Notas iniciais
Esse foi o capítulo mais difícil de escrever na minha opinião, e o melhor também (eu espero)

Após a primeira noite que consegue dormir após 13 anos dentro de uma capsula de estase, John acorda antes de todo mundo por estar acostumado a acordar sempre cedo, desce da beliche sorrateiramente para não acordar ninguém e se dirige ao banheiro. Se olha um pouco no espelho e tenta imaginar porque sua barba e cabelo não cresceram 13 anos também, mas logo após isso ele abre a torneira e joga água em seu rosto. Seu rosto era o de um jovem ainda, mesmo ele tendo praticamente 41 anos, novamente graças a estase, maxilar bem definido, olhos amendoados rosto magro e boca escondida pela barba crescendo no rosto, ele dá uma pequena risada e fala sozinho

–Se eu estivesse no exercito ainda eles iriam comer meu couro por não cortar essa barba, mas eu acho que gosto assim – Ele fala virando o rosto de um lado para o outro.
O banheiro da nave era bem espaçoso, a Flourish podia ser uma nave de guerra, mas era como uma nave de civil por dentro, com todos os melhores artigos de luxo, John resolve entrar dentro da câmara de banho, uma nuvem de água entra na cabine e sai rapidamente, John quase não se molha e está limpo, sem cheiro algum.

–Que coisa mais prática – Ele fala de braço levantado tentando se cheirar

John sai do banheiro e se dirige ao refeitório da nave, parecia uma sala de jantar, dizer refeitório era ser modesto, com uma mesa de centro rustica de madeira sintética, seis cadeiras ao redor da mesa, poderia até servir de mesa de reuniões se eles quisessem, tinha um projetor holográfico acima da mesa. Ele abre a geladeira dentro da parede e para sua alegria estava lotada com os mais diferentes tipos de comida, e claro, seu favorito estava lá, o pão de queijo. John pega a travessa e nem esquenta, vai comendo e seguindo pelo corredor cilíndrico da nave até a enfermaria, ele estava apenas explorando a nave, quando ele passa pela porta ele escuta a voz de Sasha

–Bom dia John, você acordou cedo – Sasha fala com seu tom de voz sempre feliz

–E você nem dormiu – John fala e depois coloca a cabeça no lugar – Ah, desculpe, eu não quis ofender

–Não me ofendeu, está tudo bem, eu passei a noite rodando diagnósticos e analisando cada milímetro cubico dessa nave – Sasha continua – Mas mudando um pouco de assunto, o que você acha da nossa mais nova membra? E porque você e Cairo aceitaram ela aqui tão rápido?

–Bom eles nos aceitaram bem rápido também não foi? É até estranho mas eu acho que em tempos como estes – John fala e come um dos pães

–Defina tempos como estes – Sasha materializa seu holograma

–Tempos de guerra, tempos onde cada pessoa vale, cada movimento precisa ser cauteloso, tempos onde ter um ao outro é tudo que podemos ter – John fala se lembrando do discurso que seu avô havia feito na guerra contra os Koha’rt

–Mas as pessoas não parecem saber que há uma guerra lá fora que pode chegar aqui a qualquer momento... – Sasha fala e se vira para olhar pela janela da enfermaria – Eles têm medo não é?

–Têm – Ele responde com uma só palavra e coloca a travessa encima do balcão

–Você têm medo John? – Sasha pergunta com o medo marcado em seu rosto, John percebe e se curva para ficar na altura de seu holograma.

–Todos nós temos medo de algo, por mais que nós podemos dar uma de durões de vez em quando, temos alguma fraqueza, e você também tem medo, seu lado humano parece ter se desenvolvido um pouco mais.

