Stalemate

25 XXV. Múltiplos papéis.


Notas iniciais
Alerta de título tosco u.u (Ignorem, pf. Meu pulso está doendo e eu não estou com saco pra trocar). (Ah, eu não achei uma foto que combinasse com o cap... Então foi essa mesmo u.u ) Então, alguém pra reclamar na demora? ~le metralhadora ~ Não ? ok (Sobre o capítulo... Era pra ser maior, mas achei melhor não. Portanto, dividi em 2 u.u xD Esse cap. vai ser um tapa na cara de quem acha que o Matt conta TUDO da vida dele pro Mello... a-d-o-r-o um suspense).



– Hey, Mello. Eu quero atenção.

Matt provavelmente deveria agradecer de joelhos por ter nascido com uma carinha tão fofa, já que, do contrário, seu amorzinho o teria feito em pedaços.

Mello anteriormente lia em sua cama. Ou tentava. A cada minuto sua leitura era interrompida por alguma idiotice de Mail, o que estava dando-o nos nervos. Como se não bastasse colocar música alta e ficar cutucando-o, agora o ruivo subira sobre ele como uma criança.

Sua cabeça surgiu entre o livro e a barriga de Mello, uma expressão travessa e sorridente.

– Vai se ferrar, eu ‘to ocupado. – o loiro respondeu seco.

– Mas eu quero atenção do meu bebê. – Mail deu um beijo terno na bochecha alheia, sem se deixar abalar pelo insulto.

– Para com isso! – ele virava o rosto, mas cada vez mais o outro invadia seu espaço. – Você ‘tá parecendo um cachorro.

– E eu sou. Um lido cachorrinho que merece atenção e biscoitos. – Mail apertou sua bochecha contra a dele, ronronando satisfeito.

– Não vou dar nenhum se continuar a agir desse jeito. – o loiro resolveu entrar no jogo.

– Então... você tem que me punir. – ele sussurrou e, rindo, mordiscou o lóbulo de Mello.

– Pervertido! – Mello ria, apesar de tentar afastá-lo.

– Se eu sou assim a culpa é sua. – Mail o distraía, aproveitando para passar discretamente o braço em torno de sua cintura.

– Minha?

– Aham. Se tivesse domesticado seu bichinho direito... nada disso estaria acontecendo. – ele falava muito mais baixo que o normal, os lábios quase tocando os de Mello.

– ... Parece que eu vou ter que me responsabilizar por isso.

– Com certeza.

Eles sorriram um para o outro e juntaram com firmeza os lábios, como em tantas vezes antes naqueles dois meses de... seja lá o que estivessem tendo.

Ele largou o livro. – Mail pensou vitorioso ao sentir os braços de Mello rodearem seu pescoço.

– Eu preferia você quando criança, sabia? – Mihael comentou entre risos quando os beijos de Mail desceram para seu pescoço. – Era bem mais inocente.

– Mais um motivo pra você me castigar.

– Masoquista.

Ambos riram, gastando longos e preciosos minutos de suas vidas um com o outro. Trocaram vários e vários beijos, além de algumas carícias mais atrevidas, sem saber que aqueles belos e singelos momentos de descontração não durariam por muito tempo.

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– Eu já sei o que quero de aniversário, Watari.

Mello estava mais decidido do que nunca. Enquanto falava com Watari pelo notebook, a grande letra W tomando conta da tela branca, o loiro sequer pensava na possibilidade de mudar de ideia. Estava convicto. Se L não lhe concedesse aquele pedido, ele preferia não receber nada.

– E então... O que vai querer, Mello?

Ele olhou ao redor, mesmo sabendo estar sozinho. Os vários livros da sala do diretor pareciam encará-lo quando desviava os olhos, forçando-o a olhar para a escrivaninha desgastada. Imaginava se Watari arrependia-se por deixar Roger tomar conta daquele lugar. Era visível o desleixo do colecionador de insetos para com o orfanato.

– Quero passar um tempo no QG da investigação do Caso Kira. Nem que seja por um dia. Quero... quero ver L.

