Starfall
1 (Único) Todas as pequenas mortes
Notas iniciais
A história por volta de Ashara Dayne me comoveu. Por isso, me vi escrevendo isso.
Naquele dia, Ashara Dayne faleceu por completo. Nem todos os ouros de sua casa, nem todas declarações de admiradores e nem a promessa de dias melhores seriam capazes de fazer com que aquela bela mulher de olhos violetas desistisse de sua última ação.
Tudo foi pesado demais para ela.
Primeiro, ela se desonrou. Deixou-se levar por promessas vindas de um galanteador. Ele era bonito e prometeu-lhe amor eterno. Ela acreditou, despiu-se de todo receio e teve uma noite inesquecível, apenas para ser abandonada nos dias que se sucederam. Aquela foi sua primeira morte.
Pouco tempo depois, uma descoberta: Sua noite de amor gerou um fruto, que logo nasceria e mesmo que fosse considerado por muitos um bastardo, seria amado e protegido com todo carinho. Foram longos meses em Tombastela, acariciando seu ventre que cada dia crescia mais, seu pensamento alternando entre seu irmão em meio àquela rebelião, sua amiga Elia, e às vezes, no pai de sua criança, que por sinal, nunca mais vira. Mas, em seu parto, seu bebê, uma menina, nasceu sem vida. Abraçada ao corpo inerte do pequeno ser de cabelos negros, aquela foi sua segunda morte.
Os dias se passaram, mas a tristeza não. Não tinha notícias de seu irmão, nem de sua amiga. Até que uma mensagem, vinda de Porto Real, anunciara a morte de Elia e de seus dois filhos. A mulher a quem serviu de dama de companhia, com quem compartilhou segredos e a quem considerava sua melhor amiga se foi, em uma morte presumidamente cruel. Aquela foi sua terceira morte.
Não muito tempo depois, quando a rebelião já havia sido terminada e o usurpador havia tomado o poder, ela reencontrou se com Eddard Stark, com quem havia dançado no torneio de Harrenhal. Ela sabia que o irmão, Arthur, estava do lado oposto do Stark naquela guerra. Todavia, o pouco de esperança que ainda residia naquele coração já tão flagelado dizia que talvez ele estivesse bem. Mas quando Eddard lhe estendeu a Alvorada e disse-lhe como o seu irmão havia lutado com honra, ela sentiu o mundo queimar sobre si. O irmão que tanto amava e admirava jazia morto. Aquela foi sua quarta morte.
Subiu até a Espada Branca, uma das torres de Tombastela, que ficava à beira do mar. Olhou em volta, e percebeu que Dorne já não tinha aquela alegria de quando tinha a deixado para servir de dama. Sonhava em um dia ser uma mãe, ser amada, ser feliz. Mas tudo o que conseguira na vida foram decepções, e perdas. Já não via sentido em sua existência. Observou o mar dornês que banhava aquele castelo. Fechou seus olhos e se lançou da torre, para que o mar a levasse para um lugar onde ainda existia alegria. Essa foi sua quinta morte, a última de outras pequenas mortes.
E assim se foi uma das mulheres mais belas e misteriosas de toda Westeros.
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