–John, quando eu estava vasculhando pela nave eu consegui desbloquear um dos arquivos encriptados – Ela fala, mas não parece estar muito empolgada com a descoberta

–E isso não é uma coisa boa? – Ele fala levantando uma sobrancelha

–É que nele diz que eu não vim desse tempo, eu vim do futuro! – Ela fala e a porta da enfermaria se abre, Sasha desaparece tão rápido quanto apareceu, e Katz entra na enfermaria com uma mão na cabeça, abre uma das prateleiras, pega um dos comprimidos, e quando John estava prestes a falar algo ela sai da enfermaria fazendo “Sh”. John está rolando no chão de rir, por dentro é claro, ele não queria apanhar logo de manhã

Todos da nave vão acordando após um tempo e se familiarizando com a nova integrante Olby e também com a nave nova, Katz consegue tratar um pouco de sua ressaca, Cairo está na ponte conversando com Sasha e Olby, que quase não para de falar, John está bebendo um copo de café e conversando com Katz na enfermaria, ela gostou de lá por ter a maior janela, Cairo dá um aviso da ponte para todos se prepararem e quando ele vai apertar o botão de iniciar os motores eles recebem uma mensagem de Denniel

–Certo, vejo que já se familiarizaram com a Flourish – Sua voz ecoa pela nave inteira – O que eu quero que vocês façam é algo bem simples, mesmo... Eu quero que vocês viagem até Cygnus X-1, passem na estação orbital 50 UA descubram o que aconteceu lá, e voltem, simples assim

–Simples... Eu te conheço irmão, qual é a parte que você não está nos contando? – Cairo fala já esperando alguma coisa podre de seu irmão

–Ele não nos contou que Cyg X-1 é um grande emissor de raios X, é um buraco negro com uma estrela orbitando ele, é uma grande armadilha mortal para os despreparados – Olby fala rapidamente

–Eu vejo que também tem uma nova tripulante irmão, mas como eu não os mandaria para lá sem preparação é claro, Flourish está equipada com os melhores escudos e casco antirradiação.

Eles param a conversa por um instante e logo Cairo retoma

–Se fizermos isso você nos deixa em paz certo? – Ele fala com raiva estampada em sua face

–Você tem minha palavra irmão, e farei mais que isso, a nave será sua se concluir. – Denniel fala e parece soltar fumaça de um de seus charutos

Katz anda até o painel de comunicações e simplesmente encerra a transmissão, todos olham para ela, que está com raiva estampada no rosto.

–Vamos fazer isso logo e pronto, sem mais dor de cabeça – Ela fala e volta para a enfermaria todos ficam olhando espantados para ela menos Cairo, que se levanta e vai atrás de Katz.

–Você está bem? – Cairo pergunta, ainda com um pouco de raiva mas consegue fazer seu tom de voz sair calmo.

–Eu que deveria estar perguntando isso pra este – Ela se vira e coloca uma de suas mãos no braço de Cairo, e logo após tira e vai até a janela da enfermaria – Depois de 5 anos Cairo, 5 anos que nos conhecemos, este é mais como um amigo mas como um irmão, ou um pai, eu sei o que este passa toda vez que vê Denn – Cairo anda até o lado dela e observa um pedaço do Hangar com ela – Eu me preocupo contigo, este cuidou de mim, me ajudou quando eu precisei e... – Ela simplesmente para de falar

–Obrigado Katz, você também foi como uma filha pra mim, Hah! – Ele dá uma risada – Todo esse tempo que permanecemos juntos foi muito bom, você sempre consegue me deixar sentimental garota! – Cairo coloca a mão em torno do pescoço de Katz – Pai e filha hã? Quer que eu te adote? Adoraria conhecer sua mãe.

–Cairo! – Katz fala sorrindo e balançando a cabeça – Não!

