Notas iniciais
Notas iniciais: Fanfiction em resposta ao desafio dia dos namorados.Tema: Reconciliação.Observações importantes: Não betada, então pode haver alguns equívocos gramáticos, léxicos, sintáticos etc. Caso você seja do tipo Pasquali, melhor se poupar da tortura.Casal: Ikki e Shaka Se não gosta, feche a página, não aceitarei críticas quanto a isso.As músicas citadas na história é "Angel" do John Secada e "Stand by me" do John Lennon se tiverem curiosidade de ouvir.A todos que gostam de yaoi e Ikki e Shaka como eu e que por isso não carecem de aviso, boa leitura e obrigada!

Stand by me

Fanfiction de Sion Neblina

Romance — Yaoi

Comemoração ao dia dos namorados 2011

O shopping estava lotado aquele dia e o homem se batia incessantemente nas pessoas. Não era acostumado a ir a lugares como aquele, lugares superlotados e barulhentos não era mesmo seu estilo. Fazer compras então! Nem pensar! Se não fosse um dia tão especial jamais faria aquilo. Mas bem, era o tal dia dos namorados e depois da burrada que tinha feito há duas semanas, teria que comprar um presente bom demais para poder ser perdoado.


“Presente bom demais, o que poderia ser bom o suficiente para aquele metido?”


Pensava enquanto rodava de loja e loja.


“ Mesmo porque, como ele não cansa de repetir, ele tem tudo do que precisa.”


Subiu e desceu umas trinta vezes à escada rolante, detalhou cada vitrine e simplesmente nada era do seu agrado.


Ikki Amamiya possuía um grande problema que prejudicava sua relação com o namorado: Ciúmes ou como Shaka gostava de dizer, sua doença dominadora.


O indiano não suportava suas crises, a última se deu em uma comemoração na faculdade em que ambos estudavam. Ele não suportou ver certo professor “jogando charme descaradamente”, sim! Descaradamente! Para cima do SEU namorado!


Seu, seu, seu! Por mais que o loiro odiasse sua possessividade, era assim que ele pensava. Shaka era dele, ninguém tinha o direito de chegar perto.


O que ele podia fazer se todos os homens e mulheres do mundo pareciam cobiçar aquilo que era dele e só dele?


Crispou os punhos ao pensar nisso; mas tinha que admitir que foi muita burrice brigar com o loiro dias antes do Valentine’s day. O pior era que desde então, Shaka não atendia suas ligações e dera o relacionamento como acabado. Mas Ikki não admitiria isso. Não mesmo! Uma relação como à deles não podia acabar assim, sabia que, apesar do que disse, Shaka o amava e lutaria por ele, ele não conseguiria fugir a vida toda.


Desceu novamente as escadas rolantes chegando em fim a uma loja que achou ideal para encontrar um presente para o loiro. Pagou alguns bons euros pelo que queria e saiu satisfeito. Sabia que aquilo Shaka não teria.


Shaka estava em seu apartamento, na verdade, no apartamento que dividia com Mu, para desespero de Ikki. Estava melancólico, mas não daria o braço a torcer. Ikki ligara o dia inteiro, deixou recado, mensagens, ameaças, mas ele estava decidido a não atender.


ACABOU.


Dizia pra si mesmo. Depois da vergonha que passou, estava mesmo disposto a dar um fim naquela relação passional. O difícil era conviver com a falta que sentia dele. Duas semanas! Duas semanas e já estava enlouquecendo de saudades!


Pegou um livro e começou a folhear, mas as lembranças do ultimo encontro vinham a sua mente...


Havia chegado de viagem naquela tarde somente por causa da festa pela volta de Aiolia. Prometera, todavia, que não atenderia as ligações dele, não olharia na sua cara e que sim, não sucumbiria ao seu charme dominante.


Estava cansado de tudo aquilo, de todo aquele exagero, do ciúme sempre furioso e injustificado da parte dele...


