Stalker

38 O tiro que saiu pela culatra


Notas iniciais
Uma nova recomendação + seguidores+ comentários+ vontade de continuar escrevendo a fic. Se gosta, recomende. Vlw.

Rafael seguiu Ian assim que Mio foi expulso do elevador, pegou outro que estava subindo, ele queria saber através do amigo o que aconteceu. Ele imaginava que alguma coisa não se encaixava naquilo tudo, presenciou todo romance entre eles e a forma como Mio olhava apaixonado para Ian, inclusive se sujeitando a se vestir de mulher para encontrá-lo. Por mais que as evidências fossem claras como a luz do dia, não se permitia pensar mal de Mio.

Ian entrou transtornado dentro do seu escritório, pegou o telefone e mandou a secretária desmarcar todos seus compromissos do dia. Andava de uma lado para o outro incomodado, passava a mão no cabelo freneticamente, quase os arrancando do couro cabeludo. Estava com muita raiva, queria socar alguma coisa, quebrar tudo. Parou de frente para enorme janela de vidro que mostrava os outros prédios de luxo do bairro comercial, o céu estava bonito e ensolarado, tinha tudo para ser um ótimo dia, se não fosse por Mio. Seu tempo fechou na hora que olhou para ele e viu aquelas marcas de chupões por seu corpo e a boca levemente inchada. Respirava fundo tentando fingir que não viu nada, mas era impossível. A imagem estava fixada no seu cérebro, quanto mais evitava pensar, mais pensava.

Rafael entrou na sua sala sem bater.

— Ele te explicou o que aconteceu? — foi logo perguntando.

— Aquilo precisa de explicação? Não é obvio que ele ficou fodendo o final de semana inteiro com o namoradinho loiro dele? — respondeu rudemente, voltou para frente da janela ficou olhando o cenário com as mãos na cintura, impaciente, depois foi em direção a Rafael — Sabe o que mais? Cansei!

— Como assim cansou cara? Mio não te explicou nada? Vai que não era o que você está pensando, fosse somente uma alergia?

— Alergia, Rafael? — falou sarcástico — Você não sabe a diferença de chupões para um ataque alérgico nessa altura do campeonato? Mio não é a mesma pessoa que conheci, ele virou um grande sacana que fica pegando um e outro! Eu passei dois anos sendo devotado a ele, arrisco meu pescoço, e o seu também, tudo para ter a chance de ficarmos juntos nem que fosse por pequenos momentos. Daí ele me aparece assim, mostrando que enquanto eu banco o bom samaritano ele anda transando com outro? Diz que me ama, mas transa com outro! — falou exaltado.

Rafael foi até o pequeno frigobar que tinha na sala, pegou uma garrafa de água gelada e jogou para ele, que pegou no ar.

— Bebe um pouco aí e se acalma. Você está na empresa e as paredes não são aprova de gritos. Eu não conheço Mio tão bem quanto você, mas o pouco que tive acesso de sua personalidade me faz crer que ele não seria capaz de fazer algo assim, tem que ter um bom motivo ou explicação para isso.

— Ele tinha chupões nos bicos do peitos, no umbigo e com toda certeza pelas coxas, pernas... — Ian apertou tão forte a garrafa que quase toda água derramou, depois jogou com força a garrafa no vidro da janela, que rebateu e quase atingiu Rafael que se desviou.

— Calma, cara! Já disse! — falou Rafael começando a ficar irritado.

— A Natally pode ser a mulher mais ordinária e sem escrúpulos que existe na terra, mas convenhamos, ela é linda! O corpo daquela mulher é muito bem feito, tudo distribuído corretamente, e dormimos na mesma cama todos os dias, ela quer casar comigo. Eu recuso o amor doentio dela todos os dias, enquanto a pessoa por quem tenho sido fiel, fica fodendo com outro! Você acha isso justo?

Rafael não respondeu, só respirou fundo ciente que nada que ele falasse iria fazer Ian ficar mais calmo.

