Stalemate

24 XXIV. Pequenos passos.


Notas iniciais
Poucos dias de atraso, nada demais >.< Então... alguém pediu um cap grande? kkk



Aquelas cinco semanas se arrastaram mais do que véspera de feriado.

Com o pleno sucesso da cirurgia de Mail Jeevas, no orfanato não se falava de outra coisa. Após a retirada do tumor em seu pulmão, todos aguardavam ansiosamente o final de sua recuperação, principalmente um certo loiro, mesmo que entre os dois adolescentes pairasse uma aura estranha.

Todos que visitavam Mail pareciam não perceber (ou ignoravam) o fato de que ele estava rindo como um bêbado somente à menção do nome do outro, que, estando presente, apenas revirava os olhos. Quando os visitantes deixavam a sala, o loiro se apressava em acompanha-los, não querendo ficar sozinho na companhia do mais novo.

Que merda eu estou fazendo... – ele pensava todas as vezes. – Não é como se eu devesse fugir nem nada...

Em contrapartida, tendo em mente as atitudes evasivas de Mello, Mail não se importava nem um pouco. Depois de tantos anos estudando seu comportamento, ele podia claramente entender por que o colega de quarto agia daquela maneira. Mello não estava acostumado com aquele tipo de contato entre dois homens e, somente por isso, Matt aturou pacientemente a situação.

Já dei o tempo que você precisava, Mello... – o ruivo sorria para a parede ao lado com malícia. – Amanhã eu recebo alta e você não vai escapar de mim.

– Matt?

O ruivo se recompôs ao ouvir a voz de Watari. Girando o corpo na direção da porta ele se sentou, um pouco surpreso.

– Watari...

– Me perdoe pela ausência. Estava muito atarefado com... bem, melhor esperar por ele antes de explicar. Mas de qualquer forma, também vim por sua causa, Matt! Fiquei preocupado com sua recuperação. – ele avançou alguns passos e abraçou Matt pelos ombros, que retribuiu o tão raro toque de Watari.

– Eu nunca estive melhor, Watari.

– Pelo que alguns enfermeiros andaram me contando, acredito que seja verdade. – ele se afastou e piscou carinhosamente para o ruivo, que sorriu.

Uma batida leve foi ouvida e Mello esgueirou a cabeça para dentro, o que fez o sorriso de Mail se alargar.

– Ah, Mello! – Watari exclamou. – Estávamos esperando por você. Vejam, eu não queria contar isso agora a vocês, principalmente a você, Matt, na situação em que se encontra, mas receio não ter... muito tempo.

Mello, após fechar a porta atrás de si, trocou um olhar nervoso com Matt. Aquela não era a primeira vez que ouviam o inventor falar de forma tão sombria.

– O que está acontecendo, Watari?

– Bem, Mello, acho que você e Matt estão mais do que cientes a respeito do caso Kira.

Eles assentiram.

Há dias que os murmúrios dos funcionários, antes baixos e sem importância, transformaram-se em um aviso oficial de L. Pelo visto, fazia quinze dias que criminosos de alta periculosidade morriam misteriosamente de parada cardíaca, sem apresentar qualquer sintoma anteriormente. De início, alguns alunos incrédulos não deram muita atenção ao fato, mas, como as mortes somente aumentaram, todos foram forçados a crer na hipótese de L.

De acordo com o detetive, o serial killer (ou kira, como era conhecido pelos meios de comunicação) estava atrás de todo e qualquer criminoso, podendo causar sua morte sem encostar-lhe um dedo, precisando apenas do nome e rosto do bandido. Sobre esse misterioso ‘’justiceiro’’ a polícia não detinha nenhum conhecimento, mas L assegurava que o assassino se encontrava na região de Kanto, no Japão.

– Ele quer ajuda com o caso? – Mello perguntou esperançoso.

Watari sorriu.

– Por enquanto não. L não costuma pedir ajuda com tanta facilidade. Está irritado só por ter que contar com a polícia... Aos olhos dele, isso é um sinal de que está perdendo e isso é algo que Ryuuzaki não pode aceitar. – ele fez uma pausa, escolhendo com cuidado as palavras. – Na verdade ele me mandou aqui para transmitir uma mensagem a vocês. L teme que algo aconteça a ele neste caso e, em sua ausência, quer que vocês dois e Near continuem o legado dele. É seu desejo que, juntos, vocês três continuem a levar justiça ao mundo.