–Ah, tudo bem, quem sabe talvez depois de tudo isso, eu finalmente consiga aquela casa na praia que eu te falei hm? – Cairo tira seu braço de Katz e bagunça um pouco seu cabelo

–Eu ainda nunca vi uma praia – Katz responde – Bom, não pessoalmente

–Ah, nós resolveremos isso, assim como resolveremos essa missão idiota do meu irmão e acabaremos logo com isso certo? – Cairo fala simpaticamente, Katz olha de volta, muito feliz por ver um sorriso na cara do velho mais uma vez

–Certo – Ela responde, e os dois se dirigem de volta à ponte

–Todos prontos? – Sasha pergunta – Vamos partir?

–É agora! – Cairo fala sentando na cadeira do piloto e subindo os controles holográficos da nave – Gostei de você Flourish.
A nave retrai o trem de pouso, liga os motores de manobra e os motores de baixo da nave, que a faz levantar e ir em frente bem devagar, após saírem do Hangar da enorme estação e se distanciarem um pouco Cairo finalmente fala.

–Sasha, nos mostre de que essa nave é capaz, coordenadas já estão inseridas! – Cairo fala baixo com um sorriso maldoso – Velocidade máxima.

Mesmo Cyg X-1 estando a três mil anos luz da estação, a partir do momento que Sasha ativa a viagem DET da nave, o campo de visão aumenta imensamente, é até estranho olhar para as coisas, o contador de velocidade aumenta tão rapidamente, começa a marcar primeiramente “103 c” e depois de alguns segundos já estava em “789 c” e quando eles chegam ao destino a parada é quase que instantânea, e o local, magnifico, um sistema binário de um buraco negro e uma estrela, com o buraco negro sugando a atmosfera da estrela e uma parte dela quase tocando nele, o ponto onde o gás tocava no buraco negro era incrivelmente brilhante, o disco de acreção também era brilhante, e de seus polos saiam dois raios de energia que se estendiam até onde a vista alcançava.

–Isto é incrível! – Olby fala se debruçando na janela da ponte – O buraco negro está engolindo aquela estrela! E olha o tamanho da estrela! É enorme!

–Onde está a estação? – Katz fala se levantando de sua cadeira

–Está bem do nosso lado – John fala olhando pelo radar, e todos olham pelas janelas da nave, quando Cairo chega mais perto com a nave eles podem ver que a estação parecia ter passado por um desastre enorme, grandes buracos no casco, partes separadas da estação flutuando por aí, e conforme eles chegam perto mais uma parte da estação explode

–O que foi que aconteceu aqui... – John olha para a enorme estação intrigado.

–Vou tentar pousar por perto, eu você e Katz vamos descer enquanto Sasha e Olby tomam conta da nave, entendido? – Cairo fala olhando para John
–Temos armas? – John fala sarcasticamente – Só pra caso apareça algo que queira algumas balas na cara

–Haha! – Katz sorri maldosamente – Eu achei umas coisas na área da carga, e também nós nunca saímos despreparados pra uma missão dessas.

Os dois então seguem Katz até a área de carga, John olha para Cairo que responde com os ombros, chegando no local Katz abre dois caixotes lotados com armas de todos os tipos, metralhadoras, escopetas, rifles, tudo, e ela abre um terceiro caixote com armaduras dentro, haviam quatro, John dá um assovio e anda pelos caixotes

–Quando você descobriu isso? – ele pergunta

–Hoje de manhã, logo após sair da enfermaria, cheguei nesse lugar e resolvi abrir algumas caixas, as outras só contem medicamentos e comida, e também tem uma caixa lacrada, não consegui abrir de jeito nenhum, mas vamos falar disso depois de completarmos a missão. – Katz fala pegando uma escopeta de dentro de uma caixa e duas pistolas, coloca as armas em coldres e pega uma das armaduras.

Cairo olha para John dessa vez que também lhe responde com ombros, eles pegam cada um uma metralhadora, mas John também pega um rifle, enquanto Cairo pega uma pistola, os três colocam as armaduras que são separadas em placas que se juntam magneticamente fechando a pessoa “dentro” e então colocam os capacetes, que automaticamente se fecham dentro da armadura criando um ambiente completamente fechado do exterior, permitindo que possam andar no meio do espaço sem problema

–Há! – John ri sarcasticamente – O quanto essas coisas aguentam?

