Stardust

1 "You can hide underneath me and come out at night"


Notas iniciais
Bem, essa é minha primeira fic. Espero que gostem.

AH, sim. NÃO PROCUREM SENTIDO NESSA FIC. ywy

Antes de começar a revelar tudo que aconteceu naquele fantástico mês, caro leitor, gostaria de me apresentar. Chamo-me Alfred F. Jones, sou estudante de astronomia, que levo apenas como hobby. Exerço como profissão de sustentação o cargo de segurança da Área 51, famosa pelas várias visitas relacionadas a alienígenas. Não é incomum encontrarem aqui corpos e objetos vindos do espaço a serem examinados. Então, graças a isso, já me encontrava acostumado com o que viria a seguir.

Eram cerca de três horas da madrugada, eu caminhava pela área limitada por cercas e placas que avisavam aos desconhecidos à existência daquele local, quando vi um brilho ofuscante vir do horizonte em minha direção. Eu, que não havia tido contato com naves caindo e coisas do tipo, apenas me abaixei e fechei os olhos com força. O vento carregado de terra e o estrondo me alertaram e atiçaram minha curiosidade. “Pode ter sido um meteoro” pensei, “acho que seria uma boa ideia ir dar uma olhada.”



Após uma boa caminhada, dei de encontro a uma gigantesca cratera, que quase me pegou de surpresa, e no centro dela havia algo que soltava uma nuvem de fumaça. Desci ali, tomando o máximo de cuidado possível, afinal, eu não sabia com o que eu estava lidando. Me aproximei do tal objeto, notei que aquilo ia ganhando uma forma por de trás da fumaça, algo como uma cabine não tão maior que um carro pequeno. Limpei a terra daquele troço e notei que fechos de luz saiam de lá, além de que havia algo, ou melhor, alguém lá dentro.

Usei minha lanterna para me ajudar a quebrar parte do que eu julgava ser a porta, aquele troço não demorou pra ceder, estava quase que totalmente destruído. Deixei a lanterna de lado e vi aquele homenzinho desacordado. Ele parecia alguém como eu ou você, excerto que ele brilhava. Isso mesmo, caro leitor. Ele brilhava! Fiquei pasmo e intrigado com aquilo, mas meu senso heroico não me deixava pensar em deixar aquela criatura ali.



O acolhi em meus braços e o carreguei.



Cheguei à estação após uma exaustiva caminhada, no caminho eu não o senti se mover em momento algum ou até mesmo respirar, e chegava a me perguntar se ele estaria vivo após aquele impacto. O deitei na primeira maca que vi e tentei procurar alguma pulsação ou sinal de vida. Em vão, é claro.



Bem, eu tinha que pensar positivo. Aquele era um novo alienígena a ser dissecado. Eu poderia descobrir muitas coisas se o fizesse sozinho. Tateei a mesa de cirurgia e achei os estojos de bisturis que os cientistas usavam, era engraçado o fato de que eles nunca levavam para casa esse material. Lembro-me de ter sorrido, até que me virei e vi aquele homenzinho, agora acordado, me encarando.



Ele tinha cabelos loiros bem rebeldes, a pele era clara e os olhos eram verdes como uma floresta vista naqueles filmes de aventura. Eu confesso que, naquele momento, julguei que aquela fora a imagem mais bonita que eu já tinha visto em todos esses anos de vida. E, caro leitor, não retiro em momento algum o esplendor daquele rapazinho. Ele continua sendo a imagem mais bonita que eu já vi.



Ele, aparentemente assustado, girou a cabeça, tentando reconhecer o local ou até procurar alguma coisa, a julgar pelo modo desesperado que tateava a manta que trajava. Por fim, soltou um grunhido e apontou para mim. Tudo que eu ouvi foi:



Herss Kru et Tag Der smich Huzz!



Ou algo assim. Lembro que tive uma vontade enorme de rir daquilo, mas a surpresa na hora foi maior. E ele continuou:



– Durrk Harth Net etal!