Um momento de silêncio se seguiu do outro lado da linha e Mello imaginou se Watari estava consultando o detetive. Tomou cuidado ao falar com o inventor, procurando usar as palavras corretas, já que não imaginava se era de conhecimento do idoso que L o visitara anteriormente.

– ... muito bem, Mello. Ryuuzaki concordou...

– Espera. Eu tenho... duas condições. – ele se apressou a acrescentar.

– Duas?

– Primeiro... eu não quero que Near fique sabendo. – Mello franziu o cenho por um momento, mas logo se recompôs. – E... quero que Matt vá comigo.

– Quanto à Near não saber tudo bem, Mello, mas... – houve outra pausa, dessa vez mais longa, como se estivessem conversando do outro lado. Finalmente, com um suspiro, Watari declarou: – Está bem, Mello. Se é tudo o que tem a pedir, Ryuuzaki ficará feliz em recebê-los dois dias após o seu aniversário. Um carro irá busca-los às oito horas para leva-los ao aeroporto.

Mihael acertou rapidamente os detalhes finais e correu para o quarto, mais do que ansioso para dar a notícia a Mail.

Finalmente... Finalmente vou poder trabalhar com L!

– MATT, VOCÊ NÃO VAI ACREDIT... – o loiro estancou na porta, surpreso por ver o quarto vazio. Bufando, deu a volta e disparou pelo corredor, parando ao ouvir a voz alterada do ruivo vir de um dos quartos.

– ... E POUCO ME IMPORTA O QUE VOCÊ PENSA! NÃO VOU DISCUTIR ISSO DE NOVO! – logo Mail abria bruscamente a porta do quarto, saindo furioso e dando de cara com Mello. – Mel...

– O que você estava fazendo... no quarto do Near? – havia uma pontinha mínima de desconfiança em sua voz.

– Eu... ahn... conversando! É, estávamos conversando, só isso!

– Sobre o que?

Mail quase entrou em pânico, mas logo começou a sorrir e se aproximar.

– Ciúmes?

– Bem que você gostaria, babaca. Mas não. Só não quero passar pelo corredor sem ouvir esse escândalo todo.

O ruivo ria, mas parou assim que viu o pequeno órfão de cabelos alvos aparecer na porta.

– Se apenas vai ficar gritando, sugiro que não volte a me visitar, Matt. – o albino bateu a porta com mais força do que aparentemente aqueles bracinhos podiam suportar.

– O que ele tem? – Mello perguntou, prestando o máximo de atenção possível na expressão do outro.

– Sei lá... Mas me conta, como foi a conversa com Watari? Já disse o que quer de aniversário? – a troca súbita de assunto foi tão sutil quanto a tentativa de Mello em esconder sua animação.

– Já! Nós vamos passar um dia na Central de Operações do Caso Kira!

– Parabéns, Mello, isso é... Peraí, nós?

– É, eu... pedi para que ele deixasse você ir.

Os olhos de Mail se iluminaram e um sorriso infantil cruzou seus lábios. Significava muito para ele saber que, para Mello, sua presença era assim tão importante. Nem passara pela sua cabeça que ele poderia estar incluído no pedido super especial de aniversário do loiro.

Ele lembrou de mim... – o ruivo estava prestes a chorar.

– Matt...? Você ‘tá bem?

– MELLO SEU LINDO! – o mais novo o abraçou com força pela cintura, rodopiando-o no ar em pleno corredor.

– Me solta, seu retardado! – ele fazia o possível para se segurar. – Matt, é sério, você vai me derrubar!

Entre risos, Mail respondeu:

– Eu nunca te deixaria cair.

Ainda um pouco tonto com os giros, Mello precisou de um tempo para se acalmar e digerir o que ouviu. Agora com os pés no chão e os olhos verdes de Mail em si, ele não sabia o que dizer. Deveria insultá-lo, apenas de brincadeira, como sempre? Ou talvez um pequeno sorriso bastasse? Quem sabe uma declaraçãozinha de amor? Mas ele não era péssimo nessas coisas? Então o que fazer diante daquelas esmeraldas que o observavam com tanta curiosidade e daqueles braços que o envolviam com tanto afeto?

Droga, Matt!

