Notas iniciais
"Um dos meus defeitos é que, embora minha língua tenha quase sempre uma resposta para tudo, em algumas ocasiões ela me deixa completamente muda" - Charlotte Brontë

O dia amanheceu nublado, um clima típico de Londres no outono. As ruas se encontravam úmidas da chuva passada, os pedestres envoltos em cachecóis e casacos grossos. Hermione levou a xícara de chá aos lábios, assoprando suavemente o líquido quente antes de tomar um gole satisfeito. O gosto de jasmim a fez relaxar, o calor se espalhando por seu corpo e acalmando seu nervosismo. Com os olhos atentos no movimento da porta de entrada, não perdeu a presença de um homem alto que vestia um casaco de lã cinza. O cachecol vinho enrolado em torno do pescoço acentuava a cor de sua pele, um tom escuro de chocolate que o fazia se destacar entre alguns dos outros clientes. Hermione torceu a boca levemente quando notou que não era apenas a sua atenção que ele estava sugando, ao andar em sua direção conseguiu notar pescoços se torcendo e sorrisos apreciativos para as suas costas. Bufou disfarçadamente quando uma mão o segurou pelo antebraço e ele se curvou levemente para escutar uma mulher que o encarava piscando os olhos em um claro flerte.


Mal percebeu que ainda encarava cada movimento dele, desde a recusa meneada por um balançar de cabeça, a mão desgrudando os dedos dela de seu braço aos passos rápidos a fim de se afastar dela, até que ele se voltou completamente para a frente e Hermione se viu prendendo a respiração. Os olhos castanhos brilhavam de longe e o suave sorriso a esquentava por dentro; a barba por fazer a provocava e a fazia lembrar da sensação dela entre seus beijos, do raspar suave contra as suas coxas, do calor que ele acionava, a incendiando feito lava com apenas um toque. Fora apenas um encontro, uma noite de desapego no mundo trouxa em um bar mediano nos arredores da cidade, mas a sensação da pele dele contra sua, do corpo pesado contra o seu, ainda a atormentava suas noites. Piscou letargicamente, como se saindo de um sonho, quando ele se colocou a sua frente. Teve que esticar o pescoço para conseguir encará-lo nos olhos, retribuindo naturalmente o sorriso que ele destinava à ela.


Ele puxou a cadeira, sentando-se e apoiando os braços cruzados sobre a mesa, inclinando-se em sua direção. Ela esperou, abaixando a xícara para o pires de porcelana antes de imitar sua pose. Lembrava vagamente que sua última noite juntos começou sa mesma forma, em um jogo de encarar infantil regado à doses de shots em uma bancada suja. Ele arqueou uma sobrancelha, sustentado seu olhar enquanto ela se forçava a não demonstrar desconforto. O sorriso que aumentou aos poucos em seus lábios carnudos era a prova de que ela estava falhando visivelmente. Hermione bufou contrariada, desviando o olhar e começando a tamborilar as unhas sobre a mesa de vidro.


- Hermione.


O tom risonho a fez franzir o nariz, ela não estava ali para compartilhar lembranças engraçadas e nem para uma competição de encarar. O assunto do encontro fez seu estômago embrulhar novamente quando um atendente passou carregando algumas xícaras de café para outra mesa. Inspirou profundamente, expirando lentamente em seguida enquanto empurrava para o fundo a sensação de ânsia que se fazia cada vez mais presente. Abriu os olhos em choque quando sentiu dedos fortes apertando suavemente seu antebraço, olhou para a pele escura que constratava com a sua, a qual possuía um tom mais claro, a maciez da pele e o leve aperto a ancoraram de volta para o presente. Foi um conforto bem vindo, a proporcionando um instante de calmaria antes que o objetivo de toda a conversa a lembrar que não possuíam tempo para o que quer que fosse aquilo.


- Não, Dean. — afastou-se de seu toque como se ele a tivesse queimado, não perdendo o olhar magoado dele. Suavizou o tom ao completar em seguida. — Agora não.


