Notas iniciais
Boa Leitura!!

Não consegui pensar em mais nada a não ser enrascá-lo. Corri em sua direção e ele começou a fugir

− Jaina, não! Espere! – Jacen tentou me segurar, mas já havia saído de perto dele.

Corria atrás daquele pequeno ser, tentando alcançá-lo para conseguir informações. Ele ia em direção a parte movimentada da cidade e ambos de nós acabávamos por ter o caminho interrompido por algum pedestre. Um ou outro civil tentava me parar, mas em vão.

− Você não vai escapar! – Gritei na expectativa de fazê-lo parar.

Ele entrou em uma construção circular onde estava cheio de mestres de escravos consertando peças encontradas por seus servos. Esbarrei neles por diversos momentos e derrubava as peças que estavam e mãos. Eles produziam gritos, os quais eu suspeitava serem xingamentos sempre que eu fazia as peças deslizarem de suas mãos.

Quando a criatura saiu daquele lugar e fui logo atrás, não pude mais vê-la. Eu estava ofegante e suada. As pessoas olhavam para mim como se estivesse praticando algum crime na frente de todos. Olhei para todos os cantos possíveis, tentei sentir cada movimento... Mas não havia sinal do meu alvo. Minha única pista havia desaparecido.

Fechei meus olhos, buscando acalmar meus batimentos e de repente tive a sensação de que ele estava ali. Estava misturado na pequena concentração de pessoas à minha frente. Pus meu capuz na esperança de poder finalmente me infiltrar diante daquelas pessoas. Rapidamente senti algo fino atravessar meu manto e perfurar meu pulso.

Franzi o cenho pela leve dor que o objeto causou e olhei para o lado. Parado ali, estava a pequena criatura. Quando me preparei para libertar meu sabre, senti uma algia percorrer cada canto do meu braço, deixando-me imóvel. A dor rapidamente alastrou-se para todo o meu corpo. Minhas pernas começaram a enfraquecer e então caí no chão, mas permanecia consciente.

Eu não conseguia gritar ou de alguma maneira expor minha dor. Senti uma pessoa pegando em meus pés e arrastando-me pelo chão. Eu tentava segurar em alguma pedra ou casa, mas sempre que mexia algum membro, a dor ficava mais agonizante. Por fim, eu parei de resistir.

(...)

Acordei em uma prisão com várias pessoas a cada metro de distância; todas acorrentadas aos pés, com uma pequena limitação de movimento. Aquilo me incluía.

O lugar era pouco iluminado e o chão era praticamente de pedra, mas coberto com areia. As paredes estavam deformadas. Havia uma ou outra tocha que ameaçava apagar a luz que o fogo fornecia devido a um fraco vento; algumas realmente se apagavam, enquanto outras permaneciam acesas.

Me recostei na parede atrás de mim e vi aqueles prisioneiros. Sem dúvida eram os que eu e Jacen deveríamos resgatar. Eles tinham cargos importantes na República. Conseguia ouvir alguns leves gemidos e alguns se perguntarem “Onde está nosso salvador?". Mal sabiam eram dois salvadores e um deles estava mais próximo do que pudessem imaginar.

Ouvi uma porta se abrir. Pelo som que produziu, parecia ser um aço.

− Você! – Berrou uma espécie de criatura que eu jamais havia visto e se aproximou de mim lentamente – Quem mais está com você?!

− Ninguém.

− Não minta para mim!

O estranho ser me pegou pelo pescoço e começou a me sufocar.

− Podemos fazer isso da maneira fácil – Ele começou a me levantar com o braço – Ou... Da maneira difícil!

Eu não conseguia respirar. Cada vez que ele me erguia com a mão no pescoço, eu sentia uma terrível dor. Instintivamente, coloquei minha mão sobre a dele que impedia a passagem de ar. Eu comecei a abrir a boca, na esperança de poder respirar, mas em vão.