— Eu acho que me enganei todo esse tempo, entende? Eu jurava que ele era realmente um rapaz incomum, uma raridade no mundo que veio cai em minhas mãos. Que ele era ingênuo, doce, infantil, que eu poderia mostrá-lo tantas coisas no mundo... No fim, o ingênuo fui eu! Que acreditei que ele era apaixonado por mim e que não permitiria que ninguém que não fosse eu, fosse íntimo do seu corpo. Pode dizer, sou muito idiota, não é? Um velho idiota! — dizia rindo, mas não era um riso por achar realmente o que falava engraçado. Ele estava magoado e a ponto de chorar.

Seus olhos estavam carregados, sentia como se tivesse perdido alguém muito querido em um acidente fatal. Tudo que passava por sua mente era as marcas no corpo de Mio, os momentos que passaram juntos misturados com a triste despedida no elevador.

Rafael queria acalmá-lo, mas estava sem palavras. Ele queria acreditar em Mio, mas muitas coisas não batiam em sua história, não queria arriscar apoiá-lo e ser surpreendido no final com a descoberta de que Ian estava certo. Mesmo assim, ele sentia que Mio não teve oportunidade de se explicar, julgar sem conhecimento dos fatos completos, considerava injusto.

— Ian, não vamos julgar sem saber o que realmente aconteceu. Você deu pelo menos oportunidade para ele se explicar?

— Detalhes de como me traiu? Não quero ouvi-las! Na verdade, não quero mais ouvir nada que saia da boca de Mio Kimura!

— Já pensou se ele foi vitima de abuso do namorado? Vai que ele o obrigou? Mio não é muito forte, você sabe disso. Vamos lá! Acredita mesmo que ele viria para cá depois de te trair com aquelas marcas no corpo despreocupadamente? Para ser sincero, quando o encontrei, ele nem sequer sabia que estava daquele jeito, tive que mostrá-lo através no espelho do elevador.

— Claro, ele estava distraído, sua noite foi tão boa que nem notou as consequências dela! Se o namorado dele tivesse abusado dele, você não acha que ao invés de vim trabalhar normalmente, ele teria sei lá, indo a policia? Ou ter ficado em casa chorando pelo o que aconteceu? Não seja idiota como eu. Fomos enganados, simples assim, vamos aceitar isso que doí menos, essa é a realidade! — disse sentando na poltrona de sua mesa.

— Mas...

— Não tem "MAS", Rafael. Quando eu estava no hospital, ele já tinha me revelado que tinha relações sexuais com o atual namorado, então tire de sua cabeça que ele foi abusado sexualmente. Ele fez consciente e pelo que vimos se divertiu muito com isso. O idiota aqui, ficou em casa alimentando os devaneios de Natally, contando as horas para chegar segunda e encontrá-lo novamente. Se ele continuasse aqui conosco, certeza que você seria seu próximo alvo.

— Eu? Impossível, eu aceito todas as formas de amor, mas não participo delas.

— Não foi você que achou ele atraente vestido de mulher?

— Sim, ele ficou muito parecido com uma garota adolescente, mas não falei atraente no sentido sexual. Nem fiquei excitado com isso. — se defendeu Rafael sentando na cadeira de frente para mesa de Ian.

— Foi assim que fui seduzido, ele parecia inocente, puro, alguém que precisava fortemente ser protegido do mundo.

— Eu sei que você está muito chateado, mas eu acho que deve pensar logicamente. As coisas podem ser diferentes do que imaginamos.

— Você é meu amigo ou dele?— perguntou Ian ficando zangado.

— Claro que sou seu amigo em primeiro lugar, te devo muito do que tenho hoje. Porém, isso não me impede de pensar com lógica. Não sou tão fácil de se enganar como pensa, você também não é. Eu vi no olhar do Mio que ele é apaixonado por você sinceramente, eu não acredito que ele tenha feito qualquer coisa nesse sentido de propósito. Eu tenho certeza que tem uma explicação para aquelas marcas e você deveria ter escutado elas antes de expulsá-lo do elevador.

