Notas iniciais
contextualizando sem dar muitos spoilers, Sherlock considera asfixia consentida uma maneira de "limpar" a mente quando há mais informação do que ele pode processar.Victor Trevor é um personagem mencionado nos livros, foi um colega de faculdade do Holmes, a quem ele ajudou a resolver um caso e foi um de seus únicos amigos. No universo dos Texts eles eram ex-namorados. obrigada pela leitura! ^_^avisos: asfixia em um contexto levemente BDSM.

– Isso não tem nada a ver com o... ah... – palavras desajeitadas escaparam de sua boca quase simultaneamente à pergunta de Sherlock. John calou-se antes que pronunciasse o nome do homem já falecido. Ele sabia que Sherlock inevitavelmente franzia as sobrancelhas e o repreendia pela mera menção do nome de Irene e ele não estava certo do quanto isso também se aplicava a Victor Trevor. Se no momento não fosse tão irritante, Sherlock teria considerado quase adoráveis a preocupação e constrangimento demonstrados por John.

– Não! – Sherlock respondeu depressa, como se John tivesse dito algo completamente absurdo. – Não seja idiota. Ah, esquece que perguntei.

– Bom, você não me deixou responder. – disse John.

Em silêncio, Sherlock encarou o outro homem, antecipação tomando seu ser, embora ele escondesse muito bem tal sentimento. Ele podia deduzir o que viria a seguir através da linguagem corporal de John.

O médico respirou bem fundo e disse:

– Ok, eu faço. Por você.

Ele inalou mais uma vez.

– É, eu posso fazer isso. – ele repetiu, daquele modo típico de uma pessoa reunindo confiança. Ele estava ciente de que tratava-se da manutenção do bem-estar mental de Sherlock, pelo qual ele era bastante preocupado.

John. – o nome do médico escapou dos lábios do detetive feito um ronronado macio. Sherlock gostava de pronunciá-lo dessa maneira lânguida. Afeição, carinho e algo a mais. John não estava bravo com ele, que nem daquela vez com as algemas. Aquilo havia sido um calculo malfeito. Não era particularmente importante agora porém, não depois deles terem reconstruído tudo das ruínas deixadas para John recolher sobre o chão diante de St. Bart's e ao longo de anos a fio. Era quase um feito notável terem chegado a um acordo mútuo e praticamente estável.

Dessa vez, ele era gentil. Embora um pouco previsível, não era completamente desagradável observar John certificando-se que seu detetive estivesse deitado da maneira mais confortável o possível na cama que compartilhavam, antes de sentar sobre as pernas dele e prensá-lo contra o colchão usando seu peso.

– Oh, meu deus. – John murmurou, distribuindo beijos castos ao longo do pescoço e maxilar de Sherlock. Sim, John, você tem permissão para me adorar, por favor. Os dedos calejados do médico tocaram levemente o pescoço pálido do outro homem. Sherlock podia senti-los estremecer. John hesitou.

– John.... – Sherlock repetiu, inclinando a cabeça de forma a dar mais espaço para as mãos do outro.

John fez exatamente o que Sherlock havia pedido. Ele enroscou os dedos em volta do pescoço de Sherlock e apertou, colocando pressão suficiente no ato para bloquear um pouco de ar. Sherlock engasgou e seu corpo arqueou contra a presença constante e quente que era aquele homem.

Sherlock piscou e piscou, suas mãos agarrando a esmo as calças de brim do ex-militar quando ele apertou a passagem de ar ainda mais.

– O-olha pra mim. – John falou. Ele estava preocupado e ainda incerto se aquilo tudo havia sido realmente uma boa ideia, ainda assim, os dedos continuavam a agarrar o detetive implacavelmente.

John parecia um borrão quando o detetive olhou fixamente para ele, ainda assim Sherlock sabia onde estavam cada uma de suas rugas, o rosto do médico memorizado em detalhe e apreciado em sua humanidade e incapacidade de evitar a passagem do tempo. Ele sentia a respiração irregular de John por toda sua face e não havia nada no mundo que ele pudesse querer mais. Não tenha medo por mim, continue. Tudo que ele desejava era ser levado em um arroubo de sensação e queimar feito um corpo espacial orbitando às voltas de John Watson.

Oh, o bom médico realmente sabia como fazê-lo. Homem perigoso e cheio de surpresas. Os dedos de John estavam finalmente seguros e apertando com confiança. Sherlock amava aqueles dedos, queria beijá-los. Dedos que puxavam o gatilho de uma arma, curavam e digitavam torrentes de palavras elogiosas e desajeitadas, faziam chá, faziam amor e roubavam todo o ar de Sherlock. Aqueles dedos eram preciosos feito gemas raras, ainda que fossem apenas osso e músculo. Se fossem feitos do mesmo material que as estrelas (não eram?), ele teria uma joia feita de dedos de material estrelar tal qual uma corrente apertada ao redor do pescoço, queimando, queimando... Espere, espere. Ele ofegou e comandou a si mesmo a não pensar. Deixa que ele faça as menores peças de você.

[…]

Sherlock via-se às margens da queda. Nada restava, exceto o brilho fugaz de íris azul escuras olhando para ele e o murmúrio abençoado do vazio esmagador. Parte dele desejava indulgenciar à beleza de sucumbir sem ar sob os queridos dedos de John.

Ele estava prestes a permitir que as ondas sem som engolfassem todo seu ser quando John o libertou e chamou por seu nome, puxando-o de volta antes que Sherlock ultrapassasse a linha.

Lentamente, o ar preenchia seus pulmões. Era um processo doloroso e, se perguntassem a ele, Sherlock poderia descrever o sistema respiratório humano com detalhes minuciosos. Ele havia gozado, esfregando-se contra o tecido macio de suas calças e a virilha de John. Seu transporte deseja muito dormir, sedado pela repentina clareza em seu cérebro privado de oxigênio. John o abraçou, murmurando palavras acalentadoras, talvez um pouco românticas.

Oh, John, você é um tolo, ele começou a pensar, mas por fim escolheu a doce letargia que o envolvia enquanto recuperava o fôlego. Sherlock amava a ambos: o silêncio esplêndido e John.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!