Não tardou a eu começar a ver o local rodar e ficar embaçado. Eu tinha que fazer alguma coisa, ou eu morreria ali; na minha primeira missão fora de casa. Não podia dar aquele fardo à minha família.

Mas surpreendentemente, o humanoide me soltou. Fiquei aliviada de poder respirar novamente.

− Vou perguntar mais uma vez: Quem está com você?!

Eu permaneci calada. Não poderia entregar meu irmão, afinal ele seria o nosso salvador. Eu não poderia respondê-lo.

Consequentemente meu inimigo grunhiu de raiva e saiu, visivelmente irritado devido a minha atitude. Tornei a sentar-me no chão, encolhida e abraçada às minhas pernas. Por quanto tempo eu teria de ficar ali?

− É um Chiss. – Ouvi alguém falar.

Olhei ao redor e percebi que a frase vinha de um homem que uma das tochas o iluminava diretamente. Ele possuía cabelos brancos e uma barba longa, que ia até o final do pescoço; também branca. Ele tinha um nariz grande com a ponta arredondada, as narinas também tinham um diâmetro grande. Seus olhos eram distintos, um deles era azulado e o outro tão branco quanto seus cabelos. Sua pele era clara, com rugas na maçã do rosto e na testa. Sujeiras pretas eram visíveis em sua face.

O sujeito vestia uma blusa de abotoar marrom clara com alguns enfeites aleatórios em um tom mais escuro. Por cima, vestia um casaco marrom escuro, cujo ia até seus joelhos. Nas bordas eram visíveis flores de cor prateada que percorriam por toda a parte da frente da vestimenta, exceto nos braços. As calças combinavam com a cor do casaco e na ponta dos tornozelos as flores pratas tornavam a aparecer em um fino círculo.

− Um Chiss? – Perguntei sem entender muito bem o que o misterioso homem quis dizer.

− Sim... surgiram no Planeta Csilla, porém ao decorrer das décadas, viraram aliados do Império. Após a queda, alguns Chiss voltaram para seu planeta natal. Porém outros decidiram reerguer o império e ajudaram a fundar a resistência contra a República.

− Resistência Napellus... – Completei.

− Sim...

− Mas ouvi falar que Csilla é um planeta com baixas temperaturas. O que seres vindos de lá vieram fazer em Tatooine? É completamente o oposto de lá. – Indaguei.

− Não se sabe. Os Chiss têm agido em segredo desde a queda do antigo império. Quando fui capturado, fiquei surpreso em encontrá-los aqui. Não sei como conseguiram se adaptar.

Após isso o silêncio predominou novamente. Tentava meditar; encontrar respostas para aquilo. Queria sair dali, mas não o faria sem os prisioneiros. Jacen podia ser capturado ou morto em breve. Senti cada movimento da prisão, tanto de pessoas quanto de objetos deslizando por algum lado, na esperança de usar algo a meu favor para sair de lá. Não conseguia encontrar algo.

− Quem é você? – Perguntou o mesmo velho de antes – Está quieta, agindo diferente dos outros...

− Sou Jaina Solo. – Respondi.

− Jaina Solo? Filha de Han e Leia Solo? – Ele pareceu surpreso com o fato – O que está fazendo aqui? E seu irmão?

−Eu vim salvá-los. Mas preciso descobrir como. Vir parar aqui não estava em meus planos.

−E seu irmão?!

O velho parecia esperançoso. Senti que não tinha esperança em mim, mas em meu irmão que ainda estava livre.

− Ele não pôde vir. Sinto muito.

Eu tive de mentir. Não queria contar para ninguém que Jacen estava por perto. Caso alguém soubesse e um de nossos adversários torturasse a pessoa quem confiei em busca de informações, eu teria comprometido a missão.

Vi a esperança do velho esvair junto de suas expressões. Ele ficou sério.

− Vou tirá-los daqui. Não se preocupe. – Tentei acalmá-lo.