— Rafael, sabe o que mais? Vamos encerrar esse assunto por aqui, Mio Kimura é uma pagina virada a partir de agora. Me arrependo amargamente de não ter fugido quando Natally descobriu minha localização, poderia estar me divertindo com qualquer pessoa pelo mundo como sempre fiz, ao invés de passar minhas noites evitando que ela me agarre e fazendo tudo que ela quer enquanto Mio transava com seu namorado tranquilamente e depois vinha encenar romance comigo. Eu quero sai e beber muito para apagar todas essas memorias ruins.

— E o trabalho? Temos compromissos hoje.

— Já pedi para a secretaria desmarcar todos.

— Legal, mas como pensa sai para beber com os seguranças da Natally em seu encalço?

— Eles bebem junto com a gente! Vamos!

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Ian bebeu muito voltando quase carregado pelos seguranças que entregaram ele para Natally em péssimo estado. Natally havia acabado de sair do banho e ainda estava enrolada em uma toalha quando atendeu a porta.

— O que aconteceu? — perguntou berrando.

— Senhora, ele saiu para beber com aquele homem negro, alto, que nos falou que era chefe dele. Fomos juntos, ele tentou nos subornar com bebidas, mas não aceitamos, ficamos de olho neles todo o tempo. Tentamos ligar para o seu celular várias vezes para informar que ele estava indo em um bar, mas como não obtivemos resposta, fomos juntos vigiá-lo.

— Bando de inúteis!— queixou-se — Leve ele para cama, não tenho condições de carregar um homem desses sozinha.

Os dois homens levaram Ian para a cama, e o deitaram nela. Depois saíram, quase expulsos por Natally. Ela foi até Ian, que dormia profundamente, começou a cheirá-lo para verificar se não havia perfume de mulher em suas roupas.

— Pensei que era um cachorro... — balbuciou Ian com os olhos semicerrados — Mas é só uma cadelinha.— disse ele puxando ela para cima dele na cama.

— Me solta seu bêbado! — brigou ela na tentativa de se soltar, ele a dominou invertendo as posições e ficando por cima.

— Eu não estou tão bêbado como eles pensam, só fingi para que eles me carregassem até aqui. São tão chatos...

— Sim, você já brincou o bastante por hoje, agora me solta que tenho que me vestir, está fazendo frio.

— Ué, vamos transar! Hoje eu estou com vontade. — disse beijando o pescoço dela e puxando sua toalha.

— Eu não farei isso com um bêbado. Suas condições e cheiro são terríveis.

— Você me persegue em qualquer lugar do mundo, sai por aí dizendo que é minha noiva e que somos apaixonados. Mas na hora que te chamo para transar, sempre inventa uma desculpa. Desse jeito, prefiro morrer que casar com você. É muito sem graça, se eu me casar com você vou te trair todos os dias porque você não me dá sexo. — falou meio embolado, saindo de cima dela e deitando de braços abertos na cama.

Natally ficou mordendo os lábios de raiva e nervoso. Continuou deitada na mesma posição, só puxou a toalha e cobriu o corpo. Ela refletia nas palavras de Ian, era uma das poucas e raras vezes que ele demostrava algum interesse nela, pensou que ele deveria estar no seu limite como homem, precisava satisfazer suas necessidades. Se ela não mostrasse que era mulher suficiente para assumir esse papel, ele poderia traí-la com qualquer um. Seja homem ou mulher. Se sentou na cama e removeu a toalha ficando nua, ele olhava sua ação pelo canto dos olhos.

— Irei provar para você que sou mulher suficiente para satisfazer todas as suas necessidades, eu preferia fazer isso depois do casamento como manda a regra, mas abrirei uma exceção. Somos almas gêmeas e viveremos juntos até a morte. Você será o meu primeiro e último homem, assim como eu serei sua única mulher.

Ian achou graça do discurso, não deu importância a atuação, mas quando viu o corpo dela nu, parado em sua frente, a pele alva e livre de qualquer mancha, lembrou-se das marcas de chupões pelo corpo de Mio e aquela chama de raiva foi voltando novamente. Logo começou a imaginar que nesse exato momento, Mio poderia estar transando em seu quarto com Kame. Para fugir desses pensamentos agoniantes, agarrou Natally e voltou a posição de dominação que estava anteriormente.

