O barulho do despertador acabou com o silêncio que existia no quarto fazendo o rapaz sair da cama de imediato. Deixava sempre o celular longe da cama, para que fosse obrigado a levantar e desligá-lo, assim evitando de desligar e voltar a dormir. Era uma estratégia que fazia a anos e raramente deu errado. Foi em direção ao banheiro e ao ligar a luz revelou-se no reflexo um Eduardo totalmente acabado, seus olhos denunciavam que havia dormido pouco, e seu cabelo roxo já estava bem desbotado. Porém não havia tempo de se preocupar com isso e foi logo para o chuveiro.
Desde a última semana sua rotina de manhã sofreu alterações não previstas. Agora ele fazia questão de cuidar bem mais o que iria vestir e cuidava mais do rosto, além de não conseguir mais sentar e tomar seu café da manhã com calma pois não conseguia mais não se preocupar com o horário, fazendo ele ficar pronto as pressas e até antes do horário que ele precisaria de fato.Colocou seus calçados e saiu do seu apartamento, indo para o corredor e chamando o elevador. Enquanto esperava descer até o térreo seu coração começou a disparar, mas não se espantava mais com isso pois estava sendo uma reação que sempre acontecia. Passou pelo porteiro e o cumprimentou enquanto saia do prédio e olhava para os lados em busca do motivo do seu nervosismo diário.Lá estava ele, escorado na parede e com os olhos fixos no celular, os cabelos platinados o destacando de toda as pessoas que estavam na calçada caminhando em direção aos seus trabalhos. O rapaz ficou o observando enquanto o outro não percebia sua presença, pois ainda ficava constrangido com o que andava acontecendo e não tinha coragem de chamar por Lee Jangjun. Ao mesmo tempo isso não era algo ruim pois podia apreciar a visão que era o rosto do outro sorrindo e rindo para o conteúdo desconhecido que ele via no seu celular.Decidiu então pegar seu celular e mandar uma figurinha para o outro e chamar sua atenção. O jogador de basquete pareceu ter visto a mensagem e rapidamente virou seu rosto em direção aonde o brasileiro lhe esperava rindo, o que fez o rapaz abrir um lindo sorriso e dar uma corridinha em direção à ele.— Francamente Dudayah… Você não sabe que é errado deixar celebridades esperando? Era você que deveria estar na rua antes de mim — Falou Jangjun com seu tom debochado de sempre, era sua forma de dizer bom dia.— Você que tem que aprender a hora certa de sair de casa, eu já estou me agilizando ao máximo e você sempre já está pronto antes de mim. Diferente de você, eu preciso de tempo para ficar bonito — Respondeu o estrangeiro.— Hmm então você está dizendo que eu sou bonito é? — o coreano lhe deu um olhar e sorriso malicioso que deixou o outro constrangido e então começou a rir — Bom não é como se eu já não soubesse disso. Vamos andando.Os dois estavam nessa rotina desde a semana passada em que se conheceram. Desde então iam e voltavam juntos para a universidade todos os dias, sendo sempre manhãs bem animadas e energizantes para Eduardo, que não estava acostumado a ter alguém tão alegre ao seu redor sempre. Jangjun era como o próprio sol que andava ao seu lado, e isso o deixava cada dia mais feliz de ter o conhecido, deveria lembrar de agradecer Bomin por ter o convidado para o clube de basquete aquele dia. Depois de um tempo a dupla chegou na estação de trem. Enquanto esperavam pelo transporte, conversavam sobre as tarefas da faculdade, que como sempre surgiam mais mas nunca acabavam. Entre reclamações e risadas dos dois lados, Eduardo reparou em uma pessoa um pouco distante e cerrou os olhos tentando identificar quem era, então abriu um sorriso e chamou a pessoa enquanto andava na sua direção, deixando o Jangstar falando sozinho.— Dokyeom!O coreano percebeu seu apelido sendo chamado e virou-se, reconhecendo imediatamente o estrangeiro de cabelos roxos que corria em sua direção, abrindo um belo sorriso enquanto o cumprimentava também.— Bom dia Duda! Como vai indo? Já tem uns dias que nos vimos a última vez.— Pois é, estou na mesma correria da faculdade de sempre. Um tédio.— Andar comigo é tedioso então é? Acho que vou rever os fãs que eu deveria dar atenção.Jangjun aparece no meio da conversa e se posicionando no meio dos dois outros garotos. Seokmin olha para o de cabelos com um olhar confuso enquanto o outro retribui com um olhar desafiador. Dokyeom olha de volta para Eduardo esperando que o outro soubesse explicar o que estava acontecendo.— Desculpe, este é meu vizinho Lee Jangjun, estamos indo juntos pra faculdade.— Entendi, muito prazer sou Lee Seokmin, mas pode me chamar de Dokyeom — cumprimentou o rapaz, que recebeu apenas um aceno com a cabeça em retorno.O trem enfim chegou e os três acabaram adentrando juntos no mesmo vagão. Eduardo e Seokmin mantinham uma conversa amigável e se atualizavam dos acontecimentos enquanto Jangjun apenas ficou mexendo no celular, estranhamente quieto.— Então Dokyeom, como está indo o clube de teatro? O musical está quase pronto? — perguntou Eduardo.— Sim, estamos apenas terminando de construir os cenários enquanto temos os ensaios finais. Ainda não começou a divulgação mas já temos a data e as imagens publicitárias prontas, deixa eu te mandar em primeira mão.
