Stand By Me
4 Sorrisos
Notas iniciais
Antes de ir até sua casa, as palavras que usou para descrever Bakugou lhe assombravam enquanto lavava a louça. De muitos que convivem e conviveram com ele, o esverdeado sabia muito bem quem ele era, em diferentes sentidos, pontos de vista e situações, poderia ter escolhido outras palavras.
Após guardar tudo o que lavou e as comidas na geladeira, subiu e constatou que o loiro dormia serenamente, o que lhe acalmou um pouco.
O caminho foi tranquilo, quando chegou subiu rapidamente e pegou a mala que já havia feito caso precisasse fazer o que estava fazendo ou ficar mais tempo no hospital. Regou suas plantas, lavou a louça que deixou devido ao tempo no hospital e limpou a casa num piscar de olhos. Após chegar mentalmente sua lista de afazeres em casa se deu por satisfeito antes de trancar tudo novamente e voltar para a casa de Bakugou.
My Hero Academia
僕のヒーローアカデミア
Izuku levantou cedo como de costume e repetiu o gesto da noite anterior verificando o estado do menor antes de se dirigir a cozinha para lhes preparar o café da manhã.
— Deku.. — o maior se virou rapidamente com o sussurro, mas percebeu que o outro estava apenas sonhando. O que lhe causou um aperto no peito ao pensar que era pouco provável que se ele estivesse bem, sonharia com ele também.
O loiro estava num sono profundo em um sonho que na realidade era uma memória.
"O céu estava estrelado e muito limpo, afinal estavam no campo e não tinha um poluição luminosa como na cidade.
Midoriya e Bakugou dividiam um tapete forrado no topo de uma colina onde aguardavam um chuva de meteoros, seria a primeira de suas vidas e eles estavam muito empolgados.
"Ne, Kacchan.. Será que serão muitos?" os olhos verdes brilhavam com a possibilidade.
"Minha mãe disse que vai ter um montão!" compartilhou com tanta empolgação quanto o outro.
"Como será que vai ser? Como nos desenhos? Eles vão cair nos lugares?"
"Vão ter aliens dentro deles e eles viram atrás de você para te devorar! Arrrrgh"
"Para, Kacchan.." resmungou entre risos com as cocegas que o loiro lhe causava apertando dos dois lados de sua barriga.
Um silêncio se fez quando o primeiro raio de luz cruzou o céu, fazendo ambos seguirem sua trajetória com a cabeça. E assim seguiram os demais, depois do terceiro não dava mais para contar a quantidade, eles apenas observavam o show de luzes abismados com tamanha beleza.
Katsuki colou a mão sobre a do menor involuntariamente, mas Izuku percebeu e a apertou ganhando rapidamente um sorriso do loiro.
Os dois levantaram e começaram a correr de um lado para o outro, sem direção, com os braços apontados para o céu e antes da chuva de meteoros acabar, o menor parou de correr quando percebeu outro show de luzes.
Das pontas dos dedos de Bakugou saiam fagulhas que se apagavam no ar enquanto caiam na grama. O maior estava alheio a isso, pois corria de olhos fechados e só quando abriu os olhos percebeu o que fazia e notou o sorriso surpreso de Midoriya.
"O que é isso?" os olhos vermelhos se concentraram em suas mãos e não conseguia acreditar no que estava vendo. "Mamãe! Mamãe! Olha, olha!"
Mitsuki e Inko que estavam pouco atrás deles conversando vieram ao chamado dos filhos, pois o menor também gritava.
A mãe de Bakugou se ajoelhou na frente do filho e entrelaçou suas mãos com um sorriso.
"Parece que alguém despertou sua individualidade.." disse dando um beijo de esquimó no filho que sorria desacreditado.
"Okaasan.. Quando vou despertar minha individualidade?" questionou olhando para cima, pois sua mãe estava parada atrás de si.
"Logo, logo, filho!"
"E o que eu vou poder fazer?" perguntou animado, como todas as vezes que fazia tal pergunta.
"Não sei.. Talvez mover objetos como eu, ou cuspir fogo como seu pai.. Ou atear fogo em objetos e os mover.. Só o tempo nos dirá.."
Bakugou veio correndo até o esverdeado e estendeu as mãos orgulhoso de sua descoberta.
"Deku, Deku! Eu solto fogos de artificio dos dedos!"
Todos caíram na risada com sua fala e os dois logo voltaram a correr pela colina até a chuva cessar.
"Kacchan, quando eu despertar minha individualidade, vamos ser parceiros contra o crime!"
"Vamos derrotar todos os vilões!"
"É, mas agora é hora dos heróis dormirem!" anunciou Mitsuki.
"O crime vai ter de esperar!" completou Inko.
"Ah, Mãe.." choramingaram ambos já nos colos de suas mães.
Pela proximidade, Kacchan estendeu a mão para Deku que a agarrou e ambos abriram um sorriso de orelha a orelha até chegar em suas barracas."
Katsuki abriu os olhos e levou com dificuldade o braço a frente dos olhos, cobrindo um sorriso involuntário em seus lábios.
— Kacchan? — chamou baixo para ver se ele estava acordado.
— Ohayo, Deku.. — respondeu no mesmo tom.
Midoriya abriu a porta devagar e abriu um sorriso ao perceber que o outro sorria.
— Ohayo.. Posso abrir as janelas?
O loiro meneou com a cabeça e este o fez, abrindo as cortinas, fazendo os raios de sol preencherem o cômodo, assim como uma brisa leve com cheiro de alecrim do jardim do vizinho.
— Fiz o café da manhã... Você quer que eu te traga aqui ou.. — questionou se sentando na cama.
— Prefiro descer.. — afirmou ainda sem contato visual sem o sorriso no rosto.
