Stalemate II.

18 XVIII. 02/08/20XX


Notas iniciais
Eu lamento pela demora gente e dessa vez vou (tentar) me justificar. Não entendam errado o que eu vou dizer, plz, eu amo essa história e NUNCA vou deixar de postar. Acontece que ultimamente eu não estava conseguindo escrever. Tipo, eu sabia o que precisava escrever, queria escrever, mas tava me sentindo muito pra baixo pra conseguir. Não sei se dá pra entender, mas é isso. Maaaaaas, contudo, entretanto e todavia, agora consegui terminar o capítulo. Eu gostei do resultado, mas seria de GRANDE ajuda se vocês puderem me dizer o que acharam (tanto da estrutura da escrita quanto da história em si). Acho que agora estou melhor, mas não quero que minha situação prejudique a qualidade da leitura de vocês. Agora outros avisos importantes! ~musiquinha do Jornal Nacional 1. O próximo cap de Stalemate II se chamará "Capítulo Especial: Caso Kira" e não será narrado nem pelo Matt nem pelo Mello. 2. Eu tenho algumas cenas extras, curiosidades e outras coisinhas sobre a fanfic. Eu poderia juntar tudo e colocar como capítulos extras no final da fic (que eu não sei quando vai chegar, sorry) OU poderia criar uma página no facebook e postar tudo lá. O que vocês preferem? A opinião de vocês é muito importante! Obrigada pela atenção e boa leitura! ^-^

A imagem embaçada que sorria torto no espelho era minha. Os olhos foscos, as bochechas fundas, a boca seca, o rosto desidratado. Até a rala barba ruiva pertencia a mim. Mesmo após dois dias na casa de Caster não parecia ser verdade. Todo aquele cenário escuro e tão terrivelmente familiar do porão de Eric e Cire substituído por luzes acesas. Minha mente sabia que o pior já havia passado, que eu estava protegido. O resto do meu corpo, no entanto, não me deixaria esquecer tão cedo.

Minhas mãos, cujas unhas enfaixadas só não doíam graças ao coquetel de remédios, apoiavam-se nas muletas conforme eu me movimentava. Chegar ao banheiro foi fácil, mas sair dele levou quase o dobro do tempo. Não ter os dois pés no chão requeria reinventar movimentos que antes pareciam tão triviais. Desde uma caminhada pelo quarto até pegar um copo, atos tão comuns que passavam despercebidos, agora requeriam muita atenção. Pela primeira vez reparei que sempre toco o copo com o polegar antes de fechar meus dedos em um objeto. Agora, preciso calcular a força ao fazê-lo: já perdi muito sangue pelas pontas dos dedos.

De volta à cama, sentei-me com cautela, apoiando as costas nos travesseiros macios e esticando as pernas. Se eu tirasse uma foto delas naquele momento poderia criar o primeiro Jogo de Um Erro.

Hahaha... Os remédios para dor eram muito bons.

O quarto claro de Caster me lembrava da Wammy’s House. Como eu sentia falta de lá.

E ainda sinto.

Depois de tantos anos… O que será que aconteceu com o orfanato? Apesar da preocupação com minha antiga casa, eu não podia falar sobre ela com ninguém, nem mesmo com ele. Poderia pesquisar na internet, mas duvido que haveria alguma coisa. O que acontece na Wammy’s não é notificado para o exterior. É uma instituição privada com normas muito restritas. Além disso, ele sempre me encorajou a cortar laços com o orfanato. Nossos registros foram apagados, fotos, trabalhos, provas. Dez anos da minha vida jogados no fogo.

Acontece que… eu não sou ele. Nunca serei capaz de esquecer o que passei no instituto. Ou melhor… Não quero esquecer.