– Mel... – os lábios do ruivo não puderam completar o nome, visto que este agora o beijava com carinho. Não podia acreditar que estavam realmente fazendo-o ali, onde qualquer um podia chegar a qualquer momento.

E, de fato, em poucos segundos, várias crianças apareceram para ver qual o motivo da gritaria no quarto de Near. Tanto meninos quanto meninas surgiam de todos os cantos, todas as portas e paravam a vários metros do casal de amantes com os olhos arregalados e as mãos sobre as bocas.

– Mello... – o ruivo sussurrou entre os beijos, olhando discretamente para os lados. Era óbvio que Mello também percebera a movimentação ao redor, mas Matt precisava confirmar. – Tem gente aqui.

– E? – os braços do loiro que circundavam seu pescoço não se afastaram nem um centímetro.

– É-é sério? – ele nem tentava esconder a animação. – V-você não se importa?

– Nem um pouco. – Mihael sussurrou de volta, sorrindo verdadeiramente como há tempos não fazia.

– Ah... – Mail não controlou o suspiro de satisfação e retomou aquele contato tão sonhado com ainda mais vontade. Não mais havia restrições. Não mais existiam motivos para se esconder. Aquela era a verdade, a mais pura verdade, e o que faziam só reforçava a ideia de que não tinham vergonha alguma de seus atos. Eram assim e pronto, fim da discussão. E os outros teriam de aceita-los daquela forma, quer quisessem ou não.

– Matt, Mello! – um dos meninos mais velhos gritou e eles se afastaram alguns centímetros. – Têm crianças aqui, sabiam? Não fiquem fazendo essas coisas em público!

– Isso não é nada comparado ao que você faz com a Rebecca na sala de vídeo. – Mello rebateu e uma garota deu um gritinho no meio da multidão, o rosto vermelho.

– I-isso é totalmente diferente!

– Eu não vejo diferença nenhuma. Se não gostam, não fiquem olhando. Arrumem algo que preste pra fazer.

– Eu não acredito que você me trocou por um homem, Mels! – uma anãzinha de cabelos longos e negros ergueu o rosto choroso para o loiro e este sustentou seu olhar.

– Não é da sua conta, Cyntia.

– Matt, você conhece ele! – a menina continuou, desta vez dirigindo-se ao ruivo. – Esse maldito vai fazer você se apaixonar e depois vai te largar!

– CALA A BOCA! – Mello berrou, o que realmente a assustou e a fez ficar em silêncio.

– Sempre soube que ele era mulher do Matt. – alguém falou mais ao fundo e Mello rosnou naquela direção, sendo impedido pelo ruivo de avançar.

– Eu não vejo problema nenhum neles se pegarem no corredor. – uma menina comentou em voz alta e todos começaram a debater o assunto.

– Mello... Acho melhor a gente sair daqui. – Matt sussurrou em seu ouvido, tendo certeza de que o bate boca entre os alunos ocultaria suas palavras.

– Depois que eu encontrar quem disse aquilo, a gente vai. – Mello respondeu no mesmo tom de voz.

– Mas isso é besteira! – o olhar do loiro dizia o contrário e Mail suspirou. Baixando ainda mais a voz, disse: – Mihael Keehl, me escuta. Eu sei que isso é irritante e que dá muita vontade de matar todos eles, mas é normal que ajam assim. Ainda tem muita gente preconceituosa no mundo...

– Pois não deveria ser tão normal! – Mihael sussurrava ainda mais baixo e rápido. – Mail, não da pra deixar tudo por isso mesmo. Se eles não gostam, temos que pelo menos fazer com que nos respeitem!

Mail teve de se segurar MUITO para não dizer o que lhe veio à mente. Ainda lembrava-se claramente de como Mello o tratara mal ao descobrir sua opção sexual, mas achou melhor não mencionar o fato. O loiro já estava estressado o suficiente.

– Mas Mello...

