Notas iniciais
Boa Leitura ^^'

Senti medo, mas busquei a calma, afinal eu era uma Jedi e a paz era essencial até em momentos como este.

Eu apenas dei um leve sorriso. Senti minha saliva escorrer pelo canto da boca.

− Você... Precisa de mim.... Eu tenho que estar.... Viva.

Eu podia sentir o calor que a arma transmitia.

− Está certa – Disse o Chiss recuando – Mas ainda não viu nem metade do que podemos fazer. Esse é apenas o começo.

Eles me levaram de volta à prisão. Quando soltaram as amarras para poder me prender nas correntes, utilizei a raiva que eu sentia a meu favor. Colidi minha cabeça contra a do Chiss que agarrava meus braços para não fugir. Visivelmente, meu adversário ficou atordoado e aproveitei a chance para me livrar de seus braços.

Chutei-lhe no pescoço e em seguida usei a força para jogá-lo longe. O outro Chiss rapidamente pegou um de meus braços e me segurou com sua força anormal. Virei um pouco a minha cabeça para trás e vi que o humanoide ainda carregava meu sabre de luz. Não tardou até ele segurar meu outro braço.

− Achou mesmo que seria fácil nos derrotar?

Fechei meus olhos e abri minha mão que ainda estava livre. O Chiss apertava cada vez mais meus braços na tentativa de quebra-los, mas eu tentava ignorar a dor que percorria meu corpo e aquilo. Eu precisava da força. Senti que o sabre finalmente foi em minha direção e abri meus olhos. Quando por fim ele chegou, rodei-o com minha mão direita, cortando o braço da criatura segurava aquele braço, que grunhiu de dor após isso. Sem esperar muito tempo, cortei o outro braço e cravei o sabre no peito dele.

Quando o outro Chiss retornou, me livrei dele facilmente, já que estava desarmado. Quando os inimigos foram mortos, tentei soltar aquele velho com qual eu havia conversado antes de ser levada dali. Mas quando estava prestes a cortar a corrente, soltei meu sabre e desmaiei.

(...)

Acordei com uma toalha quente sendo posta na minha testa e, automaticamente, me levantei, mas uma leve dor tomou conta de mim.

− Hey, Jaina, acalme-se. Está tudo bem. – Disse o senhor que há pouco eu havia tentado libertar e então ele fez com que eu voltasse a deitar naquele chão duro.

− Como... Como você...? – Perguntei sem terminar meu raciocínio.

− Como saí? Bom, quando você desmaiou, não deixou o sabre a uma distância tão grande. Libertei todos os prisioneiros e eles estão aqui, tomando conta para que nenhum inimigo chegue.

Olhei em volta e muitos estavam abraçados, com expressões preocupadas, mas ainda assim aliviados.

− Obrigada.... Você os salvou...

− Eu? Não, Jaina. Foi você.

Um sorriso brotou em meu rosto.

− A propósito, você tem uma visita. – Continuou ele – Foi surpresa quando finalmente o vi. Irei chama-lo aqui.

Não demorou muito até ele chegar com alguém do lado. Era meu irmão.

− Jaina! Você está bem! Você me assustou enquanto esteve desaparecida! – Ele me abraçou forte e acabou machucando um pouco meus ombros.

− Ai!

− Desculpe, não era minha intenção! Eu achei que.... Achei que... – Jacen estava bastante aliviado, mas sua voz estava exaltada – Eu temia pelo pior.

− Não se preocupe. – Disse sorrindo – Eu estou bem.

− Você teve sorte, porque quando você foi atrás daquele suspeito eu coloquei um rastreador em você no momento que tentei impedi-la de fazê-lo. Só não vim antes, porque estava sem sinal. Quando finalmente consegui algo, demorei para chegar, já que estava muito distante.

− Um rastreador?

− Sim. Está em algum lugar do seu manto. – Ele sorriu – Agora, se não se importa, vou voltar a fazer guarda lá fora com meu eterno companheiro GIGI-C3. Quando se sentir bem, levamos os prisioneiros para casa.

− Tudo bem.

Ele saiu e o velho voltou a ficar do meu lado.

− Por que quando perguntei onde estava Jacen Solo você respondeu que veio sozinha?

− Eu poderia comprometer a missão. Sei que você não iria nos trair, porém se pegassem Jacen, eu temia que não houvesse esperança. Para nenhum de nós.

− Entendo.

− Mas.... Você sabe quem eu sou, quem Jacen é.... Só que não sabemos quem você é.

− Sou Bakus Danker, Senador de Naboo. – Disse ele se recostando à cadeira.

− Ah.... Pode ser conhecido pelo resto da galáxia, mas não por mim. Odeio política. – Brinquei e rimos.

