntos lá em casa, ele inclusive está mais magro, sei lá, parece que foi séria a coisa.

Sem pensar fiquei em pé, coloquei meus chinelos e fui até próximo a porta para tentar escutar algo, mas apenas o que eu entendi foi “Fomos descuidados” “Na próxima ultrassom eu te digo a hora e você pode me acompanhar”. Com isso já foi o suficiente para eu dar dois passos para trás e ficar espantada, voltei para a cama, mas logo que Bianca voltou ao quarto e ficou me encarando, pela minha reação ela já sabia que eu havia escutado, senti minhas bochechas corarem.

– Vocês estavam escutando a conversa? – ela pediu arqueando as sobrancelhas.

— Eu sabia que pela sua cara só podia ser o Gui, e como você não disse uma palavra sobre vocês dois, mas era bem óbvio que tinha algo de errado eu resolvi descobrir – Falei por fim e a puxei para um abraço – Então eu vou ser tia?

— Eu não vou falar nada, porque você foi muito intrometida – Bianca me respondeu me empurrando com os ombros, se desvencilhando do abraço e se jogando no sofá do quarto, caminhei até seu lado e deixei minha mão parar em sua barriga, afagando de leve

— Soph, vamos ser tias! – acabei falando um pouco mais alterada para Soph que começou a dar pulinhos. Ayla nos acompanhou. Bianca acabou nos ignorando, ficou encarando a janela e colocando a mão na barriga, segurando o sorriso.

Ficamos tentando tirar respostas dela o máximo que conseguimos, mas Bianca estava sendo resistente e mantendo a palavra de não dizer nada. Após Ayla e Soph despedirem-se, sentei-me ao lado de Bianca no sofá e segurei suas mãos.

— Por que você não falou nada? É por que ainda não estou bem o suficiente? – senti um arrepio ruim percorrendo minha espinha novamente, o medo tomou conta de mim – Ou por que não é você que está grávida e sou eu?

— Você não tem como estar grávida, porque foi feito um protocolo que impediu qualquer tipo de concepção ou de DST que poderiam ter sido transmitidas por aquele imundo – Bia respondeu rápido e eu apenas assenti, compreendendo o que ela quis dizer. Sorri para ela me sentindo aliviada em não ter mais nada que me ligasse aquele monstro – É meu, e do Gui. Quando ele me mandou a mensagem pedindo para vir para cá eu tinha acabado de fazer o teste. Eu não contei antes porque ainda não digeri direito que estou grávida.

— Você tá assustada? – Vi que os olhos de Bianca estavam cheios de lágrimas sendo seguradas para não caírem.

— Abby, eu matei todas as plantas que já tentei ter, como que eu vou ter uma criança? – Acabei rindo e a abracei forte.

— Bia, criança não é igual planta, eles estão mais para filhotinhos e que eu saiba você domina filhotes de cachorros e gatos melhor que todo mundo – Sorri para ela, passei uma mão em seus cabelos e outra deixei pousar sobre sua barriga – Você e o Gui não tão mais juntos, né?

— Eu sei que no momento que eu ver seu irmão, vou correr pros braços dele, mas não acho que isso seja o melhor agora, pra ninguém – acabei suspirando e abaixando o olhar – A culpa não é sua, eu e ele sempre fomos complicados...

— Eu sei, mas isso é porque vocês dois são dois teimosos que não sabem lidar com sentimentos porque são orgulhosos demais. Vocês precisam se acertar, nem que seja apenas para o bem do bebê, você sabe disso, não sabe?

— Sim, eu sei – Ela suspirou e me deixou continuar com o cafuné – Só... Eu tô cansada de me machucar e de machucar o Gui, só quero voltar pra ele se for pra ser bom, entende?

— Sim, eu entendo, meu anjo – Assenti e a puxei para perto, dei um beijo na sua testa e continuei com o cafuné em seus cabelos.

Ficamos um bom tempo ali até que a minha psicóloga chegou para mais uma consulta, Bia disse que estaria no restaurante do hospital e apontou para o celular dizendo para que eu enviasse uma mensagem quando fosse para ela voltar. Assenti e começamos a nova sessão.

Era natural agora falar sobre os traumas, eu me sentia bem e segura em tentar me curar das cicatrizes que estavam dentro de mim. A psicóloga me deu a dica que como já faziam diversas consultas, ela notou que eu sentia falta do meu irmão e de todos os homens que me cercam, então era pra tentar me reaproximar deles, ver qual seria minha reação, e conforme ela tentaríamos uma nova estratégia. Assenti com todas as suas dicas e como sempre agradeci por sua ajuda. Após o término mandei uma mensagem para Bianca que a psicóloga já havia ido embora.