–Bastante, sem contar que têm um exoesqueleto e um pequeno jato propulsor nas costas caso a coisa fique feia – Cairo fala

–Sério? Um jato propulsor? – John fala

–Não, mas seria bem legal se tivesse – Cairo fala rapidamente e vai andando até a câmara de despressurização da nave

Sasha então coloca a nave próxima de uma entrada da estação que também era enorme, mas não chegava perto da anterior que tinha mais de 40 km de comprimento, eles despressurizam a câmara e abrem a porta do espaço, ligam as botas magnéticas e descem da nave para a estação, Katz coloca um pequeno aparelho na porta da estação que dá um curto na porta e eles entram, John então remove o aparelho e entra, após alguns segundos a porta se reinicializa e se fecha sozinha, e a câmara se pressuriza

–Isso é um bom sinal, alguém pode ainda estar vivo se tiver pressão do outro lado da porta – Katz fala e abre a porta de dentro da estação que também tinha ar – Muito bem, não vamos nos separar, só em caso de ter algo por aqui.

–Sim senhora – John fala sarcasticamente

Dentro da estação está muito escuro, a maior parte das luzes explodiram, tudo que eles estão usando é uma lanterna na ponta das armas e uma no capacete, eles seguem por um longo corredor cheio de portas quando Cairo fala

–Espera – Ele para por um instante

–O que foi? – Katz fala – Viu algo?

–Tem algo no meu radar, atrás dessa porta aqui – Ele fala apontando para a porta a sua direita – Talvez seja um sobrevivente!

John abre a porta e cautelosamente entra no local que parecia ser um refeitório enorme, onde a primeira vista não parecia ter ninguém, todos eles entram e quando Cairo anda mais a frente ele recebe uma cadeirada na cabeça de uma pessoa. Ele recua para trás com a mão no capacete e fala

–Você tá maluco? – Ele fala enfurecido – Ainda bem que eu estou de capacete!

–Perdão, perdão – Ele com certeza não era humano – Eles... Eles vieram rápido demais, Wao só podia se esconder, Wao foi o único que sobreviveu

–Certo Wao, nós vamos tirar este daqui, fique calmo tudo bem? – Katz fala, e o Alienigena cinza e alto olha diretamente para ela.

–Você... Você é uma Yaksh – Ele fala por entre sua boca fragmentada, não havia como dizer se ele estava com medo pois seu rosto era quase plano e seus olhos frios e quase sem vida, ele coloca a mão no bolso de seu Jaleco e entrega uma pedra à Katz – Você sabe o que fazer Yaksh, Wao sabe que vocês são capazes – Ele se vira para John e toca seu peito com um de seus únicos dois dedos, nesse momento John toma um pequeno choque, mas nada que ele não pudesse aguentar – Humano... John, Cairo, Olby, Katzeena, e até mesmo a IA Sasha, vocês serão essenciais, outros podem não saber mas Wao sabe o que farão!

Wao começa a tossir em suas mãos, e ir para trás, quando se aproxima da parede ainda tossindo ele simplesmente cai morto no chão, quando eles se aproximam para investigar eles percebem que suas costas estão com vários buracos de bala, pelo menos uns 8

–Droga... – John fala ao ver os buracos de bala – Quem será que fez isso?