Shaka bebia um coquetel enquanto conversava com Kanon, seu belo professor de física. Percebia o olhar irritado de Ikki, e sabia o quanto seu namorado era ciumento, mas não estava encontrando um jeito de fugir da conversa do professor. Percebia que o moreno bebia sem parar e tentava fingir que não prestava atenção em cada gesto seu, mas ele o conhecia muito bem.

— E então, Shaka? Parece que você conseguirá mesmo aquele estágio no laboratório Shield.

O loiro sorriu, saindo dos seus devaneios.

— Sim, eu agradeço muito sua indicação.

— Você merece, é meu melhor aluno. — Kanon tocou-lhe o ombro com carinho.

O loiro ruborizou sem jeito, e Ikki percebeu e percebeu também a mão do mais velho no ombro do namorado. Sua cabeça ciumenta logo imaginou que o rapaz estivesse recebendo uma “proposta indecorosa” do professor. Largou o copo e se aproximou deles.

— Shaka, vamos, já está tarde. Você não tem que acordar cedo amanhã?— Falou de forma autoritária, mesmo tentando controlar a contrariedade. Sabia que o namorado odiava quando se comportava como “seu dono” como ele gostava de dizer.

O indiano o mirou surpreso, o professor também, mas sorriu irônico.

— E esse quem é, Shaka? — Indagou também não fazendo questão de ser simpático.

Ikki o encarou por um tempo, então puxou o loiro pra si o prendendo pelos ombros, de forma possessiva.

— Você poderia fazer a gentileza de perguntar a mim mesmo, mas se quer saber, sou o namorado dele.

— Ikki, pare com isso. — Advertiu o loiro envergonhado, querendo entrar no primeiro buraco que aparecesse — Kanon, me desculpe, mas acho melhor ir.

O mais velho sorriu com ironia, olhando de um para o outro.

— Certo. Adeus Shaka, vê se controla o seu pitbull.

Ikki ferveu, mas ao encarar o loiro, soube que era melhor se calar. Ele estava furioso, embora não entendesse o motivo.

Shaka lhe lançou um olhar que dizia “eu vou matar você”, mas deixou que o moreno o tirasse dali de forma pouco delicada, sob o olhar de todos os colegas.

Aquilo foi o fim! Não tolerava escândalos, por isso, permitia se passar por um P.H.D (pobre homem dominado), e levou sua paciência para as cuias.

Ele seguiu calado até que chegaram ao estacionamento. Só então o loiro explodiu.

– Quem você pensa que é? Meu dono? Como ousou fazer isso! — Regougou num limite perigoso que Ikki conhecia – e respeitava — muito bem.

— Fazer o quê? Zelar pelo que é meu? — Gritou revoltado — Loiro, aquele filho da puta estava dando claramente em cima de você!

— Ele é meu professor, você está louco! — Falou Shaka incrédulo.

— Por quê? Por ser seu professor ele deixou de ser homem por um acaso?

— Ele é hetero, se você quer saber!

— Como você sabe disso? Que merda de intimidade é essa? — Berrou o moreno ainda mais enciumado.

Shaka estava espumando de ódio, mas tentava se controlar, afinal eles estavam no meio da rua. Colocou as mãos nos quadris e baixou o olhar.

— Ikki, eu não suporto mais...

O moreno sentiu o coração falhar com a forma cansada e dolorida que o loiro dissera aquilo. Precisava reagir de alguma forma.

— O que você não suporta mais? Que cuide de você? — Fingiu irritação quando seu peito se fechava de angústia.

— Isso não é cuidado é doença! Você está doente! Está precisando de tratamento psicológico! — Bradou o mais velho — Não dá mais — seus olhos marejaram —, acabou.

— Já pedi pra não me chamar de louco! — Falou entre dentes — Eu não tenho culpa se todos parecem querer levá-lo pra cama.

Shaka ergueu a cabeça, e o moreno se espantou ao ver as lágrimas que ameaçavam escorrer dos seus olhos.

— Não dá mais, Ikki. Estou cansando disso...

O moreno entreabriu os lábios e tencionou se aproximar, mas o loiro deu um passo para trás.

