Stand By Me (One Shot)
1 Stand By Me
Já havia saído do colégio há pouco mais de cinco minutos, caminhando distraído com a música jogada em um volume alto contra seus ouvidos quando foi atingido – certeiramente e com força – em sua lombar. Virou-se para trás num reflexo rápido, encontrando aquele mesmo garoto de sempre parado um ou dois metros atrás dele, com as mãos sobre a cintura. Desceu o olhar, notando que havia sido atingido pela mochila dele.
Tirou os fones e os enfiou sobre o bolso do gracioso blazer azul marinho de seu uniforme, deixando-os esquecidos com o iPod. O bravo garoto aproximou-se, mantendo um bico desenhado em seus lábios e o ar preso em suas bochechas, batendo os pés.
“Por que você não me esperou, Kim Myungsoo? E por qual motivo não me respondeu quando eu gritei seu nome? Você me odeia?” O encheu de perguntas enquanto limpava a própria mochila, mas nenhuma foi respondida. “Seu bobão.” Sungjong colocou-se ao lado do mais velho, passando a caminhar com ele. “Me abandone na escola outra vez para ver o que vai acontecer com você.”
Sungjong.
Desde os dez ou onze anos, Myungsoo andava com o garoto – que sempre fora mais magro e delicado que todos os outros – para cima e para baixo, sendo obrigado a estar com ele desde que se mudou para a nova vizinhança e sua mãe encontrou a antiga amiga do colegial que, por uma coincidência absurda, vivia na mesma rua e tinha um filho.
Um garoto dois anos mais novo que o filho da senhora Kim, pequeno, pálido e com lábios naturalmente rosados e que sempre formavam um belo sorriso, exibindo ainda a falta dos dois dentes que havia perdido recentemente. Estava sempre curioso, faminto e falava demais.
Por Deus, como uma criança tão pequena conseguia falar tanto?
Havia grudado em Myungsoo e o tratava como se fosse seu irmão mais velho. Suas mães pareciam ter voltado à adolescência, colocando-os juntos na aula de natação, violão – a qual Sungjong desistiu na segunda semana – e inglês, sem esquecer, é claro, de matricularem seus dois pequenos sempre na mesma instituição de ensino.
A senhora Lee havia preferido um colégio que ensinasse somente para garotos e não teve dificuldade em convencer sua amiga, sentindo-se orgulhosa ao ver os dois de uniformes iguais.
Desde então, iam e voltavam juntos. De vez em quando, almoçavam juntos, dormiam um na casa do outro, iam para o cinema e coisas do tipo. Por mais que Myungsoo sempre reclamasse por ter que sair com o outro, no fundo, gostava daquilo.
Foi arrancado de seu próprio mundinho quando sentiu a mão alheia unir-se a sua, entrelaçando os dedos.
“O que é isso?” Questionou, como se o menor nunca tivesse feito tal ato.
“Minha mão... sua mão...” Deu ombros enquanto continuava caminhando tranquilamente.
“Vão pensar que somos gays, Sungjong.” Foi sério, como na maioria do tempo. O outro puxou a mão com agressividade, afastando-se dois ou três passos para o lado. “Dongsaeng... Volta aqui.” Esticou o braço, puxando-o pela manga do blazer igual ao próprio.
“Não! Você tem vergonha de mim.” Exclamou, parando de andar e cruzando os braços.
“Eu não tenho vergonha de você, Sungjong.” Suspirou enquanto afastava os membros superiores do menor, observando-o negar com a cabeça. “O que eu faço para você acreditar, hm?”
“Leve minha mochila.” Sorriu.
E então, voltaram a caminhar. Myungsoo carregava uma mochila em cada ombro enquanto a mão esquerda permanecia unida com a do outro oriental.
“Hyuuung!”
“Hm?”