– PAREM! CHEGA! – uma menina com cerca de doze anos se colocou entre dois adolescentes que discutiam. – Eu... não sei muito bem sobre isso, mas... acho que entendo um pouco como eles se sentem. E não acho justo que vocês fiquem gritando uns com os outros como se houvesse algo errado! Se os dois são felizes assim, nós não temos absolutamente nada a ver com isso! – às suas palavras se seguiu um silêncio constrangedor, quebrado apenas vários minutos depois pela própria garota, que dirigiu o olhar para uma outra menininha mais ou menos da mesma idade. Ela arrumava os cabelos cor de mel ondulados enquanto falava, as mãos inquietas. – E-eu... acho que gosto de você, Joanne. Desculpa. – sua voz falhou e ela saiu correndo na direção das escadas, as pessoas se afastando para que passasse.

Joanne ajeitou os óculos de aros redondos e correu atrás da amiga, os cabelos pretos curtinhos balançando ao vento.

– E-eu também... – um dos mais velhos que se manteve calado desde o início deu um passo a frente. Tinha os olhos azuis tão claros que pareciam brancos e os cabelos loiros encaracolados o deixavam quase igual a um anjo. – ...não acho certo o que estamos fazendo. Quer dizer... Não é como se fosse fácil esconder esse tipo de coisa.

– Leon... Quer dizer que você também... – um dos amigos o olhava com espanto. Leon o fuzilou com o olhar.

– É claro, seu imbecil! – ele começou a soluçar, as lágrimas rolando descontroladas pelas bochechas. – Só um idiota como você pra não perceber! E-eu sempre... SEMPRE te desejei. Mas é claro que você nunca se deu conta! Estava preocupado demais com essa vadia que te trai toda semana com um cara diferente!

– SUA BICHA! – a menina berrou e partiu pra cima dele.

Tão rápido quanto um incêndio, aquele corredor se tornou o paraíso do caos. Adolescentes discutiam, crianças choravam, pessoas de todas as idades corriam de um lado para outro, incitando e separando brigas. No meio da confusão, muitas palavras que há tanto tempo ficaram guardadas foram finalmente ditas. Vários adolescentes saíram de lá com sorrisos nos rostos e com as mãos dadas aos seus(suas) parceiros(as), além de muitos terem se atracado aos beijos ali mesmo, tanto casais hétero como homossexuais.

Porém, é claro, muitas pessoas saíram dali aos prantos, chorando alto e se trancando nos respectivos quartos. Amigos consolavam uns aos outros, enquanto alguns poucos gritavam palavras de insulto e clamavam por um mundo ‘’normal’’, mas estes, assim como os outros, logo se dispersaram.

Aproveitando a confusão, Mihael e Mail rapidamente puderam escapar para os jardins, onde sabiam que poucos se aventurariam em um dia frio como aquele.

– Quem podia imaginar que isso ia acontecer... – Mello comentou quando encontraram um canto com bastante sol e se sentaram.

– Mas por um lado é bom, né? Se livrar da pressão desse orfanato de vez em quando... Até os gênios precisam de uns momentos para relaxar. São seres humanos.

– É... pode ser. – Mello ainda estava com raiva do comentário maldoso que escutara alguns minutos antes, mas, ao sentir a mão quente de Mail sobre a sua, se esqueceu. Entrelaçando os dedos aos dele e deitando a cabeça em seu ombro, Mello sentiu algo subir por seu braço e se alojar em seu peito, aquecendo-o com um amor que, ainda que não soubesse, jamais conseguiria viver novamente sem.

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– Isso é assédio sexual, sabia?

Mail estava realmente tentado a concordar. A forma como pressionava o corpo de Mello contra a porta estava excitando-o mais do que o normal. Ali, dentro de um dos boxes do vestiário masculino da quadra poliesportiva, cada pequeno som, por menor que fosse, era reproduzido em eco, fazendo a voz envergonhada de Mello parecer ainda mais alta.

Olha essa expressão... Eu poderia até...

Mihael estava indefeso. Sua cintura envolta por um dos braços de Mail tremia cada vez que este mordia seu pescoço ou o puxava para perto. A outra mão do ruivo, ocupada com a coxa do loiro, era responsável pelos gemidos baixos que ecoavam pelo lugar, os quais o mais velho mal conseguia controlar.

– Quer gritar pedindo ajuda? – a mão do ruivo escorregava ocasionalmente para a bunda do outro, que parecia prestes a lhe dar um soco.

