Stalker
25 Me deixe em paz!

Mio estava ansioso pelo seu primeiro dia no emprego, finalmente colocaria em prática tudo que havia estudado e treinado no curso, mais ansioso estava pelo fato que aquilo ocuparia sua mente e esqueceria mais facilmente as mensagens sem retorno de Ian. Na verdade, queria esquecer que tudo aquilo aconteceu. Ficou surpreso ao saber que os planos haviam sido mudados, uma nova empresa se filiou ao curso e precisava urgentemente dos melhores estudantes para trabalharem para eles. Mio mais cinco colegas que foram considerados os melhores de suas turmas, foram enviados para a empresa como os seus novos estagiários.
Mio não ficou nervoso quando chegou junto com seus colegas e o supervisor que ficaria junto com eles nas primeiras semanas, naquele edifício tão grande e imponente. Passaram pela recepção onde pegaram seus crachás e foram de elevador para serem apresentados ao chefe do setor que trabalhariam. Era uma empresa de programação, que mais parecia o prédio do Google, puffs, imagens de super-heróis na parede, faziam o cenário ser tranquilo. Tinha até uma sala de jogos e TV para os funcionários relaxarem.
Um cara baixinho, vestido como um adolescente veio recepcioná-los, ele era o gerente do setor, e seria o chefe deles. Foi logo explicando sobre o ambiente do trabalho para os novos contratados.
— O presidente e vice da empresa gostam de manter o local de trabalho agradável, por isso nos vestimos casualmente e temos acesso a essas regalias, em troca ele exigi um trabalho excelente, já que nós oferece tanto conforto. Aqui... — disse levando-os para uma sala — Será a sala de trabalho de vocês, todos os computadores que acontece um problema trazemos para cá, mas ocorrerá vezes que precisaremos que compareçam em algum setor para fazer reparo na hora em alguma máquina que esteja dando problema no momento em que o funcionário estará usando. Alguma pergunta?
— Senhor, por que contrataram estagiários para trabalhar aqui?— perguntou um dos garotos.
— Pode me chamar de Rodrigo, estamos querendo montar nossa própria central de manutenção dentro da empresa, tivemos problemas com empresas terceirizadas, então se vocês se saírem bem no serviço, serão contratados definitivamente como membros da nossa equipe. Se esforcem!
Depois disso alguns garotos fizeram algumas perguntas bobas como se poderiam usar o salão de jogos também, escala de tempo de descanso, aonde eram os banheiros, Mio ficou o tempo todo calado, mas muito empolgado por trabalhar ali, queria muito ser contratado. Aquilo resolveria seu problema com o sentimento que tinha de ter que trabalhar com Kame, ele poderia usar seus conhecimentos livre de julgamentos pessoais.
— Em breve o Presidente e o vice da empresa virão dar uma palavrinha com vocês.
— Isso não é necessário, eles devem ser pessoas muito ocupadas. — disse o supervisor deles.
— Não se preocupe, eles gostam de conhecer pessoalmente seus funcionários, e como eu disse, nós somos agora uma equipe, eles fazem parte da equipe também.
Não demorou muito para os meninos começarem a colocar a mão na obra, os computadores vinham com um bilhete descrevendo o problema, Mio pegou os computadores do fundo da sala para analisar um por um, todos estavam concentrados nos seus serviços quando finalmente os presidentes compareceram na sala falar com eles. O primeiro a entrar foi um negro alto, dos olhos castanhos claros, muito sorridente, parecia alguém muito simpático e bonito, e o outro era...
— Olá todos vocês, sejam bem vindos a nossa equipe, sou o presidente Rafael e esse ao meu lado é o vice, Ian. Estamos muito contentes com a chegada de vocês, como notaram, já temos bastante serviço na casa, mas não se preocupem, levem o tempo que precisar, claro, mantendo o sigilo da informação, acredito que seus superiores do curso já tenham passado todo procedimento de trabalhar aqui. Ian, quer dizer alguma coisa para eles? — perguntou esse para o amigo, que parecia nem está ali. — Ian?
— Ahn? Ah, sim, Oi, bem vindos e fiquem à vontade. — disse tentando disfarçar sua surpresa em ver Mio naquela sala.
Mio não tinha mais coragem de olhar para frente e encarar os dois homens mais importantes da empresa que trabalharia, não conseguia acreditar que o destino aprontou aquilo para ele, sempre que ele tentava esquecer Ian acontecia algo como isso para deixar as coisas mais difíceis. Seus colegas estavam tão animados que não notaram as trocas de olhares incrédulas entre eles, Mio pensou se não seria legal remover todas as peças de dentro do gabinete e enfiar sua cabeça dentro, para Ian parar de dá aquelas encaradas para aonde ele estava. Para piorar a situação, Ian resolveu cumprimentar cada um deles com um aperto de mão, era visível até para o presidente que aquela ação dele foi estranha. Quando chegou na vez de Mio ele disse cordialmente sorrindo enquanto segurava sua mão:
— Estou muito feliz que esteja conosco.
O coração de Mio disparou, parecia que tinha acabado de ser recepcionado por algum anfitrião de clube, Mio puxou sua mão mais rápido que conseguiu, sem que os outros percebessem que eles se conheciam. Mas ele sabia que seu rosto, possivelmente, já teria o entregado, quando os olhos de Ian os encaravam daquela maneira, sua face ficava quente e corada. Mentalmente ele bolava uma desculpa para ser transferido novamente para a empresa de Kame, era melhor está perto do namorado do que do ex, aquilo daria muitos problemas caso Kame descobrisse que ele estava estagiando no mesmo lugar que Ian trabalhava.
