Stark V: Código de Segurança
4 Capítulo 3-Visitas
Notas iniciais
POV THOR
Logo que cheguei em Asgard fui conversar com meu Pai.
–O senhor me chamou? –Perguntei atentamente.
–É sempre bom vê-lo, meu garoto. –Sorri. –Está tudo em ordem?
–Também gosto de te ver, meu bom Pai. Eu, quer dizer, você me chamou aqui, não foi?
–Eu? Bom, talvez tenha pensado alto demais, Thor. –Olhei franzindo o nariz. –Há algo que lhe perturba?
Dei um sorriso indiscreto. Lógico que algo me perturbava. Há minutos atrás, Odin meu Pai, havia me chamado dizendo de uma tal iminente ameaça. Uma ameaça que se aproximava. E agora que chego em Asgard ele diz que “Pensou alto demais”. Mas, outra coisa me incomodou. “Bom, talvez tenha pensado alto demais, Thor”. “Thor”. Meu pai não gostava de me chamar pelo nome, geralmente ele utilizava pronomes como “garoto”, “filho” ou, quando eu era menor, “pequeno”. Mas, achei melhor manter um singelo sigilo. E responde-lo, porque a demorava já estava estranha:
–Bem eu... Eu esperava que algo diferente estava acontecendo em... Asgard. –Ele me olhou torto.
–Quem mente para o Pai vai ao inferno. Mas quem mente para um Deus... –Eu interrompi, sabendo como a famosa frase dele terminaria.
–Eu sei meu senhor. Não estou mentindo. Não haveria motivos, além do mais.
Ele assentiu. E logo, eu estava andando pelo castelo Asgardiano. Se não foi Odin quem me chamou, então alguém se passou por ele. Mas, e se foi Odin que me chamou? Ele disse que “talvez tenha pensado alto demais”, o que significava que: “talvez eu tenha te chamado”. No momento, lembrei-me de Jane, talvez ela pudesse me ajudar. Eu não vou voltar para a Terra agora, mas quando retornar, com certeza falarei com ela, ou quem sabe, com os outros Vingadores.
POV May
15:35 da tarde. Alguém bate na porta. Eu estou morta de fome.
–Entra.
Uma mulher me chama:
– Agente May Crownguard, precisamos de você na sala de reuniões.
“Sala de quê?”, eu lá sei onde fica a sala de reuniões?
–Já vou.
Levantei-me o mais rápido que pude. Amarrei meu cabelo em um coque e troquei de roupa, para disfarçar que estava lá, deitada, todo esse tempo.
Eu deveria ter seguido as “plaquinhas” que indicavam onde era o banheiro, por exemplo. Mas ignorei isso e quando vi estava batendo na porta de um quarto escrito: “Stark”, completamente perdida, ok, eu fui pedir ajuda logo para ele?
Mas por sorte, eu vi o Capitão América passando pelo corredor e chamei-o:
–Hey, Capitão América, certo?
–Exato. –Ele sorriu com certo orgulho.
–May Crownguard. –Revirei os olhos com desprezo.
–Que bom que a senhorita já está mais calma. –Ele sorriu.
–Onde fica o refeitório?
–Andar 222, primeira porta à esquerda. Quer que eu te leve?- “dois, dois, dois,” como ele disse.
Assenti com a cabeça e fomos ao elevador. Ele digitou “22”. Eu pude perceber que não havia mais que 50 andares e juro, ele havia dito “222”. No visor do elevador estava marcando andar 181, e eu queria perguntar por que, mas não o fiz. No andar, 212 o elevador parou. Torci para ser só uma pessoa querendo entrar, já que morria de medo de elevadores. Minha mãe sempre assistia aqueles filmes onde o elevador fica emperrado e a mulher grávida acaba entrando em trabalho de parto dentro do elevador, no final, todo mundo sempre morre. A porta abriu suavemente e o palyboy local entrou (Tony Stark). Tá bem, algumas pessoas dizem que ele não é mais um palyboy, mas tem como parar de ser? Ou seja, “des-ser”? Ou melhor, ser um “ex-playboy”?
–Bom dia. –Soltei como uma bomba, minha voz era pesada e parecia sarcástica.
Steve olhou para mim com olhar de reprovação e eu sorri sinceramente. Não era ironia.
–Boa tarde, May. –Respondeu Tony, sorrindo estranhamente e dando ênfase para “May”.
Depois o elevador começou a subir de novo. E juro que esse foi o andar mais longo da minha vida. O clima estava pesado, não sei por quê.
Quando a porta abriu eu corri para a primeira porta à esquerda. Steve e Tony continuaram no elevador. Ouvi algo como “Para onde ela vai?” e “Sala de refeição”.
Senti um cheiro gostoso, era macarrão com queijo? Lambi os beiços e fiquei surpresa, achava que os Vingadores gostavam de lesmas e conchas do mar que eles chamam de ostra, mas, não se reclama da sorte, certo?
POV Steve Rogers
May correu como se fosse sua última refeição. Tony perguntou sem olhar para mim:
–Para onde ela vai?
–Sala de refeição.
Ele passou os olhos pelos botões do elevador. Achei que ia falar algo, mas não o fez. Tirou o celular do bolso e começou a digitar coisas.
–Vou para o andar três quatro três. E você? –Perguntei já digitando no elevador.
–É... –Confirmou distraído.
Fiquei perplexo, olhando para o rosto dele e depois para o celular. Aquele objeto tirava pelo menos 70% da vida útil das pessoas, ou pelo menos, eu não estava acostumado com aquilo, ainda não.
Clint, o gavião arqueiro, entrou no elevador um andar antes do três quatro três. E com um sorriso bem discreto (ironicamente falando) anunciou:
–Hoje é um dia muito alegre, certo capitão? –Entrou ignorando a presença de Tony que, de certa forma, não estava lá mesmo.
–Aconteceu algo de especial hoje, Clint? –Arregalei levemente os olhos.
–Mas é claro. –Ele sorriu- Meu filho nasceu, o nome dele é Natanael.
–Que boa notícia. –Sorri também.
–Outro? –Perguntou Stark com voz indiferente.
O arqueiro não falou nada, mas Stark deu uma rápida olhada para ele, sorriu singelamente e parabenizou:
–Parabéns.
Eu pude perceber ironia nesse “parabéns”, mas talvez tenha sido impressão. O elevador foi rápido. Mal a porta abriu e o Homem de Ferro saiu do elevador, indo em direção a um bebedouro. Eu e Clint seguimos para a sala de reuniões.
POV Loki
Dei um sorriso ao sentir que meu querido irmão estava em Asgard.
–Por que você não vem falar comigo?
Perguntei em voz baixa. Não tinha muita força. Estava fraco, sem o cetro. Não achei que conseguiria imitar a voz de Odin. Mas havia conseguido, e Thor estava em Asgard. Meu plano estava dando certo até então. Mas essa era a parte fácil. A parte que dependia de mim. A parte difícil, esta era, a próxima coisa a ser feita, não dependia de mim. Dependia do Thor. Do Thor e da sorte. E eu particularmente odeio depender do Thor e da sorte, principalmente do Thor.
Bateu uma fome. E engoli goela abaixo aquele negócio pegajoso que eles davam para os presos mais perigosos. De repente ouvi uma voz familiar:
–É aqui então?
–É sim senhor. –Essa era a do vigilante.
O som bruto do portão do calabouço se fez presente, alguém adentrava ali. Eu teria imaginado que era outro preso qualquer, se não tivesse reconhecido a voz do meu irmão.
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