Stardust

11 Dez - Nada é passageiro


Notas iniciais
Olá, leitores. Eu quero agradecer a primeira recomendação da fic. Obrigada, lokalinda, amei as suas palavras. Eu adoro esse casal, e escrever sobre eles é um prazer. Eu decidi trazer pra essa história um personagem que apareceu nas minhas últimas ones e uma leitora me questionou quanto a ausência aqui, bem, espero que não fique estranho agora.

Além de piscar algumas vezes, Tony não esboçou nenhuma reação após anúncio de Pepper. Ele que estava tão empolgado com a ideia não gritou, não a beijou, não a pegou nos braços e rodou feliz. Será que uma noite de sono conturbado o fez mudar de opinião? Será que ficar a olhando enquanto ela dormia o fez repensar até mesmo o casamento? Seja o que for, não era essa manifestação esperada.

—Tony, você me ouviu?— Pepper quis saber —Amor?— ela chamou chorosa, já se questionando se ainda poderia chamá-lo assim —Diz alguma coisa.— ela suplicou.



—O que isso que você disse quer dizer?— confuso, Tony enxugou a lágrima solitária que rolava por seu rosto —Como assim estrela cadente?

—Como assim, como assim?— ela quis saber.



—Estrelas cadentes são passageiras, baby.— ele disse e então ela entendeu. Tony estava pensando de maneira literal, enquanto ela se expressava de uma forma lúdica.

—Essa estrelinha vai ser só

minha passageira pelos próximos sete ou oito meses e depois você poderá carregá-la por aí também.

—Você está dizendo que nós…?

—Meu Deus, sim!— ela exclamou quase impaciente. Será que ele não leu a palavra “Grávida” escrita no bastão? Sua ação gerou a reação que ela havia imaginado.

Tony gritou, a tomou nos braços e a beijou, gritou um pouco mais, e girou com ela até cair em si dando-se conta de que ele estava lidando com uma mulher grávida e precisava ser cuidadoso.

—Amor, tá tudo bem?— Tony perguntou preocupado ao colocá-la no chão —Não te deixei tonta, né? Você tá…?

—Tá tudo bem.— ela sorriu e o beijou —Tudo bem, só não quero ser tratada como se eu tivesse doente ou fosse quebrar, ok? Me promete?

—Prometo!— ele garantiu, escondendo os dedos cruzados atrás de seu corpo —Eu te amo tanto, eu te amo mais que ontem, e amanhã eu vou te amar ainda mais.

—Tudo isso por causa de um bebê?— ela brincou.

—Tudo isso porque é você!— ele a apertou em seu abraço —Casa comigo?

—De novo?— ela perguntou surpresa.

—Pelo que eu saiba a gente ainda não casou.— Tony observou ao separar seus corpos.

—Eu quis dizer que de novo você está fazendo esse pedido.—Pepper esclareceu —Claro que eu me caso com você, que é o homem da minha vida. Eu também te amo demais— ela o beijo castamente —Te amo tanto que a gente precisa conversar.— ela disse num tom sério.



—Antes você precisa comer.— ele desconversou ao perceber as intenções dela, a levou pra fora do banheiro e depois do quarto a caminho da cozinha.

Foi Tony quem preparou o café, havia cereais, pão integral e frutas. Pepper tentou ajudá-lo quando ele queimou os dedos ao fritar a omelete que ela disse ter sentido vontade de comer, mas Tony quis fazer tudo sozinho, ele a estava mimando e ela tinha certeza de que seria assim pelos próximos meses.

—Obrigada, estava tudo uma delícia.— Pepper disse ao secar os lábios com o guardanapo.

—Tem certeza que não quer mais? Você não comeu mamão, você sempre adorou mamão.

—Eu não consegui sentir o cheiro dele. Ontem eu estava normal e hoje uma fruta já me enjoou, isso é estranho, né?

—Com tanto que você não enjoe de mim é perfeitamente aceitável.— ele disse.

—Jamais, eu preciso de você pra muitas coisas, não posso ficar longe.— ela brincou.

—Nós vamos ter um bebê, eu ainda tô meio fora de mim, sabia?— ele confessou.

—O seu silêncio lá em cima me deixou em queda livre por alguns segundos, me fez repensar toda a nossa conversa. Eu pensei “bem ele ficou acordado a noite toda e decidiu que ter um filho não seria tão bom assim, o que eu faço agora?”, foi angustiante.

—Me desculpe, eu estava apenas assimilando as informações.— ele disse ao segurar as mãos dela sobre a bancada.



—Tudo bem, eu confesso que quando li o resultado no teste também fiquei um pouco fora de mim. Afinal, isso vai mudar a nossa vida toda, não é?

—Pra melhor.— Tony afirmou.

—Por falar em melhor, preciso que você volte pra terapia, essa noite não foi nada boa, acho que pra nós dois.