– Eu me recuso a trabalhar com Near. – Mello olhou firme para Watari, que sorriu compreensivo e trocou um olhar rápido com Matt.

– Entendo que pense assim agora, mas peço que reconsidere, Mello. Isso é importante para L. – o loiro desviou o olhar, sem responder. – Mas mudando um pouco de assunto... Mello, seu aniversário está chegando, certo? – ele assentiu – Ryuuzaki disse que, desta vez, lhe dará o presente que você escolher.

As safiras se iluminaram e era quase possível ver o cérebro de Mello trabalhando nas opções.

– SÉRIO? QUALQUER COISA?

Watari sorriu.

– Qualquer coisa. Mas não se afobe, você tem alguns dias para pensar. E Matt... L lhe deseja melhoras, assim como eu. Agora tenho de ir... Nos vemos no natal.

Com um sorriso ainda mais largo e acolhedor do que de costume o homem de cabelos brancos ralos deixou o quarto, fechando delicadamente a porta ao passar.

– VOCÊ OUVIU ISSO, MATT? ELE DISSE QUALQUER COISA! Ha, como eu queria que Near ouvisse isso! Duvido que L já tenha lhe dado alguma coisa... E muito menos que tenha lhe visitado pessoalmente! – Mello ria como uma criança, o que era extremamente contagiante.

– Já sabe o que vai pedir? – Mail tinha que se controlar para não apertar as bochechas alheias.

– Ainda não... Mas não quero ficar incomodando. Esse caso parece ser um dos mais difíceis que ele já enfrentou... E ainda assim não quer ajuda... Não gosto disso. – Mello comentou com um bico (provavelmente involuntário) que Mail achou extremamente fofo.

– Eu também não, Mello. Se L já era doido quando se encontrou com você, deve estar a um passo do hospício agora.

– L é um gênio, Matt. Não dá pra negar isso. Eu quero ser como ele... Ou melhor, quero superá-lo. E farei isso sem a ajuda do anão cabeçudo.

Ouviu Mello falar com tanta admiração de L sempre fazia o peito de Mail doer um pouquinho. Sentia inveja do detetive por receber tanta atenção do loiro, enquanto ele tinha tão pouca. Se alguma vez ele sonhara em ser como o moreno, fora apenas para que pudesse ser alguém especial para Mihael.

– É claro que vai. Você é mil vezes melhor que o Near.

Mello o olhou, agradecido, mas logo desviou o olhar. Parecia ter finalmente percebido que estavam sozinhos.

– E-eu vou jantar... A gente se vê quando você sair.

– Mas... – a voz do mais novo morreu quando a porta se fechou e ele sacudiu a cabeça, rindo.

Ainda mal passava das duas da tarde.

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– E seria bom se você não se agitasse muito. E além disso...

Mail estava prestes a cometer um homicídio. Com sua mão ao redor da maçaneta, suas roupas de costume vestidas e seus tênis calçados, ele estava mais do que louco para sair daquele quarto miserável quando uma médica maldita começou a lhe fazer recomendações. Ele estava aturando muito bem nos dois primeiros minutos, por uma questão de educação, mas agora sentia que seu sapato iria acidentalmente parar na boca daquela velha tagarela se ela dissesse mais uma palavra.

– ... sem falar que se machucar a região da cicatriz, você pode...

– Olha, eu agradeço o que fez por mim e tudo mais, mas eu realmente preciso ir. – dando as costas para a mulher, ele disparou daquele projeto de inferno para os corredores da Wammy’s.

Apesar de correr como um condenado, forçando mais do que suas pernas podiam aguentar, ele sentia que a distância entre a enfermaria e seu quarto havia aumentado. Claro que as várias crianças que bloqueavam seu caminho para cumprimenta-lo o atrapalhavam, mas ainda assim parecia que quanto mais andava, mais longe estava de seu destino.

Subindo o último degrau e virando à direita, finalmente, ele o alcançou. O corredor do terceiro andar que dava para o dormitório masculino estava, aparentemente, deserto e somente após uma boa olhada Mail pôde distinguir dois vultos mais do longe.

– ... tão lindo hoje, Mello.

De novo não. – Mail cerrou os dentes e avançou correndo.