— Nem tenta, pra mim chega. Eu não suporto mais... — sua voz agora era calma e dolorida e isso estava levando o moreno quase ao desespero.

— Loiro, escuta...

— Escuta você! — Irritou-se Shaka — Eu não sou sua propriedade! Sou um ser humano e não uma coisa que você pode manipular! O que quer que eu faça? Que me tranque em casa para que ninguém mais olhe na minha cara?

Ikki calou-se vencido. Tirou a chave da moto do bolso.

— Vamos embora...

— Eu não vou com você, que parte disso você não entendeu ainda? Por Zeus! Acabou, acabou, Ikki, estou cansado!

— Como pode dizer uma coisa dessas? — Sua voz tremeu em desespero — Eu te amo e sei que você me ama também!

Shaka o olhou bem fundo nos olhos antes de dizer:

— O amor nem tudo suporta, Ikki.


O loiro saiu daquele estacionamento lhe advertindo que não deveria segui-lo. Ikki concordou, era melhor deixá-lo esfriar a cabeça. Lutando contra sua natureza impulsiva, voltou para casa e tentou dormir, prometendo que falaria com Shaka no dia seguinte. Isso já fazia duas semanas. Ele ligou no dia seguinte, e no outro, e no outro. Quando cansou de tentar, foi ao apartamento do indiano, soube por Mu que ele havia viajado saído da cidade por uns dias e pedido para avisá-lo que não tentasse procurá-lo.


Desesperou-se, implorou, depois ameaçou, mas não conseguiu tirar nada do amigo do namorado, sobre o paradeiro de Shaka. Voltou para seu apartamento e passou dias sofrendo em silêncio, mas o sofrimento e a reclusão serviram para que pensasse no quanto estava sendo egoísta e dominador. Sim, Shaka tinha razão, ele o sufocava, seu amor era sufocante e... Doentiamente possessivo!


Fora egoísta o tempo todo que estiveram juntos, sempre querendo provas do amor do outro, o forçando a situações que iam completamente contra a personalidade altiva e reservada do loiro. Quantas vezes Shaka cedeu apenas para fugir de um escândalo? Quantas vezes não se calou apenas para evitar discussões desnecessárias?


Foi depois das três noites de solidão e dor que ele resolveu mudar suas atitudes e deixar de ver a todos como uma ameaça. Até aquele momento, não percebia que quando duvidava das intenções dos outros, na verdade estava duvidando do amor deles e que isso feria Shaka profundamente, pois para o loiro, ele, Ikki, duvidava do seu amor.


Duas semanas depois, Shaka voltou a Atenas e recomeçou sua vida. Tinha realmente dado à relação com Ikki como encerrada, por mais que aquilo fosse doloroso. Não queria mais se expor, mesmo que seu coração sangrasse, era forte o suficiente para consegui suportar... Seria mesmo?


— Você não tem comido nada. — Mu observou o prato sobre a mesa, intocado.


— Não tenho muita fome. — Respondeu o loiro placidamente. O amigo se sentou ao seu lado.


— Até quando ficará assim? Já faz duas semanas, acho que precisa reagir, afinal foi você mesmo quem terminou com ele.


— Ele me forçou a isso. — Respondeu Shaka com pesar — Você sabe que eu... você sabe...


— Que você o ama, sim eu sei. — Mu tornou a vida do amigo mais fácil — Então por que não o perdoa?


— Porque são dois anos em que perdoar é a única coisa que eu faço. — Explicou cansado, apoiando a cabeça com as mãos.


— Então essas duas semanas foram suficientes para convencê-lo de que fez a coisa certa? — Mu tocou em um ponto importante.


Shaka não respondeu. Não tinha resposta para aquilo, a única coisa que tinha certeza era de que Ikki lhe fazia uma falta insuportável. Sonhava com ele, andava pelas ruas e sentia o cheiro dele, ouvia sua voz, seu riso. Em duas semanas estava enlouquecendo de saudades, como conseguiria resistir mais?


Mu cruzou os braços esperando uma resposta que não aconteceu.


