Stars Auslly
13 Notícias arrasadoras e Christmas Soul
Notas iniciais
–Eu não sei se será realmente um hit como vocês dizem. — ri Ally, parecendo-me extremamente envergonhada. Desvio o olhar para que ninguém presente perceba o quão balançado estou com seu sorriso. — Mas, vamos lá.
–É claro que será, sempre é. — comento, arrancando alguns sorrisos maliciosos de Dez e Trish, que permanecem parados diante do piano de Ally. A baixinha olha para mim com certo brilho em seus olhos, que por muito tempo eu senti falta.
–Tudo bem. Lá vai. — suspira. Os dedos tocam o teclado do piano como se fizesse isso há muito mais do que apenas três anos; era mais do que uma profissional. Em minha mente, pergunto-me se Ally esteve treinando durante os anos.
I always love this time of year
We watch snow and reindeer
Heh, yeah
Sua voz era simplesmente mais do que mágica; embalavam qualquer um que se mantivesse por perto. Senti o impacto de sua voz após tanto tempo me atingir em cheio, como uma memória não completamente esquecida, porém aprisionada em algum canto de minha mente, esperando para ser relembrada.
Lembranças sobre mim, Ally e minha família em uma noite de Natal há quatro anos pegou-me de surpresa. Éramos novos e ao mesmo tempo velhos, e o Natal sempre fora nossa época preferida do ano. A neve caía, os grandes Papais Noéis espalhados por cada canto de nossa cidade chamavam a atenção de quem passava, os altos edifícios cobertos por enormes cartazes desejando Feliz Fim de Ano aos habitantes... Tudo tornava-se extremamente nostálgico conforme eu acabava por soltar as memórias.
Ally, enquanto cantava, transportava-me para um mundo diferente e ao mesmo tempo muito conhecido e habitado por mim, embora inconscientemente. Eu percebia que a música estava prestes a encerrar-se.
Após alguns instantes, a voz da garota morena deixou de cantar em perfeita harmonia, e logo após seus dedos finos deixaram também o piano. Um silêncio absoluto reinou no cômodo, deixando-a claramente corada. Sabia que os nossos amigos estavam me deixando falar primeiro, porém eu realmente não conseguia formar palavras que realmente fossem coerentes.
–Foi... incrível. Maravilhoso. Delicado. Agoniante. Sensível. Estupendo. — Trish quebrou o gelo que nos penetrava, e finalmente deixei meu estado de choque de lado, agora conseguindo formar frases completas.
–Eu... não sei o que dizer, Ally. Foi... só... Ah, perfeito. — gaguejei um pouco. Entretanto, observei-a abrir um grande sorriso em seu rosto, ocupando todo o espaço livre em minha mente.
–Obrigada. Mas como assim agoniante? Espero que não seja ruim.
–Caramba, Ally, quando alguma coisa que eu disser sobre você for ruim, alguém pode me enfiar debaixo de um chuveiro com água extremamente gelada, porque com certeza eu estarei bêbada. — defendeu-se Trish, rindo. Em pensamento, concordei minuciosamente com cada detalhe.
–Obrigada, Trish. Você é maravilhosa. — as duas abraçaram-se em nossa frente. Olhei de soslaio para Dez e prendi o riso para não acordá-lo de seu transe; normalmente quando algo é bom, em sua opinião, Dez mantém os olhos arregalados e a boca escancarada. Como agora.
–Também estou esperando o meu elogio, AllyGator. — suspiro dramaticamente, misturando a verdade com a brincadeira para disfarçar. Ally me encara, os olhos brilhando, e seu riso toma conta da sala.
Eu somente vejo os meus olhos fechando-se quando sou puxado delicadamente contra ela em um abraço. Seu corpo é tão pequeno que consigo apoiar meu queixo em sua cabeça, e sinto-a chacoalhar os ombros, rindo. Rio também, apertando-a mais forte e aproveitando o máximo nosso momento de contato físico.