— Okay.. — o maior concordou e se levantou o ajudando a trocar de roupa para descerem.
Para ser honesto, na realidade seria estranho se ele não estivesse em silêncio depois da noite anterior.
— Quer leite, café, chocolate?
— Chocolate.. — respondeu sem contato visual.
— Uhn.. Pão, bolo ou torradas?
— Bolo..
O esverdeado o serviu e se sentou a mesa. Ambos comiam em silêncio, que já estava incomodando o maior, que esperou o outro terminar de comer para falar sobre o elefante debaixo da mesa.
— Kacchan, me desculpe por ter falado aquilo ontem, foi errado e.. — Bakugou não o deixou terminar de falar com o guardanapo na boca e a mão estendida devagar, mas com o máximo de firmeza que podia.
— Deku, para.. Eu pedi a verdade.. Entendi que você não deu sua opinião e sim do que as pessoas pensam. Tá tudo bem, sério.. — dito isso, o menor estendeu a mão e a repousou sobre a de Izuku que ficou sem reação com o ato e o sorriso sincero que recebeu do outro.
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Izuku estava concentrado montando uma série de exercícios para aplicar em Bakugou, que demonstrava muito interesse em um programa estrangeiro de reforma de casas chamado, Irmãos a Obra. O esverdeado riu com a visão, chamando atenção para si do outro que mordia a ponta dos dedos e mexia o maxilar devagar como de costume quando estava concentrado.
— O que? — questionou curioso.
— Nada.. — pigarreou tentando ficar sério.
— Ah, pois agora você fala! — disse com um sorriso impaciente de braços cruzados. Bem, pelo menos ele já estava começando a conseguir se mover com menos dor.
— Nunca imaginei vendo você gostando dos irmãos Scott..
— Tá brincando? Olha a casas que eles fazem! Se eu não estivesse satisfeito com minha casa e fosse milionário, super queria uma casa dessas!
Midoriya acompanhava o entusiasmo do outro segurando o riso.
— Para de rir.. Idiota
O maior pendeu para o lado segurando a barriga enquanto ria.
— Ah, pois eu vou te dar motivos pra rir!
—Ahn?
Antes que pudesse se levantar, o loiro se esticou no sofá e resolveu testar se seu sonho estava errado ou não quanto a sensibilidade no local e foi na mosca. Se ele não tivesse descansado seu notebook na cômoda ao lado, este estaria no chão, pois ele pulava no sofá.
— Não é bom? — questionou sem parar as cocegas.
— Para, Kacchan! Suplicou tentando se desvencilhar dos braços alheios sem o machucar. Quando ambos demonstraram cansaço, o maior abriu os olhos e Bakugou estava a poucos centímetros de seu rosto ainda sorrindo sôfrego.
*Itsuka bokura no ue o suresure ni, toorisugiteitta ano hikouki o, fushigi na kurai ni oboeteru...*
Izuku se assustou com seu celular tocando e levantou a cabeça meio rápido demais, batendo na testa alheia num estalo que reverberou pela casa.
— Kacchan! Oe, Kacchan! Você está bem? Desculpe, eu me assustei com o telefone..
Katsuki aparentava ver estrelas, de fato valia a nota mental que o maior tinha uma cabeça muito dura.
— Jura? Pensei que gostasse de acertar as pessoas na testa por diversão — caçoou segurando sua cabeça com ambas as mãos.
— Que susto.. Moshi, Moshi.. Ah, sim! Olá Mitsuki! Sim, sim! Estou cuidando dele.. Tudo certo.. Você se surpreenderia.. Se eu te contar, você não vai acreditar.. — Midoriya começou a falar no telefone empolgado e foi para os fundos.
— Quem é Mitsuki? — questionou curioso, pois aparentemente ele era o assunto da conversa.
Midoriya voltou metade do corpo para a sala e com o telefone tapado sussurrou.
— Sua mãe, Kacchan..
— Oh.. Minha.. Mãe?
Izuku fez que sim com a cabeça e ele pediu se podia falar com ela.
— Claro que pode! Mitsuki-san, ele quer falar com você.. Tá bom, um abraço pra vocês! Vou passar pra ele..
Bakugou pegou o aparelho em mãos como se fosse um filhotinho, pensando se era uma boa ideia. O que ele diria a ela? "Oi, não lembro de você, mas o dia está ótimo não?"
— Kacchan, calma.. É só falar com ela.. Ela não morde por telefone.. — tentou apaziguar a situação, mas sem êxito.
— Como assim ela não morde pelo telefone?
A voz de sua mãe lhe chamava pelo aparelho insistente e ele finalmente atendeu com o coração a mil.
— Moshi.. Moshi.. — começou dizendo as palavras bem devagar.
"Katsuki, seu cabeça dura! Que história é essa de perder a memória? Por que raios não ligou pra mim quando acordou? Você não esta se aproveitando do Deku, não, né? Olha, se eu descobrir que você está..."
O maior estava escorado na porta da cozinha com uma mão na boca contendo uma risada, dessa vez numa distância segura do outro enquanto uma chuva de perguntas que não deixavam ser respondidas lhe afogavam. Suas bochechas ficaram vermelhas conforme tentava falar, mas não conseguia, pois sua mãe não deixava.
Um sorriso se formou em seus lábios, pois sentiu que aquilo era algo comum e isso lhe fez bem, queria sentir nostalgia das coisas.
— Eu te amo, Okaasan..
".. E eu disse pra ele que... O que você disse?"
— Que te amo..
A linha ficou muda do outro lado por alguns segundos.
"Nós também te amamos, filho.." afirmou Mitsuki chorando desarmada do outro lado da linha, pois não ouvia aquilo do filho a muito tempo.
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