— Ele virá hoje à noite. — Declarou.


— Eu sei.


— Vai falar com ele?


Shaka se ergueu da cadeira e recolheu o prato, jogando a comida em uma lixeira.


— Mu, quer parar de fazer perguntas?


O ariano ergueu os braços num mudo “eu me rendo” e saiu da cozinha.



Ikki olhou mais uma vez para o embrulho. Será que escolheu a cor certa? Do jeito que Shaka era exigente, não duvidava que ele criticasse a escolha do papel.


Era a noite do dia 14 de fevereiro* e isso coincidia com uma festa que Mu já estava planejando há meses, pois era o dia da volta de Aiolia à Grécia, depois do seu mestrado na Inglaterra. Shaka com certeza não faltaria à festa do amigo, por mais que quisesse evitá-lo, e ele também não perderia a oportunidade de encontrar o namorado, sim porque para ele, Shaka ainda era seu namorado e não permitiria que isso mudasse.


Mu organizara um programa entre todos os casais conhecidos para aquela noite, o que Ikki não esperava era que, no encontro tão aguardado, ele e Shaka não fossem mais um casal.

Estava sofrendo, mas também estava determinado a acabar com aquela situação. Se não conseguiu encontrar o “buraco” em que o loiro se escondeu durante aquelas duas semanas, todavia, esse tempo distante o ajudou a pensar bastante encontrar argumentos para convencê-lo a ficar ao seu lado.


Seguiu para casa com o presente elegantemente embalado. Aprontou-se da melhor forma, vestindo uma camisa preta social, calça jeans e sapatos impecáveis negros. Olhou-se no espelho antes de sair e percebeu que nada, nem se usasse maquiagem, disfarçaria aquelas olheiras. Estava um trapo!


Duas semanas de dor, duas semanas engolindo o orgulho para não se jogar aos pés de Shaka e pedir perdão, para não implorar aos prantos que Mu dissesse onde ele estava. Sabia que no fundo, bem no fundo, não achava que estivesse errado em “cuidar” daquela forma do namorado. O amava, o amava demais e tinha medo de perdê-lo. Mas se para ficar ao lado do loiro precisasse engolir seus ciúmes, o faria.


Seguiu para o centro de Atenas, da entrada do prédio já podia perceber a movimentação. Entrou no elevador segurando a caixinha com um misto de medo e esperança. Quando entrou na festa, foi cumprimentado pelos amigos; muitos não sabiam que eles haviam terminado e fizeram questão de informar onde o indiano estava.


Shaka mirava a noite na sacada do prédio. A brisa noturna brincava com seus cabelos e ele trazia uma expressão melancólica. Vestia uma bata azul claro de mangas longas e uma calça jeans também clara. Abraçava-se ao próprio corpo, meio inclinado na mureta, e seu olhar era melancólico.


Ikki colocou a caixinha sobre a mureta, chamando sua atenção.


— Será que você pode me perdoar de novo?


Os olhos claros do loiro se voltaram para ele e depois se afastaram em direção a paisagem sem nem mesmo olhar o presente, de maneira quase indiferente.


— Você acha que merece mesmo ser perdoado? — Sua voz foi gelada.


Ikki baixou o olhar e respirou fundo. Era difícil dizer o que tinha pra dizer, mas sabia que precisava. Mais uma vez havia “pisado na bola” com o namorado e não queria perdê-lo.


— Shaka, eu sei que sou um idiota — disse culpado —, mas sou um idiota que te ama e que morre de medo de perdê-lo...


Shaka suspirou, balançando levemente a cabeça.


— Ikki, a única pessoa para quem pode me perder é para você mesmo, para o seu ciúme doentio e infundado.


— Shaka, eu só... — Respirou fundo novamente — Não são infundados...


O indiano se ergueu da mureta e o encarou desapontado e irritado.


— Se pensa assim, pega esse presente e desaparece. — Falou áspero — Por todos os deuses, não me procura mais!