Não era frequente e muito menos comum mas, de vez em quando, alguns dos meninos mais velhos davam claramente em cima de Mello. Geralmente eles apenas lançavam olhares furtivos e sorrisos tortos, alguns até assobiando quando ele passava, mas uns poucos, como o que agora se encontrava na frente do loiro, ultrapassavam qualquer limite.

Este devia ter uns dezoito anos ou mais e sorria de um jeito que faria qualquer um que o encontrasse sozinho sair correndo. Usava uma jaqueta marrom de couro e calças negras com correntes douradas laterais, além de um boné que não combinava em nada com seu rosto adulto. Seus olhos não deixavam por um segundo os de Mello, que fora empurrado até uma parede próxima. Faltava muito pouco, pelos cálculos de Matt, para sair fogo daquelas órbitas azuis.

– Diz para aqueles seus amigos idiotas... que se eles se aproximarem de mim de novo, vão ficar muito piores do que você.

Mais rápido que um piscar de olhos, o loiro deu uma joelhada no estômago do homem, que revirou os olhos e segurou a barriga com um dos braços. Mello logo lhe desferiu um soco que fez sua boca sangrar, o que o deixou furioso. Antes que pudesse avançar, porém, Matt correu e se colocou entre os dois, as esmeraldas fixadas no rosto do agressor.

– Ele não quer nada com você, cara. Vai embora.

O outro riu de forma grotesca e deu dois passos para trás, ciente de agora estar em menor número.

– Eu vou voltar, Mel, quando o seu cãozinho de guarda não estiver por perto. – sorrindo, ele continuou seu caminho e desapareceu escada abaixo.

– Eu devia ter chegado antes... – Mail mordia o lábio, irritado por ter sido capaz de fazer tão pouco. Sabia que Mello podia cuidar muito bem de si mesmo, mas ele se sentia na obrigação de protegê-lo.

– Você chegou na hora. Eu ia dar uma surra nele. – eles se encararam e Mail sorriu debochado.

– Ah é? Duvido. Eu teria que vir buscar os seus restos depois.

– Você não sabe do que eu sou capaz. – ele sorria, mais Mail ficou sério.

– ... Vem cá, Mello. – tomando o loiro pelo pulso, ele o arrastou até o quarto que dividiam, entrando e fechando a porta.

– Mas o qu... – Matt o empurrou com o corpo até o lado interno da porta, segurando seu pulso com firmeza ao lado de sua cabeça e prendendo-o ali, sem possibilidade de escapar.

Eles se encararam. Mello alternava o olhar daqueles olhos verdes penetrantes para os lábios de Mail. Ele estava tão perto. Apenas alguns poucos centímetros os separavam.

Ou foi assim por certo tempo. Logo o ruivo cortou aquela mínima distância, selando os lábios com os de Mello.

– Huum! – Mello ofegou, totalmente despreparado. Os lábios de Mail já estavam prendendo-o em seu laço, deixando-o quase sem reação. A temperatura pareceu subir vários graus enquanto o ruivo colava seu corpo ao dele, prensando-o mais e mais contra a porta. Havia uma ferocidade em seus movimentos que Mello não conseguia entender, como se a qualquer hora algo acontecesse e eles não pudessem mais continuar aquele momento.

Como resposta ao beijo delicioso que trocavam, o loiro começou a ceder cada vez mais, até sentir uma fisgada forte em seu baixo ventre e afastar o ruivo com a mão livre.

– M-Matt, espera...

Mail não demorou em perceber que as bochechas de Mihael estavam coradas e, para ele, aquilo foi o fim da linha. Agarrando também o pulso livre do loiro, ele ergueu ambos contra a porta e os segurou de modo a impedir o mais velho de se mover. Seus olhos esquadrinharam rapidamente aquela expressão surpresa e ele aproximou o rosto até quase tocar os lábios alheios. As esmeraldas encaravam duramente as safiras quando Mail falou, sua voz saindo assustadoramente calma.

– Fica quieto.

Mello não confessaria, mas estava um pouco assustado. O tom de Mail era uma ordem e, por algum motivo, aquilo o arrepiou dos pés à cabeça. O olhar do outro lhe era desafiador, como se dissesse: Você começou com isso. Vai se acovardar agora?