– T-tira a mão daí. – Matt ria com a voz tremia que ecoava pelas paredes. – E eu não te daria o prazer de gritar.

– Você... – ele sussurrava. – pode me dar prazer de outras formas.

Mello riu com o comentário, mas não fez tentativa nenhuma de se desvencilhar. Pelo contrário, tudo o que fazia era puxar o ruivo pelos ombros e beija-lo com desejo, permitindo ser mais e mais pressionado contra a porta.

Ei, Mello... Você faz ideia... Do quanto eu fantasiei com isso?

A mão livre do mais novo passeava pelo corpo do loiro, brincando com cada pedacinho. Durante o trajeto, cada vez que percebia uma mudança no comportamento do outro, fosse um tremor, um retesamento dos músculos ou mesmo um ofego, ele marcava o local mentalmente. Não queria perder um só detalhe, desejava conhecer Mello perfeitamente de cima a baixo.

Você consegue imaginar... quanto eu o quero?

Matt rapidamente ergueu a perna do outro contra sua cintura, podendo sentir e até mesmo ver como Mello estava excitado. O volume contra aquela roupa preta era mais do que notável, de modo que o loiro fechou os olhos de tanta vergonha. Percebia o braço de Mail se estreitando mais e mais em sua cintura, o corpo do ruivo colando-se ao dele, além daquela mão atrevida que ele insistia em manter em sua perna, sustentando-a no ar.

Pode ouvir as batidas do meu coração... chamando o seu nome?

O mais velho estava ficando sem ar. Os toques que Matt distribuía por seu corpo o deixavam tonto e um pouco febril. Respirar parecia um ato mais difícil a cada momento que passava, tão confusa que sua mente estava. Todo o seu foco estava em não se deixar ser vencido, em continuar são até o final.

– Mello... Posso tocar... aqui? – a mão do ruivo finalmente soltara sua perna e agora pairava por entre ambas, apenas aguardando permissão. Seus beijos na bochecha e no lóbulo do loiro tinham como objetivo distrai-lo de todo aquele nervosismo, o que não estava funcionando muito bem.

– Q-que? Nh...

– Só vou usar a mão, prometo. E eu nem preciso olhar, se você não quiser.

Imbecil, imbecil, imbecil, imbecil! Não fica dizendo essas coisas em voz alta! – Mello tremia um pouco enquanto fazia o possível para esconder o rosto no ombro do mais novo. – Mas que merda! Por que eu tenho que ficar duro JUSTO AGORA?

– Vai ser gostoso. – a língua de Mail brincava com a parte de trás da orelha de Mello, deixando-o arrepiado. – Ou você está com tanto medo que nem consegue responder?

... Cara, isso é tão estranho!... E-eu não devia... mas ele... ARGH, COMO ESSE CARA ME IRRITA!

Com um levo aceno de cabeça, quase imperceptível, Mello lhe deu permissão para que continuasse. Se Matt estava assim tão disposto em fazê-lo se sentir bem, ele não seria burro a ponto de recusar. Além disso, aquela era uma clara tentativa do ruivo para desestabilizá-lo e Mello não cederia facilmente. Perder sem lutar era algo que não combinava com ele.

Medo? Há! Parece que não me conhece tanto assim, Matt.

Ah, Mello... Você é tão previsível.

– Mello... – os cabelos vermelho-escuros roçavam na bochecha alheia enquanto Matt sussurrava em seu ouvido. Arrepios percorriam cada centímetro daquele corpo trêmulo, desde a cabeça latejante até as pernas frágeis, apenas aguardando o que o outro faria a seguir. – Tudo bem... relaxa. – Matt disse delicadamente, enquanto seus dedos brincavam com os cordões da calça de Mello.

Esses lábios quentes... Agora eu sei como esse ruivo arrumava mulher o tempo todo.

Com a braguilha de Mihael aberta, Mail infiltrou delicadamente a mão por aquele pequeno espaço, massageando ainda sobre o tecido fino. O efeito foi mais do que instantâneo: o loiro imediatamente cravou as unhas nas costas de Mail e passou a resmungar baixinho em seu pescoço, o que realmente lhe deu cócegas, mas ele nem pensou em reclamar. Estava muito ocupado em ouvir os ofegos e as tentativas ridículas de Mello em ocultá-los.