Saiu da varanda, passando pelos amigos que os olhavam com interrogações nos olhos. Pegou seu casaco, já que estava muito frio, e abriu a porta, antes de sair, contudo, alguém segurou seu braço.


Seus olhos subiram da mão para o rosto sério do moreno.


— Solte-me... — murmurou — eu não vou suportar uma cena aqui...


— Se sair, eu vou com você. — Declarou Ikki sério.


Shaka saiu. Preferia que fosse assim, era melhor uma briga na rua que na frente de todos. Ikki o seguiu, e eles entraram no elevador em silêncio. O moreno se aproximou dele, mas Shaka recuou.


— Fica longe, Ikki. — Pediu — Não pense que é possível alguma espécie de reconciliação.


— Por que não, loiro? — Ikki se apoiou na parede do elevador — Se eu te amo e você me ama que eu sei, qual o problema em ficarmos juntos?


— O problema são suas atitudes, Ikki! — Shaka se exasperou — Você não vai mudar, você não quer mudar! No fundo eu sei que você não acha que fez nada de errado não é?


O moreno o encarou sério por alguns instantes antes de responder.


— Sim, é isso mesmo, eu não acho que errei em nada, loiro. — Disse sincero — Eu amo você, e não deixarei que ninguém leve você de mim, eu mato qualquer um que tentar.


Shaka riu incrédulo, deixando escapar um pouco de sarcasmo.


— O problema, Ikki, é que ninguém está tentando! Por Buda, não há futuro pra gente, não assim...


O mais novo atravessou a distância do elevador e apertou o botão de emergência. Shaka sentiu o odor da sua colônia e suas narinas dilataram, a pele se arrepiou inteira. Não! Precisava manter distância se quisesse pensar com clareza.


Virou o rosto, mas Ikki já estava tão próximo que sentia sua respiração.


— Eu não posso ler o futuro, loiro, mas seja lá o que me espere nele, eu só tenho uma

certeza, e essa certeza é que quero você ao meu lado...



Eu, eu não posso ler o futuro,

Mas ainda quero te ter por perto

Agora mesmo, eu preciso de você...

Então me dê a manhã,

Compartilhando outro dia com você

É tudo que eu quero saber...



Shaka sentiu o corpo tremer, estava sendo difícil resistir. Sempre tivera nervos de aço, mas não com aquele leonino...


— Ikki, se afasta... — pediu fraco — Não conseguirá me convencer com essa estratégia cafajeste, você sabe...


— Shaka, eu não quero convencê-lo, eu quero que me entenda...


Os olhos azuis se voltaram para ele confusos.


— O que eu não entendo, Ikki?


— Que eu... eu morro de medo de perder você. — Confessou — Que eu te acho tão lindo, tão perfeito que... não entendo como você pode estar com um cara como eu...



Eu, eu não queria te dizer

Coisas que eu mesmo não queria saber.

Eu tinha medo de mostrar,

Mas você, você me deu um motivo,

Um motivo para encarar a verdade (sim, você me deu)

Para encarar a verdade, encarar a verdade,

encarar a verdade...



— Ikki...


— Puxa, Shaka! Eu tentei acreditar que tinha acabado, que não tinha mais volta. Tentei esquecer você, mas... — ergueu a mão e tocou o rosto claro do amado — é impossível esquecer você... porque eu te amo demais...



E, baby, eu, eu tentei esquecer você,

Mas a luz dos seus olhos ainda brilha

Você brilha como um anjo,

Um espírito que não me deixará partir...


O loiro entreabriu os lábios e fechou os olhos num convite mudo que não foi recusado. Ikki o puxou com força pra si e devorou sua boca com uma fome selvagem. O corpo forte prensando o seu na parede de aço do elevador, seus braços o segurou fortemente pelos pulsos, enquanto o moreno o beijava parecendo que queria sugar-lhe a vida. Forçou-se a empurrá-lo de leve, embora o desejo já o tivesse entontecendo.


– Ikki, estamos dentro de um elevador... — chamou a atenção do moreno.