Exatamente quando ele termina esta frase uma das portas do refeitório se abre e oito pessoas armadas entram no local atirando para todos os lados, Cairo rapidamente chuta uma mesa e se abaixa atrás, John perde seus escudos e rapidamente corre na direção de Katz que está com seus escudos quase fritando, e a puxa para baixo virando uma das mesas, os barulhos de tiros pegando na mesa de aço são intensos, tudo que John pode ouvir são tiros sendo disparados e batendo em todos os lugares, com suas lanternas apagadas só consegue ver entre os flashes dos tiros que Katz tomou dois tiros, um no abdômen e outro na perna, e ela estava só olhando para ele. Ele olha para Cairo, que está sobre fogo intenso, e num momento de pura fúria John se levanta, a adrenalina fluindo por suas veias faz o tempo parecer mais devagar, ele mira com sua metralhadora encima dos inimigos e segura o gatilho, acaba matando um deles e fritando os escudos do outro, ele então joga sua metralhadora sem munição para o lado e pega seu rifle, quase não mira direito e acerta um tiro na cabeça do outro inimigo, já puxa a alavanca do rifle, era um rifle velho, munição antiga que passava pelos escudos quase que sem problemas, e da um outro tiro na cabeça de um dos caras que estava atirando nele, o tiro atravessa sua cabeça e pega no peito do homem que estava atrás, ele pula a mesa e corre em direção aos outros quatro restantes, Cairo faz chover balas encima de um deles que tem os escudos quebrados e o corpo transformado numa peneira, John começa a gritar enquanto corre em direção aos outros três, o primeiro tenta dar uma coronhada nele, mas ele desvia e usando a força do exoesqueleto o nocauteia em um golpe, o segundo inimigo consegue acertar dois socos na barriga de John que revida com uma cabeçada e segurando o rifle em uma mão dá um tiro nele, e o ultimo cara que estava vivo usa sua única bala para por na própria cabeça

Quando John finalmente sai do frenesi ele percebe que levou um tiro no braço, um no ombro e um na panturrilha, tem várias marcas de tiros que pegaram de raspão nele, o metal da armadura no abdômen está retorcido pelos socos com exoesqueleto e ele tem certeza que quebrou alguma costela, mas ele não liga, simplesmente anda até Katz que ainda estava consciente e levanta ela do chão junto com Cairo

–Você também tá ferido seu maluco! – Cairo fala – Vai logo pra nave se consegue andar bem, não se preocupe com ela, eu consigo a levar

Mas parece que essas palavras não tem sentido para ele, tudo que ele faz é ajudar Cairo a levar ela até a enfermaria, e quando chega lá ele não aguenta mais e sucumbe aos ferimentos, caindo de joelhos e depois de cara no chão

Olby e Sasha rapidamente aparecem na enfermaria também, e ficam boquiabertas

–O que aconteceu? – Olby vai fazendo uma chuva de perguntas – Eles estão bem? Ele está vivo? Está tudo bem?

–Não, não está tudo bem, pelo menos não com ele, nenhuma das balas esta alojada, todas atravessaram, já Katz as balas não pegaram em nenhum órgão vital – ele fala olhando pelo scanner – Eles eram em oito e ele matou seis sozinho, dois deles com as próprias mãos

–Com as próprias mãos? – Olby pergunta

–Espera, quem estava lá? – Sasha pergunta

–Os malditos Koha’rt, tinha um... Um cientista lá também – Cairo vai falando enquanto remove a armadura de Katz – Olby enfaixe a Katz!

–Claro, claro! – Ela diz pegando a gaze de cima da maca

–O cientista deu uma espécie de... De pedra para Katz – Ele pega John em seus braços e coloca-o em outra maca, já removendo sua armadura – Droga... Sasha, rápido, DET de volta para a estação!

Logo quando ele termina de falar a nave treme bastante

–Droga, nos tire da linha de fogo rápido – Cairo fala para Sasha

–O que tá acontecendo? – Olby diz com um tom de medo

Sasha toma controle da nave que tomou danos sérios no escudo e começa manobras de evasão e ataque, mas não são muito efetivas, a nave acaba sofrendo mais ataques dos canhões de Gauss dos Koha’rt, um acaba pegando nos escudos novamente mas o segundo passa direto e pega no casco da nave fazendo um grande buraco na área de carga, todas as portas da nave se fecham automaticamente

