Notas iniciais
E eis aqui o capítulo 2! Confesso que quando postei o primeiro eu QUASE postei esse junto logo depois, porque já tava pronto, mas decidi aguardar um pouco SOHASOSHA Aliás, eu aprendi que sou muito ansiosa pra postar, SENHOR. Eu apenas ficava olhando pro capítulo já pronto e rindo em antecipação, porque sou dessas escritoras que fica imaginando a reação dos leitores -q Fãs do Yamaguchi, preparem os forninhos. Só digo isso. Boa leitura!

Selvagem

Os cinco exploradores estavam sem palavras. Todos já tinham suas experiências viajando pelo espaço, mas o que eles estavam observando era algo completamente inusitado, novo e definitivamente inesperado, tanto que eles sequer estavam piscando.

Kei ajustou os óculos no rosto novamente, como se aquele gesto fosse, de alguma forma, confirmar se aquilo era mesmo real. O cientista percebeu que tal ato não mudou nada do que estava acontecendo, e seus olhos dourados continuavam fixos no que se passava logo além dos arbustos onde estava escondido.

No chão, havia o cadáver de alguma coisa. Tsukishima não sabia exatamente o que era, já que nem ele e nem os outros tinham encontrado algo parecido, mas era um quadrúpede. Ele podia distinguir os chifres longos e finos na sua cabeça, assim como o pelo cinza e a cauda longa. Havia sido morto recentemente. No entanto, o que era realmente interessante era a criatura que estava se alimentando dele.

Parecia — e muito — com um humano, mas com certeza não poderia ser definido como um. A cabeça com certeza era humana, seguindo a mesma estrutura, com cabelo verde escuro arrepiado de tamanho mediano. As orelhas eram pontudas, e seus olhos eram castanhos. A boca tinha dentes mais afiados, no entanto.

Seu corpo também seguia a anatomia de um humano do sexo masculino, mas algumas partes com certeza eram diferentes. Suas pernas eram compridas, cobertas por escamas verdes, e suas patas tinham garras longas e afiadas — três na frente e uma atrás, menor. Pareciam feitas para correr, e as escamas iam até o final das coxas, onde mesclava-se com a pele humana, morena e repleta de sardas. O mesmo podia ser dito sobre os braços, exceto que as garras eram cinco, imitando uma mão, e as escamas se dispersavam na altura de seus ombros. Logo atrás, podia-se ver uma longa e flexível cauda de réptil, que o cientista deduziu que deveria dar-lhe sustentação ao correr, e talvez servir para desferir alguns golpes. Quando se abaixava, o loiro também conseguia ver as escamas que seguiam a linha de sua espinha dorsal, assim como algumas outras que se encontravam aleatoriamente no peito e nas laterais da sua cintura.

As garras dianteiras cortavam e rasgavam a pele e os músculos de sua presa com facilidade, enquanto ele se aproximava e mordia a carne, puxando os pedaços crus. Seu rosto estava sujo de sangue, assim como as “mãos” — ou o que Tsukishima podia chamar disso -, e alguns respingos em seu peito. Ele fazia questão de segurar sua presa firmemente, estabelecendo um domínio claro sobre ela, mesmo estando só.

Kei se perguntava se havia outros da mesma espécie por perto, mas o silêncio que estava instalado ali já era o bastante para deixar claro que não. Enquanto isso, aquela criatura, meio homem e meio réptil, continuava a se alimentar vorazmente, com os dentes afiados roendo ossos e auxiliando na mastigação da carne crua e dura.

“Pelo menos se a gente tentar capturar esse cara, ele não vai nos lanchar.” Ryunosuke foi o primeiro a dizer algo, sussurrando o mais baixo possível para que a criatura não o escutasse.

“É, mas ainda pode matar a gente, Tanaka. E ele parece bem agressivo…” Azumane respondeu no mesmo tom, seus olhos castanhos fixos nas garras afiadas. Se uma delas encontrasse o rosto de alguém, acabaria em, no mínimo, um belo estrago.

“E rápido.” Kageyama fez questão de completar, segurando firmemente na espingarda que carregava. Se ele disparasse um tiro certeiro, o corpo daquele caçador seria atingido por uma descarga forte o suficiente para paralisá-lo.