–Que lindo, casal. Fizeram uma festa e nem me chamaram? — a voz sonolenta e melódica de Cassidy irrompeu nosso silêncio — e consequentemente o meu momento íntimo com Ally. Vejo e sinto-a sair de meus braços para ir até a garota loura.
–Sim, sim; tudo é bem mais legal sem você para estragar, Cassidy. — zombo. Trish ri ao meu lado, o braço passado por minha cintura, enquanto abraço-a pelos ombros.
–Que ótimo não me quererem aqui, Austin. Pelo menos, Ally quer, não é, Ally? — a morena assente com a cabeça gargalhando.
–Nossa, Ally, a sua música é como um panda albino, é tão fofa e tão natalina, quantas mais você pretende escrever? Eu realmente queria gravar um vídeo com você e o Austin, você sabe, cantando a música pois vai... — sua voz diminui conforme Dez processa em seu pequeno cérebro que ninguém mais está comentando sobre Ally e Christmas Soul. Trish ri novamente, porém desta vez debochadamente, e dá-lhe um tapa fraco, porém forte, na nuca de nosso amigo ruivo.
–Uh, obrigada, Dez. — Ally produz uma careta engraçada, fazendo-nos rir levemente de sua expressão. Dez rola os olhos com um sorriso. — Então, que tal irmos para a piscina agora? Não temos uma pública, então tenho uma amiga que... Bem, ela viajou e deixou a casa para mim, podemos ir até lá.
–Melhor do que pública, vamos combinar. — ri do comentário de Trish. Algo me dizia, em meus instintos, que ela não estava sentindo-se bem. Talvez por conta da gravidez. — Estou caindo de sono. Acho que fico por aqui.
–Se você ficar, eu também fico. — digo rapidamente. Seus olhos se arregalam e ela se vira completamente para mim, sem ação.
–Estou com o Austin. — Ally e Dez disseram ao mesmo tempo. Cassidy permaneceu de pé, com uma expressão encorajadora para Trish.
–Tudo bem. — concordou, após um momento de hesitação. — Mas só vou ficar um pouco dentro da água. Amanhã já não será mais Natal, e água me dá sono, então quero aproveitar tudo.
–Nos vemos lá embaixo. — falei, recebendo alguns murmúrios positivos. Faço um sinal a Dez para que deixemos as garotas trocarem-se sozinhas. Ele me acompanha e deixamos a sala de ensaio de Ally.
–Austin, o que faremos quando as duas semanas acabarem? — Dez quebra o silêncio com uma pergunta destruidora. Eu não havia pensado. Não naquela etapa ainda.
–Relaxa, Dez. — digo, com um sorriso tênue, tentando acalmá-lo. Não era mais o Dez que eu conhecia há anos, uma pessoa extrovertida e sempre alegre. Era um Dez ainda mais humano, uma figura agora frágil, com pensamentos tristes. — Eu já... estou pensando sobre isso. Se conseguíssemos ficar por aqui, de alguma forma...
–Eu estou encrencado com os meus pais, você sabe. Não poderei sair por pelo menos um mês, então tenha uma boa desculpa, meu amigo. — comenta. Eu sei que é verdade, pois os pais de Dez não são absolutamente liberais.
–Vou discutir internamente sobre o seu caso. — pisco para ele e rimos nervosamente. Não é fácil conversar sobre um assunto que nenhum de nós quer realmente encarar.
Dez diz que tem algo em sua mala que precisa pegar, como os itens necessários para passar o resto do dia na piscina. Concordo meneando levemente a cabeça e termino de descer as escadas, sentindo um certo vibrar em meu bolso traseiro da calça jeans. Meu celular. Suspiro, nervoso, e o agarro quando noto que ninguém está por perto.
–Alô?
–Austin. — reconheço a voz grossa. Gabe. Ele jamais havia me ligado, então algo muito ruim ocorreu enquanto permaneci fora. — Temos um problema. Dos grandes. Você tem que voltar, seja lá onde esteja.
