Notas iniciais
Nada pior do que chorar por alguém que morreu, e esse alguém voltar dos mortos para te matar.

A figura negra, agora silenciosa, não tinha rosto ou olhos visíveis, mas sabíamos que ela nos encarava, ela jogou o inanimado mestre a nossa frente, Marjorye foi rapidamente até ele, ajoelhou e o pôs em seu colo, abraçando-o, o mestre estava sem ambos os antebraços e com um corte enorme no peito, todo o sangue ainda brilhando em brasa, como todo corte recente de sabre de luz, a padawan atrás de mim caiu num choro desesperado:

-NÃO! NÃO!! NÃO!!!- Eu sabia que Marjorye também estava sofrendo muito, mas ao contrário da padawan, ela sabia se controlar-MONSTRO! COMO PODE?! – Agora ela se agitava desesperada, tentando se libertar dos escombros. –EU VOU... EU VOU...

-Controle-se padawan! – Tentei acalmá-la, obviamente Marjorye e eu éramos os únicos na sala que podíamos enfrentar-lo, e precisávamos de concentração.

Marjorye, ainda abraçada com o corpo de Mestre Quarrick, ergueu a cabeça, com os olhos cheios de lagrimas e indagou:

-Por quê Torvan? Por quê?

A figura negra, agora fechava o punho que havia segurado o corpo do Jedi até o ultimo suspiro de vida se esvair, e questionava:

-‘’Por quê”? “Por quê”? A cavaleira Jedi queridinha do conselho quer saber o porquê? EU VOU TE DIZER O PORQUÊ!- Sua voz se alterou completamente.

Ele saltou e parou uns cinco metros a frente de Marjorye, no mesmo momento eu saltei a frente dela e liguei meu sabre.

-HAHAHA- Era insuportável ouvir seu riso- Marjorye e OLuan, sempre protegendo um ao outro, sempre colocando a segurança do fiel companheiro acima dos outros e do bom senso, mas me respondam, OS QUERIDINHOS DO CONSELHO PRECISAM DE PROTEÇÃO?! VOCÊS TÊM SUAS CADEIRAS RESERVADAS NO CONSELHO DESDE QUANDO NÃO SABIAM NEM SEGURAR UM SABRE DE LUZ?!-...-HAHAHA, por que o silêncio? Vocês não sabiam não é? Não era para nós nos tornamos Jedi, só vocês quatro, o destino do resto daqueles estudantes seria virar fazendeiros ou carregar corpos pelo resto da vida- O que ele estava dizendo? O lado negro levava algumas pessoas à loucura, mas no fundo eu sábia que algo daquilo tinha sentido e estava disposto a escutar- Eu teria uma infância normal, me tornaria um guerreiro, um soldado, ou até um caçador de recompensas, mas o conselho tinha encontrado não uma, mas quatro vertentes na Força, o garotinho escravo da seita das amazonas, a garotinha de cabelos brancos descoberta numa aldeia de fazendeiros, o menino criado por monges –Ele usou uma voz zombeteira e afeminada para descrever cada um de nós –E a filha do temido conquistador –Sua voz agora era uma mistura de ludíbrio e grandeza. –Todos com uma contagem midichloriana digna de um Skywalker –Sua voz voltou para o tom de escárnio. –Misturados com um bando de garotos com uma contagem básica de midichlorians para se tornar apto para um treinamento Jedi, para que vocês não chamassem a atenção de Dark Jedi ou assassinos dos separatistas. Mas como aqueles garotos de contagem simples se formariam como Jedi começando seu treinamento aos seis ou sete anos? A resposta é simples, eles não se formariam...

-Torvan...-interrompi. Eu mal podia ver quem era, mas Marjorye já tinha descoberto e revelado sua identidade: Torvan Messor, um dos nossos antigos colegas de classe youngling, que morreram na batalha de Ossus –Eu não sabia que havia tanta diferença em nossa contagem, mas tivemos o mesmo treinamento, as mesmas lições, nós quatro podíamos ter nos formado mais cedo, mas vocês ainda teriam alguns anos para se formar...