Ele confiava bastante em sua mira — até porque o moreno sabia de certos boatos sobre ele ter tido a audácia de pagar para ter olhos de águia que circulavam pelos seus companheiros -, mas por algum motivo, aquela situação estava deixando-o nervoso.

Tudo estava quieto demais, e aquele ser nem parecia ter notado a presença deles ainda. Ou, se havia notado, não estava ligando. Também havia a possibilidade dele ter notado e só não ter feito nada com eles ainda porque não houve nenhum sinal de ameaça.

“Vai atirar?” Tsukishima questionou, notando a ansiedade no moreno que estava ao seu lado, que chegava a ser praticamente palpável. No entanto, fazia sentido. Se ele errasse o tiro, todos eles estariam correndo perigo.

“Vou.” Ele respondeu, ainda que sem toda a confiança de sempre. Hinata percebeu isso, e pôs a mão em seu ombro.

“Tremendo desse jeito você vai acabar errando.” Kageyama não gostava de admitir, mas era verdade. Ele estava tremendo, estava nervoso, e sabia que tudo ali dependia dele. É claro, sempre havia a opção de não atirar e ir embora de mãos vazias, mas a possibilidade de nunca mais encontrarem aquela criatura ou qualquer uma daquela espécie era algo que, se acontecesse, o faria se sentir imensamente culpado.

“Não erre, olhos de águia. Você está perto dele e já acertou tiros numa distância maior que essa.” Azumane acabou por dizer, e tal reforço foi de fato positivo. O moreno respirou fundo algumas vezes, acalmando os nervos, e seus braços passaram a tremer menos. Ele voltou a segurar a espingarda firmemente, levantando-a, e agora estava mesmo disposto a atirar.

Os outros se afastaram um pouco, deixando-o ajustar sua posição e fazer seu trabalho. Ele já havia passado por situações piores. O alvo era grande, e se ele atirasse numa área sem escamas, o efeito do choque seria praticamente imediato. Além disso, ele estava distraindo comendo.

Kageyama fincou um dos pés na terra, apoiando a arma em seu joelho. Esta ficou apenas um pouco acima do arbusto, sendo camuflada pelas folhas. Não havia perigo. As chances de erro eram praticamente mínimas.

Mesmo assim, ele estava suando frio.

Antes que ele pudesse atirar, porém, ele notou que a criatura havia erguido a cabeça. Seus olhos castanhos estavam fixos na sua frente, e o atirador percebeu, então, o seu erro: havia demorado demais, e dado tempo o bastante para seu alvo terminar de se alimentar. Suas mãos travaram no lugar, pela primeira vez em muito tempo. Medo era algo que Kageyama não era muito acostumado, e desta vez ele com certeza não estava preparado para lidar com isso, com sua ansiedade e especialmente com o olhar quente daquele assassino.

Ele tinha a vantagem naquele terreno, naquele planeta, e um corpo adaptado para isso. Já o humano tinha apenas uma arma, sua mira e a possibilidade de falhar.

“Merda.” O moreno falou, apertando o gatilho sem nem mesmo olhar para trás, chegando a inclusive fechar os olhos durante aquela fração de segundo. Quando ele os abriu novamente, viu que a criatura agora estava de pé, sem nenhum machucado e com os dentes afiados se mostrando.

Ele havia errado.

“Corram!” Gritou, levantando-se, e nesse exato momento a criatura rosnou, avançando num pulo com as suas patas traseiras de réptil.

Hinata foi o que começou a correr primeiro por puro reflexo, e foi o que se afastou mais rápido devido a sua agilidade natural. No entanto, nem mesmo ele tinha conhecimento do terreno o bastante para saber onde seria seguro — por isso, agarrou-se numa das árvores próximas, começando a subir nela, mesmo sabendo que podia se arriscar numa queda.

Tanaka teve que puxar Azumane pelo braço para que o maior pudesse perceber o que estava acontecendo, mas assim que ele o fez, começou a correr sozinho, sem precisar da ajuda do careca. Kageyama conseguiu se levantar ainda segurando a espingarda, afastando-se da criatura o mais rápido possível. No entanto, Tsukishima não teve a mesma sorte — o terreno o fez escorregar, e logo as garras dianteiras conseguiram alcançar-lhe o jaleco, rasgando-o.