- Tudo bem. — ele concordou, retraindo o braço e a encarando sério. — O que aconteceu?


- Por que algo precisa ter acontecido? — desconversou inutilmente, desviando novamente o olhar para qualquer outro ponto ao redor do rosto que a observava desconfiado.


- Hermione, a última vez que nos encontramos você me disse para não entrar em contato, não provocar algo que pudesse fazer a imprensa pensar...

- Sim, sim, eu sei. — o interrompeu, não queria revisitar aquela manhã, fora estressante o suficiente para ter acontecido apenas uma vez. Reforçou sua coragem, fitando novamente os olhos castanhos que nunca perdiam o toque de carinho ao encará-la. — Olha, por isso que marquei o encontro aqui, é um lugar trouxa e sei que quase ninguém do mundo bruxo o conhece.


- Até porque é quase no fim da cidade. — comentou, olhando ao redor para os clientes diversos, alguns carregando mochilas ou malas de rodinha. — É perto da estação, então o fluxo é constante.


Concordou distante, fechando os olhos brevemente antes de tentar iniciar o assunto.


- Eu, hum, bem. — respirou fundo, não era o momento para perder a coragem. Torcendo as mãos sobre o colo, continuou. — Eu sei que não nos vemos desde aquela noite e que prometemos que nada iria mudar. Bem, eu não te conheço realmente e nem você a mim. Passamos anos na mesma casa, mas sem nunca realmente conversar, lutamos juntos sem tirar um tempo para parar porque não tínhamos tempo para isso. O que quero dizer é que aquela noite foi o momento em que estivemos mais próximos...


- Em mais de uma maneira. — declarou com uma risadinha, a qual aumentou quando ela fechou a cara em uma expressão irritada por sua interrupção.


- Sim e por isso temos consequências. — se deixou aproveitar brevemente a morte do riso dele, porém, voltou a falar antes de perder a fala. — Eu estou grávida, Dean, e preciso saber se você vai estar nos meus planos ou não.


O viu praticamente congelar, a boca aberta em choque enquanto seus olhos se arregalavam comicamente. Hermione riria se fosse outro momento, mas naquele instante a falta de reação dele a estava matando. Ele deveria falar algo e logo ou ela iria levantar daquela cadeira e sair da vida dele para sempre. Certo, talvez estivesse sendo radical, mas não iria ficar e esperar que ele se decidesse em algum momento entre aquele e o fim da vida. Ela estava crescendo, não visivelmente, mas iria começar a crescer e as pessoas a perguntarem, os jornais fariam apostas para saber quem era o pai, seus amigos iriam questioná-la, Molly iria matá-la. Ah, Merlin, que porcaria de situação. Ela não queria passar por tudo aquilo, já conseguia prever cada intrusão em sua vida, o fim do parco sossego que possuía, talvez nem pudesse mais sair de casa quando sua barriga começasse a crescer. Um feitiço de glamour não iria durar tanto e ela estaria estressada de mais para lembrar de renová-lo a cada hora. Ela estaria só e com um bebê na barriga, sozinha com o bebê em seus braços, construindo só o seu caminho e ela passou tanto tempo fazendo planos para dois, incluindo Ronald em tudo no seu futuro, que não conseguia se ver fazendo tudo aquilo sozinha. Merda de Dean Thomas e sua falta de reação!


- Não. Só não faça essa cara. — ele praticamente ordenou, ignorando a cara fechada dela. — Você teve mais tempo do que eu, Hermione.


