Star Wars- Contos Dos Pecados Da Força - Crônica 1

3 Capítulo 2- A garotinha e o Homem Peixe.


Estávamos indo resgatar um dos nossos melhores tutores de nossa infância, Carryck Liansen.

Quando eu tinha sete anos, e era escravo de uma seita de amazonas Rattakati(uma espécie muito semelhante aos humanos, caracterizados pela sua pele extremamente branca e cabeças calvas), fui descoberto pela mestra Flamma Vitae durante uma missão anti-escravistas, libertado, fui mandado para o templo Jedi em Coruscant, com uma idade bem incomum para Youngling(uma criança sensitiva a força, nos primeiros estágios do treinamento jedi) mas me aceitaram, não sei bem o porque, talvez por causa dos tempos de crise, quando o senado mais precisava de pacificadores, ou pela insistência de Mestra Flamma, ainda é um mistério para mim, mas fui designado para uma classe de Younglings com faixa etária de cinco à sete anos, treinados pela mestra Jedi do alto conselho, Hopea Nubila, uma bela Chiss (espécie semelhante aos humanos, com pele azul e olhos completamente vermelhos) de longos cabelos negros e sempre trajada com roupas escuras.

Ela sempre nos ensinou bem, embora fosse bastante rigorosa, sempre gostei dela, ela não demonstrava muito, mas tinha muita afeição pela gente,( fui um dos primeiros da classe a ter alguma percepção sobre os sentimentos dos outros). Marjorye era uma de minhas colegas, uma de minhas primeiras amigas, a melhor no momento, um ano mais nova que eu, sempre foi uma espadachim exímia, com reflexos tão rápidos que podia defletir uma rajada de tiros de blaster de cinco armas ao mesmo tempo quando ainda estava começando seu treinamento, mas tinha dificuldade em levantar objetos com a Força na época.

Mestra Nubila foi ficando cada vez mais rígida com a pequena garota. Lembro- me de uma noite, em que Nubila disse a Marjorye que enquanto ela não erguesse três caixotes de plástico ao mesmo tempo usando a Força, a classe não iria jantar, Marjorye tentou por um bom tempo, até desistir e fugir pelo templo, Nubila assistiu a fuga da menina, virou para a classe e começou a aula de sabre (creio que foi a disciplina escolhida porque Marjorye estava à frente dos demais nesse requisito, e que não teria importância a garotinha perder uma aula), durante a fuga da menina de cabelos brancos, ela trombou direto com a capa de um mestre Jedi, o mestre ajudou, sorridente. A menina ao sair de sua capa e recuperar o fôlego perdido nas vestes do Jedi, ela parou para observar um homem anfíbio muito alto, com tentáculos no lugar dos cabelos, pele lisa verde e grandes olhos negros.

A garotinha não teve medo, pelo contrario, depois de um momento admirando o Jedi, ela o abraçou segurando seu choro enfezado, o Jedi a levou ao refeitório.

Depois de um tempo, Marjorye voltou para sala da mestra Nubila, a tutora sem demonstrar insatisfação (ou qualquer outro sentimento), mandou a garotinha voltar ao o que estava fazendo antes de sair. A garotinha fechou os olhos, apontou as duas mãos para as caixa e depois de dez segundos havia três caixas flutuando na frente da garotinha.

O Jedi era o mestre Quarrick, alguns anos depois ele me contou essa história, disse que deu alguns doces para a menina no refeitório e a disse “Sabe, tudo bem ficar triste por não conseguir fazer algo, mas o melhor jeito de fazer a tristeza ir embora é ir lá e não parar até conseguir fazer aquilo, e você é sensitiva a Força, garotinha, são muito poucas as coisas que você não pode fazer ” mas me lembro bem da menina de cabelos brancos, depois de deixar três caixas suspensas no ar caírem, vim correndo até mim e dizer “o homi pece falou que eu conseguia e fui lá e consegui!”

Fazia tempo que eu não via Marjorye séria daquele jeito, a viagem foi bastante silenciosa, queria dizer que mestre Quarrick estava bem, que voltariamos bem e jantariamos juntos, nós três, mas nunca fui de dar falsas esperanças pra quem eu me importo.

Estávamos chegando, entrando numa pequena lua de um planeta afastado no sistema Basculun. Depois entramos em sua atmosfera, sobrevoamos as extensas selvas até achar o lugar da transmissão, achei que seria difícil localizar o local indicado, mas era só seguir a fumaça.

Marjorye entrou numa velocidade rápida o suficiente para tirar todas as folhas de algumas árvores próximas do nosso trajeto, vimos uma enorme nave triangular pratada republicana, uma nave de assalto, fincada no chão, destruída, seus escombros estavam espalhados pelo chão, juntos com um mar de restos de droids e corpos de soldados da republica, Marjorye nem diminuiu a velocidade da nave, apenas saiu da cabine direto até a rampa de desembarque, não me importei em pousar a nave, não podia perder tempo e deixar-la enfrentar sozinha algo que derrubou um mestre jedi e suas tropas, gritei para um dos poucos soldados que tínhamos para sobrevoar o local até segunda ordem, saltei atrás dela.

