Star Kingdom
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Na manhã seguinte, eu acordei com a minha bochecha formigando. Isso foi porque eu tentei me acomodar no sofá de Roger. Me espreguicei e a revista de um exemplar do guia de Skywalker, caiu no chão. É mesmo, eu estava tentando ler algo sobre essa cidade. Eu li que ela era uma cidade normal há uns 200 anos atrás e... eu não lembro de ter lido o resto. Acho que foi nessa parte que caí no sono.
De qualquer maneira, eu me levantei e fui lavar o rosto. Depois de pentear meus cabelos brancos eu fui dar uma saída. Eu sempre imaginei como seria viver nesse tipo de ambiente. Digo... não é um lugar que os Navegadores estão acostumados a ficar e...
Chega! Não aguento mais me lembrar disso. É Navegadores ali, navegadores aqui. Quando é que eu vou por nessa minha cabeça minúscula que eu não sou mais um deles?! De agora em diante, eu não vou me lembrar de mais nada que tenha a ver com os Navegadores. Nem estou mais lá, por que isso iria me preocupar? Enfim... estava tão frustrada que andei e nem prestei atenção aonde eu estava. Olhei para trás e para os lados, mas não me lembrei de nenhum ponto de referência próximo ao apartamento. E esse era um lugar diferente. A rua era só uma plataforma que seguia a mais alguns km à minha frente. E se você olhasse para cima, dava para ver os metrôs andando em um trilho. Era muito mais povoado do que o lugar que eu estava há alguns minutos. Era mais cheio e tinha... -criaturas?- pessoas... diferentes. Umas bem altas e outras bem baixas. Peles diferentes e texturas também. E eu juro que vi um crustáceo em um casaco de caxemira. Muitas naves voavam acima de mim também. Outras velhas mas outras chiques. Parecia que algumas 'classes' mudavam e o termo como "Minha nave é melhor que a sua" definia quem você era.
Algumas pessoas olharam pra mim enquanto eu observava o lugar em volta. Um grupo de meninas que tinham três olhos passaram por mim e cochicharam "Será que ela nunca viu um canal hipersônico?". Será que era assim naquele lugar? As pessoas vêem você e já te julgam? Agora entendo porque quando eu tocava no assunto Skywalker na ilha dos Navegadores, eles fechavam a cara.
Por que diabos eu lembrei disso?, pensei. Joguei esses pensamentos para longe e observei que havia um bar por perto. Muita gente estava indo para ele. Então eu penso, será que alguém poderia me dar algumas informações sobre esse lugar? Bem, eu não tinha muitas opções, tinha? Então segui em direção ao bar. Eu não entendia a escrita na placa, era alguma coisa estranha em linguagem das estrelas. Abrindo a porta, havia mais gente estranha do que la fora. Mas o fato era que -tirando as garçonetes em uma roupa de borracha- só havia homens naquele lugar. Ou criaturas que aparentavam ser. Eu tentei perguntar para todo mundo, aonde eu tava. Sério, todo mundo mesmo. Mas ninguém respondia. Eles me olhavam com uma cara estranha de como seu EU fosse a coisa estranha ali.
Certo, vamos concordar que:
1. No ponto de vista deles, eu era uma coisa nova ali e eles já estavam acostumados com aqueles monstros todos em um lugar.
2. Eu era a mais nova ali. Eu tenho 17 e não acho que o bar era pra gente menor de 20.
e por último
3. Eu era a única garota que não estava usando uma roupa de borracha e mostrando os peitos. Então quando eles achavam que eu era uma das garçonetes, eles me olhavam do pé até a cabeça com desdém.
Certo, isso foi rude. Vamos tentar pela última vez. No lado direito do bar, ficava o grupo dos 'playboys', se me permite dizer. Uns garotos bem arrumados e com o estilo de mal — eu quis dizer: coturnos preto, jeans surrados uma camisa branca rasgada nos ombros e um colete de couro por cima. Ah, claro, não podemos esquecer do cabelo lambido para trás.
- Com licença, cavalheiros. Me poderiam fazer um favor? Não é muita coisa.
Eu chamei a atenção deles. Um estava sentado no meio, que devia ser o líder ou algo assim. Uma menina -mais bonita que eu- loira, estava no colo dele, brincando com a gola da sua camisa.
- Para você querida, faço até mais. — ele deu um sorriso tolo. Calma. Não faça nada. Ele poderia ser minha única chande de conseguir uma informação.
Eu retribuí o sorriso e disse:
- Bem, eu gostaria de saber onde eu estou. E como faço para sair daqui.