Quando Bia voltou comecei a falar sobre o bebê, pedi como e quando ela havia descoberto e ela me contou tudo, e como eles estavam durante este tempo.

— Hugo melhorou? – pedi, Bianca começou a me mostrar as fotos do apartamento novo e do seu quarto, que já estava praticamente pronto, faltando apenas alguns detalhes na decoração.

— Ele tá limpo, e ele limpo sempre foi meu irmão preferido, só não conta pro André – Bianca admitiu, dando de ombros – É que o André as vezes é mais meu pai que o meu pai... puts.

— Que foi? – Me assustei e fiquei a encarando, com uma cara de quem havia feito merda.

— Eu não contei pro André sobre a gravidez, nem pro meu pai e nem pra minha mãe – Após sua confissão acabei soltando um “Oh” – Lia vai ficar tão puta quando eu contar.

— O que você vai fazer?

— Mandar foto do ultrassom de hoje – respondeu dando um sorriso de canto – Se tiver sorte já vai dar pra ver o sexo.

— O Gui vai vir hoje aqui, né? – Pedi mordendo o polegar, Bianca assentiu – Você consegue trazer ele aqui para a gente tentar se ver pessoalmente?

— Você tem certeza que está pronta, Abby? – Ela esperou uma reação minha e eu dei de ombros em afirmação.

— Sim, minha psicóloga disse que eu devia tentar – Bianca concordou com minha resposta e me puxou para um abraço, seguido de beijo na testa e um cafuné – Bia... Falando nisso, eu vou ser liberada daqui três semanas, você sabe que não precisa mais ficar dormindo aqui comigo, não é? Se quiser ir pra casa...

— Eu te prometi quando cheguei que ficaria o tempo que precisasse e eu acho que você ainda precisa de mim – Acabei suspirando, eu me sentia um fardo, principalmente agora que descubro que minha melhor amiga está grávida e ainda mais do meu sobrinho ou sobrinha – Inclusive, quando sair, estamos arrumando um quarto para você no apartamento, Hugo não vai morar lá, então vai ser um bom lugar pra ti.

Por fim acabei sorrindo com sua resposta, gostei da ideia de morar com Bia, já estava acostumada com isso, e não sei mais como seria entrar no meu quarto após o sequestro, tinha medo de ter um ataque de pânico, mesmo com todos os momentos bons que passei naquela casa, teve muitos que eu queria sumir ou morrer.

— Você vai continuar aqui?

— Eu vou ficar até o bebê nascer e até o julgamento do seu caso. Depois eu não sei para onde vou. Vou cursar Direito, mas tenho várias opções de faculdade, você sabe que o escritório do meu irmão é enorme e tem filiais em muitos lugares. Os negócios lícitos do meu pai também. – Assenti com sua resposta.

— Não entendo por que seu pai mexe com tanta coisa ilícita se ele estaria muito bem com todas as coisas lícitas que ele criou.

— Minha família praticamente criou a máfia Espanhola nesse país, Abby, não tem como se desvincular tão fácil assim – encarei Bianca com sua confissão – Talvez os filhos dos meus filhos consigam sair totalmente do ramo, mas provavelmente meus sobrinhos e os filhos dele ficarão lá e sempre teremos um pé ou outro no ilegal. Não gosto disso, mas essa é a história dos Cortez. A única coisa que posso fazer é tentar impor regras morais que limitem as merdas que fazemos.

— Como?

— Meu pai não trabalha com tráfico de pessoas. Mata estupradores e traficantes de pessoas, mas não mata inocentes. Não vende armas para pessoas que usam crianças em atentados terroristas. Ajuda o governo quando nem eles podem atuar. O que ele faz continua ilegal, continua errado, mas não é algo que não deixe ele dormir à noite – Bianca parecia nostálgica contanto aquilo, era incomum escutar ela contando algo da família dela – Não estou defendendo, só...

— Eu entendi, só é estranho ver você falando da sua família, não de forma tão sincera – soltei a respiração que eu nem sabia que estava segurando.

— Não tenho mais segredos pra esconder. Eu confio em você e em sua família a minha vida, Abby, dividimos um laço de sangue agora, e... Eu odeio isso, mas puxei do meu pai, da família não se esconde nada.