–Sasha! – Cairo grita

–Eu sei! – Ela grita de volta

O segundo tiro pega num dos motores fazendo a nave começar a girar, mas também interrompe as tubulações de energia e deixa o reator exposto, mas ele não para de funcionar, uma fração de segundos depois a nave estava em DET travada no “20 c”, Cairo da um suspiro, e pega uma espécie de gel de um dos armários da enfermaria, e coloca em todos os buracos de bala de John e Katz, estes começam a se regenerar muito mais rápido que o normal mas ainda sim demoraria horas para ter efeito total, ele então enfaixa os dois novamente, puxa uma cadeira na enfermaria e fica sentado observando os dois

–Eles vão ficar bem? – Sasha e Olby falam quase que ao mesmo tempo

–Eles vão ficar bem... Eles vão ficar bem sim... – Cairo diz removendo seu capacete e esfregando a mão em seu rosto.
A nave estava muito avariada, com um dos motores quase completamente destruído e o reator exposto ao espaço não podia aquecer o suficiente para gerar a energia necessária para fazer DET muito rápida iria demorar alguns dias até chegarem na estação mais próxima do local, mas isso não era problema, o problema seria reparar a nave enquanto isso para que as coisas não piorassem. Algumas horas se passam e John é o primeiro a acordar, ainda meio tonto ele tenta se levantar mas não consegue

–Ei, ei... – Cairo se aproxima – Vai com calma aí, herói

–Herói? – Ele pergunta – Nós conseguimos descobrir porque o local estava destruído? Ah, eu lembrei, os Koha’rt né?

–Exatamente, e você levou três balas e seis deles sozinho – Cairo suspira -sua sorte é que temos sangue humano para transfusão mas infelizmente não posso falar o mesmo para Katz

John imediatamente olha para o seu lado e tenta se sentar na maca com toda sua força, ele consegue, mas seus ferimentos ardem muito

–Ela vai ficar bem? – Ele pergunta num tom preocupado

–Ela vai ficar sim, graças a você nem ela nem eu morremos – há uma pausa – Já te disse que você matou seis deles sozinhos?

–É eu me lembro – Ele esfrega os olhos – Onde estão Sasha e Olby?

–Eu estou... Bem, em todo lugar da nave, eu meio que sou a nave agora – A voz de Sasha fala na enfermaria e seu holograma lentamente se materializa dos pés até a cabeça perto da maca de John – E você precisa descansar seu teimoso!

–Você tá bancando minha mãe Sasha? – Ele pergunta tentando dar um sorriso pelo seu rosto cansado e olhos roxos

–Engraçadinho, eu só quero que você se recupere – Ela se vira para Cairo – A Olby quer falar com você na ponte Cairo

–Tudo bem, vamos ver o que a garotinha tem em mente – Ele se levanta da cadeira e fala enquanto sai da enfermaria – E você precisa descansar mesmo herói.

–Então você salvou eles hm? – Sasha pergunta cruzando os braços – Sabe que eu posso usar os scanners da nave para ver dentro de outras naves estações não é?

–Aonde você quer chegar? – Ele levanta uma sobrancelha e olha para Sasha

–Quando você viu Katz sob fogo imediatamente correu na direção dela – Ela chega mais perto de John — E quando viu que ela havia sido atingida você entrou num frenesi.

–Lá na terra, enquanto eu ainda servia na nave do meu avô – ele suspira – Quando a batalha havia chegado no dia final para nós, a nave sucumbiu após ser atingida apenas três vezes, e eu vi amigos meus morrerem na minha frente, eu vi meu avô não abandonar o posto até o ultimo segundo, mas eu abandonei, eu poderia ter feito alguma coisa mas eu fugi, dessa vez eu não quero que ninguém mais morra por minha culpa, se eu não fizesse nada Katz e Cairo estariam mortos e vocês também provavelmente.