Minutos depois, Caster entrou. Não sei o que ele disse. Senti vagamente suas mãos em mim, cuidando de alguns detalhes: primeiro, observando os pontos no meu tornozelo; depois, ajustando a agulha em meu braço e certificando-se que a dose de morfina era suficiente; trocando as ataduras das pontas dos meus dedos; obrigando-me a tomar água por um canudinho; e finalmente dando-me de comer. Meus olhos estavam fixos à frente enquanto Caster trabalhava. Eu não sentia dor, aquela cama era tão boa.

O quarto era tão claro.

— Matt?… Matt?… Ahn, se precisar de alguma coisa é só balançar o sino, ok? – Algo frio foi colocado sobre minha mão. – Daqui alguns dias, quando você se sentir melhor, a gente pode conversar. Tenho muita coisa pra te contar… Pode ser?

Não ouvi Caster sair.

O quarto continuava tão claro.

04/08

Meus olhos ardiam. Caster sentava em uma cadeira ao meu lado, lendo uma revista. Duas vezes, ele tentou conversar comigo. Ignorei e continuei a fumar. A morfina abria um sorriso no meu rosto, que era meu, por mais que eu duvidasse. Uma música maravilhosa, com solos sonhadores de guitarra, arrepiava os pelos da minha nuca. Se eu deitasse naquela cama com vontade talvez não precisasse mais levantar.

O vidro da janela estava fechado, mas as cortinas abertas. Um pincel coloria o horizonte com tons de laranja e rosa. Por algum motivo, aquilo me pareceu importante. Quem fazia aquilo?

— O volume do som tá ok? – ele perguntou e em algum lugar no fundo da mente tentei responder. Caster suspirou e largou a revista. – Matt… Você não diz nada a quatro dias. Tenho algumas informações pra te passar. Eu sei que você tá puto comigo, com razão, por ter escondido as coisas de você, mas foram orde--

— O-on… – minha garganta seca doía pela falta de uso. – Onde ela vai?

Caster deu a volta na cama e sentou aos meus pés. Ou melhor, pé.

— Ela quem, Matt?

— Ela, ali. – continuei a olhar para o horizonte.

Caster abriu a janela e espiou a rua.

— Não tem ninguém.

— Perguntei sobre a estrela.

Caster me lançou um olhar de interrogação e acompanhou meu olhar. Quando se virou, parecia preocupado.

— Ãh… O sol? Tá se pondo…

— Não esse. A minha estrela. O meu sol. Onde ele vai?

Caster se limitou a arrumar meus travesseiros, trazer outro remédio, pegar meu cigarro e me obrigar a deitar. Eu sei o que vi naquele dia, ao ser resgatado do porão. Eu sei quem era. Assim que convencesse meus olhos e minha boca a se abrirem, eu perguntaria por ele.

05/08

No dia seguinte, acordei com a imagem borrada de Caster ao meu lado.

Ainda tonto, perguntei:

— Onde ele tá?

— Matt! – O vulto de Caster se aproximou. – Como você tá?

— Onde ele tá, Caster? – Insisti, tentando levantar.

O moreno suspirou, obrigando-me a deitar. Com um tom triste, começou a responder:

Ele tem muitas coisas pra resolver... E nós também. – Caster segurou minha mão, como um pai perdido ao ver o filho doente. – Tudo isso vai acabar amanhã, Matt. Vai dar tudo certo, você ficar bem, nós vamos sair dessa… é… – ele falava tentando se convencer. – Ah, esqueci de dizer que tirei as medidas do seu pé enquanto você dormia antes de ontem. Ele já encomendou uma prótese que utiliza tecnologia de última geração. Acho que chega em uma semana.

Não controlei o riso. Só de imaginar quantas pessoas receberam suborno para ele conseguir algo assim…

— A dor melhorou um pouco? – perguntou tentando mudar de assunto.

— Claro que não. Eu só não grito porque dói fazer isso também.

Ele sorriu.

— Agora sim parece o Matt falando.

— Não é o Matt falando. É o cigarro e a morfina. O Matt quer te arrebentar de porrada.