- Mas pra quê a pressa? A festa mal começou. — Um dos meninos falou.
- É. Junte-se conosco. Aliás, meu nome é Derek. Mas não se preocupe com isso. Logo você estará gritando esse nome. — O da esquerda disse, fazendo todos da mesa rirem. Argh, jura?
- Desculpe, não sou nenhuma dessas garotas oxigenadas que vocês ficam aí pagando só para receberem prazer. — eu disse, cruzando os braços. — Nem sei se elas fazem isso pela sua suposta beleza. Só devem fazer isso pelo dinheiro mesmo.
Ah. Meu. Deus. Como eu sou uma idiota. Como eu pude fazer isso?! Só estou ali há 1 dia e meio e eu já quero arrumar encrenca... ou pior!
Os garotos não me pareceram nada feliz. E parecia que já iam se levantar para fazer algo... quando uma mão segurou o meu ombro e falou em um tom suave.
- Oh, desculpe cavalheiros. Minha irmã aqui é um pouco esquentadinha. Mas vamos agir de forma adulta e não partir para o tapa, sim? Vamos agora.
- Mas eu... -ele me interrompeu me puxando pelo braço. E sussurrando no meu ouvido.
- Não fale nada. Apenas aja normalmente e finja que sou seu irmão. Não quer arranjar mais encrenca do que já fez ali, não é? — eu fiz que não com a cabeça. — Achei que não.
Nós fomos para fora do bar. Onde era um ar muito mais fresco e puro — tirando a poeira e cheiro de enxofre que os metrôs deixavam -. Quando eu me virei de cara com a pessoa que me salvou, ele era bem parecido comigo. Não foi surpresa as pessoas acharem que éramos irmãos. Nós tínhamos cabelos brancos e nossos traços eram iguais. Porém ele tinha os olhos azuis e os meus eram vermelhos. E usava uma capa beje por cima do ombro, que cobria sua roupa de couro preta por baixo que... tinha uma lista vermelha na lateral.
- Você... — eu tentei me posicionar melhor para ver a lista neon. Mas ele a cobriu rapidamente com o manto.
- Eu... errm... roubei. — disse, limpando a voz. Oh, claro. Eu fiz um sinal de 'positivo'. Concordando com a situação. Até que ele era um pouco bonito. Mas era um pouco daquelas pessoas que não expressão felicidade, tristeza ou satisfação de livrar alguém de uma briga.
- Bem... obrigada... -eu fiz um gesto com a mão, apontando para ele.
- Seth. Meu nome é Seth. E o seu?
- Alyssa. Mas todos me chamam de Aly... porém vejo que isso não vai importar muito pois não vamos mais nos encontrar.
Ele fez um gesto triste. E ficamos em um silêncio estranho e ruim.
- Pois é... então... desde que não vamos mais nos ver, se cuide viu? Não vá arranjar mais encrenca. Aqui é um lugar que você tem de evitar esse tipo de coisa. Senão a coisa toda já era.
- É. Estou ciente disso. Aliás... uhm... você pode me mostrar o caminho de onde chegar à um sobrado meio rústico?
Ele concordou e depois me mostrou a direção para onde ir. Depois de agradecer mais uma vez, eu fui em bora na direção que ele falou. Eu já conseguia ver aquele poste amarelo 4 quadras para trás. E contando que já havia acontecido muita coisa em um dia, não poderia acontecer algo pior, certo?
Errado.
Lá estava eu, voltando feliz para o sobrado quando alguns caras estranhos e carrancudos saíram de um beco na minha frente. Eles estavam com um taco de baseball, um cano velho e um pedaço de pau. Ok. Eu morri. Eles me olharam com gosto e depois me perguntaram com a voz rouca.
- E aí? Tem algo para nós?
- Depende do tipo de coisa que ratos aceitam.
Agora sim eu morri. DROGA. Por que eu tenho que abrir essa minha boca? Eu era uma pessoa totalmente ferrada agora. Assim como no bar, os 3 rapazes não me olharam com uma cara de que ficaram satisfeitos com minha resposta. Será que eu corro ou fico parada ali que nem uma tapada até eles se aproximarem e me acertarem com aquelas coisas?
Um deles bateu o pedaço de cano velho na mão. Sim, era melhor eu correr. Dei meia volta e sem nem olhar para trás, disparei na direção contraria deles. Eu corri o mais rápido que pude... até ser puxada de algum lugar que só-deus-sabe-de-onde e ficar com a visão em oblíquo...
Fale com o autor