— Mas eu estou louco de saudades e louco de desejo, loiro, não posso esperar... — sussurrou quase num gemido.


— Não, Ikki, aqui...


— Shaka... — balbuciou lambendo e mordendo a orelha do loiro — Não consigo esperar mais, esses dias sem você foram torturantes...


O loiro gemeu com a carícia naquela região sensível e arqueou o pescoço dando mais liberdade ao namorado. Ikki comemorou aquela vitória sobre o sério namorado, colando seu corpo ainda mais ao dele. Queria sentir Shaka, mas não daquela forma com várias camadas de roupas sobre o corpo de ambos. Havia preparado uma noite especial em um lugar especial, mas a urgência de tê-lo era maior, não conseguia esperar.


Soltou um resmungo estrangulado, percebendo que o amado também estava febril de desejo, mas... Teriam que esperar ou a noite perfeita seria estragada!


Afastou-se levemente, mirando os olhos confusos do mais velho.


— Você tem razão, aqui não dá, loiro, você merece muito mais essa noite...


Shaka fechou os olhos e mordeu os lábios para evitar um resmungo frustrado. Balançou a cabeça afirmativamente e deixou que Ikki colocasse o veículo em movimento novamente. Chegaram ao estacionamento, mantendo certa distância um do outro, pois sabiam que não resistiriam caso se tocassem. Entretanto, ambos sobre uma moto, isso ficava meio impossível.


— Eu trouxe seu capacete — Declarou o moreno com um sorriso sacana —, sabia que não conseguiria resistir.


— Presunçoso, insolente! — Reclamou o loiro, mas aceitou se unir a ele na moto. Colando seu corpo ao dele e descansando o rosto em suas costas. Ikki ligou a moto e saiu a toda velocidade em direção ao hotel onde havia preparado uma noite mais que especial.


O vento frio cortava a noite, e o loiro se abraçava mais ao namorado, não queria sair de perto do corpo dele nunca mais. Deslizou as mãos por suas coxas, afagando de leve sobre o tecido da calça jeans. Ikki estremeceu e procurou o rosto do namorado, mas ele estava escondido em suas costas, e o moreno não pode ver o sorriso safado que tomou conta de sua expressão quando começou a acariciá-lo, subindo os dedos para o zíper e o abrindo.


— Shaka... — A advertência abafada pelo som do vento e o capacete não foi ouvida, ou o amante a ignorou. Ikki só soube gemer quando sentiu a mão fria entrando por dentro da sua cueca e tocando-lhe o membro numa leve masturbação. Seu corpo inteiro aqueceu com a mistura de perigo e prazer. Shaka intensificava as subidas e descidas dos dedos, ao mesmo tempo em que segurava com tanta delicadeza que fazia o namorado suplicar por mais, enquanto não podia se mover; o que poderia implicar em um acidente fatal.


Gemeu baixinho pedindo para Shaka parar, mas sabia que ele não ouviria, então aumentou a velocidade, precisavam chegar ao hotel o mais rápido possível ou ambos acabariam como mais uma estatística de mortos nas estradas.


Para a sorte de ambos, chegaram rápido. Ikki desceu da moto e puxou o loiro pra si o beijando. A noite estava fria e as ruas desertas, mas nem pensaram nisso, o que menos os preocupavam era a possibilidade de alguém ver o que faziam. O hotel era um conjunto de pequenos bangalôs numa área arborizada da cidade, muito belo e bucólico. Ikki guiou Shaka entre beijos e afagos para o pequeno bangalô preparado para a noite especial.


Quando Shaka entrou, seu coração falhou; o ambiente inteiro estava decorado por velas aromáticas e a Cama, forrada por um lençol de cetim branco, estava coberta de pétalas de rosas vermelhas que iam dela até a porta ou vice-versa.


— Gostou? — O moreno perguntou roçando o nariz no pescoço do loiro e puxando seu corpo pra si, pela cintura — Sou louco por você, loiro, me dar outra chance... Fica comigo...


Shaka se virou para encarar os olhos do amado.


— Idiota, será que já não demonstrei que ficar ao seu lado é tudo que quero?