E apontou para o chão. Olhei na direção apontada e reparei algo semelhante a um rádio. Deveria ser algum aparelho dele. Agachei-me e juntei, entregando em suas mãos. O loiro me olhou de modo sério e sem mais delongas, conectou o aparelho em seu pescoço, fazendo um barulho agudo enquanto sua expressão mudou para algo semelhante a dor.



– ARGH! – Ele bradou, meio mau humorado. – Isso dói mais do que eu pensava.



– Vo... Você fala! – Acabei pensando alto, o que o fez olhar para mim e piscar os olhos como se estivesse tentando me decifrar.



Num instante vi ele se encolher, abraçando as pernas com força. O vi morder os lábios e logo obtive sua atenção novamente.



– Isso não é muito comum aqui, não é? – Ele perguntou num tom de voz baixo, como se temesse ser reprimido.



– Bem, eu quis dizer que.. você fala o meu idioma. – Respondi.



– Ah, isso... A Sol que me deu de presente. É um tradutor para que eu pudesse falar com ela sempre que viesse visita-la e-- – Ele parou repentinamente. O vi arregalar os olhos, fazendo a iluminação da sala que estávamos ficar mais forte do que estava. Nossa, parecia que ele tinha lâmpadas espalhadas pelo corpo, principalmente nos olhos.



– O que é isso na sua mão? – Ele perguntou com certo ar de inocência. Eu olhei para ela e vi o bisturi brilhar, refletindo a luz dos cabelos angelicais dele.



– Oh-oh! – Escondi o bisturi atrás de mim, soando frio. – Não é nada!



Ele franziu o cenho com certa desconfiança e olhou ao redor novamente. Pude ver que aos poucos sua expressão ganhava um tom assustado, como se ele estivesse vendo alguma cena semelhante a um massacre. Tornei a imita-lo, reparando em nossa adorável decoração de alienígenas com os corpos abertos, dissecados, pendurados nas paredes como prêmios e alguns até congelados em tubos para ficarem expostos em bom estado para os próximos cientistas que aparecessem lá.



– O que você fez com todas essas criaturas?! – Ele perguntou horrorizado.



– E-eu não fiz nada! – Respondi a verdade. Aquela era a primeira vez que eu havia tocado em um bisturi... e justamente para dissecar algo que não era da mãe Terra.



– Você ia me matar! – Ele gritou em pânico, bem... Ele tinha razão. Se ele não tivesse despertado enquanto eu preparava a operação, provavelmente estaria com o tórax aberto.



Vi ele se encolher, mas sem baixar a guarda. Parecia um pequeno coelho, na verdade lembrava uma época trágica da minha infância. Acho que foi isso o que me fez parar e pensar a seu respeito.



– Eu não ia te matar! – Rebati, levando o bisturi até o meu pulso, esfregando suavemente a parte sem lâmina ali, mostrando que não havia nada a temer e que eu não o mataria. – Viu? Totalmente seguro.



– Oh... Ohh!! – Ele disse admirado. – Quero fazer isso também! – E esticou os braços até mim, mexendo os dedos.



Tive uma grande vontade de rir daquilo. De certo modo era tão bonitinho que me fazia querer dar à ele o bisturi, mas resolvi não o fazer por motivos óbvios. Se ele se cortasse um pouco, já bastaria para provar que o que eu havia dito não passava de uma bela mentira.



– Não! – Tossi um pouco, abafando a risada. – Somente seres humanos podem tocar nesse artefato, pois ele em contato com alienígenas como você pode acabar dando um efeito negativo. – blefei.



– Alienígenas? – Perguntou – Não sou nenhum alien! – Sorriu cheio de si – Sou a grandiosa estrela Arthur!



Eu nem sabia o que pensar quando escutei aquilo. Não era um alien? Era uma estrela? Tinha nome de humano? Tentei me controlar, mas quando vi já era tarde demais. A vontade de rir daquilo era tão grande que a risada acabou se tornando um estrondo.



Vi ele ficar aos poucos avermelhado, como se minha reação estivesse irritando-o.



– É verdade! – Podia sentir na voz dele o orgulho abalado.



– Espere, espere! – Limpei uma lágrima que escorria de meus olhos. – Como pode uma estrela enorme caber em um planeta pequenininho?