Num impulso, o alienígena pulou para cima do cientista, derrubando-o no chão. Tsukishima tentou se afastar, mas sem sucesso — logo a criatura pisou em suas roupas, prendendo-o no lugar.

O loiro olhou para cima, ficando cara a cara com os olhos castanhos, grandes e brilhantes do outro. Ele podia sentir a vontade de matar que se encontrava neles, assim como o cheiro do sangue de sua presa anterior, que ainda estava em sua boca. Alguém gritou por seu nome — pela voz, devia ter sido Hinata -, mas isso não o fez se virar, pois ele literalmente se vira paralisado pelo medo.

Naquele momento, ele prendeu a respiração. Talvez não fosse tão ruim assim ser estraçalhado pelas garras e dentes daquele predador. No entanto, isso não aconteceu.

Num instante, a expressão raivosa da criatura se transformou numa de dor, e ele deu o que poderia ser considerado um grito agudo. Seu corpo se contorceu, e enquanto Azumane e Tanaka levantavam o cientista, rasgando ainda mais as suas roupas, Tsukishima viu o motivo para isso.

Kageyama havia acertado dessa vez, tendo atirado diretamente acima de sua coxa, num tiro silencioso e preciso.

Com as pernas trêmulas, o loiro se apoiou numa árvore próxima, observando enquanto os dois homens que o tiraram do chão agora levantavam o corpo desmaiado do que quase o havia matado segundos atrás. Hinata desceu de onde havia se escondido, e andou até onde ele estava, junto com seu parceiro moreno, e este pôs uma das mãos em seu ombro, fazendo-o olhar para ele.

“Desculpe por ter errado. Espero que isso compense.” O moreno falou, e mesmo Tsukishima sabia que ele estava arrependido de seu erro. Por um lado, sentiu pena do atirador — ele estava sob muita pressão -, mas por outro, ele fora tomado por uma certa raiva egoísta por ele ter posto sua vida em risco.

“Eu poderia ter morrido.” Disse, por fim, mesmo sabendo que aquilo não era a coisa mais educada para falar depois que alguém lhe pedisse desculpas. Mas era verdade — ele realmente poderia ter sido morto se Kageyama tivesse demorado demais para atirar de novo.

“Mas não morreu. Nós todos poderíamos ter morrido. Agora vamos levá-lo pra nave, temos que deixá-lo preso antes que acorde.” Quem interferiu foi Azumane, que havia enfim levantado o corpo pesado do predador junto com Tanaka. Agora que ele estava desmaiado, parecia bem mais tranquilo.

O loiro apenas assentiu, até porque era quem mais precisava voltar. Suas roupas precisavam ser costuradas, e ele estava todo sujo. Com certeza precisava de um banho — e depois daquela captura, não era como se a equipe precisasse ficar fora até tarde.

Eles começaram a caminhar, seguindo a mesma trilha de antes. Ninguém conversava, não depois do que havia acontecido, e o silêncio se manteve por longos minutos.

“Não vou deixar acontecer de novo.” Kageyama afirmou, mais para si mesmo do que para os outros, apressando o passo e ficando na frente de todos. Por um momento, Hinata pensou em acompanhá-lo, mas resolveu ficar para trás, ao lado de Kei.

“Ele não fez por mal, Tsukki.” O ruivo comentou em voz baixa, esperando que seu companheiro não escutasse. Ele podia ser baixinho e um tanto agitado, mas ainda sabia quando alguma coisa acontecia e abalava os sentimentos de seus colegas — e a última coisa que eles precisavam eram brigas internas num planeta longe de casa.

“Eu sei. Mas não quero que aconteça de novo. Comigo, com você, ou com ninguém…” Tsukishima tentou se explicar, apesar de não estar em condições muito boas para falar, ainda mais com coerência. Só de se lembrar do olhar daquele alienígena, ele sentia-se arrepiar todo.

“Entendo. Só não seja tão duro com ele, Tsukki. Já passou, deixa que ele se recupera sozinho dessa.” Hinata logo respondeu, encerrando o assunto por ali. Kei não encontrou a coragem para retrucar, e honestamente, se havia alguém que realmente conhecia direito o atirador, era o jovem ruivo. Ele não podia tirar-lhe os créditos — ainda mais porque Hinata não era uma pessoa propensa a mentir.