Ikki sorriu amplamente e o beijou, o guiando de costas para a cama onde caiu por cima do seu corpo, enquanto as mãos o livrava do casaco pesado, jogando-o em um canto qualquer. Queria tocar Shaka, sentir sua pele, queria tê-lo inteiro pra si.


Beijou-o com toda vontade do seu ser, sugando-lhe lábios e línguas, enquanto as mãos tratavam de se livrar mutuamente das roupas. Seus corpos já estavam há muito quentes e excitados, não havia porque esperar e negar algo que ambos queriam mais que tudo.


Os lábios carnudos desceram pelos mamilos duros, excitados; lambeu e mordeu causando gemidos doloridos e entrecortados. Terminaram de se livrar das últimas peças de roupa. Havia menos romantismo do que queriam, mas ambos estavam explodindo de tesão e sem muita paciência para isso. Ikki desceu os lábios pelo corpo pálido e suado, molhando-o com sua saliva, descendo por toda a barriguinha perfeita até chegar ao seu sexo que já latejava, lambendo e sugando a glande.


Shaka gemeu alto e arqueou o corpo na cama, cravando as mãos em seus cabelos numa suplica silenciosa. Ikki começou a sugar com força, em movimento de vai e vem constante. Shaka já dobrava o corpo para trás, os fios dourados de seu cabelo grudavam por seu rosto corado e satisfeito, o loiro gritava, agonizando de prazer; dobrava as pernas as abrindo mais, condescendente as ações do moreno.

Shaka se contorcia, uma das mãos se crispava no cetim do lençol e a outra nos cabelos escuros de Ikki, seu sexo doía e latejava clamando por alívio; acompanhava fascinado o vai e vem dos lábios do moreno que aproveitou para olhar dentro dos seus olhos com luxúria. Ikki parou, sabia que o amado não agüentava mais. Ainda o olhando passou a língua pela glande recolhendo as gotas de sêmen que já saiam do pequeno orifício, acariciando-o com a língua. Shaka tombou na cama com um grunhido estrangulado, seu corpo tremendo de tanto prazer. Ikki recomeçou a chupar com vontade, deliciando-se com os movimentos convulsos do belo corpo do amante. O loiro sentiu como se estivesse dentro de uma fogueira tamanho o ardor do seu corpo, sua respiração era frenética enquanto sentia o sêmen ser expelido e inundar a boca do namorado.


Abriu os braços esperando que a respiração se normalizasse e sentindo a pele quente e bronzeada de Ikki que se erguia de encontro a sua até alcançar seus lábios que beijou com delicadeza.


— Quero ouvir, Shaka... — murmurou o moreno com a voz rouca de desejo.


O loiro abriu os olhos febris e encontrou as safiras inflamadas dele. Sorriu com malícia passando a língua do seu queixo até os lábios e recolhendo a gota de sêmen que estava ali, sentindo seu próprio gosto.


— O que quer ouvir? — Indagou a voz também enrouquecida.


— Você dizer que ninguém o enlouquece como eu o enlouqueço...


— Você sabe que não...


— Então diz, diz que ninguém fará você gozar como eu faço... — sussurrava beijando de leve o rosto do loiro.

— Ninguém me fará gozar como você, Ikki... — Shaka o puxou pelos cabelos para que o olhasse nos olhos — Agora sou eu quem quer fazê-lo gozar... — Tomou-lhe a boca num beijo urgente e selvagem, deixando o moreno ainda mais louco. Ikki se libertou dos lábios do loiro para descer por seu corpo até chegar a sua entrada, o preparando e o excitando novamente. Ficou de joelhos entre as pernas grossas do indiano. Beijou as coxas, deslizando a língua por sua virilha, fazendo Shaka estremecer levemente e mirar em seus olhos. Ikki gemeu apenas com o olhar sensual que ele lhe lançava. Não tinha jeito, Shaka era o único capaz de lhe causar aquele tesão desolador com apenas um olhar. Levantou as pernas claras e compridas, passando-as por cima de seus ombros. Segurou a cintura de Shaka e o puxou, começando a penetração.

