Stalker
16 Desespero
Notas iniciais

Kame acabou escolhendo um restaurante tailandês para eles jantarem, um ambiente muito bonito e bem iluminado; familiarizado com o local, ele foi diretamente aos garçons que os conduziram para uma área reservada do restaurante. Mio se sentiu um pouco mais aliviado, pois achava que era estranho dois homens jantando sozinhos, apesar de não ter pensado da mesma forma quando Ian o convidou para sair ou passar um final de semanas juntos. Os dois fizeram seus pedidos, e Kame esforçava-se para arrancar um sorriso verdadeiro do rosto de Mio que parecia muito tenso; contava piadas, falava de coisas engraçadas sobre sua infância, mas ainda assim, sentia que ele mantinha uma certa distância de qualquer pergunta pessoal.
— Quem foi que roubou o brilho de seus olhos? — perguntou ele encarando-o fixamente.
Mio ficou surpreso pela pergunta de repente, e abaixou a cabeça para evitar olhá-lo começando a brincar com a comida em seu prato. Percebendo que Kame aguardava sua resposta, resolveu falar alguma coisa.
— Pior, na verdade roubaram minha alma. — admitir aquilo trouxe à tona seus sentimentos mais profundos por Ian.
— Isso é algo muito triste para alguém tão jovem falar — sutilmente Kame segurou seu queixo e o obrigou a encará-lo — Eu quero muito ser alguém que fará você mudar de opinião.
— Falando desse jeito, fica parecendo que está dando em cima de mim... — respondeu Mio brincando.
Kame o encarava atentamente, parecia buscar as respostas do fundo dos seus olhos, e a forma como ele mantinha o rosto de Mio fixo no dele, o deixava incomodado.
— Se me cativa, não me importa se é homem ou mulher. — respondeu Kame se aproximando ainda mais.
Estava prestes à beijá-lo quando Mio bruscamente se afastou derrubando a taça de vinho que ele bebia na mesa, que por consequência acabou escorrendo e molhando sua calça. Mio aproveitou a situação para ir ao banheiro. Apoiado na enorme pia de mármore e se olhando no reflexo do espelho, Mio se perguntava se Kame iria beijá-lo, não esperava isso dele. O pior que seu corpo reagiu a sua aproximação, Kame era muito bonito e atraente, cabelos loiros, olhos azuis, corpo sarado, não era à toa que vivia rodeado de pessoas, sem contar que tinha uma ótima personalidade e aquelas mãos fortes tocando seu rosto o fez lembrar de como seu corpo reagia quando Ian o tocava. Nesse momento, Kame entrou no banheiro e ele ficou nervoso.
— Quer ajuda? — perguntou ele com um sorriso malicioso no rosto, aproximando-se de Mio.
— Eu... Eu preciso ir no sanitário. — disse como desculpa e saiu o mais rápido possível de perto dele entrando em um dos boxes, porém antes de fechar à porta, sentiu que alguém impedia, era Kame forçando sua entrada junto com ele.
— Aqui só cabe uma pessoa... um sanitário... — dizia Mio com as pernas trêmulas.
Não tinha como fugir naquele pouco espaço, e ele percebeu que Kame não estava ali como um amigo, se gritasse para ele sair poderia chamar atenção de outros clientes e não queria uma situação constrangedora no banheiro de um restaurante fino. Enquanto pensava em uma forma de se livrar da situação, Kame fechou a porta atrás de si e o encostou na parede. Com o corpo pressionado no de Mio, segurou a cintura dele.
— Me permita fazer esquecer quem um dia te magoou.— e sem pedir permissão, tomou os lábios de Mio em um beijo suave que pegou o outro de surpresa.
Mio não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo, Kame estava o beijando e seu corpo involuntariamente cedendo as suas invertidas, pensou se não seria vulnerável demais para esse tipo de situação. Apesar dos beijos dele serem prazerosos, não era como os de Ian que fazia ele perder a noção do tempo e do espaço ou não temer serem pegos no flagrante por alguém. Ele estava tenso e nervoso por está naquele local fazendo aquilo com ele, e Kame ficava cada vez mais ousado com os beijos, suas mãos escorregavam pelo quadril de Mio tocando suas coxas.
— Foi aqui que você molhou? — perguntou esfregando o local molhado de vinho na calça de Mio, enquanto mordia levemente a ponta da sua orelha.
Como Mio não oferecia nenhuma resistência, ele continuava com suas invertidas, porém, esse estava confuso com seus sentimentos, gostava de Kame, mas não sabia se era dessa forma. Ele também não entendia porque seu corpo aceitava os toques dele, achava que Ian era o único capaz em fazer aquilo com ele.