— Um dia fala sobre sol e estrelas e no outro sobre violência… – Caster comentou, rindo e balançando a cabeça.

— Excesso de remédio rima com variações de humor.

Enquanto a dor de cabeça aos poucos me matava, ponderei sobre o que fazer em seguida. Olhar a paisagem parecia uma boa ideia, mas depois de cinco dias divagando eu precisava fazer outra coisa. Jogar não era uma opção, pelo menos pelos próximos seis meses, até minhas unhas se recuperarem. Nada de digitar no computador. Nada de usar armas, nada de brigar. Não restavam muitas opções.

Quando meu celular tocou, não precisei mais pensar.

— Peraí. – Caster correu para atender, quase derrubando o aparelho. – Alô? – Pelo olhar de receio misturado com raiva pude adivinhar quem era. – Ele tá dormindo ainda.

— Caster.

O moreno fez um gesto para que eu calasse a boca.

— Eu aviso pra ele, não se preocupa. Aham, eu sei. Aham.

— Caster.

Um olhar de aviso.

— Tá, eu tenho que desligar agora… Nervoso? Por que eu estaria nervoso? É claro que ele tá dormindo, já diss--

— CASTER!

Ele baixou o celular e me olhou com cara de derrotado.

— Matt, por favor. Você não está em condições pra falar com ele agora. Ainda precisa de uns dias para--

— Quem decide se está em condições ou não sou eu. Agora me passa o meu celular.

— Matt… – Caster fez uma última tentativa.

— Não me olha com essa cara de coitado. Você e esse filho da puta me fizeram passar por muita coisa e eu só não mato os dois porque não tenho força pra isso. Você não tem o direito nem o dever de se preocupar comigo. Agora me dá essa merda de celular.

Caster fechou os olhos por um segundo antes de colocar o aparelho na minha mão e sair do quarto. Segurei com cuidado, arriscando um olhar para o visor. Número Desconhecido. Típico.

Respirei fundo, parcialmente me arrependendo de atender. Caster tinha certa razão: eu não tinha a menor estrutura emocional (nem física) para lidar com ele.

Mas…

Eu precisava saber.

Mello? – perguntei receoso, esperando, como sempre, uma voz ríspida e malcriada. O som que veio do outro lado da linha quase me fez desejar que tivesse sido isso.

— M-Matt…– arregalei os olhos. O que eu estava ouvindo?. – E-eu...

O som continuou, mais forte a cada segundo. Eu não conseguia parar de ouvir. Aquela voz trêmula...não podia ser real.

— E-eu… eu não… – Uma pancada forte do outro lado. – PUTA MERDA!

— O que foi?!

— Bati o dedinho na quina.

Um sorriso idiota se formou em minha boca.

— Descontando a raiva nos móveis, como sempre?

Ele riu.

— Depois de tantos anos descontando a raiva em você, até esqueci de como chutar a mobília.

Eu não esperava que Mello dissesse aquilo. Um silêncio constrangedor se seguiu, entrecortado por soluços quase inaudíveis. Eu não queria ouvir. Alguém faz isso parar…

— Matt. – Quando ele falou, agarrei o celular com mais força, a dor percorrendo meus dedos. – Eu liguei pra te dizer que amanhã, a essa hora, Salazar estará morto. Nem ele nem mais ninguém vai te perseguir. – o tom de sua voz mudou por um leve instante antes de voltar ao normal. – Acrescentei dinheiro nas suas contas, tem mais que o suficiente pra você viver sem se preocupar. Também estou mandando a – por meio segundo sua voz vacilou outra vez – prótese para o endereço do C, junto com um notebook com comando de voz. – Mello só chamava Caster de C quando havia a possibilidade da ligação ser interceptada. – Se der tudo certo, chega em alguns dias.

— Peraí Mello! Eu não tô entendendo… Por que… – Fechei os olhos e engoli o orgulho, criando coragem para perguntar. – Por você não vem aqui e a gente conversa? Eu posso te ajudar com o Salazar.