“Eles podem pensar que somos irmãos.” Sungjong riu animado, começando a andar na ponta dos pés e roçando a bochecha na alheia, o que desconcertou os passos de ambos. “Não que eu seja tão bonito quanto o meu hyung.” Após terminar de falar, selou os lábios ali, voltando a caminhar normalmente. “Ou você acha que eu sou?” Agarrou a mão alheia com a esquerda também, puxando-a suavemente para baixo. “Heim?”
“Eu acho.” Por instantes, observou-o de soslaio, sorrindo.
Alegre com a resposta, Sungjong voltou a deixar só uma mão unida com a alheia, balançando-as para frente e para trás.
Sem uma única palavra, Myungsoo o fez entrar no pequeno mercado no caminho. Comprou o Banana Milk que o mais baixo tanto gostava e um de seus chocolates preferidos, entregando-o a pequena sacola.
“O que é isso?” Questionou como se não tivesse visto a pequena compra feita.
“Para você. Sempre sente fome nesse horário.” Num único instante, questionou se seria certo dar ainda mais açúcar para ele.
Sungjong devorou o chocolate, perfurando a proteção do líquido com o pequeno canudo enquanto livrava-se da sacola num lixo próximo, voltando a agarrar-se na mão do mais velho.
“Hyung!”
“Oi.”
“Você vai sair com seus amigos no sábado?”
“Por que?”
“Vai?”
“Não sei. Por que?”
Deitou a cabeça no ombro do mais alto, reduzindo a velocidade dos passos e obrigando-o a fazer o mesmo.
“Queria que você me levasse no cinema para ver o filme dos Smurfs em 3D.”
“Por que você não vai com o Dongho, hm? Eu odeio animações e essa coisas.”
“Eu só gosto de sair com você, hyung.” Roçou a bochecha ali, voltando a beber o líquido adocicado. “E não gosto quando você me troca pelos seus amigos. Eles são mais velhos, mais legais e... Tenho medo que eles te roubem de mim.”
Myungsoo deixou o silêncio prevalecer.
“Você gosta mais deles do que de mim, né, hyung?” Seu tom já era choroso.
“Não. Detesto todos vocês por igual.” Brincou somente por notar como o menor havia ficado, usando a mão livre para lhe bagunçar os cabelos. “Você acha que depois d’eu te aguentar por todos esses anos, alguém vai entrar no seu lugar?”
Sungjong sorriu. Abriu um largo sorriso que deixava explícita sua alegria diante daquilo. Aquela era a forma que Myungsoo explicava e demonstrava seus sentimentos. Mesmo que parecesse obnóxio ou agressivo para as outras pessoas, ele adorava. Gostava até mesmo quando Myungsoo o empurrava sem força, abraçando-o depois.
Era o jeito do seu hyung.
Livrou-se da embalagem vazia do seu Banana Milk em outra lixeira, pulando sobre as costas cheias do amigo.
“Hyung, você ainda vai morar comigo?”
“Hm?”
“Você esqueceu?! Eu não acredito que você esqueceu, Myungsoo!” Quase gritou, empurrando o mais alto.
“Como eu vou esquecer, se você me lembra disso todo dia?” Arqueou as sobrancelhas, abraçando o corpo magro ao seu lado por instantes.
“Isso é um ‘sim’?” Virou o rosto, encarando diretamente os traços intensamente belos do outro. Não tinha medo de esbarrar ou tropeçar, pois sabia que ele lhe guiaria com extremo cuidado.
“Isso é um ‘talvez’, como sempre.”
“Eu quero um ‘sim’!”
“Okay, Sungjonggie, sim.” Rolou os olhos.
“Hyung...”
“O que é, Sungjong?”
“Eu quero ter um cachorro.”
“Fale com sua mãe. Com certeza ela vai dei...”
“Não! Quero ter um cachorro quando eu estiver morando só contigo. Eu, você e o... o... Calma, ainda tenho que decidir o nome dele.” Mordeu o lábio inferior enquanto desviou o olhar para o céu azulado sobre eles.
“Não podemos ter um animal mais tranquilo? Tipo um peixe?”