Era melhor deixar isso quieto, mesmo. Tsukishima não queria pegar briga com ninguém, e pelo menos estava vivo. Sua única preocupação, agora, era chegar na nave antes daquela criatura despertar novamente — ainda mais porque ele não sabia o quão rápido o seu corpo iria se recuperar da descarga elétrica.

Felizmente, quando chegaram, ele ainda estava de olhos fechados, respirando calmamente. Não demorou muito para Daichi deixá-los entrar, também, e a equipe logo encontrou os membros que haviam ficado para trás.

“Caralho! Como foi que vocês que conseguiram pegar isso?” Nishinoya perguntou logo de cara, obviamente impressionado com o porte do predador. Ele chegou perto, passando as mãos pelas escamas de sua cauda e pernas, sem medo de acordá-lo. Já Sugawara foi direto a outro ponto.

“Tsukki, você tá bem?” Ele questionou, parando o loiro e aproveitando para checá-lo rapidamente. Fora o fato de suas roupas estarem rasgadas e ele estar sujo de terra, o cientista passava bem, o que era um alívio para o homem.

“Eu tropecei e caí, foi só isso… Bem, aquele bicho enorme me derrubou, mas não me machucou.” Kei aproveitou para resumir os fatos, mas Sugawara logo percebeu o detalhe que ele fez questão de omitir.

“O Kageyama…” Ele começou, sussurrando e então perdendo a voz. Não era como se realmente quisesse comentar aquilo em voz alta, por mais que o moreno já tivesse saído dali, indo provavelmente guardar o material.

“Errou o primeiro tiro.” Curiosamente, quem completou a frase foi Hinata. Todos os presentes o encararam, e ele sabia que havia falado alto de propósito — não havia motivo para que aquilo fosse virar um segredo só entre os que estavam lá naquele momento.

“Certo. Vamos deixar passar. Acho que isso já o abalou o bastante. Kageyama é humano também.” Daichi falou, e todos apenas concordaram. Pelo menos nesses assuntos eles eram capazes de chegar num consenso.

“Vamos colocar esse rapaz na cela, então. Já tô ficando cansado de carregar.” Tanaka interrompeu assim que ele notou que o clima tenso estava começando a se dispersar, e logo todos concordaram em fazer o que ele havia dito.

A equipe seguiu até a ala laboratorial da nave, que até então não havia sido usada, já que não tinham capturado nenhum espécime. Nela, havia não apenas algumas mesas para trabalho como também computadores para registrar todos os arquivos, armários e prateleiras para se guardar tudo necessário, além de jaulas e celas para animais de todos os portes.

A cela para animais de grande porte não era usada fazia tempo, mas ainda assim funcionava. Além das grades, possuía seu próprio campo de força magnético, que impedia a fuga de qualquer coisa que se encontrasse lá dentro. Apenas quem estivesse autorizado e registrado no computador — ou seja, os membros da Equipe CORVO — é que podiam entrar e sair a qualquer momento, e ela ainda tinha uma chave.

Nishinoya, que estava com as mãos livres, desativou o campo de força e abriu a jaula, deixando que seus colegas colocassem o alienígena ali e saíssem. Assim que eles se afastaram e trancaram a jaula, o engenheiro ativou o scan de reconhecimento. Após alguns segundos, o computador já havia registrado a aparência da criatura, e ele a registrou com saída restrita, para então reativar o campo de força, deixando-a presa de uma vez.

“Pronto, daqui ele não sai.” Ele disse com um sorriso, e nesse instante todos pareceram extremamente aliviados. Tsukishima deu uma última olhada na criatura enjaulada, que ainda dormia — pelo jeito o choque que tomou tinha sido mesmo muito forte para o seu corpo.

“Pode ir tomar banho, Tsukki. Depois eu lavo e costuro suas roupas.” Sugawara aproveitou o momento para fazer aquela proposta para o cientista. No entanto, do jeito que ele conhecia, aquilo era uma ordem, porque se ele não entregasse suas roupas, o outro faria questão de ir atrás delas.

“Certo… E obrigado.” O loiro agradeceu, e de fato, era bom saber que estava vivo e que os outros ainda se importavam com ele. Por um instante, ele se perguntou sobre o paradeiro de Kageyama, mas achou melhor não ir atrás do moreno — ele já tinha sido um tanto grosso com ele antes, então era melhor deixá-lo em paz, ou que alguém com mais habilidades sociais do que ele o ajudasse.

