Notas iniciais
Olha eu aqui novamente, hahaha. *A fic será em POVS!

POV. May Crownguard

Estava jogada na minha cama, numa casa pequena e velha de alguma cidadezinha esquecida dos Estados Unidos, apalpando levemente o visor da tela do meu celular. Não que eu estivesse interessada no que estava escrito no meu Personalibook, nada disso. Mas estava escuro lá fora do quarto e dentro dele mais ainda. O frio era forte e o vento balançava as cortinas sem abri-las. O que eu queria era a um pouco de luz no quarto e o celular fazia isso por mim. De repente ouvi uns passos, mas achei que fosse meu irmãozinho Jabel indo pedir colo para minha mãe. Enganei-me.

***

Abro os olhos levemente. Não consigo me lembrar de quase nada de ontem. Minha cabeça lateja um pouco. Meus braços e pernas estão amarrados. Na minha frente alguns corpos virados de costa, como se esperassem que eu acordasse logo.

Esforço-me para lembrar-me dos últimos acontecimentos, mas tudo que sei é que alguém invadiu minha casa ontem. Esboço um grito:

–Onde... –Perco brevemente a voz, mas contínuo-Onde estou?

Alguém se vira. Ah... É... Calma, é o Thor? Em seguida um homem vestido ridiculamente o acompanha, Capitão América. Com ele uma ruiva e um arqueiro dão as caras. Natasha e Clint. Percebo que eles já estão perto de mim, e alguém entra na sala, Bruce, o Hulk. Todos se aproximam de mim, mas percebo que falta um herói.

–Onde você estava? –Pergunta como em um sussurro Natasha.

–No laboratório com o Tony. –Cochicha como resposta o “Verdão”.

O Capitão América toma iniciativa e me desamarra, eu corro para longe deles e exijo explicação:

–Onde estou?!

–A pentelha acordou? –Uma voz adentra a sala, Stark.

–Eu? Pentelha? –Olho diretamente para ele- Quer que eu te diga o que você é também?

–Pode dizer, ninguém liga mesmo. –Ele sorriu ironicamente -E eu te conheço bem o suficiente para dizer que você é pentelha.

Antes que eu pudesse responder, Steve cortou a conversa.

–Tony, tente ao menos fingir que é educado. Desculpe May, nós já deveríamos ter lhe contado o que acontece. Estamos em Nova York. Eu sou...

–Eu sei quem é você! –Gritei enfurecida e aponto de chorar, mas é claro que não o faria – Eu sei quem são todos vocês! Vocês fazem ideia de quem eu sou?! Não sou nenhuma Deusa Maligna -Olhei para Thor com certa maldade- ou mafiosa... -Fui interrompida.

–Tem certeza? –O ar sínico e irônico do bilionário de ferro se mostrou outra vez, mas levado a um ponto mais sério- Porque até onde eu sei você é May Crownguard, filha do importante mafioso Ricardo Crownguard ou como é conhecido: “Gurila”, estou certo?

–Como assim? –Me sentei em um sofá que não havia visto, minha entonação era agora pálida como alguém que aperta um machucado.

Meu coração começou a bater mais rapidamente. Estava agora em Nova York, capitão dos Estados Unidos, longe de casa, longe da família. Na minha frente, falando comigo, os meus heróis de infância que aos poucos se tornaram “ícones do mal” pelo menos na minha cabeça. Não que eu quisesse discutir com o Homem de Ferro ou gritar com os Vingadores, nada disso. Mas me entenda! Estava confusa, Stark não facilitava as coisas e os outros pareciam um bando de mongóis sem atitude. Não conseguia diferenciar o tom irônico do sério do Tony, que alias, acabara de falar que meu pai era um grande mafioso! Como assim? Eu não tinha nada haver com isso! Não o via desde os meus onze anos e olhe que já tenho dezenove (ok, dezoito, mas faço ainda nesse ano)! Eu queria minha mãe!

–Por favor, Stark –Pediu Steve- Deixe que eu converso com ela.

