Star Wars - O retorno do Império.
9 And when I look at you, I'm home.
Notas iniciais
Elara
— E não sei como, mas Heath conseguiu entrar na casa. — terminei de explicar para Mestra Leia.
— E vocês conversaram? — perguntou de olhos fechados. Estávamos só nós na sala do Conselho, e apesar de estar meditando, ela aceitou falar comigo. — Ou tiveram outra de suas "resoluções" violentas?
— Na verdade, ele foi até May. — o nome da neta pareceu surpreendê-la, pois abriu os olhos na hora.
— May?
— Sim. — abaixei a cabeça, me sentindo culpada — Ele apareceu durante a noite, estavam dormindo. Mas acho que fizeram muito barulho, pois Aaron chegou a tempo.
— Eles estavam sozinhos em casa? — perguntou curiosa.
— Sim, nós estávamos discutindo sobre os Younglings aqui.
— Ah, sim, me lembro. — ela suspirou e me olhou. Foi aí que percebi a idade de Leia. Rugas faziam seus olhos castanhos menores, deixando-os cansados e um tanto tristes. Essa mulher havia vivido muito mais do que eu poderia imaginar, e me lembrei de como costumava a olhar e desejar ser igual a ela quando crescesse.
— Estou preocupada com ela. — revelei — Ela não parece mais a mesma; fala pouco, come pouco e não foram poucas as vezes em que eu a peguei acordada.
— Deveria falar com ela sobre o acontecido.
— Eu tentei! Mas ela sempre muda de assunto ou me chuta pra fora. — balancei a cabeça.
— E que tal Aaron? — disse se sentando ao meu lado — May parece gostar e confiar nele, talvez se abriria com ele.
Fiz que sim com a cabeça e fitei os carros lá fora. Será que May confia mais em Aaron do que em mim?
— Sente muita falta dele? — perguntei vagamente.
— Luke? — falou confusa.
— Não — sorri -, Han.
— Mais do que gostaria. — deixou uma lágrima escapar. Minha mãe costumava me contar as aventuras de Han Solo. Também me contava de como Luke, Leia e Han (e Chewie, claro) derrotaram o Império, e era minha história favorita.
— E você? Sente muita falta dele?
— O que?
— Vamos lá, Elara. — arregalou os olhos — Você e Aaron, oras! Estão tão perto, mas ao mesmo tempo tão distantes.
— Nós crescemos, Mestra. — engoli em seco — É complicado...
— Você é complicada! — me cutucou com o ombro — Nunca reparou no jeito que ele te olha?! Sei que você não é cega.
— Mestra, por acaso está me encorajando...
— Eu sei o que é não poder amar alguém, Elara. — falou séria — E não desejaria isso ao meu pior inimigo. E também sei quais são as Regras Jedis, o que só torna tudo pior.
— E pode piorar? — resmunguei.
— Não acha que já sofreu demais, criança? — pousou a mão em meu ombro — Vá ser feliz; estou cansada de ver as pessoas que me importo tristes.
— Obrigada, Mestra. — a abracei, a surpreendendo de primeira. Ela riu e me abraçou de volta.
— Por o que, querida?
— Por se importar comigo. — sorri — Por me querer feliz e por nunca ter desistido de mim, quando eu mesma o fiz.
— Você é a Mestra da minha neta, e é muito importante para ela. — disse — Está sendo a família que ela nunca teve, e sou eternamente grata por isso. Mas acho que Aaron também merece alguém para chamar de família.
Assenti e me retirei, me preparando para ir para casa. Mas quando estava abrindo a porta, tive uma surpresa não tão agradável assim.
— Elara, espere. — Satoro gritou. Bufei e revirei os olhos, estava sem cabeça para ele.
— Precisa de algo? — falei em um tom de quem não está tão disposta a ajudar — Já estou de saída, minha Padawan está me esperando em casa.
— Então você está levando a coisa de Padawan a sério, mesmo. — parou a minha frente, bloqueando a saída.
— Achou que eu arredaria o pé? — levantei as sobrancelhas.
— Vejo que vcoê continua indiferente e ignorante como sempre.
— Vejo que você continua apontando seus defeitos nos outros como sempre. — rebati.
— Você é bem ingrata, garota. — disse estufando o peito — Deveria me agradecer, afinal, quem protegeu a sua "família" de ser levada pelo Império fui eu.
— Acha que eu desisti de provar que você está envolvido no "acidente" dos meus pais? — apontei o dedo na sua cara — Eu não sei se foi sorte ou azar seu de Aaron ter saído vivo disso, se não, eu lhe caçaria até o quinto dos infernos, mas teria certeza de que nunca mais iria ver a luz do sol.
— Você, por acaso, está me ameaçando? — sussurrou.
— Entenda como quiser. — o empurrei com força, abrindo a porta — Deixe eu e minha família em paz.
Decidi ir andando para casa, observando o comércio fechar e as pessoas buscarem seus filhos na escola. Lágrimas caíam pelo meu rosto enquanto eu lembrava daquela noite. Eu tinha quinze anos, e já faziam três anos desde a última vez em que vira meus pais e Aaron. Porém, nos últimos meses, eu vinha infernizando Satoro de que queria fazer uma visita. Nós brigamos e eu fugi do nosso alojamento. Foi quando eu retornei, dois dias depois, que recebi a notícia de que Maryse e Forense estavam mortos e Aaron estava em um estado grave no hospital. O meu mundo parece ter caído, e um primeiro buraco se abriu em meu peito. Um ano depois, me contaram que meu irmão havia se juntado aos Sith, o segundo buraco. Quatro anos depois, quando acabei meu treinamento, retornei a Alderaan, para procurar por Aaron. Também me lembro da noite do nosso reencontro. Era uma noite tempestuosa, as luzes da casa estavam apagadas e os guardas pareciam tão doentes e fracos. Eles me reconheceram e me deixaram entrar, ensopando boa parte dos corredores. Aaron estava na sala, e achei que teria um ataque quando me viu. Ele não havia mudado muito. Estava mais alto e mais forte, claro, mas continuava o mesmo. Ele tentou sorrir, mas não conseguiu. E então percebi o que havia de diferente: seus olhos. Eles não eram mais os mesmos. Não tinham mais o mesmo azul alegre; estavam opacos e tristes. E foi aí que meu coração se quebrou por completo.
Enxuguei as lágrimas e entrei em casa, dando uma olhada nas janelas. May estava sentada no jardim, meditando, e Aaron ainda não havia chegado. Me joguei no sofá e respirei fundo, engolindo o choro. Tudo parecia tão confuso e depressa demais, como se eu tivesse deixado de ler partes importantes da minha vida, e agora eu não entendia nada muito bem.
— Você, tire suas botas imundas do meu sofá. — disse Aaron pendurando seu casaco azul escuro na poltrona.
— Olá para você também. — resmunguei enquanto tirava as botas com os pés.
— Você estava chorando, não tente negar. — se sentou no sofá, colocando minha cabeça em seu colo — Me diga, Elara, o que tem te aborrecido tanto esses dias? Você parece tão distante quanto May.
E foi com essas palavras que eu desabei de novo. Estava tão magoada, que estava fazendo as pessoas ao meu redor magoadas. Mestra Leia, Aaron e até mesmo May. Ele me envolveu em seus braços, abafando meu choro e meus soluços.
— Me deixe te ajudar.
— Não diga nada, só me abrace forte, como fez no dia em que nos despedimos a nove anos atrás. — fechei os olhos e me deixei ser apertada em seu peito. Me sentindo em casa.
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