Senti meus olhos enxerem de lágrimas e abracei Bianca fortemente, isso havia se tornado comum entre nós nessas últimas semanas, todo e qualquer carinho, não tinha nada melhor que os abraços e cafunés que fazíamos uma na outra, a nossa cumplicidade parecia cada dia aumentar mais.

Bia saiu do quarto e me avisou que estava indo para a consulta, ela me disse que iria se reencontrar com Guilherme depois de todo esse tempo apenas hoje.

— Boa sorte – falei e fiz ela sorrir – Espero que se acertem.

— Abby!

— O que? Eu espero que vocês fiquem juntos oras, sempre amei vocês dois, ainda mais como um casal, e mais ainda agora que vão me dar um sobrinho.

— Pode ser uma menina.

— É, pode ser, mas eu aposto que não.

— Hugo acha que é uma menina.

— Então eu e ele estamos competindo – disse por fim e ela sorriu saindo do quarto.

Após algum tempo da sua saída uma das enfermeiras entrou em meu quarto entregando um envelope com o resultado do ultrassom, nele estava um bilhete de Bianca colado:

Você ganhou tia babona.

Até depois.

Bia

Sorri com a notícia, entrei em um site de imagens procurando já decorações para quartos de bebê para sugerir para Bianca, já que ela havia oferecido para morar com ela, nada mais justo do que eu ajuda-la a escolher a decoração do quarto.

Escutei a porta sendo aberta e ela surgindo com um sorriso gigantesco no rosto e suas bochechas coradas.

— Pelo jeito eu não acertei só o sexo do bebê? – Perguntei abraçando-a – Bem-vindo meu amor, a tia já te ama muito – falei passando a mão em sua barriga, vi os olhos de minha amiga enchendo de lágrimas.

— Todos já estamos amando esse bebê muito – quem falou isto foi Guilherme, que eu não havia notado que estava ali no quarto.

Sorri para ele, senti minha respiração ficar acelerada, mas comecei a tentar controla-la. Bianca segurou em minha mão como se me desejasse força.

— Oi Gui – disse por fim, vi que meu irmão estava parado, com as mãos no bolso, seu sorriso não saia do rosto.

Fiquei em pé ao lado de Bianca, mantive minha mão segurada com a sua.

— Só fica parado, por favor – pedi encarando Guilherme, vi seus olhos, assim como os meus encherem de lágrimas, mas a ansiedade estava presente ali, em nós dois, soltei a mão de Bianca e caminhei até ele em curtos passos. Abracei seu corpo, escutei seu coração batendo acelerado, sua respiração ficando calma, e assim como ele soltei todo o ar de meus pulmões e abracei mais forte que antes seu corpo.

Senti seus braços ao redor do meu corpo, mas não me importei, me senti em casa, protegida, finalmente eu tinha meu irmão de volta, ali, ao meu lado, me abraçando. Não sei quanto tempo ficamos ali apenas abraçados, até que Guilherme disse por fim:

— Eu senti tanto sua falta.

— E eu a sua – falei por fim sorrindo para ele.

Guilherme segurou meu rosto entre as mãos e começou a me beijar na bochecha, na testa, fazendo com que eu começasse a rir. Quando parou encarei Bianca que estava chorando, puxamos ela para um abraço em família.

— Fiquei sabendo então que você me deu um sobrinho.

— Foi meio inesperado.

— Eu gostei da notícia, espero que você tenha outra para me dar – Falei encarando Bianca, que logo ficou com as bochechas ruborizadas.

— Estamos juntos, você estava certa nisso também — admitiu e eu acabei dando pulinhos de alegria, abraçando novamente eles dois.

Após um tempo sentei na cama e os dois sentaram no sofá, Guilherme achou uma posição que ele conseguisse além de abraçar Bia ficasse confortável para ficar acariciando sua barriga, ele estava com uma cara de meio abobado com a ideia de ser pai, pelo jeito.

Uma enfermeira entrou no quarto trazendo minha janta, agradeci e continuei conversando e comendo aquela comida sem gosto.

— Quero uma janta caprichada quando eu sair daqui, não aguento mais isso – falei fazendo careta e Guilherme sorriu.

— Vou caprichar em algo quando você tiver alta Abby, pode deixar.

Sorrimos um para o outro e deixamos o papo fluir, até Bianca ficar cansada e Guilherme falar que iria dormir com nós duas hoje, sorri vendo eles dois, deitei em minha cama e dormi feliz, pois vi o quão em casa eu me sentia com eles dois.

Notas finais
Vamos lá fantasmas, aparecem, se manifestem. Espero opiniões sinceras de vocês, se lembrem, sejam gentis, sempre.