— Eu sei que você pode, mas é melhor cuidar de você primeiro. A gente vai… ter tempo pra conversar depois.

— Do jeito que você tá falando parece que vai para uma missão suicida. Como tentou fazer no Caso Kira.

Uma risada sem humor de Mello foi suficiente para confirmar o que eu já imaginava: ele não pretendia voltar dessa reunião com Salazar. Pelo menos não vivo.

Alguns segundos de silêncio na linha.

— Você me conhece tão bem, hm?

— Você não pode, Mello.

— Hm?

O celular tremia nas minhas mãos doloridas. Coloquei no viva voz e depositei o aparelho sobre a cama.

— EU TE PROIBIDO! VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE MORRER! NÃO DEPOIS DE TUDO QUE ME FEZ PASSAR! AGORA CALA ESSA BOCA E VEM AQUI FALAR NA MINHA CARA, SEU COVARDE!

Minha garganta não gostou nada daquela explosão, mas eu não tinha escolha. Se não estivesse coberto de machucados, já estaria rastreando aquele telefonema e pegando a condução mais rápida que me levasse ao loiro.

Mello ficou quieto por um bom tempo. Quando achei que iria desligar na minha cara, ele ditou as palavras mais raras do seu vocabulário.

— Me perdoa, Matt.

Não respondi.

— Eu não espero que me perdoe, nem acho que deveria, mas quero pedir desculpas mesmo assim. Me perdoa por não cumprir a promessa que fiz quando éramos crianças. Em vez de te proteger, me joguei de um penhasco sem paraquedas e te puxei comigo. Me perdoa por não te dar a vida que você merece. Me perdoa por ser um monstro.

— Nem pensa em desligar, Mello! Você ainda não me contou porra nenhuma!

— Eu sei, mas não tenho tempo pra te contar tudo. – seu tom de voz se tornou mais urgente. – Eu preparei uma maleta caso isso acontecesse. Acabei de mandar a localização para o celular do C. Você vai entender tudo depois de ler.

— EU NÃO QUERO LER NADA, EU QUERO… – você, completei mentalmente.

Ele mudou de assunto.

— Depois de te tirar daquele porão, pensei em ficar aí, mas eu não sabia quando você ia acordar.

— Tinha coisas mais importantes pra resolver? – indaguei com sarcasmo.

— Nada é mais importante do que você.

Cerrei os dentes, controlando-me para não levantar e bater com a cabeça na parede. Ou jogar o celular na parede. Ou ir até Mello e bater a cabeça dele na parede.

— Eu quero respostas, Mello, e eu quero agora.

Mello suspirou, exausto.

— Eu preciso terminar os preparativos pra amanhã, Matt. Muita gente vai morrer se alguém fizer bobagem.

— Inclusive você.

Ele ficou em silêncio, deixando-me com meus pensamentos. Na época do Caso Kira, o que impediu Mello de cometer uma loucura fui eu. Ele tinha desistido de lutar pela posição de novo L, aceitado a vitória de Near. O mundo dele tinha desabado, tudo que foi importante por tantos anos já não significava mais nada. Ele queria perder. Nós dois teríamos morrido se eu não o tivesse convencido no último segundo a tomar mais cuidado. Se eu não tivesse mostrado que ainda havia muito pelo que viver.

Naquele dia, Mello foi preparado para morrer. Eu, preparado para salvá-lo.

— Mello, fala comigo…por favor. – meu orgulho desapareceu e voltei a ter sete anos. Não fazia mais sentido dizer que eu havia superado meu problema com Mello. Ainda havia tanta coisa por trás das ações dele, tantas perguntas sem resposta. Eu queria tentar outra vez. Por que ele não me deixava?

Por que, Mello, você faz isso comigo?