— Vamos fazer, mas não na cama. — disse levantando-se e ajudando ela fazer o mesmo.

Natally não entendeu o que ele queria dizer, porém, o seguiu até a sala. Ele começou a tirar as próprias roupas, enquanto ela olhava toda ação sentada no sofá, engolindo saliva, nervosa e excitada ao mesmo tempo. Ian só pensava em vingar-se de Mio da mesma maneira, mas queria que fosse muito pior do que ele passou. Tinha sido enganado todo esse tempo, mostraria que ele também sabia aproveitar a vida. Pegou Natally pela mão novamente, e puxou a cortina da sala que dava em direção ao quarto de Mio, as luzes estavam acessas e as cortinas não estavam fechadas, porém, não havia sinal dele. Ian queria fazer sexo ali, para ser visto.

Eram duas da manhã, não tinha movimento nas ruas a maioria das casas do prédio que Mio morava, estavam com venezianas fechadas, somente o seu quarto tinha uma boa visão da casa de Ian, e ele estava disposto aproveitar isso. Tentou primeiro ficar excitado, então começou a tocar o corpo de Natally e tentar se concentrar somente no ato e, não na personalidade doentia dela. Beijou seu pescoço e apalpava suas nádegas, quadris, seios, nessa última parte chupou os bicos deixando arrepiados. Natally tentava controlar a excitação e os gemidos, mas deixava sempre um escapar.

Estava extasiada, mal podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Não foi do jeito que imaginou, mas era com Ian e isso bastava. Ele não era tão carinhoso quando pensou que fosse, apertava seu corpo forte, e chupava seus seios de forma grotesca, como se estivesse com fome. Ela entendeu que ele estava com muito desejo por ela, que todo seu comportamento esses anos era uma forma de esconder seus verdadeiros sentimentos. Quando ele a possuiu, doeu. Ele não avisou, simplesmente enfiou seu membro bem fundo, porém, com o jeito que ele segurava seu corpo, e fazia ela suspender as pernas para que ficasse suspensa sobre seus quadris, fez com que a dor ficasse mínima diante de tanta excitação e prazer que estava sentindo. Se sentiu de em um filme devasso, sendo possuída apaixonadamente pelo seu parceiro. Nem se importava se seu corpo estava exposto na janela, suas nádegas estavam grudadas no vidro, segurava Ian firmemente com os braços em volta do seu pescoço, subia e descia arrastada no janela, deixando a marca de seu suor.

Ian estava concentrado na janela de Mio, desejando que ele aparecesse para ver como ele se divertia também, mas não via nenhum sinal. Seria inútil ter convencido Natally de transar com ele naquele local improprio se Mio não estivesse lá para ver. Queria que ele sentisse o que sentiu quando viu as marcas no seu corpo, se ele tivesse algum sentimento por ele, com certeza demostraria horror e tristeza com a cena. Porém, apesar da luz acessa e janela sem as cortinas para impedir a visão, não havia nenhum sinal dele, ele estava quase chegando ao seu limite, pensando que não teria sua vingança satisfeita, mas foi nesse momento que Mio apareceu voltando de algum lugar fora do quarto, e deu de cara com a cena. Ele trazia a toalha de banho no ombro e vestia seu pijama, seu rosto era de choque. Ele ficou imóvel, olhava para sua janela sem conseguir piscar.

Ian percebeu um pouco tarde sua presença, viu o jeito que ele olhava para ele e Natally fazendo sexo vulgarmente na janela, e ao invés de sentir prazer por ter atingindo seu objeto, o sentimento que tomou conta do seu corpo foi o medo. Seu coração começou a palpitar forte, a testa suava frio, e não era pelo peso do corpo de Natally no qual ele mantinha suspensa em seus quadris. Era o pavor de ser odiado por Mio para sempre, logo ficou arrependido de sua estúpida ideia.

Notas finais
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