— Kame, o que está fazendo?— finalmente perguntou.
— Estou tentando fazer você prestar atenção somente em mim. — Kame foi descendo seus beijos pelo pescoço de Mio, enquanto suas mãos abriam os botões de sua camisa deixando a pele do outro amostra.
Mesmo que estivesse gostando de ser tocado, coisa que não acontecia há muito tempo, Mio não achava aquilo correto, no fundo ele sentia como se estivesse traindo Ian, mesmo sabendo que entre eles dois não tinha mais nada.
— Por favor, pare! — pediu
— Por que? O seu corpo me quer tanto quanto eu te quero, Mio.— sussurrou Kame voltando a beijar sua boca.
Com os lábios ainda grudados, Mio insistia:
— Eu... Eu não posso, eu ainda amo muito Ian. — a confissão doeu tanto que lágrimas escorriam de seus olhos.
Kame compreendeu seus sentimentos e resolveu não insistir de seguir com aquilo, carinhosamente encostou a cabeça de Mio em seu peito e deixou que ele chorasse à vontade.
— Esse é o nome do cara que roubou seu coração? Deixe comigo, tomarei ele de volta. — disse dando um beijo em sua testa.
Mio depois se sentiu aliviado por conseguir desabafar com alguém aquilo que estava segurando por tanto tempo.
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Fazia dias que Ian não conseguia dormir, virava-se de um lado para o outro na cama por conta de seus pensamentos com Mio. Eram sempre as mesmas perguntas, quem era aquele homem? Mio estava apaixonado por ele? Era somente um amigo? Não conseguiu ficar deitado por muito tempo, por isso levantou e preparou uma bebida bem forte no bar do apartamento, e foi beber na sacada. A noite estava calma e agradável, o céu limpo dando espaço para o brilho da lua-cheia. A luz da lua o fez lembrar do cabelo branco meio acinzentado de Mio, do seu corpo macio e frágil, tudo nele parecia puro e mágico e agora outro poderia estar o tocando naquele momento... Uma forte aflição bateu em seu peito, não queria perdê-lo, não estava disposto a aceitar esse fim mesmo sabendo que ele quem o tinha afastado. Se ele tivesse explicado a situação para Mio desde o inicio, sobre Natally e sua perseguição, as coisas ruins que fazia para as pessoas com quem ele se relacionava, a situação seria contrária agora? Ele teria lutado junto com ele contra ela? Mesmo que a resposta fosse favorável, ele não queria que Mio corresse o risco de viver com ele, mas também não queria aceitar pagar por aquele preço tão alto que era ver ele com outro homem.
Ian estava tão depressivo que só conseguia pensar em como Mio o tinha esquecido rápido, fazia apenas alguns meses que eles estavam afastados, e ele já estava saindo com outro. Nada do que passaram foi especial? Estava com tanta raiva que quebrou nas mãos o copo de cristal, e alguns cacos de vidro entraram profundamente na palma de sua mão. Ao invés de procurar algo para limpar o sangue, ele ficou ali parado e bêbado vendo as gotas vermelhas escorrem. De repente, ele foi atacado por um momento de pânico e desespero quando pensou em seu futuro; viveria fugindo de Natally e deixando para trás todos que amavam? Ele queria acabar com aquela dor e aquele sofrimento, não estava mais disposto a passar sua vida fugindo dela. Olhou atentamente para baixo, a cidade parecia tão pequena e ele sentiu uma enorme vontade de fazer parte da composição. Se fizesse isso, seus problemas estariam terminados, Mio poderia seguir sua vida com quem ele bem entendesse e ele não veria e nem se machucaria com isso.
Nenhum pensamento bom passava por sua mente, e seu corpo cada vez mas inclinava-se para beirada da sacada, estava sentindo-se pesado e naquele momento ele apenas queria ouvir a voz de Mio, tocá-lo, se despedir dele corretamente como não havia feito. Foi até a sala e conferindo que Natally ainda dormia, pegou o telefone e discou para o celular de Mio. Andando devagar e tonto novamente para à sacada, esperou que Mio atendesse o telefone. A cada toque, ele percebia que não conseguiria se manter em pé por muito tempo, sua mão agora estava pulsando de dor, e o sangue não parava de escorrer. Logo percebeu que foi uma péssima ideia beber tanto, ainda mais que ele não se alimentava direito há meses, até havia perdido peso. Desistindo de que Mio fosse atender o celular, afastou o aparelho da orelha, tentando se manter em pé, mas não conseguiu por muito tempo. Desmaiou soltando o aparelho no ar, bem no momento que Mio atendeu.
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