Fechei as mãos em punho, ignorando a dor física enquanto as lágrimas rolavam pelas minhas bochechas. Como eu poderia me desapegar dele se ele não deixava?

Eu já não sei mais o que quero, Mello.

— Matt, não… Por favor, não... – ele implorava ao me ouvir. Parar de chorar já não era mais uma opção. O cansaço emocional somava-se ao físico, embaçando minha visão. Será que eu posso dormir e acordar em uma realidade diferente? — Matt, não chora… Matt? – Eu não conseguia parar nem para respondê-lo.

Logo Mello também chorava, sua voz estranha ao telefone.

Nós somos dois ridículos. Duas crianças em corpos de adultos, jogadas no mundo sem direção. Dois doentes que se apoiam um no outro e não aprenderam a andar sozinhos. Dois órfãos à procura da saída de um pesadelo.

Talvez morrer não fosse uma má ideia.

Fechei os olhos por um momento e respirei fundo. Eu não podia pensar em algo imbecil assim.

— Fui eu que fiz isso com você. – Mello continuou. – Me perdoa por roubar tantos anos da sua vida. – Chega, Mello. Não consigo mais falar com você.— Fica em segurança, Matt. Foge do país, arruma um emprego decente. Com a sua inteligência, eu sei que consegue. Constrói… – ele engoliu em seco, sua voz mais baixa do que antes. – Constrói uma família bem longe de tudo. Alguém ainda vai te fazer muito feliz.

— Eu não quero nada disso, Mello! EU NÃO QUERO!

— Me perdoa. Eu te amo.

— MELLO, ME ESCUTA!

E desligou.

Ainda fiquei algum tempo olhando para o visor, esperando que o Número Desconhecido aparecesse. Nada aconteceu.

Ah, Mello...

Como eu te odeio.

07/08

Caster só apareceu depois de dois dias. Nesse meio tempo, ele me trancou no apartamento e foi atrás da maleta que Mello havia mencionado. Eu tentei sair, mas não tinha força o bastante para arrebentar a porta. Se tentasse demais, os vizinhos chamariam a polícia, o que era a última coisa com a qual eu queria lidar.

Não sei bem o que aconteceu comigo naquelas horas. Eu comia, ia ao banheiro, olhava a janela esperando uma cabeça loira aparecer, assistia TV, lia no ebook de Caster, dormia agarrado ao celular. Eu pensava em tudo e ao mesmo tempo não pensava em nada. Em algum lugar no fundo da mente, eu sabia que precisava seguir com a minha vida. Em outro lugar, eu sabia que não conseguiria relaxar se não soubesse tudo o que estava acontecendo.

Felizmente, quando Caster voltou, trazia uma maleta preta em mãos.

— Levei horas pra achar isso aqui! Tava atrás do fundo falso de um armário no cantinho de uma sala sem eletricidade. Quase desisti de procurar.

— Me dá isso aqui! – arranquei a maleta das mãos dele e coloquei no meu colo. – Mello já falou com você? Onde ele tá? Já não devia ter voltado?

Caster sentou ao meu lado.

— Aconteceram alguns problemas.

— Que problemas? – como ele não disse nada, insisti. – Que problemas, Caster?!

— A reunião não saiu como ele esperava...– ele hesitou.

— E?

Caster respirou fundo e respondeu de uma vez.

— Mello foi traído e caiu em uma armadilha. Ele foi preso por posse ilegal de armas, ligação com a Máfia e assassinato. Ninguém sabe pra onde ele foi levado, mas já convenci alguns poucos velhos aliados a ajudar. Salazar foi morto, mas deixou tudo combinado com Sid. O filha da puta me ligou contando tudo isso e agora tomou o lugar do Mello.

Não consegui fazer nada além de encarar Caster.

— …

— Matt?

Salazar foi morto?

Sid pegou o trono de Mello?

Mello foi preso?

Mello…

Preso.

Comecei a levantar da cama.