-TOLO! VOCÊ NÃO SABE O QUE EU PASSEI! A cada ano que passava, meu mestre ficava cada vez mais indiferente... Frio, até o ano... Que ele simplesmente parou de me ensinar! Com desculpas como “eu não tenho tempo” ou “você pode descobrir isso sozinho” enquanto tínhamos quase vinte anos... Vocês quatro já recebiam missões dignas de cavaleiros Jedi experientes! Eu ficava vagando pelo templo Jedi sem missões ou treinamento para preencher meu tempo e padawans de quatorze anos tinham mais habilidades do que eu!

-SEU FILHO DE UM MURGLAK IMUNDO!! -Marjorye estava em pé atrás de mim, gritando, despertando o pequeno Wookie dentro dela. –CULPA AOS OUTROS POR SUA PREGUIÇA! ACOMODA-SE NO COLO DE QUALQUER DARK JEDI QUE VÊ A SUA FRENTE PARA TER COM QUEM RECLAMAR QUE O COLEGUINHA DE CLASSE NA INFÂNCIA ERA MAIS HABILIDOSO E TINHA UM SABRE MAIS BONITO DO QUE O SEU! –Bom, minha amiga acaba de gritar, xingar e encostar a ponta de seu sabre de luz na ferida chamada “complexo de inferioridade” do inimigo que acabou de matar um habilidoso e antigo mestre Jedi... Ah, e uma das principais características conhecidas dos Dark Jedi é o seu ódio... É, estamos mortos.

O inimigo encapuzado agora respirava rápido, eu sabia o que estava por vim e bufando pesado ele começou a dizer:

-Cada um de nós sabia... –No momento em que ele termina sua frase ele salta num golpe de fúria com seu sabre para de cima de Marjorye, rapidamente eu coloco meu sabre no trajeto da lamina do inimigo. Já havia defendido tiros de caças espaciais mais leves que aquele golpe. –CADA UM DE NÓS SABIA! –A cada palavra, um novo golpe, mais pesado e sempre no mesmo ponto do anterior. Tive dificuldade em defender e me manter de pé. –SABIA QUE SERIAMOS DESCARTADOS ENQUANTO VOCÊS DESFRUTAVAM DO NÉCTAR DA GLÓRIA! –Nesse momento, Marjorye saltou por cima de mim e de nosso oponente, pousou atrás dele e o golpeou com sua espada da cor do céu, ele refletiu o golpe muito veloz, aproveitei e mirei em suas costas, ele se virou rapidamente e repeliu o corte, continuamos a golpear e ele defendia com facilidade. De repente ele salta para uma fenda próxima e da continuidade ao seu discurso. –Não sabíamos o que fazer! –Suas palavras voltaram a ecoavar pelas paredes. –A vontade de assassinar vocês nos seduzia cada vez mais! Mas sabíamos que nós seis não éramos páreos para as vertentes da Força...

-O QUE? VOCÊS SEIS?!- Marjorye perguntou tão surpresa quanto eu. Não era só um de nossos colegas supostamente mortos que invejava a mim e os meus amigos que se tornariam Jedi mais cedo, naquela classe, era todo o resto! Pessoas que dividimos a infância e boa parte da adolescência, até a... –Até... Karol, Karol D’detium? – Ela baixou a cabeça, olhou para o nada abaixo dela, pensativa, baixando seu sabre, se expondo, porque nada mais naquele momento poderia machucá-la tanto. Eu a compreendia, nós dois sofremos pela morte de nossos colegas... Lamentamos... E com o tempo superamos, e agora uma cicatriz antiga estava aberta, e muito maior.

-HAHAHAHA! É bom ver você se calar finalmente! –Sua voz ecoava orgulhosa, em todos os cantos daquele local. Eu não tinha mais certeza se ele ainda estava naquela fenda. –Sim, pequena serviçal da república, aquela que você chamava de melhor amiga, e cada um dos nossos outros colegas de classe que não participaram da formatura, jurou lealdade ao um poderosíssimo Lord Sith, de uma raça que espalhava mais terror e destruição do que um milhão de Star Destroyers.

Marjorye agora estava abalada, quase indefesa, agonizando em seus pensamentos. Eu não sei se tudo o que nosso inimigo contava era verdade, mas eu tinha que trazer a mente de minha amiga de volta a batalha:

-Ha! Um Lord Sith?! Não me faça ter pena de você! Um Lord Sith?! É isso que é o mais cômico nos Dark Jedi: Seus delírios de grandeza! Matam uma certa quantidade de Padawans por ai e já se intitulam o Darth Mão Grande! Aposto o meu almoço que seu mestre não passa de um Jedi aposentado, decrépito e senil, que conhece tanto o lado negro quanto um Rancor entende de etiqueta a mesa.