—Eu só...— Tony hesitou, será que ela entenderia o receio dele, já que não acreditava nas viagens no tempo? A noite toda ele manteve-se atrelado a ela por medo que seu sono o transportasse pra outro lugar. Após o curto interrogatório com a nova heroína que surgiu do nada, ele estava tão ansioso pra voltar pra casa que esqueceu de pedir que Shuri retirasse a placa de vibranium de sua nuca, e não sabia se podia fazer aquilo sozinho. Aliás, não sabia o quanto a placa influenciava nas viagens —Certo, vou procurar meu analista.— ele concordou já sabendo pra quem ligaria.

—Isso me deixa muito aliviada, aliás eu também tenho que marcar com a minha ginecologista e ver se está tudo bem.— ela sorriu —Mas antes preciso contar pr'os meus pais.

—Eles vão pirar.— Tony comentou.

—Vão mesmo!— ela gritou —Deus, isso é muito louco.— ela levou as mãos à boca e chorou.

—Amor, o que foi?— Tony perguntou preocupado.



—A gente mal consegue cuidar de um cachorro, como vou cuidar de um bebê? Eu vou ser uma péssima mãe.

—Não vai, não!

—Eu voltei de viagem e ainda não fui buscá-lo, Tony. Eu preciso viajar a trabalho e tenho que deixar o J num hotel pra cachorrinhos porque você nao tem paciência com ele.— ela disse chorosa.

—Em minha defesa, é ele quem não tem paciência comigo.

—Como eu vou trabalhar e deixar o meu bebê? E quando eu tiver que viajar, amor, eu não vou dar conta. Eu vou ser uma péssima mãe.— ela repetiu ainda chorando. Tony a amparou, e enquanto dizia pra ela não se preocupar ele tentava segurar o riso, a crise dela era engraçada e prematura.

—Você cuida de mim há anos, conhece alguém mais difícil do que eu?— ele brincou e beijou os cabelos dela.

—Considerando que pode sair uma miniatura sua de dentro de mim?— ela levantou a cabeça para olha-lo nos olhos.

—Será uma versão melhorada.— ele falou —Com certeza terá muito de você.

—Eu quero o meu cachorrinho.— ela disse afundado o rosto no peito dele.

—Então vamos buscá-lo.— ele afirmou.

Quando Pepper ligou no hotel foi informada de que J estava em recreação, ela achou melhor buscá-lo na parte da tarde. Ao ligar pra sua mãe e contar a novidade foram horas no telefone, tempo o suficiente para que Tony contatasse o Dr. Banner e pedisse ajuda na remoção da pequena placa de vibranium em sua nuca, por sorte o Dr. ainda estava em Wakanda e recebeu instruções de Shuri.

Tony insistiu para que Pepper ficasse em casa, Depois do almoço ela realizou uma vídeo-conferencia com alguns investidores para não perder o dia de trabalho. E conseguiu encaixar-se na agenda de sua médica para ser atendida ainda naquele dia. É claro que Tony não perderia a primeira consulta, ele torcia pra já conseguir ouvir o coraçãozinho do bebê.

(...)

—O coração do bebê pode ser ouvido a partir da 8° semana, dependendo do tipo de exame, mas o mais comum é ouvi-lo a partir da 12°— a Dra. Sally Owens esclareceu. A medica tinha pele clara, um nariz que Pepper sempre comentava ser perfeito, olhos e cabelos castanhos. A ruiva olhou para Tony como quem diz “Eu te falei”, até porque ela havia falado, pois havia lido num artigo a caminho do consultório, mas Tony queria ouvir da Dra —Pela data da sua última menstruação, você está de seis semanas. Nós não podemos ouvi-lo, mas ele está bem aqui, conseguem ver?— a Dra. questionou enquanto movia o sensor do aparelho de ultrassom sobre a barriga de Pepper.



—É um grãozinho.— Tony observou.

—Do tamanho de um feijão.— Pepper comentou sorrindo e Tony não resistiu ao impulso de beijá-la.

Após os exame Pepper vestiu novamente o tubinho cinza muito justo que havia escolhido pra sair de casa. E pensou que em algumas semanas entrar naquele vestido ficaria impossível, bem como calçar aqueles scarpins altíssimos, mas ela estava começando a adorar a ideia de mudar todo o guarda-roupa.

—Fiquei feliz que você tenha trazido seu marido na primeira consulta, Virginia.— a Dr. Sally disse assim que Pepper ressurgiu.

—Se eu não o trouxesse arrumaria um potencial inimigo pelos próximos meses.— Pepper brincou.



—É exagero dela.— Tony defendeu-se.



—Mas é muito bom que o casal participe desse momento juntos.— a Dra. comentou —Bem, aqui tem um pequena lista das vitaminas que você precisa ingerir e são essenciais pro bom desenvolvimento do bebê. Você pode simplesmente compra-las ou consumir os alimentos onde elas estão mais presentes. Você sabe qual é o meu conselho, certo?



—Ingerir os alimentos?