Portanto, dirigiu-se para o quarto, indo até o chuveiro. Despiu-se, separando as roupas sujas para entregar para Sugawara depois, e foi se lavar. O loiro aproveitou aquele momento de silêncio, paz e segurança para rever o que havia acontecido lá fora. Ele realmente podia ter morrido, mas o erro de Kageyama podia ter custado outras vidas. Tsukishima sabia que sua resposta fora grossa e até meio rude, mas tinha sido pelo bem dele e dos outros, então não era como se ele se sentisse tão culpado assim. Na verdade, ele mesmo gostaria de receber críticas honestas se o seu trabalho estivesse colocando a vida de alguém em risco.

Suspirou. Pessoas eram muito complicadas, e não faziam o menor sentido. Kageyama não fazia sentido, com aquele ar de superioridade e ainda assim ficando todo chateado por causa de uma crítica, mesmo depois de pedir desculpas. O que ele estava esperando, afinal? Que o cientista sorrisse, apertasse sua mão e lhe falasse que estava tudo bem? Desse jeito ele podia repetir o erro no futuro.

E caso isso acontecesse e alguém morresse, essa pessoa não iria se levantar, sorrir e falar que estava bem. No entanto, era como Hinata havia lhe dito — aquilo já o tinha estressado o suficiente, assim como também deixou o próprio loiro um tanto deslocado. Ao menos a água quente estava ajudando-o a manter a calma, e pensar que ele estava em segurança fazia tudo ficar melhor.

Quando saísse de lá, ele iria entregar as roupas para Sugawara, comer alguma coisa e então ir para o laboratório. Sim, esse era um bom plano. Trabalhar era bom, forçava-o a se concentrar em alguma coisa decente, e ele logo iria ficar com a mente focada nas suas pesquisas, como o bom cientista que era. Ser produtivo e descobrir coisas novas sobre o que eles haviam tirado da selva mais cedo com certeza iria melhorar o seu humor. Talvez até o ajudasse a relevar um pouco o que tinha acontecido com Kageyama, se suas descobertas fossem boas.

Além disso, ele estava curioso — e com um certo receio — sobre aquele que quase o havia matado. Talvez, depois desse tempo todo, ele tivesse enfim acordado. Tsukishima se perguntava como ele iria reagir ao se ver preso numa cela. Provavelmente, iria lutar pra sair. No entanto, o loiro não temia que isso acontecesse, visto como ele estava contido em segurança.

Tais pensamentos despertaram a curiosidade no cientista. Seu medo havia se transformado em segurança, e ele estava em vantagem agora. Se antes aquele alienígena estava se dando bem porque estava em seu território, agora as circunstâncias haviam mudado — ele agora estava em território humano, e por mais que lutasse com suas garras, dentes e cauda, ele não poderia escapar da tecnologia mais avançada do que ele.

Sem nem perceber, Tsukishima saiu do chuveiro com um sorriso no rosto.

Notas finais
Eu disse que tinha separado um papel muito especial pro Yamaguchi nessa fic, não foi? Confesso que escrever com ele desse jeito é honestamente delicioso, e eu me diverti PRA CARAMBA imaginando o design dele, assim como me diverti escrevendo. Aliás, grande parte da minha ansiedade em postar é porque eu literalmente amei redesenhar o bichinho e estava LOUCA pra mostrar aqui. AAAAAAAH COMO EU AMEI O design do Yamaguchi foi fortemente inspirado no Velociraptor de verdade, mas com algumas diferenças porque eu sou uma Dinosaur Nerd que nem o Tsukki, mas também tenho o poder da Licença Artística. Basicamente, o Yamaguchi não tem penas, e tem 5 garras nas mãos ao invés de 3. Além disso, suas 3 garras nas patas traseiras são planas e tocam o chão, ele não tem a garra levantada. Por último, sua cauda é BEM mais flexível que a do Velociraptor comum, que vive praticamente na mesma posição. Ele também pode controlá-la a sua livre disposição. EU ADORO DINOSSAUROS OK. Enfim, esse capítulo foi emocionante e deu pra sentir o quanto eu adoro dinossauros SOHASAHOOHS