Stalker

34 Jogando sujo


Depois de ver aquela cena, Kame não conseguia disfarçar a raiva que estava sentindo, seus pais que estavam saindo com ele do bar onde ele avistou Mio e Ian se beijando, não entendiam o motivo da mudança de humor do filho tão de repente. Kame era o único que sabia o significado daquele dois se beijando despreocupadamente, Mio estava mentindo para ele. Por quanto tempo eles dois estavam saindo por suas costas? Ele não conseguia aceitar que Mio aceitou aquilo tão facilmente, não fazia parte de sua personalidade, acreditava que Ian havia inventado algum motivo para enganá-lo e fazer acreditar que seu relacionamento com a outra mulher não passava de uma farsa assim como contou a Mio no inicio.

Kame muito irritado batia no volante várias vezes enquanto dirigia, deixando sua mãe aflita com a situação.

— Filho, o que aconteceu? Tem certeza que consegue dirigir até em casa? Seu pai pode dirigir no seu lugar caso não esteja se sentindo bem.

— Sim, você não parece está em condições de conduzir até em casa. — respondeu o pai.

— Não é nada, só lembrei de algo que esqueci de fazer hoje e fiquei chateado. Não se preocupem, levarei vocês para casa em segurança.

Deixou seus pais em casa e voltou dirigindo para o seu apartamento, pensando no que faria depois dessa descoberta nada agradável. Não queria desistir de Mio, muito menos deixar Ian vencer essa disputa entre eles. Pensou que deveria jogar sujo igual o rival, ele tinha certeza que Ian estava debochando dele, e não queria nada sério com Mio. Porém, ele não estaria disposto deixar que esse estragasse o futuro que ele planejou, se era necessário tomar medidas mais drásticas para afastá-lo de vez de sua vida, ele iria diretamente no centro do problema. A noiva de Ian.

Ele conhecia o tipos de mulheres que nem ela, que não desistia de seus planos facilmente. Ela lembrava sua mãe, que sempre foi a amante de seu pai e conseguiu ser a esposa oficial. Graças ter engravidado dele, o filho fora do casamento, único filho que seu pai teve antes de ficar estéril. O herdeiro que a primeira esposa nunca conseguiu dar a ele. Kame teve vida de principie após seu nascimento, estudou e viveu nas melhores escolas e universidades, sempre teve tudo o que quis, mas apesar disso tudo, sempre foi julgado por ser o filho bastardo da amante. Sempre escutou a história fedida por trás do seu passado e de como chegou no poder. Sua mãe aprendeu a lidar com isso, hoje anda no meio da mais alta classe, mesmo sabendo que por trás, todos falavam mal dela. Ele adquiriu a mesma determinação dela para ouvir e conviver com aqueles tipos de pessoas, por conta disso, não estava disposto desistir de Mio por conta de um golpe baixo de Ian. Jogaria com as mesmas cartas.

Se essa tal de Natally tem algum poder que prende Ian a ela, ele iria fazê-la reforçar ainda mais esse domínio, para manter ambos separados para sempre. Mio, por mais fraco que estivesse sendo agora, ainda era alguém que Kame acreditava ser capaz de desistir desse romance se descobrisse que ela estaria grávida do outro, por exemplo. Situações assim, seria conveniente para que esse romance acabasse de vez.

Chegou em casa, tomou um banho e ainda de toalha ficou sentado segurando o telefone, pensando se deveria ou não ligar para Mio e ouvir sua desculpa. Porém, tinha medo que esse aproveitasse a oportunidade de sua ligação e terminasse o namoro naquele momento. Ele não poderia deixar que isso acontecesse. Levantou para ver se andando de um lado para o outro sua mente trouxesse mais ideias, se olhou no espelho e ficou imaginando que ele sempre chamou atenção das pessoas, por ser loiro de olhos claros, estilo europeu, no inicio sofreu um pouco de preconceito com a suspeita se era realmente filho de seu pai, situação que foi esclarecida com um teste de DNA solicitado pela sua própria mãe para esfregar na cara de todos que ele era o único herdeiro da família. Nunca teve dificuldade em relacionamentos, tinha todos que queria, menos Mio. O único que fez seu coração realmente bater forte com a pureza dos seus sentimentos, e inocência da vida selvagem que o mundo era. Queria manter ele sempre por perto, não queria perder ele para ninguém.

Mas lembrar daquele beijo ainda deixava Kame furioso, por mais inocente que Mio fosse em muitas aspectos, ele sabia que aquilo era traição já que eles ainda estavam juntos, ainda mais da forma tão despreocupada e apaixonada que ambos estavam na frente daquele taxi, era algo que Kame não conseguia perdoar. Sabia o trabalho que era somente tocá-lo, não aceitava a facilidade que outro tocava no que ele considerava dele. Optou por enviar uma mensagem a Mio, não queria transparecer sua raiva falando com ele, iria sondar os planos do final de semana se ainda estavam de pé.

Kame: Boa noite. Como foi sua saideira com seus novos amigos?

Depois de alguns minutos , Mio respondeu.

Mio: Foi legal.

Kame: Ainda está de pé nosso encontro no final de semana?

Mio: Claro, eu prometi, irei cumprir.

Kame: Você cumpri todas as suas promessas?

Mio: Eu tento.

Kame: Entendi. Espero que cumpra realmente essa.

Mio: Você está zangado com alguma coisa? :(

Kame: Não, somente ansioso. :)

Mio: Também, estou ansioso, quero comprar uns livros, me indica um?

Kame: A arte da guerra, é muito bom.

Mio: É já ouvir falar sobre ele. Tem outro?

Kame: O Príncipe de Maquiavel.

Mio: Ok, seu gosto para livros me parece uma preparação de batalha. (Risos)

Kame: A vida é uma sucessão de batalhas. Nada melhor que receber algum tipo de instrução de como vencê-las.

Mio: Ok, filosofo. Irei dormir agora, meus pés doem e meu corpo está cansado.

Kame: O que fez hoje para se cansar tanto?

Mio: Fica muito tempo sentado ou muito tempo em pé cansa. Bem, tenha uma boa noite. Beijos.

Kame: Boa noite, Mio.

Mio: Com toda certeza tem algo de errado com você hoje, não costuma me dá boa noite me chamando pelo nome. Espero que melhore o humor logo. Bye.

Kame resolveu não comentar a última mensagem. Mio estava sendo dissimulado? Ian que estava ensinando essas coisas a ele? Deu seus conselhos de como evitar que ele soubesse deles dois? Isso estava o deixando furioso. Faltava dois dias para o final de semana, ele precisava aliviar sua mente daquele problema. A única forma era procurando a tal da Natally. Até aonde sabia, ela morava com Ian, então teria uma certa dificuldade para falar com ela sem ele saber. Precisava pensar em uma abordagem.

Depois de tanto refletir em seu plano de se aproximar da mulher, lembrou que nem todo o momento Ian poderia estar junto com ela, afinal ele trabalhava em uma empresa e ela não ia junto com ele para o trabalho, provavelmente ela ficava em casa ou passeando com as amigas. Sabia aonde Ian morava, só precisava saber os horários que ele saia e voltava, para assim marcar uma hora e ir diretamente na casa dele se apresentar para ela. Teria que ganhar sua confiança, sem que ela colocasse tudo a perder.