O homem de ferro contorceu o lábio inferior levemente e inclinou a cabeça, como quem assente, mas diz: “você que sabe”.

–O seu pai... Ele é Ricardo Crownguard, certo?

–Sim, mas eu... –Falei pausadamente – Eu... Não conheço... Quer dizer... Não convivo... Com... Com ele...

–Nós sabemos disso. –Continuou ele aliviando-me brevemente, nunca é bom estar na mira dos Vingadores- Mas também sabemos que você é uma “maga da informática” e “super-atleta”, correto?

–Não. –Balancei a cabeça negativamente — Participei de umas olimpíadas regionais na escola nada demais.

–Quantas? –Interrompeu o Chato de Ferro.

– Treze. –O olhar dos outros foi de susto.

–Só isso... –Sussurrou, mas antes que eu desse a resposta- E quantas vezes você ganhou, May?

–Doze... Viram só? Não sou ninguém... –Interrompida de novo.

–A décima terceira você não pôde ganhar porque seu pai se mudou e sua mãe foi paga para ir morar em San Jose, desde então você se dedicou à informática e hackeou, deixe-me ver, trezentos computadores lhe parece um número sustentável? –Uma pausa para conferir minha expressão sem graça e- Oito anos, trezentos computadores... Você não é tão ruim, mas eu teria feito melhor. –Ele sorri.

Preciso de uns minutos para recuperar o fôlego. Antes que eu me pronuncie ele termina:

–Achou que eu estava brincando quando disse que te conhecia, pen-te-lha? – Ele dá ênfase à palavra “pentelha”.

Mais um pequeno tempo e eu pergunto direcionada à Steve:

–O que vocês querem?

–Bem... Como ele disse... Você é uma profissional em hackear...

–Eu não disse isso. –Avisa Tony irritantemente.

–Hum... –O capitão ignora- Você é uma profissional em hackear computadores e seu pai utiliza um computador de última tecnologia, é um “Stark V” e tem um Código de Segurança extremamente complicado de se quebrar, é tão difícil que o Governo pediu às Empresas Stark que parassem de produzi-los, só existem cinco no mundo, com o dele.

–Mas se foi o Stark que fez... Por que ele mesmo não desfaz? –Olhe para ele, com um tom de incapacidade na voz.

–É ai que nasce o problema – Prosseguiu o capitão, antes de Tony me responder — O código de segurança é tão avançado que...

–Nem o Homem de Ferro consegue desfaze-lo, correto? –Sorri com ar de superioridade, adiantando-me na fala.

–Errado. –Cortou Stark – O código de segurança do Stark V, é à base de cinco camadas e ele, Ricardo, usa a de segurança máxima. Esta é à base de DNA, e felizmente ninguém aqui tem o DNA dele, ou melhor, só você tem May. –Ele falava tudo olhando para um espelho enorme, como se observasse algo. –Se você desbloquear, com seu DNA, haverá ainda uma senha.

–Hum... Quanto tempo vou ficar aqui? E a minha família?

–O tempo que for necessário. –O capitão – Enquanto eles, não se preocupe, acham que você foi participar de uma olimpíada Sul-Americana.

–Assim, do nada?

–Temos recursos o suficiente para eles acharem. –Sorriu Natasha.

***

POV. Loki

Estou deitado no chão da cela em Asgard. O que posso fazer para sair daqui? Ah, nada. Imagino o que teria sido se eu tivesse conseguido superar Thor, se tivesse destruído a Terra ou se Odin me amasse.

–Gostando da nova casa? –Grita um dos prisioneiros.

Eu ignoro, quem disse que ele fala comigo? Pode ser qualquer um dos novos prisioneiros.

–Estou falando com você, Loki. –Ênfase para a palavra Loki – Gostou da nova casa?

Inegavelmente. –Sorrio.

–Aproveite que vai ficar ai por um bom tempo.

–Eu não teria tanta certeza. – Na minha cabeça vem uma ideia, já tenho um plano de fuga.

Notas finais
Então, o que acharam, jujubas? Estou dando a personalidade correta para cada um deles?