Franziu os lábios para se impedir de rebater, sabia que ele tinha razão, então somente cruzou os braços e virou o rsoto. Ela tivera sim mais tempo para se "acostumar" com a ideia, quase duas semanas para criar coragem e mandar uma coruja para ele, mas estava completamente assustada e sua mente não conseguia parar de lhe apresentar todos os piores cenários, então o ignorou. Sabia ser uma atitude infantil, mas não queria encará-lo pois sentia que a qualquer momento poderia desabar novamente. Nada estava saindo conforme o planejado, tudo o que Dean Thomas precisava fazer era dizer sim ou não, até um Troll conseguiria falar uma dessas pequenas palavras. Escutou o arrastar da cadeira, mas permaneceu na mesma posição, mesmo quando o sentiu passar o braço sobre seus ombros e apoiar a testa em sua têmpora, um gesto íntimo que a desconcertou.


- Hermione, não é justo você me jogar essa informação feito uma bomba e esperar que eu recolha os meus pedaços em segundos. — o murmúrio veio firme e a fez engolir em seco, sentindo um nó se formar em sua garganta. — Sei que deve estar assustada, porra, eu estou apavorado, mas não faça isso, não me afaste.


Ela se forçou a permanecer na mesma posição, sabia que se o visse iria recomeçar a chorar e não queria quebrar no meio da cafeteira. Fungou alto, os lábios tremendo em antecipação ao choro. Mal o sentiu se afastar antes de mãos firmes a segurarem pelos braços e a levantarem de sua posição. Escutou ao longe ele a perguntar se havia pago o chá, apenas acenou brevemente em afirmação antes de ser levada para fora. O ar frio a saudou, mas seus olhos estavam tão embaçados que a sensação não a despertou do redemoinho em que se encontrava imersa. Em poucos segundos foi levada para longe, braços fortes a cobrindo e uma mão cuidadosa empurrando seu rosto para um peito quente. Envolveu seus braços ao redor dele, apertando o tecido do casaco entre as mãos quando sentiu o puxão característico da aparatação. Em um piscar sentiu outra textura sob seus pés, mas não o desgrudou. Dean permaneceu no mesmo lugar, a segurando firme enquanto Hermione tentava se recompor.


O cheiro do perfume amadeirado misturado com amaciante, um toque trouxa que a acalmou, a inundou. De olhos fechados, o abraçou mais forte, os sentimentos de segurança e conforto a pegando desprevinida. Fazia anos que Hermione não se sentia daquela forma com alguém que não fosse Harry ou Ronald, o último ainda em processo de reconstrução. Dean era um homem bom e saber daquilo era o que a acalmava em tê-lo como pai de seu filho, não sabia o que fazer naquele momento e nem como a relação deles iria ficar, mas tinha a certeza de que ele estaria por perto. Talvez fosse essa certeza que a deixava ainda mais assustada. Dean a afastou suavemente, levando ambas as mãos ao seu rosto e enxugando o rastro de suas lágrimas com os polegares. Ela inclinou a face para prolongar o contato, queria apenas ser segurada por um tempo, sentir a segurança de estar ao lado de outra pessoa que se importava. Fechou os olhos quando ele se inclinou e a beijou na testa, a curva de um sorriso se formando em seus lábios antes dele gira-la para sair de seus braços.


Observou a casa de dois andares mais a frente, a qual se erguia sobre uma pequena elevação de madeira. Em madeira escura, ela quase sumia em meio às árvores altas que perdiam suas folhas em decorrência da época do ano. Um deque contornava o primeiro andar e uma sacada convidativa puxava sua atenção para o segundo andar da construção. A luz do fim da tarde refletia em cada pedaço da casa, uma cabana em uma floresta longe de toda a loucura da cidade. Por um momento lembrou do Chalé das Conchas, tão perto do mar que a maresia era um aroma constante, os embalando em noites frescas e enchendo a casa de leveza nos dias corridos. Ali, o aroma dos troncos das árvores, da vegetação e dos musgos era o que a envolvia. Inspirando fundo, suspirou atenuada, declarando em um sussurro admirado:


- Aqui é lindo, Dean.