O coreano pegou o celular e em alguns cliques havia mandado mensagem para o brasileiro, que recebeu a notificação no seu celular. Ao abrir a mensagem enviada pelo outro e carregar a imagem enviada se surpreendeu com o que viu, fazendo o outro rapaz atrás dele erguer os olhos para observar também, o que lhe deixou ainda mais surpreso que o estrangeiro.Na foto aparecia Seokmin utilizando uma armadura medieval e segurando uma espada, enquanto atrás dele apareciam outros atores também vestidos de acordo com a proposta. No topo havia bem grande o título da peça, “Excalibur”, e na parte de baixo estavam informações da data e o local da apresentação, indicando que seria daqui três semanas e no teatro da universidade. Ao que tudo indicava, Dokyeom seria mesmo o protagonista.— Uau, então você será o Rei Arthur? O personagem principal? — Eduardo exclamou, Jangjun estava atrás com um olhar que claramente queria saber a mesma coisa.— Sim, é a minha primeira vez fazendo um papel principal. — respondeu o ator um pouco envergonhado — Acho que se deve ao fato de que será um musical, e eu sou um dos poucos que sabe cantar no clube.— E com razão, não da pra chamar o que você faz com a voz apenas de cantar. Sua voz é um espetáculo, a voz mais bonita que eu já ouvi na minha vida.Dokyeom sorriu constrangido mas agradeceu. Continuaram conversando sobre detalhes da peça enquanto saíam do trem e se direcionavam ao ônibus que levava para a universidade. Eduardo estava super empolgado e queria saber todos os mínimos detalhes que ele poderia extrair do rapaz, que lhe contava apenas o mínimo para não acabar contando a história toda. Não demorou muito e o coreano anunciou que estava na parada que ele deveria descer.— Foi muito bom te encontrar hoje, espero que você possa comparecer no dia. E vamos tentar nos ver antes também!— Com certeza eu estarei lá, na primeira fileira se eu conseguir! E vamos marcar alguma coisa sim!Dokyeom deu seu belo sorriso brilhante novamente e acenou enquanto descia do ônibus. Eduardo estava todo derretido e realizado, além de extremamente empolgado para o dia da peça. Se virou para o lado para se deparar com um Lee Jangjun notavelmente emburrado.— Não sabia que você ficava de mau humor. Aconteceu algo? — perguntou ao coreano.— Não sabia que você andava com outras celebridades, não achei que encontraria esse tipo de adversário.Duda não entendeu o que o outro quis dizer, mas ignorou já que não era a primeira vez que isso acontecia.— Mas eu estou muito ansioso para essa peça! Nunca vi um musical ao vivo antes, vai ser muito divertido. Espero conseguir comprar meu ingresso logo.— Compre pra mim também quando for fazer isso, eu te pago depois. — Você vai querer ir junto? — Eduardo estranhou.— Querer eu não quero, mas preciso conhecer minha concorrência para saber o que me espera.Dizendo isso, a porta do ônibus se abriu e Jangjun começou a descer, não sem antes acenar em despedida para o outro rapaz, que ficou sem entender nada do que havia acontecido.
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