–O que aconteceu, Gabe?
–Os pais de seus amigos estão perguntando sobre vocês, e não aceitam que estejam fora por tanto tempo sem notícias. São três dias, senhor. Precisa voltar imediatamente antes que os casais deem queixa na polícia por sequestro ou desaparecimento de menores.
–Conversarei com eles. Não com os pais, com Dez e Trish. Iremos para casa até daqui a dois dias, precisamos desse tempo. Você o consegue para nós, Gabe?
–Posso ver o que consigo. Se algo der errado, imediatamente ligarei. Por favor, volte o mais depressa possível, nós não precisamos de problemas com a polícia ou até a justiça.
–Não iremos ter, não se preocupe. — desligo o telefone após uma breve despedida.
Não é possível. Estava tudo indo muito bem, entretanto, eu havia esquecido-me por completo de que os pais de meus amigos ainda, graças aos céus, estavam vivos. Eu havia me descuidado por completo, embora Trish fosse madura o suficiente para cuidar de nós três juntos. Agora, Trish retornaria grávida para sua casa, os pais de ambos estavam prestes a colocar a mim contra as grades de uma prisão e talvez eu nunca mais visse Ally.
A não ser que, por uma pequena chance, nós pudéssemos nos ver após três meses. Seria meu tão ansiado aniversário de dezoito anos, e eu poderia trazer Trish e Dez para Miami somente com a autorização de seus pais por escrito. Nós iríamos terminar nossas duas semanas incompletas que apenas duraram três dias.
Daqui a três meses também seriam as aguardadas férias, que nos levariam direto para a faculdade. Suspirei, finalmente empolgado com algo que pudesse dar certo. Desta vez eu faria tudo certo, pegaria o telefone de Ally, a adicionaria em todas as minhas redes sociais e manteríamos contato. Por vezes, poderíamos nos encontrar em curtas viagens em fins de semanas.
Estaria tudo sendo perfeito, embora não fôssemos conviver pessoalmente todos os dias juntos. Porém em breve estaríamos. Agora, eu já não estava mais agoniado.
Somente pensava em como contar a Trish, que provavelmente estaria... arrasada com a notícia. Nem eu mesmo podia acreditar que nosso plano falhara completamente. Pelo menos havíamos passado o Natal com Ally, e, embora não pudéssemos celebrar o Ano Novo juntos, fora algo inesquecível.
–Cara, você ainda não está pronto? — a voz de Dez ecoou em minha cabeça, e também no cômodo. Sorri, tentando dispersar os pensamentos sobre nossa partida, e resolvi que iria anunciar após comprar as passagens de ônibus novamente para casa. Embora estivesse realmente despreparado.
–Desculpe. Eu vou ver como elas estão indo e já volto, tudo bem? — vejo-o concordar com a cabeça e um sinal positivo com a mão e abandono-o ali. Se eu preocupá-lo agora, não poderemos aproveitar o resto do dia. Eu estragaria seu Natal.
–Como vai o seu namoro com o Gavin, Ally? – a voz de Cassidy jamais havia me soado tão desprezível quanto agora. A simples menção do namorado de Ally fez-me cambalear, visivelmente enojado.
–Ele não é quem você pensa que é. – comentou Ally, sugestiva. Sua voz era tão calma, e ao mesmo tempo raivosa. Era como se escondesse algo brutal, um segredo terrível.
–O quê? Como assim? – Trish. Comecei a remoer-me interiormente por estar ali, escutando a conversa. Pensei realmente em dar meia-volta, e não entrar na sala de ensaio, porém eu sabia que se entrasse, talvez Trish e Cassidy não teriam outra chance para saber o sentido da frase de Ally. Ela já havia sido misteriosa comigo uma vez, e eu simplesmente não dei bola. E se eu realmente houvesse insistido?
–Gavin não é meu namorado. Nunca foi, nem será.
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