“Myunggie, como eu vou levar um peixe ao parque nos sábados ensolarados, me diga?”
“Num saquinho de plástico.” Deu ombros, como se tal ato fosse possível.
“Bobão.” O empurrou outra vez, notando que, finalmente, estavam perto da rua onde moravam.
“Hyung! Eu não quero almoçar sozinho e meus pais estão trabalhando. O que eu faço?” Abraçou o braço do moreno, apertando-o sem muita força – já que nem tinha tal.
“Está me chamando para almoçar com você?” Arrumou a mochila que deslizava por seu braço livre, finalmente virando na rua onde moravam.
“Você quer almoçar comigo, então?” Mordeu o lábio inferior.
“Se aquilo foi um convite... Eu quero.” Sorriu – algo raro de se ver espontaneamente – deslizando a mão pelos próprios fios curtos do cabelo.
“Hyung...” Pronunciou tranquilo enquanto servia o suco de melancia em ambos os copos sobre a mesa, esperando que o micro-ondas terminasse de aquecer a comida. “Eu gosto de você.” Apoiou a jarra sobre a mesa, encarando diretamente os olhos intensos do amigo.
“É? Eu também gosto de você.” Esboçou um sorriso, inclinando minimamente a cabeça para o lado.
“Mas eu...” Respirou fundo, abaixando o olhar e caminhando até ele. Segurou a gola do blazer escolar alheio de ambos aos lados, ficando na ponta dos pés e deixando um selar demorado sobre seus lábios. “Eu gosto de você... desse jeito.” Antes mesmo de terminar de falar, suas bochechas já exibiam um tom próximo do escarlate, em tanta intensidade. Abaixou o olhar e os pés, sentindo os braços alheios lhe levantarem suavemente ao que se agarraram em sua lombar.
Dessa vez, Myungsoo uniu seus lábios aos do oriental de cabelos mais claros, tomando-os em um beijo, de fato.
O mundo ao redor dos dois garotos deixou de existir naquele exato momento.
Não havia mais o bip do micro-ondas, os carros passando pela rua ou até mesmo o som dos ponteiros do barulhento relógio da cozinha. Somente os dois, descobrindo um sentimento único e puro quanto o ato, aos olhos deles. Sungjong levou os dedos longos até as laterais do pescoço alheio, arrastando as unhas por ali sem intensidade nenhuma enquanto entregava-se completamente ao ato, chegando ao ponto de ser pego no colo e só perceber quando teve o quadril acomodado sobre a enorme mesa próxima deles.
Riu baixinho contra os lábios do mais velho, um ato inocente e completamente esperado vindo dele. Seus pulmões pediam por ar, o que lhe fez aproveitar a oportunidade para afastar-se lentamente, não deixando de cruzar as pernas atrás das coxas do outro.
“Dongsaeng...”
“Eu.” Permanecia completamente tímido e ainda sentia as maçãs do rosto completamente quentes.
“Achei que nunca ia assumir que gosta de mim.” Franziu o cenho, vendo o pequeno em seus braços arregalar os olhos.
“Você já sabia?!”
“Claro. Todos gostam de mim.” Conseguiu dar ombros antes de ser socado neles ao mesmo tempo.
“Bobo bobo bobo. Você é muito... Bobo.” Interrompeu a frase para um novo selar, sorrindo após. “Mas você não me disse se gosta de mim, hyung.”
“Quem sabe eu consiga me decidir depois de mais uns beijos...” Percebeu que deveria continuar a frase ao que recebeu um olhar estreito, desconfiado. “Eu te amo.”
Talvez tivesse alguma dificuldade em pronunciar essas palavras, devido ao peso e a sinceridade que elas carregavam, mas assim foi feito. De forma clara e direta, expôs seus sentimentos.
Fora recompensado rapidamente, vendo o sorriso completamente apaixonado que surgiu e evidenciou ainda mais os traços delicados e femininos de Sungjong.
Do seu Sungjong.
Fim.
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