– M-Matt... Ugh...

– É bom? – o ruivo lentamente diminuiu o ritmo, procurando toca-lo de forma mais profunda e prazerosa.

Droga... Eu não posso dizer...

–Nh... Ahn...

– Quando faz isso sozinho... Você pensa em mim, Mello? – ele distribuía beijos pela face corada, esperando pelo momento certo para tocá-lo corretamente. Por um momento, o mais novo chegou a parar os movimentos por completo, só para ouvi-lo reclamar. Aquela voz doce quase o fez vacilar, de modo que foi por muito pouco que Mail não o aliviou. Ainda não era a hora de deixar Mello nas nuvens: deveria brincar com ele até que derretesse.

– N-não...

– Não o quê? ... Que você não pensa em mim... ou que não quer que eu pare? – aqueles dedos longos invadiram a boxer branca, tirando delicadamente o que estava ali para fora. O movimento foi tão súbito que Mihael não teve tempo de conter o suspiro.

Que bonitinho... – Matt precisava se controlar muito para não cair na risada. – Ficou durinho.

– Matt...

– Hum?

– V-vai...

Desta vez Mail riu. Talvez estivesse torturando o pobrezinho demais, afinal, ficar só segurando-o daquele jeito, sem acariciar devidamente, parecia desagradável.

– Como quiser.

E, mais rápido do que Mello teria julgado ser possível, Matt começou a masturba-lo.

– U-ugh...

Mello... Eu estava falando sério antes, sabia? Em que você pensa enquanto eu faço isso?

– M-Matt... – o loiro sussurrou, agarrando-se ainda mais a ele.

– Hum?

– M-matt... Matt...

Os lábios se encontraram em meio aos suspiros, umedecendo uns aos outros. A voracidade dos sentimentos de cada um se fundiu naquele precioso beijo, onde procuraram vasculhar cada canto da boca do outro. Os ofegos abafados de Mihael faziam Mail sorrir, porque sabia que era ele quem causava aquele efeito no loiro.

Em meio àqueles toques, o loiro se contorcia tentando manter o foco. A temperatura de seu corpo subia em um ritmo alarmante, deixando seus próprios movimentos fora de seu controle. Os gemidos arrastados que escapavam de seus lábios pareciam pertencer à outra pessoa, mas ele sabia que não; tudo era causado por aquela mão deliciosamente quente, que não lhe dava descanso. Mail estava subjugando-o sem qualquer esforço, o que o deixaria furioso se a situação fosse outra.

– Nh... Aah...Mmn...

– Eu sei o que está pensando, Mello... Acha que mostrar o quanto isso é gostoso vai ser o mesmo que ser fraco. Como se estivesse perdendo pra mim... – ele fez uma pequena pausa, enquanto Mello continuava a se contorcer de agonia em seus braços. Como o ruivo lia sua mente com tanta facilidade? – Mas não é verdade. Não quero te obrigar a nada. Eu aceito ser totalmente submisso a você, Mihael. – o mais novo olhou diretamente em seus olhos, um sorriso pervertido abrindo espaço naqueles lábios finos, deixando claras as suas intenções. Aquela simples visão deixou Mello estonteado e ele se segurou nas paredes para não cair. Por alguns segundos aquela cena não se alterou, mas logo Mail começou a se ajoelhar diante do loiro.

O que esse idiota vai... – Mihael se perguntava, antes de concluir o óbvio e arregalar aqueles olhos azuis. – Ah, não.

– Matt, não...

– Não o que? Eu não disse nada. – Mail riu e, segurando naqueles quadris magros, lambeu os lábios com a visão de Mello suando frio.

– Não faz isso. – o loiro tentava olhar para o lado, mas aquela expressão pervertida de Matt o atraía. Droga, ele tinha que ser tão sexy?

– Vai dizer que não quer? – Mail ergueu uma sobrancelha, desafiador. Sem parar de fita-lo, o ruivo agarrou aquele membro esquecido e latejante, lambendo a ponta. – Hum?