Depois que os dois foram finalmente embora, Mio tentou voltar ao seu trabalho, porém, todo tempo pensava na presença de Ian. O que Kame iria fazer caso descobrisse que eles estavam trabalhando juntos na mesma empresa? Além da namorada louca dele. Um monte de problemas surgiam na sua mente. Estava muito frustrado. Fazia mais de duas horas que estavam trabalhando, resolveu dar uma pausa e ir ao banheiro, lavar o rosto e refrescar seus pensamentos. Caminhou até o local indicado pelo diretor, passou por um corredor vazio, as pessoas estavam todas concentradas em seus trabalhos , apesar de ter tantos jogos e distrações por perto. Achou a porta escrito banheiro masculino e entrou.
Parecia que aquele andar da empresa não tinha muito movimento. Na verdade, ele estava sozinho dentro do banheiro. Até aquele local era decorado com pinturas criativas em todas as paredes. Enquanto molhava o rosto, percebeu que alguém tinha entrado. Tratou de não demorar muito, e enxugar o rosto para sair, porém, assim que levantou o rosto para olhar em direção a porta, notou que quem ele menos queria ver, era quem estava ali.
Ian fez questão de fechar a porta atrás de si. Mio, olhou ao redor parecendo procurar outra saída. Pensou que tivesse alguma janela, pularia sem pensar duas vezes.
— Está se tornando um fetiche nos encontràmos em banheiros.— disse Ian sorrindo ao mesmo tempo que se aproximava dele.
Mio, caminhou para outra direção procurando o papel para enxugar suas mãos, quando achou, tirou uma quantidade desnecessária de papel, que fez Ian gargalhar.
— Espero que não seja para usar no banheiro, nós temos papel higiênico para isso, sabia? — brincou, mas Mio estava muito nervoso para conseguir ri de sua piada.
— Eu tenho que voltar para o meu serviço, licença — disse passando por ele, mas antes de sair, virou-se para Ian e disse: — Espero que o fato de eu vir trabalhar aqui, não tenha nada a ver com você ser o vice-presidente da empresa.
Quando foi abrir a porta, percebeu que ela estava trancada, Mio olhou furioso para Ian que exibia a chave.
— Vamos conversar um pouco, por favor. — disse ele cruzando os braços.
— Abra a merda dessa porta, Ian! Eu não quero que meus colegas me vejam aqui trancado com você! — dizia Mio tentando arrancar a chave de sua mão.
— Calma!— disse Ian prendendo seus braços e impedindo ele assim de tocá-lo.— Me escute, agora. Eu não tenho nada a ver com isso, estou tão surpreso quanto você, em te encontrar trabalhando aqui. Não ver que até o destino quer nos ver juntos?
— Se isso é destino, ele deve ter um humor muito negro! — dizia Mio tentando se desvencilhar de seus braços.
— Você cortou mais o seu cabelo, não é? Ele fica tão lindo em você...— dizia Ian cheirando o cabelo dele.
— Ian, abra a porta, meu supervisor vai desconfiar da minha demora, isso vai atrapalhar minha vida, como você sempre faz!
— Pare de se preocupar com isso, você está conversando com o chefe, qualquer coisa eu explico algo para seu supervisor.— sussurrou ele no ouvido de Mio que arrepiou-se com sua voz.
Acordando do pequeno transe, Mio deu um pisão no pé dele que se afastou o soltando.
— Você é muito egoísta, Ian! Brinca com as pessoas como um sádico, te faz feliz me ver em problemas, não é?!— gritou com raiva.
— Eu nunca brinquei com você, Mio, nunca! Sobre as mensagem de ontem, a Natally acordou e eu fui obrigado a esconder o celular novamente no banheiro para que ele não descobrisse a existência dele, não consegui me comunicar novamente porque não tive descanso até chegar aqui na empresa. Eu estava pensando em enviar mensagens daqui mesmo para você até te encontrar na sala dos estagiários.
— Por que você faz essas coisas que você já tem ela? Por que simplesmente não me deixa em paz? — as lágrimas escorriam involuntariamente de seus olhos, Ian se aproximou dele novamente, e mesmo sendo afastado conseguiu abraça-lo.
— Não, Mio, você é tudo que eu tenho, eu te amo tanto...— dizia ao mesmo tempo que procurava os lábios do outro, Mio não conseguiu evitar aquele beijo, se rendeu as lábios de Ian profundamente.
Suas mãos apertavam as costas do outro como se quisesse comprovar que ele era real, que o momento não era uma ilusão de sua cabeça. Ian abraçava ele pela cintura ao passo que seus beijos ficavam mais calorosos, sendo redirecionados para outras partes do corpo de Mio, como pescoço e orelhas.
— Mio, eu quero tanto você...
Foi Mio que encerrou o beijo lentamente, olhando ele nos olhos e falando:
— Mas você não pode, não é mesmo? Não podemos mais. Por favor, abra a porta, preciso voltar antes que a situação fique mais estranha para mim. — pediu indo para próximo da porta, esperando que ele abrisse.
Ian foi em sua direção e a abriu, Mio passou por ele sem olhar para trás, mas antes que se afasta-se demais, Ian fez uma última tentativa segurando sua mão.
— Eu só queria ouvir de você que ainda me ama, como eu te amo, Mio.
Mio respirou fundo, e sem encará-lo, respondeu:
— Sim, eu ainda te amo, porém, não quero passar toda minha vida lutando em uma causa perdida, você me machuca, me magoa, não irei passar minha vida esperando que você resolva seus problemas com aquela sua namorada, muito menos irei enganar as pessoas que me querem bem, para me iludir com você. Se for para trabalhar aqui, se realmente você não teve nada a ver com tudo isso, não fale comigo quando me ver, finja que somos desconhecidos. Não me cause mais problemas, do que já causou. — disse soltando suas mãos e seguindo em frente.
Ian ficou parado, vendo ele se afastar para longe dele.
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