Kristy Collins

Era verão quando nos conhecemos, ele parecia um garoto qualquer, mas o que me chamou sua atenção foi o jeito que não se interessava por todas, ele era diferente, os estudos eram o seu foco e ele quase não se distraía. Levei mais de dois meses tentando chamar a atenção dele e quando finalmente consegui, soube que valeria a pena porque Logan era diferente de tudo, ele era o cara de uma garota só.

Bem, era isso que eu imaginava, até o inimaginável acontecer, depois de 8 anos juntos, o Logan me traiu com a vaca que atualmente vós chama de esposa. Fiquei tão quebrada que eu achei que nunca mais poderia amar novamente, bom, eu ainda não arrumei ninguém, mas agora um ano depois, sinto que meu coração finalmente está se curando, mas isso não significa que eu aceitarei de bom grado tudo que aquela mulher faz, ela pode ter destruído o meu casamento com aquela maldita foto, mas não pode destruir a minha filha, isso eu não permito.

Estávamos frente a frente, mas eu não o encarava, não tinha estômago para isso. Por isso, durante todo o acordo judicial, eu me mantive quieta e de cabeça baixa, minha advogada sabia bem os pontos que eu queria e ela com certeza não pararia até que estivesse fechado, mas foi quando aquela mulher abriu a boca que eu precisei levantar a cabeça, me sentindo tentada a rosnar pra ela.

— Como é? – pergunto entredentes, com certeza eu não havia ouvido direito, só podia ter enlouquecido.

— Tá surda? – ela retruca, me fazendo apertar os braços da cadeira, ou voaria no pescoço dela – queremos a guarda definitiva da Solzinha, nada compartilhado.

— Senhora, o acordo era compartilhado, não perderemos tempo com mudanças de última hora – o juiz fala e ela com toda sua áurea falsa se virou para ele, sorrindo encantadora, bruxa.

— Meritíssimo, veja bem, eu e Logan somos casados, a Kristy é mãe solteira e vive trabalhando, a menina fica com uma babá, seria muito melhor que ela tivesse uma família estruturada – ela diz me fazendo rir nasal, achando de fato aquela fala engraçada.

— Senhora Henderson, foi provado de todas as formas que a senhorita maltrata a criança, a guarda definitiva fica com a mãe e se insistir novamente, anulo o pedido de guarda compartilhada – o juiz fala firme, fazendo a mulher engolir em seco e se sentar murcha.

E finalmente eu sorri, bruaca.

Depois daquilo, tudo ocorreu perfeitamente bem, incluindo a condição da babá. A Sol tem uma babá desde que nasceu, a Camila, ela veio do Brasil para viver um sonho, eu a ajudava sempre que podia, mas ela acabou desistindo, porque disse que não o que esperava. De qualquer forma, somos uma família, e eu confio na Camila de olhos fechados, sei que ela cuidará da minha filha muito bem.

— Essa sessão está encerrada – o juiz fala e nos levantamos, vendo o homem sair.

Trato de pegar minha bolsa e sair ao lado da minha advogada, estávamos muito satisfeitas por ter saído como queríamos. Mas minha satisfação foi embora quando o Logan puxou meu braço no meio do corredor, me fazendo olhar para ele com a expressão mais odiosa que eu poderia.

— O que houve com a gente? – ele pergunta, parecia perdido, como se de fato tivesse dormido todo aquele tempo e acordou em uma realidade diferente.

— Você escolheu que fosse assim – digo simples e olho para o meu braço, vendo os dedos dele escorregarem e me soltarem.

Sem dizer mais uma palavra, peguei a Sol e sai junto a babá e a minha advogada. Eu não desejava começar uma briga na frente da minha filha, mesmo que eu tenha feito uma cena dias atrás, ainda não acho certo.

— Mamãe – Marisol chama quando eu a prendo na cadeirinha – eu vou ter que morar com o papai?

— Não se não quiser meu amor, mas precisa visitá-lo de vez em quando.

— Por quê? Ele nem gosta de mim.

Engulo em seco, me doía ver a minha filha dizer aquilo.

— Quem te disse isso borboletinha? – pergunto com calma, me agachando para ficar na altura do rosto dela.

— A Melissa.

Suspiro cansada, essa mulher parece que sente prazer em querer destruir os outros.