- Meu refúgio. — declarou orgulhoso, entrelaçando seus dedos enquanto a levava para os degraus que davam na porta de entrada. — Minha mãe vem às vezes com meu irmão, eles passam alguns dias comigo durante as férias de no Natal. Aqui fica lindo quando neva.


Ela podia imaginar. Assim que entraram, a sua atenção foi captada pelas portas francesas que proporcionavam uma vista da floresta além do pequeno caminho de cascalho que fazia parte da entrada. Era um espaço quase mágico e ela se sentiu repentinamente confortável distante das ruas movimentadas e do constante vai e vem de automóveis. Girou em seus pés, absorvendo cada pedaço da sala de entrada e da cozinha a qual estava conectada; uma lareira se encontrava apagada, o aparador acima enfeitado por fotos com alguns conhecidos de Hogwarts e desconhecidos que se pareciam com Thomas, além de pequenos enfeites de cerâmica que a fizeram sorrir. Diminutos leões rugiam, corujas voavam baixo de galho em galho de uma árvore em miniatura, hipogrifos se aconchegavam em ninhos de palha, assim como gatos chineses que mexiam uma pata e um casal de camponeses que só se via em casas de avós. Bibelôs mágicos e trouxas faziam o espaço se tornar ainda mais acolhedor.


- Podemos conversar agora?


Girou em seus pés levemente surpresa pela interrupção. Dean estendia uma caneca em sua direção, a aceitou, tentando não rir quando viu o desenho de um gato de bruços no chão com uma touca de cetim na cabeça e um balão de fala que declarava: Fechado para negócios durante a noite. Fora claramente desenhado à mão, os traços de uma caneta de bico fino sendo visíveis para um olho treinado. Havia esquecido daquele talento de Thomas. Era fofo. Andou alguns passos em direção ao sofá, sentando-se satisfeita ao sentir o material macio e prontamente cruzou as pernas sob o corpo, puxando uma almofada para o seu colo antes de bebericar contente o chocolate quente. Seu quase colapso já esquecido, mal conseguia acreditar no quão confortável estava naquele momento. Sua resolução após ter seus pais de volta era dar valor aos pequenos momentos, aos instantes em que tudo parecia aberto a uma construção. Queria acreditar que talvez realmente houvesse um arco-íris após a tempestade e que ele estava começando a ganhar cores.


- Espero que não se importe, não sei qual chá você gosta e li em algum lugar que grávidas não podem ingerir cafeína. — contou, coçando o pescoço sem jeito antes de se inclinar e pegar a própria caneca em cima da mesa de centro.


- Está perfeito. — o tranquilizou, e realmente estava, não tão doce ao ponto de enjoar e nem amargo o bastante para fazê-la querer cuspir. — Na verdade, sendo sincera, é uma das únicas coisas que consigo consumir sem vomitar. E posso ingerir um pouco de cafeína por dia, mas o cheiro me deixa enjoada.


- Anotado.


Sorriu levemente, desviando o olhar para a lareira apagada. Talvez ele ainda não tivesse conectado o flu ou preferia não ter uma conexão tão direta com o mundo mágico enquanto estivesse ali. Um silêncio calmo caiu sobre eles, não sentiu a necessidade de falar algo por um tempo, apenas aproveitar seu chocolate quente e se recostar contra as almofadas. Olhou de soslaio para Dean, ele a observava seriamente, o olhar saindo de seu rosto para o seu estômago coberto pela almofada e fazendo o caminho de volta. Praticamente conseguia ouvir seus pensamentos, os nós de medo e receio sendo atados assim como os dela, sentimentos ambíguos disputando espaço em sua mente e coração.


- E agora, Dean? — não teve como não perguntar.


- Vai me deixar participar dos seus planos?


- Você já se colocou neles. — brincou de volta, suspirando quando sentiu seus olhos arderem novamente. — Não há muito o que fazer.


- Como você quer prosseguir?


Passou o polegar sobre a alça de cerâmica, sentindo o relevo de pequenas nuvens em torno do objeto.


