Stalker

31 Desequilíbrio.


Notas iniciais
Desculpe, demora, problemas pessoais. Obrigado a todos que comentaram e seguem essa fic. Dedico este capítulo a todos vocês, que comentam!- Kia

Ian entrou irritado no prédio aonde morava, seguido cuidadosamente pelos seguranças de Natally que não notaram que ele falsamente a segurava de modo atencioso, mas na verdade estava apertando com força sua mão. Assim que entraram em seu apartamento, ele a pegou pelo braço e com muita raiva apertou fortemente, esbravejando enquanto a jogava no sofá.

— O que eu falei sobre você não ir no meu trabalho sem me avisar? — perguntou exaltado.

— Que grosso, se isso me deixar marcar, eu te mato! Minha pele é sensível...— respondeu ela alisando o local que ele havia segurado com força.

— Como se existisse algo sensível em você! — ironizou ele.

— Não entendo o motivo de tanto drama por ter ido na empresa te visitar! Todos sabem que sou sua noiva e que iremos nos casar, além do mais, você está machucado é normal que sua noiva te visite para confirmar que está tudo bem com você.

Ian mal ouvia o que ela dizia, sua mente revivia o olhar de decepção e tristeza de Mio todo tempo, ele via seus esforços indo embora quando finalmente achou que conseguiria ganhar a confiança dele. Tudo por causa de Natally, sempre ela estragando sua vida. Essa mulher na sua frente, aparentemente doce e calma, alisando o braço preocupada com marcas, quem a olhar assim acredita que ela não é capaz de fazer mal a uma mosca.

— Eu te odeio, Natally! Te odeio! Te odeio! Te odeio! Você só me deixará em paz se morrer! — gritou com muito ódio para ela que ficou assustada.

Como ele disse isso muito alto e por estarem discutindo os seguranças já estavam na espreita na espera de um vacilo dele para entrarem, eles invadiram o apartamento segurando Ian antes que encostasse um dedo em Natally. Demorou um pouco para Ian se acalmar, os homens o seguravam com força machucando seu braço, percebendo que não poderia vencer dos dois ao mesmo tempo, ele respirou fundo tentando se manter mais tranquilo. Natally assistia tudo meio chocada sem entender a mudança repentina de humor dele, porém, depois que ele se acalmou pediu aos seguranças para soltá-lo.

— Tem certeza, Madame? Ele parece fora de si esse animal selvagem. — perguntou um deles.

Natally olhou para ele descontente com a pergunta.

— Isso é uma briga boba de casal, acontece nas melhores famílias, além do mais, Ian não me faria nenhum mal. Ele deve estar drogado com as medicações para dor e ficou transtornado. Nada que um bom banho e uma boa noite de sono não resolvam. Vocês não tinham porquê invadirem o apartamento sem minha autorização! Arrumem já, essa porta! NOW!— gritou para os homens que soltaram Ian e saíram para arrumar a porta arrombada.

Quando os seguranças se retiraram da sala, ela voltou-se para Ian que girava cada braço para aliviar a dor provocada pelos homens mal-encarados, seu semblante ainda demostrava frustamento, porém, imprudentemente Natally achava que ela era capaz de apaziguar a situação. Foi até ele sorridente e o abraçou.

— Eu acho que sei o motivo que você está tão bravinho comigo, amor. Desculpe, as vezes me empolgo e não vejo o mais lógico.

— Do que está falando? — perguntava Ian tentando se afastar dela, mas ela segurava ele fortemente.

— Você está com ciúmes! Seu trabalho tem muitos homens e eu sei que sou de chamar atenção deles quando passo, sem contar que fiquei te aguardando na sala do seu amigo por um bom tempo. Aposto que ficou pensando um monte de besteiras, não é? Você me puxou tão rápido de lá, mostrando seus ciúmes, não deixou me despedir corretamente.

Falar esses devaneios, fez com que Ian ficasse mais irritado ainda com ela. Como era possível que ela conseguisse destorcer tudo dessa maneira? Ele segurou seu rosto e apertou suas bochechas uma contra a outra fazendo com que ela fizesse um biquinho contra vontade.

— Ciúmes? Você acha mesmo que estou com ciúmes de você? Como se o Rafael fosse se interessar por cobras nojentas, doente, narcisista e mimada como você! Você só estraga com a vida dos outros, não te recomendo para ninguém! — ele passou as mãos para o pescoço dela e insanamente começou apertar com força.

Natally não conseguia mais falar, batia nele para libertá-la, olhava nervosa para a porta mas seus seguranças não estavam lá, já que ela mandou que eles consertassem a porta que haviam tirando do lugar e, estava no momento encostada impedindo visão de qualquer um que chegasse. Natally estava quase perdendo a consciência, foi nesse momento que a imagem de Mio surgiu na cabeça de Ian. Mio nunca aceitaria isso, ele como um assassino, ele poderia ser preso e tornar as coisas ainda mais piores do que já estavam, Mio nunca o perdoaria por um acontecimento grave desses. O que ele estava pensando? Quem era esse Ian que ele se tornou? Soltou ela e se afastou olhando para suas mãos, recobrando os sentindos. Natally começou a respirar forte, esfregando o pescoço.

Ian estava envergonhado pelo seu comportamento, Natally era insuportável, mas quem era ele para tirar sua vida? Iria tão longe para no final morrer arrependido? Foi acordado da sua culpa com as gargalhadas de Natally. Ele não entendia o motivo da risada, não sabia qual era a piada que ela estava achando de toda aquela situação, ela foi até ele com olhar de compreensão estampada no rosto, novamente o abraçou e colocou a cabeça em seu ombro. Ian não se moveu, estava tão abismado com a situação que ficou congelado no lugar.

— Amor, você finalmente percebeu o que o amor é capaz de fazer, ele te cega, te deixa louco. É assim que me sinto quando vejo você com outras pessoas, raiva, fúria, ciúmes. Eu entendo tudo que está sentindo agora, eu sei que é orgulhoso o suficiente para não admitir que sente o mesmo por mim. Sempre que fico com raiva de suas ações, eu reajo dessa forma, lembra quando eu tentei te matar quando descobrir que você estava todo esse tempo escondido aqui e saindo com outra pessoa e mandei meus seguranças incendiarem sua casa? Eu me arrependi tanto depois... Mas, no calor do momento da raiva a gente faz dessas coisas. Eu sempre irei te amar, não importa os seus defeitos, eu sou a única que te compreende e te aceitar do jeito que você é. Eu adoro ver seus lados ruins porque sei que sou a única que você tem coragem de mostrá-las.

Ian estava chocado com as coisas que ouvia, aquelas eram palavras de uma demente que conseguia ver amor em uma possível tragédia. Nada que ele fizesse de ruim contra ela, seria considerado fatal, ela tinha o dom de transformar pesadelos em sonhos muito naturalmente. Ele tinha a certeza mais do que nunca que Natally tinha sérios desequilibro mentais, perigosos para todos a sua volta. Sentindo um aperto enorme no coração, Ian não sabia como vencer a sua falsa noiva psicopata.

Notas finais
Estou particularmente, contente com esta capa. Montagem, e edição de imagens alheias. Trabalhoso mas acho que ficou bem legal. O que acham?