— Você não vai a lugar nenhum. – Caster tentou me empurrar de volta e apesar das dores eu resisti. – Matt, se acalma!

— Caster. – comecei a explicar com toda a paciência do mundo. – Pensa comigo: se o Sid ajudou o Salazar a armar pro Mello, é claro que ele sabe pra onde o Mello foi!

— E você planeja falar com ele como, gênio?

— Quantas pessoas estão do nosso lado?

— Umas 40.

Olhei para ele incrédulo.

— QUE?! Todo o resto ficou do lado do Sid?

— É isso que eu tô tentando te dizer. Nas últimas semanas, Mello matou tantos aliados que a maioria já não confia nele.

— E preferiram o Sid? Que traiu todo mundo?

— O Sid apareceu com bastante dinheiro. Muitos concordaram em segui-lo.

— Isso é insano… – encarei Caster, incapaz de acreditar no que ele me dizia. – O dinheiro vai acabar. Ele não tem a mente de Mello. Não vai durar muito tempo.

— E você quer esperar isso acontecer pra se livrar dele?

— É claro que não. – respondi ríspido. Se Mello passasse muito tempo na prisão… Minha imaginação trouxe muitas opções do que podia acontecer, uma pior que a outra. – Precisamos de mais gente.

— Tem alguns que ficaram ao lado do Sid que consigo convencer.

Minha mente trabalhava a mil. Procurar Mello por aí às cegas não era uma boa opção. Conhecendo Sid, eu sabia que ele tinha as informações que eu precisava (ou seja, a localização de Mello) e ficaria de olho caso alguém tentasse tirá-lo da prisão. Eu precisava de pessoas infiltradas. Muitas. Precisava destruir o comando de Sid logo no início, enquanto ele não consolidava o poder. O primeiro passo era destruir a imagem dele internamente, enaltecendo a de Mello. Um castelo que desmorona antes de ser construído.

Mas nada disso daria certo se eu não me fortalecesse fisicamente.

Sei que você consegue sobreviver algum tempo aí, Mello. Eu preciso de pelo menos um mês pra te tirar daí. Por favor… fique bem.

Rosnei irritado. Se eu estivesse em condições de me mexer sozinho… Resolveria bem antes. Mas não era minha culpa estar naquele estado. Nem de Mello.

Foco, Matt. Foco.

— Caster, preciso que você separe um pequeno grupo para procurar Mello nos arredores de onde ele desapareceu. Passem com motos perto das delegacias, procurando algum tipo de movimentação incomum, como um prisioneiro enrolado em um saco ou desmaiado. – eu tinha certeza de que Mello tentaria fugir se estivesse lúcido e caminhando. – Aos outros, mande que observem o Sid. Se ele te ligou pra contar que Mello foi preso, é certo que vai querer esbanjar a nova posição. Exibicionistas sempre cometem erros. Quero saber onde ele vai, com quem, que horas e com que frequência. Não preciso de detalhes por enquanto. Ele precisa acreditar que está seguro. Vamos conseguir mais aliados, falando com as pessoas que se mostrarem descontes com a situação. Acho que vai demorar algumas semanas até reunirmos informações e pessoal suficiente. Ele vai baixar a guarda, eu sei que vai.

Caster sorriu.

— Eu a-d-o-r-o essa expressão nos seus olhos, sabia? – Ele se inclinou, aproximando-se do meu rosto com interesse. – E depois que conseguirmos tudo isso, o que essa mente criminosa planeja?

Retribuí o sorriso.

— É simples, Caster. A regra dentro da máfia diz que, para assumir o comando é preciso matar o líder anterior. Mas Mello continua vivo e, na sua ausência, existe alguém para substituí-lo. Ou seja… – meu sorriso se alargou. – Aquele trono é meu.

Notas finais
Recadinho para quem não leu as notas iniciais: Por favor, volte rapidinho e dê uma lida, é bem importante pra mim ♥ ~Bjs da tia Ciel