No momento que terminei minha frase, um traço de luz vermelha caiu sobre mim, me defendi do golpe rapidamente, ele agora estava pressionando sua lâmina contra a minha, entre a cruz azul e vermelha que nosso impasse formou, eu pude finalmente ver a face de Torvan Messor: um Kel Dor, uma espécie nada atrativa, sua pele era alaranjada, as laterais de sua cabeça possuíam órgãos extra-sensoriais em formato de um caracol torto, que terminavam em presas pretas, sua mascara de respiração antiox e seus óculos de proteção(o planeta natal dos Kel Dors é composto apenas de gás hélio, sua raça é forçada a usar esse equipamento em planetas de composição diferente, dióxido de carbono, nitrogênio e oxigênio são mortais para eles) estavam bem diferentes desde nosso ultimo encontro, agora seus óculos eram maiores e curvados, intencionalmente para que eles aparentassem ódio. Sua máscara negra, além dos novos traços em vermelho carmim, tinha detalhes de dentes pontiagudos talhados.

Eu sentia seu ódio, era maior do que qualquer emoção que eu já sentira. E sua força era extraordinária, a pressão que ele colacava em sua arma me fazia dar pequenos passos para trás, ele era muito maior do que eu e cada vez mais ele colocava mais e mais peso, meu próprio sabre estava prestes a tocar meu pescoço, quando Marjorye mirou um corte na perna de Torvan, ele virou rapidamente para conter o golpe.

Meu plano de trazer minha companheira de volta a luta tinha dado certo. Eu aproveitei a brecha e o ataquei, ele virou e se defendeu com apenas uma mão segurando seu sabre. Ele estendeu a mão aberta para Marjorye e ela voou uns sete metros para trás e caiu de baque no chão.

Torvan me golpeava com toda a fúria, tive dificuldade em defender todos os seus golpes e mal podia atacar.

Saltei para trás, girei o corpo e mirei uma estocada em seu peito, seu sabre afastou o meu golpe para o lado e nesse momento um corte pela ponta do sabre de meu adversário desceu pelo meu ombro, o corte não foi muito profundo, mas a dor era horrenda.

O corte e a queimadura... Eu estava de joelhos, urrando de dor e o inimigo em pé a minha frente. Tentei reunir forças, levantei e passei minha arma para o braço esquerdo, tentei golpear pela lateral, mas ele se defendia com facilidade e a cada golpe que eu desferia, mais a dor pulsava e me fazia querer desmaiar. Ele começou a golpear de volta, e com alguns poucos golpes, o sabre foi arrancado de minha mão, ele me arremessou para a parede com o uso da Força. Minhas costas colidiram com a parede e eu cai de peito no chão. Eu estava quase desacordado, eu ergui a cabeça, desamparado, e vi a minha frente meu adversário saltar em posição, pronto para dar seu golpe de misericórdia em minhas costas, quando de repente, Marjorye vem numa velocidade espantosa, (até para um Jedi, talvez até para mim! Seu sabre deixou um feixe de luz azul pela sala) gritando “NÃO VAI TOCAR NELE!”, Torvan teve que se virar rapidamente no ar para defender o golpe desferido por ela, minha salvadora saltou para o lado e começou a golpear numa velocidade maior do que a qual ele havia me golpeado até ai. Em cima, nas laterais, no meio, tudo em questão de segundos e sem parar, quando uma lamina verde atravessou o meio do tórax de Torvan. Ele ficou de joelhos e caiu de cara, inanimado no chão, revelando quem tinha o estocado por trás era Unna Femm, respirando exaustivamente, com o braço esquerdo faltando... Ela tinha cortado o próprio braço para se libertar dos escombros e nos ajudar na batalha e se vingar do assassino de seu mestre. Marjorye nos ajudou a sair de lá, colocou meu braço esquerdo em cima de seu ombro e o braço direito de Unna sobre meu braço, e nos levou até a nave, deixou Unna com a equipe médica e cuidou pessoalmente de meu braço, tudo isso sem dizer uma palavra. Depois de curar minha ferida no tanque bacta e sair da enfermaria, tudo que pudia fazer era abraçá-la e esperar até estarmos em casa. Aqui se encerra minha narração.

Notas finais


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.