A ereção de Shaka voltou a despontar enquanto ele segurava os braços do amante com força e o mirava, vendo seus olhos cerrados e a expressão de prazer em seu rosto, concentrado nos movimentos ritmados de vai e vem e pela sensação deliciosa de sentir o quanto o loiro era apertado e gostoso. Shaka rebolava no mesmo ritmo forte do moreno que soltou sua cintura e segurou-lhe o sexo com as duas mãos, imitando a cadência em que seu corpo investia contra o outro abaixo de si.

Uma estocada final forte e firme; o corpo de Shaka se contraiu quando Ikki o tocou no fundo, comprimindo ainda mais o sexo do amante, o fazendo gozar, ao mesmo tempo em que suas mãos se enchiam do gozo do loiro.

Ikki desceu sobre o corpo do amante e o abraçou com força e carinho. Shaka deixou suas mãos afundarem nos cabelos negros. Estavam cobertos de suor, os corpos quentes e ofegantes. Apertou forte os músculos rijos do namorado, beijando levemente seu pescoço e sentindo o gosto salgado do seu suor.

— Não tem jeito... — murmurou — Eu sei que você vai errar de novo e de novo, e novamente até tirar toda minha sanidade..., e ainda assim, não me vejo com outras opções além de ficar ao seu lado, porque eu te amo...

Ikki sorriu, rolou para o lado e mirou o rosto do amado.

— Eu juro que tentarei controlar meu ciúme...

— Sei... — Shaka riu incrédulo enquanto se aninhava no peito forte do moreno, sentindo o sono o dominar — Ikki...

— Hum... — o moreno ronronou de olhos fechados.

— O que você comprou pra mim?

— Ah, sim, seu presente. — Ikki pendurou-se na cama e pegou a pequena embalagem que estava no bolso do seu casaco — Vê você mesmo.

Shaka se afastou dele, se sentando na cama e começando a abrir o presente. Seus olhos se arregalaram surpresos quando viu o que era. Não! Não acreditava naquilo!

— Um localizador GPS? — Mirou o namorado incrédulo.

— Sim, para você colocar no seu carro amor. Ele está ligado ao meu celular, então poderei rastreá-lo onde quer que você estiver. Fornece rota detalhada, velocidade, data, hora... — Ikki cruzou os braços atrás da cabeça.

— Não acredito que você vai me rastrear agora! — O loiro tentava manter a calma.

— Não. — Ikki tirou o aparelho das mãos do amado — Eu não precisarei rastreá-lo... Ao menos espero.

— Ah, você espera?! — Shaka balançou a cabeça — Isso só poderia mesmo vir de você, Ikki... Por que eu fui perdoá-lo!

O moreno o puxou pra si, afastando alguns fios dos cabelos loiros que lhe cobriam o rosto e o mirando com carinho.

— Shaka, eu nunca precisarei usar isso...

— Não?

— Não, porque a partir de hoje, eu nunca mais o deixarei sair do meu lado...

O loiro pensou em argumentar, mas quando seus lábios foram tomados com carinho, achou melhor deixar aquilo para outro dia, afinal, estavam comemorando o dia dos namorados! Depois pensaria em encontrar um bom psicólogo para o amado. Sim, depois!

Quando a noite chegar

E a terra estiver escura,

E a lua for a única luz se vê

Não, eu não terei medo

Não, eu não derrubarei nenhuma lágrima

Portanto que você fique, fique ao meu lado...

Stand by me – John Lennon

\"\"

Fim

Notas finais
Espero que tenham gostado. Obrigada a todos que leram, gostaram ou não, em especial aos que foram fofos e deixaram um review para a autora.Gente, essa música do final não é do John Lennon, mas eu conheci na voz dele por isso coloquei como se fosse, porque não sei quem é o autor.Beijos a todos.Um super dia dos namorados para os apaixonados e aos solteiros boa sorte!Sion NeblinaPostado em 10.06.2011
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!