- Marquei uma consulta com uma obstetra trouxa em uma área afastada de Londres. — sentiu o olhar crítico antes mesmo de encará-lo, o que a fez revirar os olhos entediada. — É uma área não estranha e sem tendências criminosas, apenas uma desconhecida segura.


- Bom saber. — estendeu a caneca em um brinde satisfeito. — E, hum, será que posso te acompanhar?


Hermione sorriu, assentindo enquanto levava o líquido à boca. Seria bom ter uma companhia na primeira consulta e ser Dean já riscava a tarefa de informar o que a médica poderia dizer para ela. Ele se aproximou um pouco mais e ela fingiu não notar, esticando as pernas por cima das dele e rindo quando Thomas pulou de susto por sua atitude. Porém, ele logo se recuperou, um bilho divertido em seus olhos antes de apoiar uma mão sobre o seu joelho, Hermione apenas se permitiu aproveitar, sem procurar qualquer significado por trás de seus atos. Segundo a doutora Lígia, ela precisava desacelerar sua mente e apenas seguir adiante em determinados momentos, abrir mão do controle excessivo que exercia sobre si e seus sentimentos. Ela escolheu aquele para ser um desses instantes, apenas abrir mão das implicações e aproveitar a companhia de Dean Thomas após duas semanas em uma espiral constante de possíveis destinos catastróficos. Mas a próxima pergunta dele logo quebrou seu espaço seguro.


- Você quer contar para os seus amigos?


- Ah, não, não, não. — negou prontamente, colocando a caneca sobre a mesa de centro e o encarando levemente assustada. Apenas o pensamento deles descobrindo a provocava arrepios. — É muito recente e eles vão me deixar louca. Precisamos ter tudo organizado antes de falar para alguém do nosso círculo, mas acho que minha mãe desconfia de algo.


Murmurou a última parte, puxando alguns fios invisíveis da almofada macia. Escutou apenas o resmungo de compreensão de Dean, sua mente começando a se afastar do ambiente tranquilo em que se encontrava. Lembrou dos olhos analíticos de dona Camelia, da ruga de preocupação que sempre surgia entre suas sobrancelhas quando sabia que Hermione estava escondendo algo. Ela não conseguiria guardar aquela informação por mais tempo, sabia que seria preciso apenas algumas palavras de carinho e um abraço apertado dela para que as palavras jorrassem de sua boca como uma fonte recém descoberta. Não queria imaginar a reação de seus pais em saberem que teriam um neto, mas, mais importante, um neto que nasceria no mundo mágico e também viveria uma vida em um mundo distante do deles. Respirou fundo quando sentiu seus olhos arderem e seu nariz pinicar em prelúdio às lágrimas.


- Então ficamos em silêncio por um tempo.


Escutou a voz de Dean à distância, lutando contra as lágrimas e conseguindo proferir apenas uma resposta baixa em um tom embargado:


- Sim.


- Ei, você não está sozinha. — ele foi rápido em reconhecer seu medo, aproximando-se ainda mais e não se deixando abalar pela distância que ela quis colocar instantaneamente entre eles. — Estou falando sério, Hermione.


Se deixou ser puxada para um abraço apertado, fechando os olhos quando sentiu os lábios frios em sua testa. Inspirou fundo, o aroma do perfume que já relacionava à Thomas a fazendo se aconchegar instantaneamente, passou um braço sobre a cintura dele, praticamente derretendo quando Dean começou um suave carinho pela extensão do seu braço. As lágrimas não caíram, sendo controladas por ela que já se acostumara ao longo dos anos a evitar o choro. Porém, o sono se manifestou, resultando do desgaste que seu corpo e mente sentiam há semanas. Em complemento com a presença dele, Hermione se viu caindo em um descanso necessário. Se sentia segura nos braços de Dean e estava tão cansada que não ligava mais para o local em que dormia, só queria esquecer por algumas horas tudo pelo o que estava passando.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.