—Com certeza.— Sally confirmou —Mas nesses primeiros meses você vai ver que comer ficará um pouco complicado devido aos enjoos.

—Hoje de manhã ela não quis comer mamão, ela sempre amou mamão.— Tony observou.

—Pois é, Virginia, você pode enjoar de coisas que ama e passar a devorar coisas que nunca gostou.— a Dra. disse —Eu tenho uma paciente que odiava manga e agora come todos os dias, segundo ela “é o menino dela quem gosta”.

—Eu posso continuar com a minha rotina de exercícios?— Pepper indagou.

—Exercícios leves, sei que você gosta de correr, mas agora você terá que diminuir o ritmo, apenas caminhe. Tem uma lista de exercícios aqui.— a Dra. abriu a gaveta e tirou um folheto —Sexo também é super recomendado, tá?

—Porque você olhou pra mim?— Tony perguntou sem graça.

—Porque 90% das gestantes reclamam que os maridos ficam com receio de “machucar o bebê” e não fazem sexo, principalmente os pais de primeira viagem. Mas a rotina do casal, pode e deve ser mantida, mas sem estripulias.

—Não há nenhum risco, mesmo na minha idade?— Pepper questionou preocupada.

—Você acabou de completar 36 anos e é uma mulher ativa, mais ativa do que muita moça de 20 e poucos, não observei nada de anormal nos seus exames, então apenas te aconselho a seguir as recomendações e viver sua gestação. Por isso o acompanhamento médico é essencial.

—Ok.— Pepper disse e olhou no relógio em seu pulso —Devo voltar em 3 semanas, certo?



—Sim, teremos um embrião maior e um coração batendo freneticamente, vocês vão ver e ouvir.— a Dra. Sally sorriu —Mas se você sentir qualquer coisa pode me ligar, e aparecer por aqui, ok?

—Ok.— o casal disse ao se levantar.

Saindo da consulta, antes de voltarem pra casa passaram na farmácia, Pepper quis ir ao mercado, e então foram buscar J. Antes de tudo acontecer, antes de Thanos, Pepper teve que ir a Londres por três dias, foi no dia da viagem que o app do celular denunciou o atraso da menstruação dela, deixando Tony desconfiado. Pepper havia voltado pra casa ha dois dias, e o filhote estava no hotel para cachorros há quase uma semana. A conta do hotel foi exorbitante, mas o cachorrinho parecia calmo e feliz. Ele sempre ficava naquele hotel quando precisavam se ausentar, e ela acompanhava tudo online. No final da estadia era entregue uma espécie de diário das atividade desenvolvidas pelo cãozinho, era como deixar uma criança num acampamento de férias. Depois de um dia cheio, voltaram para casa.

—Sim, eu também senti sua falta.— Pepper dizia enquanto afagava o cachorro e recebia lambidas, ela estava sentada ao sofá assistindo TV com o filhote em seus braços —Você não sabe da maior, eu não podia dizer lá no hotel, mas você vai ter um irmão!— J latiu uma vez —Ou uma irmã.— agora foram dois latidos —Dois latidos pra menina? Você prefere uma menina?— mais latidos —Bem, não conte pro seu pai, mas eu acho que não conseguiria dividi-lo com outra mulher, então talvez um menino seja melhor. É egoísmo querer ser a única fêmea da casa?

Pepper acreditava estar numa conversa reservada com J enquanto Tony estava fora, mas mal sabia que ele já a observava há algum tempo, sem dizer nada, apenas admirando o modo doce dela lidar com o cachorro. Quando separaram-se eram apenas ela e seu filhote, era normal que eles fossem super ligados.

—O jantar chegou.— Tony disse ao finalmente entrar na sala —Sabe, eu estava pensando que eu vou lidar com ele quando você tiver que viajar numa próxima vez.

—Sério?!— ela sorriu, e ele se deu conta de que faria qualquer coisa por aquele sorriso —Olha bebê, nada de hotel, nunca mais.



—Nós teremos que deixar o J no hotel só mais uma vez. Uma última vez.

—Quando?

—Na nossa lua de mel, oras. Esqueceu que você aceitou casar comigo?— ele questionou ao sentar-se ao sofá tendo o cachorro entre eles.

—Como eu poderia esquecer?— ela tentou se aproximar dele para beijá-lo, mas um rosnado a fez se afastar —Ei, ciumento, você vai levar as alianças.— Pepper disse acariciando os pelos cor de chocolate.



O cachorrinho era territorialista, ele nao podia negar. Tony tinha mesmo uma relação difícil com J, afinal, quando ele voltou eram apenas Pepper e o cachorro, além disso houve a mudança de volta pra mansão. Ele entendia, também não gostava de dividi-la. Ambos disputavam a atenção da única “fêmea” da casa. Por um instante Tony pensou que se o bebê for um menino ele estará perdido.



Notas finais
Ainda bem que vcs gostam desse clima família, né? Teremos alguns capítulos assim ♥