Não demorou até Jacen chegar com seu inseparável robô e ordenar todos a saírem.

−Chegou a hora, pessoal. – Falou ele assim que abriu a grande porta de aço um pouco alto para que todos pudessem escutá-lo – Vamos para casa!

Pude ouvir as interjeições de alívio que os antigos prisioneiros produziam. Me sentia bem por enfim tê-los resgatados. Pouco antes de sairmos, meu irmão perguntou se eu estava bem e procurou obter um mapa em GIGI-C3 até localizarmos nossas naves.

Eu e meu irmão os guiamos até nossas naves e dividimos em grupo quem iria em cada nave. Eram quinze deles no total, então um de nós ficaria com um a mais. Mas isso era indiferente. Voltamos para Couruscant. Alguns políticos não pertenciam aquele planeta, como Bakus Danker. Porém era para lá que deveríamos leva-los; sãs e salvos. Luke estava junto de meus pais para receber os políticos e também para receber o nosso relatório de missão.

− Olá, Jaina. – Ele me cumprimentou – Jacen. – E deu um sorriso para o meu irmão.

− Mestre Luke. – Nós dois fizemos uma pequena reverência.

− Sabem o que fazer enquanto resolvo os termos políticos. − Claro – Respondemos.

Nossos pais nos olharam com orgulho. Um leve sorriso brotou nos rostos deles. Aquilo me fez sentir bem. Não conversamos, pois demonstrações de afeto em público por parte Jedi deveriam ser evitadas. Fui com meu irmão até o interior da construção especificamente feita para tratar das missões Jedi e também de assuntos políticos. Cada um ficava em uma ala separada, impedindo assim que os assuntos se misturassem.

(...)

Nosso tio chegou e se prontificou à nossa frente. Sabíamos que deveríamos esclarecer o que acontecera em toda a missão. Jacen contou o que houve no período em que não conseguia me encontrar, porque o rastreador não colaborava. E após ele acabar, comecei a relatar cada fato do meu ponto de vista. Desde minha desagradável caminhada para chegar em Bestine até eu levantar do meu desmaio na prisão sombria.

− Então Chiss estão presentes em Tatooine? – Ele se pareceu desconfiado – De fato isso é muito incomum para criaturas que vieram de um planeta com temperaturas muito negativas.

− Concordo.

− Investigarei isto mais a fundo. Os sabres de luz utilizados na missão, por favor. – Pediu ele.

Ainda estávamos na academia e não havíamos construído os nossos próprios, o que deveria ser feito pelos próprios discípulos. Quando um deles embarca em uma missão de um nível elevado, é concedida a permissão de utilizar um, mas o mesmo deve ser devolvido ao finalizar a missão.

Entregamos o sabre.

− Obrigado. Estão dispensados.

− Que a força esteja com você. – Respondemos juntos. Enquanto caminhávamos para saída, Luke me chamou; o que me surpreendeu. Meu irmão me olhava como quem desejasse boa sorte.

− Sim, Mestre?

− Sobre os Chiss que você assassinou em Tatooine... – disse ele – O que você tinha em mente?

− O que quer dizer?

− Jaina, não quero que esqueça de seu aprendizado. Violência não pode ser resolvida com violência. Você deve evitar matar sempre que possível.

− Eles são os maiores inimigos da República, tio. Se deixarmos eles vivos podemos sofrer consequências dos piores níveis. – Respondi. Por mais que eu houvesse ignorado parte de meus ensinamentos naquele momento, não sentia remorso por matar aqueles humanoides. Eu compreendia meu objetivo de proteger a República e, para mim, aquele era um avanço ao meu propósito. Mas, se eu expusesse claramente meu ponto de vista, seria obviamente julgada. Luke deu um longo suspiro.

− Jaina, por favor. Você e seu irmão foram para uma missão fora de casa e não foi para matar ou quase ser morto; foi para coletar informações com menores danos possíveis e libertar os prisioneiros. – Disse ele sem perder a calma. Desta vez eu é quem havia liberado um longo suspiro.

− Me desculpe, Mestre. Isso não irá se repetir.

− Assim eu espero. Está dispensada. − Nos despedimos com a clássica reverência onde curvamos nosso ombro para baixo.

− Que a força esteja com você. – Continuou ele.

− Que a força esteja com você.

Saí da sala e Jacen me esperava no exterior com um olhar curioso.

− Ocorreu tudo bem? – Perguntou ele.

− Nada que deva se preocupar, meu caro irmão. – Respondi subindo na minha nave – Vamos para casa, afinal de contas foi um dia cheio, não acha?

− Concordo. Mas antes... – Jacen subiu na nave dele – Vou ter que passar em alguns lugares antes.

− Tudo bem. Até mais tarde, então. – Respondi fechando a cabine e ele fez o mesmo.