Aquilo era absurdo demais.



– Ah, você nunca entenderia. — Ele disse por fim, balançando a cabeça de um lado para o outro.



– Sou todo ouvidos. – Rebati, sorrindo largamente para ele.



– Bem, nós, estrelas, planetas e alguns cometas somos todos assim, semelhantes a vocês, humanos. Para nós nos tornarmos completos, precisamos de algo para habitar. Algo que seja grande o suficiente para aguentar nossa força. É por isso que aparentamos ser grandes, mas na verdade é só uma armadura, digamos assim.



– Ainda não entendi. – Eu não queria ser chato, era que tudo estava sendo estranho demais para eu simplesmente engolir aquilo.



– Imagine o que você entende por estrela como um lugar como esse que estamos e eu como eu.



– Então você é tipo um núcleo? – Perguntei, ainda confuso.



– Sim.



Após aquela apresentação, o tempo passou rapidamente. Eu me recordo, caro leitor, do quanto meu coração se agitava e minhas bochechas doíam por conta dos sorrisos involuntários que eu soltava a cada história fantástica que meu mais novo amigo me contava. Recordo também alguns detalhes delas, ele tinha irmãos, cinco planetas que precisavam ser guiados por ele. Também tinha inimizade com outro sistema que era governado por três estrelas, além de ser, curiosamente, vizinho ao nosso.



Eu sentia que poderia ficar ali, pra sempre, escutando sobre como o espaço pode ser tão ausente de cores, mas também tão cheio delas. De como quantas vezes Arthur viu cometas que lhe avisavam de buracos negros e supernovas que haviam sido geradas recentemente. Castigo-me até hoje por ter dado uma de minhas famosas gargalhadas ensurdecedoras, que por raios acabou alarmando um de meus colegas de trabalho.



– Alfred?! – Pude ouvir sua voz ecoar pelo laboratório. Virei minha cabeça em pânico e nada achei. Talvez ele estivesse na porta dos fundos do laboratório. Suspirei aliviado, mas não podia continuar lá com uma criatura tão peculiar como aquela em minha cola. Eu não podia entrega-lo de bandeja para o governo. – Há alguém com você?!



– Roger?! – Perguntei enquanto puxava Arthur para que ele se levantasse e pedia a partir de gestos para que ele ficasse em silêncio, o que, graças aos céus, ele entendeu. – Não, amigo! Escute, recebi uma mensagem e terei de abandonar o serviço. Já fiz meus afazeres! Não sei se poderei vir hoje à noite, avise a chefia!



Confesso que não fiquei para saber a resposta. Corri para fora do local acompanhado de Arthur, que parecia mais confuso do que já estava. Fomos para o estacionamento e entramos em meu carro. Apesar de não sentir nada por causa da proteção de meus óculos, meus olhos arderam demais. Pude ver que a luz que Arthur emitia refletia justamente no meu retrovisor, que por acaso ia direto para meus olhos. Retirei meu sobretudo e joguei em seu rosto.



– Estrela boboca, você brilha demais. – Dei uma risada. – Cubra sua cabeça ou não poderemos sair daqui.



– Por que temos que sair daqui, terráqueo? Minha nave ainda está lá! – Ele se encolheu, escondendo seus cabelos como eu havia pedido anteriormente. – Além do mais, eu gosto daqui.



– Arthur, você não vai querer ficar aqui. Confie em mim.



– Mas eles podem me ajudar a voltar para casa. – Ele parecia não acreditar em mim.



Congelei a principio, eu não conseguia pensar em um jeito não agressivo de explicar para ele a situação.



– Arthur. Eu trabalho para o governo. Sou um segurança da Área 51 e trabalhamos com alienígenas.



– Ótimo.



– Eu nunca fiz isso, mas meus amigos vivem tendo contatos com alienígenas. Eles normalmente escondem isso da população, mas eu, como segurança, sei de tudo que acontece lá. Quem entra e quem sai.



– E?



– Acontece que você é o primeiro extraterrestre a sair de lá... com vida.



Notas finais
Bem, eu não sei quanto tempo vou demorar pra postar o próximo capitulo, então WEEE
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.