Desgraçado, é óbvio que eu quero! Mas isso é tão...

– ... molhado. – sussurrou antes que pudesse se controlar.

– Disse alguma coisa? – Mail beijava em volta, rindo das reações tímidas do mais velho.

Dois podem jogar esse jogo, Matt!

– Mail... por favor... – o loiro empurrava a cabeça do outro contra seu baixo ventre, pedindo mais contato. Seus olhos entreabertos, assim como os lábios, imploravam para que Matt parasse logo com aquela tortura. Ele estava pulsando tanto... tinha certeza de que não aguentaria por muito tempo.

Matt enlouqueceu com a cena. A voz arrastada de Mello, aquela expressão... Ah, o loiro finalmente conseguira deixa-lo maluco.

Segurando pela base, o ruivo colocou boa parte do membro de Mello na boca, sugando com toda a vontade que a falta de vergonha na cara lhe permitia.

– Aahn!

Isso, Mello. São esses sons que eu quero ouvir.

Mail movia a cabeça bem lentamente, tentando encaixar a maior parte possível de Mello em seus lábios. O loiro, porém, parecia nunca estar satisfeito, jogando o pescoço para trás enquanto investia mais e mais fundo contra a boca do ruivo.

Eu quero mais, Matt!

Loiro maldito, é a primeira vez que eu faço isso! Vai com calma...

– Ghh... – Mail se engasgou várias vezes, mas não parou nem por um momento. Já podia perceber o quanto Mello estava molhado, então era apenas uma questão de tempo para que estivesse satisfeito.

Tão bom... Ah, meu corpo... vai derreter...

Mm... M-ma... – Mello já podia sentir: aquele tremor bem no fundo do estômago, um arrepio que fazia tremer todo o corpo, a sensação de que o momento estava vindo. – V-vai sair!...

Mail teve pouquíssimos segundo para se afastar quando o loiro gozou, mas um pouco do líquido o atingiu na bochecha e na boca, fazendo-o tossir e arquejar. Mello se contorceu em um leve espasmo ao se ver, finalmente, livre daquela incômoda ereção.

– Podia ter avisado um pouco antes, né? – reclamou para Mello, que escorregara pela porta até sentar-se no chão frio. Sua expressão era tão tranquila que podia estar dormindo.

– Desculpa, é que... – ele respondeu depois de uma longa pausa. — ... você é bom nisso. – mal acabara de dizer e suas bochechas tingiram-se de vermelho.

Mail riu fracamente. O que haviam acabado de fazer era muito mais do que ele esperava. O loiro se mostrara tão entregue naquele momento, tão indefeso... Ele realmente ficara muito feliz. Poder ver Mello naquele estado por sua causa era muito gratificante. Fazê-lo se sentir daquela forma era importante para o mais novo. Mello era tudo o que ele tinha. Seu mundo inteiro resumido em uma única pessoa. Tudo o que Mail mais queria na vida era fazer Mello feliz, não importando qual papel assumiria para isso. Mihael queria um amigo? Sem problema. Um confidente? Ótimo. Um amante? Perfeito.

Mail seria qualquer coisa que ele desejasse.

– Eu sou bom em várias outras coisas também... – o sorriso de Mail se alargou, mas Mello se encolheu contra a porta. Sua expressão era difícil de ler. Ele parecia... com medo? Nervoso? Aterrorizado? Com receio? Em pânico? Triste? Cansado?

Não, ele está... Ansioso?

Muito lentamente, como se estivesse prestes a dar o bote, Mail se aproximou engatinhando daquele Mello acuado. As roupas do loiro estavam em farrapos, bem mais bagunçadas que o usual. Sua calça aberta e as marcas de chupões o deixavam quase irreconhecível. Mail não sabia se era coisa da sua cabeça, mas o loiro parecia estar... tremendo?

Não, não é possível... Será?

O loiro engoliu em seco. Seu coração estava disparado. Ele se sentia tonto, como que prestes a desmaiar. Matt estava cada vez mais perto, o rosto a poucos centímetros do dele. Queria fugir em pânico dali e, ao mesmo tempo, não queria mover um músculo. Suas pernas não respondiam. Sua mente não conseguia se controlar. Estava entrando em colapso por dentro e Matt notou claramente isso.