Sasha fica boquiaberta, e logo após acena com a cabeça

–Eu entendo, nesse caso, muito obrigada – Ela se senta na maca ao lado de John – Mas então, você arriscou sua vida por pessoas que conheceu há mais ou menos três dias?

–São os únicos que conheço, Hah – Ele ri e solta um grunhido de dor – Porcaria, é eu os conheço a três dias mas eles são os únicos que conheço, ei, eu te conheço só a três dias também, você sabe do que eu estou falando!

–Sim – Ela diz sem expressão nenhuma – Ah, desculpe, Cairo esta me chamando lá na ponte também

–Tudo bem, eu vou descansar também – Ele se deita e quase instantaneamente dorme na maca
Sasha se desmaterializa da enfermaria e materializa na ponte

–Então você sabe como reparar a nave? – Sasha fala

–É bem simples na realidade, todas as naves que são desse tamanho e dessa tecnologia têm drones de reparo – Olby fala tocando em sua prancheta holográfica — Nós só precisamos ativa-los e eles usarão os materiais que já existem aonde eles mesmos estão, não sei se vai ser o suficiente mas, é um começo

–Você não sabia da existência desses drones Sasha? – Cairo pergunta

–Mais ou menos, eu vi o comando de ativação mas não sabia exatamente o que fariam – Ela responde

–Bom então, ative-os! – Olby fala empolgada – Isso vai ser interessante de ver!

Sasha então ativa os drones imediatamente, e eles começam a ouvir uns barulhos mecânicos pela nave, e logo após isso Sasha fala:

–Está funcionando, eles estão avaliando os reparos, e reconstruindo os motores e parede do reator!

–E quanto tempo até completar o reparo? – Cairo olha em sua volta

–Aproximadamente... – Ha uma pequena pausa – Oito horas!

–Certo, enquanto isso, façam o que quiserem, eu vou comer – Ele fala se retirando rumo a dispensa da nave

Sasha e Olby olham uma para a outra segurando para não rir

–Vocês são bem legais, a quanto tempo estão todos juntos? – Olby pergunta

–Três dias – Sasha responde calmamente e Olby fica encarando ela com uma sobrancelha levantada

–Só três dias e vocês já estão tão amigos assim – Ela fala – Uau! Imagino que nesse momento já faço parte permanentemente da tripulação também Hm?

–Se uma IA misteriosa conseguiu fazer parte da tripulação – Sasha sorri – Porque uma garotinha não conseguiria?

–Eu não sou uma criança viu! – Ela cruza os braços e empina o nariz – Eu já tenho 14!

–Continua sendo a mais nova daqui – ela fala rindo – Mas mudando de assunto, me conte mais sobre você.

–Bom, eu só sei o que meu irmão me disse – Olby se senta na cadeira do piloto e cruza as pernas – Nós dois nascemos na terra numa cidade chamada... Nova Iorque, é! Nova Iorque! Ele cuidou de mim, nós morávamos na rua e eu nunca conheci meus pais, ele disse que eram pessoas más, então os Koha’rt vieram e destruíram tudo, ele se esgueirou junto comigo para dentro de uma nave que nos levou até um planeta estranho, nós ficamos na nave por anos e quando a estação foi construída nós ficamos nela por mais alguns anos, mas um dia nós estávamos tentando pegar comida para sobreviver e eles pegaram ele, eu fugi mas ele foi preso, já faz um ano

–E quando ele vai ser solto? – Sasha pergunta

–Já foi um ano então falta só mais um – Ela responde

–Dois anos por roubar comida? – Sasha fica intrigada

–Não era só comida que nós roubávamos – Olby coça seu braço

Sasha sorri e balança a cabeça, as duas permanecem na ponte conversando por mais um tempo e logo após se juntam a Cairo que já estava dormindo na mesa de jantar.

Notas finais
Muito obrigado a VOCÊ que leu até aqui, agradeço muito seu suporte, e eu peço novamente que deixe um comentário se possível e fale com seus amigos sobre esta história, até a próxima!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.