— Meu amor, o seu papai te ama mais do que qualquer coisa nesse mundo – aquilo era verdade e por mais que eu tivesse problemas com o Logan, eu sabia que não era justo dizer o contrário – quando você nasceu, seu pai passou uma semana inteira parecendo um vigilante, qualquer barulhinho que você fizesse, ele já estava ao seu lado, porque ele tinha muito medo de que o anjinho dele estivesse sentindo algo – afago suas mãos e lhe dou um sorriso singelo – não duvide do amor do seu papai por causa das palavras vazias daquela mulher, certo?

— Certo mamãe – ela sorri animada e eu sorrio de volta.

Lançando um último olhar para a Camila que sorriu solidária, logo dei a volta e entrei no carro, partindo para casa.

Um mês se passou, e Logan nunca entrou em contato para levar a Sol para casa, quando queria a ver, ele ia na minha casa, e brincava com ela, ou a levava para passear e trazia de volta, aquilo no mínimo era estranho, mas eu não o questionei, não era da minha conta, porque ao menos ele continuava sendo um pai presente e amoroso.

— Papai, quando vamos fazer aquele piquenique de novo? – Sol pergunta, depois do pai deixá-la no chão.

Era a primeira vez que estávamos no mesmo ambiente, depois de um mês, pois sempre que ele vinha ver a Sol ou buscá-la para sair, eu nunca estava por perto, hoje, acabei dando esse azar.

— Amor, papai já explicou que eu e sua mamãe temos muito compromissos e as datas não combinam – Logan diz e eu engulo em seco, o que era aquilo agora?

— Mamãe, mamãe – Marisol vem correndo e se joga em cima de mim no sofá – é verdade que os seus comissos não combinam com o do papai?

Sorri para a Sol, a achando muito fofa com aqueles olhos curiosos, ela era uma cópia exata do Logan.

— Sim meu amor, e veja bem, a mamãe está doente – aliso seu rostinho e a coloco no chão.

Eu estava resfriada, por isso estava de máscara, nada muito grave, mas eu não queria arriscar passar nenhuma gripe para a minha filha.

— Precisa de alguma coisa? – ele pergunta e eu engulo em seco, eu não queria ter que pedir, mas pediria mesmo assim.

— Pode dar banho na Sol? A Camila saiu com algumas amigas da faculdade e eu não quero incomodar ninguém com isso – peço meio nervosa.

— Claro – ele dá de ombros e segura na cabeça da menina que tinha corrido de volta pra ele – para o banho borboletinha.

Aquele apelido havíamos dado a Sol quando ela tinha um ano e nove meses, ela estava mudando tanto, que o apelido caiu perfeitamente. Antes de nos separarmos, Logan costumava dar banho, e lia historinhas com ela, porque como ele tinha muitos ensaios, e perdia quase todo o dia dela, era a forma dele compensar.

Fiquei intrigada com a pergunta da Sol e mais ainda com o fato de o Logan ainda estar ali, e sem a Melissa, mas novamente deixei passar.

Quando os dois voltaram, Logan trouxe a Sol no colo, já com seu pijaminha de unicórnio e tratou de pentear os cabelos castanhos dela.

— Está com fome meu amor? – pergunto, enquanto ela já piscava lentamente, eu sabia que ela estava cansada, mas a faria tomar ao menos um mingau, caso tivesse fome.

— Não mamãe, o papai me levou pra comer comidinha saudável – ela sorri boba e assim que o pai terminou de pentear seus cabelos, ela o escalou e se aconchegou em seu colo, sendo embalada para dormir.

Aquilo me era tão familiar, que quase chorei de saudade, fazia um bom tempo que eu não via o Logan colocar nossa pequena para dormir, mas eu não podia me prender a aquilo, eram só lembranças e elas deviam ficar para trás.

Fechei os olhos e suspirei, deixando meu corpo relaxar. Ouvi a movimentação ao meu lado, mas apenas ignorei, junto ao som dos pés do Logan soando no piso de madeira da casa. Ele se afastou e logo voltou, foi quando senti algo quente sendo posto em cima de mim. Abri os olhos e o vi me cobrindo.

— Desculpe ser invasivo, mas você estava tremendo – ele assume baixinho e eu apenas assenti, desviando o olhar – a Sol pediu para fazer um piquenique naquele parque que fizemos seus três anos.

— Eu...

— Eu sei, está cheia de compromissos, não se preocupe, eu posso levá-la sozinho – ele suspira e se concerta – precisa de algo?

Sim.

— Não – minto e ele assente, logo me dando tchau e deixando minha casa.

Por que tudo com ele precisa ser tão difícil?