Estávamos a quarenta metros de altura, o que não é problema nenhum para um Jedi, o problema era pousar num lugar desconhecido cheio de corpos ainda frescos e quantos inimigos escondidos que eu podia imaginar. Quando chegamos ao chão, minha vontade era gastar meu peso em saliva dizendo a Marjorye como isso foi imprudente, só que mais imprudente ainda seria irritá-la no momento, então eu apenas disse sorrindo:

–Na próxima vez tentamos de costas.

–...-Ela nem olhou para mim, deu uma rápida olhada em sua volta, e fixou o olhar nave destruída- Ele está lá dentro, vamos entrar.

–Marjorye, está na cara que é uma armadilha. Que Jedi, ou qualquer soldado experiente esperaria resgate nos destroços de uma nave com partes ainda em chamas?- Eu estava batalhando com minha boca e com meu bom-senso no momento, perdendo obviamente.

Marjorye me lançou um olhar que me lembrou a ultima vez que eu mexi na comida de um Wookie e disse:

–Vamos entrar mesmo assim.

–Marjorye, não está usando o bom-senso, pode ter uma tonelada de droids lá dentro que não poderíamos sentir e mais um Dark Jedi escondendo sua presença, seria muito mais prudente enviar uma transmissão pedindo reforços...

–Olha...-Me interrompendo tão inesperadamente quanto um sol se pondo durante o crepúsculo- Eu vou entrar lá dentro, e você pode enviar a transmissão que quiser aqui fora enquanto sua amiga está lá dentro, sozinha, naquele resto de nave de assalto com todos os droids, Dark Jedi, maníaco da janela aberta, o que for.

–...-eu tinha tantos argumentos quanto gente viva em volta de nós dois -eu realmente tenho um pressentimento muito ruim sobre isso.

Entrar foi simples, foi questão de levantar alguns objetos com a força e se enfiar por entre as fendas, o problema era esperar a surpresa sair de algum lugar, dizer “olá” e atirar na gente.

A nave estava aos pedaços, muito deles em chamas, o que ajudava na iluminação, junto com a luz do planeta a cima da gente, que entrava pelas fendas da nave, e nossos dois sabres de luz azuis, mas não tinha muito o que ver, uma versão de uma nave comum, só que com chão no lugar das paredes, e paredes que agora eram o piso, com tudo bem queimado e destruído.

De repente escutamos uma voz feminina pedindo socorro alguns andares... À nossa frente. Derrubamos o que estava no caminho e seguimos até a voz, era uma jovem Jedi, muito bonita, de longos cabelos castanhos , lábios carnudos, olhos verdes e pele bem branca, olhando para gente, com metade do braço esquerdo enterrado numa parede de escombros. Era Unna Fem, a padawan de mestre Quarrick, estava exausta , parecia querer se ajoelhar no chão, mas o braço preso não deixava.

–Ah... que bom... que vocês estão aqui- Dizia ela ofegante-eles estão lutando... em algum lugar daqui.

–Quem está lutando?-Perguntei.

–Meu mestre... e o Dark Jedi...

Marjorye olha para cima e diz:

–Ele está poucos andares a cima da gente, vamos.

–Espere, vamos libertá-la, ela pode ajudar.-Sugeri, quanto mais ajuda melhor.

–Ela está exausta,não vai ser de grande ajuda, é melhor que ela fique aqui e descanse.

–Descansar?! Ela não pode nem... — Fui interrompido por uma risada grave e perturbadora que correu por todo o local.

–HAHAHAHAHA! EU ESPERAVA ATRAIR ALGUM JEDI PARA A MORTE- a voz aterradora no momento pareceu muito familiar- MAS QUEM DIRIA QUE SERIAM MARJORYE SICHOSKI E OLUAN KENOBI?! HAHAHAHAHAHA!

-Não pode ser... – Declarou Marjorye.

Percorri todo o local com os olhos, pensei em usar a Força, mas era só seguir o olhar de Marjorye, seu olhar incrédulo apontava para a borda de um grande buraco no teto, e lá estava nosso adversário, um ser de trajes negros, encapuzado, no lugar de seu rosto só podia ver uma sombra, sua capa cobria todo o corpo, aberta apenas na frente, formando uma fenda que ia até seus pés, ele tinha algo reluzente no peito, algo dourado, era única coisa visível na parte interna da capa, seus braços eram metade cobertos pela capa, e a outra metade por uma proteção negra que cobria toda a parte de cima do antebraço e mãos, numa de suas mãos de três dedos empunhava seu sabre de luz cor de sangue, e na outra ele segurava no alto como um troféu o mestre Quarrick, imóvel.

Notas finais
Esse capitulo é narrado por OLuan Kenobi, alguns capítulos dessa crônica serão narrados pelos protagonistas.