− Jaina... No período em que estive aqui, um desses Chiss torturou-me na tentativa de me fazer revelar segredos da República. Felizmente para o povo e infelizmente para mim, isto custou uma de minhas visões... – disse ele olhando para o chão e com um visível medo no rosto – Por favor, não deixe que me tirem a outra.

Cerrei os dentes. Senti raiva pelo que haviam feito com aquele homem. Como ousavam?!

− Jamais, senhor.

Nesse momento, dois Chiss entraram na prisão e me desprenderam. Um segurava com uma força absurda meus pulsos, enquanto o outro libertava o cadeado. Eu sabia o que vinha depois: A Tortura.

Fora daquela prisão, percebi que estava anoitecendo e não havia nenhuma cidade a vista, nem ninguém. Naquela parte do vasto deserto de Tatooine eram apenas eu e meus inimigos.

Os Chiss pegaram novas amarras e prenderam meus pulsos atrás das costas. Cruzaram meus pés e também o prenderam. Eu tentava reagir e ter uma chance de poder lutar, mas eles tinham uma força extrema nos braços.

− Você nos dará todas as informações que queremos! – Berrou um deles chutando minha cara.

Os dois eram azuis e estavam vestindo roupas completamente pretas. Seus olhos avermelhados me intimidavam, causando-me medo. Porém, estava decidida a não dar informação alguma para inimigos da República.

−Quem está com você?! – Perguntou um deles me sufocando e me erguendo, novamente, tirando meus pés do chão. Soltava uns gemidos em busca de ar, mas novamente em vão.

− É uma pena... – o Chiss apertou ainda mais meu pescoço – É tão nova... para morrer! – Em seguida ele me jogou no chão com a mesma força. Comecei a tossir.

De repente, eles tiraram uma pequena agulha de seus bolsos. Deduzi que fosse a mesma coisa que me atingira mais cedo. Não poderia tentar correr com os pés cruzados, mas eu precisava fazer alguma coisa.

Enquanto eles se aproximavam, fechei meus olhos e me concentrei. Tentei desamarrar os laços feitos em meus pulsos de maneira rápida. Quando senti que eles estavam se aproximando demais, rolei velozmente para ganhar tempo.

− Não ache que isso vá lhe ajudar. Se você não nos dar as informações que queremos, você morre. É tão difícil? – Um deles perguntou enquanto pisava sobre meu pé.

Então ambos injetaram as agulhas simultaneamente e aquela sensação de impotência reapareceu. Aquela dor havia voltado.

− Quem está com você?! Quais são as bases da Aliança Imperial que vocês têm conhecimento?! Diga-nos! Diga-nos e essa dor irá parar!

Eu apenas gritava de dor, que estava mais forte que antes. Sentia o suor escorrer por cada poro do meu rosto. A vontade era de matá-los ali mesmo. Eu queria eliminar a fonte que estava me causando tanto sofrimento. Sentia minhas veias sendo expostas e meus olhos abrindo cada vez mais. Não conseguia fazer nada além de gritar.

− Se não nos revelar... – Um dos Chiss se postou à minha frente – Vai morrer.

Com uma certa dificuldade, consegui me pronunciar.

− Eu.... Eu jamais trairia.... O que muitos.... Dariam a vida para.... Proteger.

− Se é assim – Ele tirou um sabre de luz do bolso. O sabre que eu carregava naquela missão. – Morrerá pela arma que já assassinou milhares sob seu comando.

Ele o ativou e colocou ao lado do meu pescoço. O outro Chiss me ergueu, obrigando-me a ficar de pé e encarar meu adversário que tinha a vantagem naquele momento. Senti medo, mas busquei a calma, afinal eu era uma Jedi e a paz era essencial até em momentos cruciais como este.

Notas finais
Então, o que acharam do capítulo? Mais uma vez deixarei claro que tanto críticas quanto elogios são bem-vindos. Caso algum erro de português tenha passado despercebido, mil perdões e se possível me notifique para que possa consertá-lo. Chequei a fic o máximo que pude. Próximo capítulo saindo em breve! =)