Definitivamente, aquele não era o Mello que enfrentara os órfãos mais cedo.

– Mello...? – o ruivo parou por um momento, hesitando. Agora que se acalmara, uma vozinha parecera falar no fundo de sua mente. Ele tentou afastá-la, mas ela continuou ali, insistindo para que ele a ouvisse. Uma simples frase, dita por alguém horas antes, o fez desistir de continuar.

‘’Amor? O que você sabe sobre amor, Matt? Está mais do claro que sente uma atração por Mello, mas posso garantir a você que nem de longe isso é amor. Você é só mais um escravo de seus hormônios. Tudo o que quer é transar com ele e depois dispensá-lo, como fez com várias das suas namoradas! O que Mello diria se soubesse disso?’’

Droga... – Matt pensou ao se afastar. Sabia que não havia verdade nenhuma naquela frase. Era a primeira vez que se sentia daquela forma, mas podia afirmar com certeza que amava Mello. Não importava o que lhe dissessem, aquele fato não mudaria. O que realmente o incomodava naquela afirmação era a parte de querer apenas transar com ele.

Será que aquele sentimento tão forte, aquele elo que o mantinha ligado a Mello desaparecia depois da relação sexual? Talvez aquela sentença estivesse certa, talvez... Só talvez, aquele amor não passasse de algo físico. Afinal, quantas vezes Mail sonhara com o loiro em situações vergonhosas? Quantas vezes desejara fazê-lo somente seu, ouvi-lo gritar somente um nome?

Eu sou tão egoísta. Pensando só em mim, nas minhas necessidades, e ignorando os sentimentos de Mello. Ele nunca transou com um cara antes, deve estar assustado!

E mais importante de tudo, o que Mail deveria fazer agora? Continuar? Não, isso seria o mesmo que querer que Mello o odiasse para sempre... Desistir de vez e nunca mais tocar no assunto? Sair andando como se nada tivesse acontecido? ... O ruivo decidiu que, dos males, o menor.

A insegurança dele é tão contagiosa! – Mail suspirou, mas logo afastou o pensamento.

– Eu... vou limpar isso antes que chegue alguém. – e, levantando-se, ajudou Mello a fazer o mesmo.

O loiro o observou ir até as pias lavar os indícios do acontecido. Uma névoa que antes ocultava sua mente pareceu lentamente se dissipar, permitindo-o pensar direito. Começou a fechar os cordões da calça de qualquer jeito, só para se distrair. Uma ideia começara a martelar em sua cabeça desde que Mail se afastara dele minutos antes. O ruivo parecia prestes a prosseguir, quando a lembrança de algo incômodo o fizera parar. E aquilo estava seriamente irritando Mello.

Por que você parou, idiota?

Lentamente as sobrancelhas franzidas do loiro se tronaram uma expressão de preocupação.

Será que... foi alguma coisa que eu fiz?

Ele engoliu em seco, olhando para o outro. Este agora arrumava os cabelos bagunçados que Mello tanto puxara. Parecia não perceber os olhos do outro em si, mas, se percebera, estava ignorando.

Mihael trincou os dentes, sem conseguir entender. Aquele maldito! Ele não passara tanto tempo tentando conquista-lo, tentando fazer com que o loiro o notasse? Não sofrera tanto ao saber que Mello rejeitava sua opção sexual? E depois, quando finalmente o loiro pensara melhor e decidira tentar uma relação com ele, Mail não o queria mais?

Você pensa que isso é mais um de seus jogos, Matt? Acha que depois de atingir seu objetivo você pode simplesmente deixa-lo guardado em um canto, esquecido, até que decida brincar com ele de novo?

Apesar de ambos quererem (e muito) discutir o assunto, nenhum deles falou. Mello simplesmente ajeitou suas roupas e seguiu pisando forte para fora do vestiário. Espumava de raiva, mas a anta que caminhava logo atrás dele fingiu não perceber.

Notas finais
(Agora a temporada vai ter 28 capítulos kk é oficial agora, sério. Não vejo a hora de escrever a segunda o.o ~cheia de ideias~)