Novamente Mail o beijou, dessa vez com mais calma. Movia-se com cuidado, experimentando cada tipo diferente de chocolate guardado naquele interior. Assim como Mello, ele agora não parecia ter pressa para terminar e ambos suspiravam a cada contato mais profundo, fazendo suas nucas se eriçarem.

Bem lentamente, enquanto se acostumavam um com os lábios do outro, Mail foi libertando os pulsos de Mello para que seus braços pudessem se ocupar com a cintura do loiro. Este, como que por reflexo, acariciou as bochechas do Jeevas, que riu baixinho entre o beijo. Os toque tímidos de Mihael o incitavam a ultrapassar cada vez mais limites, de modo que seus corpos estavam quase que literalmente grudados. Isso deixava o loiro bem constrangido já que, a cada vez que Mail o puxava para perto, ele sentia algo muito estranho lá embaixo, o que o fazia ofegar e estremecer nos braços do mais novo.

Tão sensível... – Mail sorria. – Esse é um lado seu que eu não conheço, Mello.

O mais novo não media esforços para provoca-lo. Alisava a parte exposta da cintura de Mello até deixa-lo arrepiado, sendo preciso muito autocontrole para não rir baixinho. Sem qualquer aviso o ruivo cortava bruscamente o beijo, apenas para ouvir o outro suspirar em desaprovação, e retomava antes que ele pudesse reagir.

Desgraçado... – Mello pensava ou, pelo menos, tentava.

Vários segundos se passaram até que Mello, precisando desesperadamente de ar, empurrou o mais novo no peito. Este cortou o beijo, mas manteve o abraço. Mello ofegava profundamente, a atenção focada no ponto mais distante da sala. Sentia o olhar de Matt em si, mas não conseguia encará-lo.

– ... Satisfeito?...

A resposta sussurrante de Mail chegou ao seu ouvido, provocando o efeito desejado.

– ... Não.

Mello se sobressaltou. Empurrava o ruivo com as duas mãos, mas este resistia. Não tinha ideia do que mais podia fazer para se livrar de todo aquele constrangimento.

– I-isso não tem graça, Matt. Sai daqui.

– Por que você foge de mim? – ele continuava a sussurrar, o que para Mello era um golpe muito baixo, já que o arrepiava.

– Que ideia idiota é essa?

– Você fica me empurrando, Mello, quando na verdade está gostando de me beijar.

NÃO FALA ISSO EM VOZ ALTA, IDIOTA! – o loiro virava a cabeça ainda mais para o lado, xingando-se mentalmente por sentir tanto calor no rosto.

– E-eu não to gostando nada, você é que...

– Não tem mais ninguém aqui. Já pode parar de fingir, Mihael.

Os ombros de Mello relaxaram um pouco e, depois de ainda relutar por alguns momentos, ele finalmente pôde encarar seu colega de quarto (que agora era um pouco mais do que isso). Ele viu o próprio reflexo naqueles olhos verdes e percebeu que não podia recuar.

Ou melhor, que não queria.

Segurando-o pela gola, Mello uniu os lábios aos dele e, pela primeira vez, tentou lutar pelo domínio. Foi divertido para Mail, já que este teve mais trabalho para subjuga-lo. No final, depois de vários risinhos e suspiros, Mello finalmente se entregou.

E assim passaram durante vários minutos, sem se importar com o tempo que passava. Todo o mundo exterior pareceu deixar de existir e todo o universo pertencia apenas aos dois.

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Mello sentava-se tranquilamente sobre uma das poltronas da biblioteca deserta, um livro grosso aberto em seu colo. Seus olhos estavam baixos, mas ele apenas fingia ler. Não conseguia se concentrar em outra coisa que não fosse os momentos anteriores passados com Matt.

– C-chega... eu ... tenho uma coisa pra... – sua respiração acelerada e o olhar esquivo não ajudavam muito na mensagem firme que Mello tentava passar.

– Mello... Mello... – ele sussurrava e o puxava pela cintura, beijando suas bochechas em uma trilha em direção aos lábios.

– Eu disse pra parar! – o loiro o empurrou, usando mais força do que necessário. Mail fez uma careta de dor e se afastou, a expressão nebulosa e confusa. – Argh! – Mello saiu irritado e ainda mais confuso do quarto, a cabeça e o coração latejando duramente.

Ele não conseguia entender o que estava fazendo. Como deixara as coisas chegarem àquele ponto? Por que permitira a Mail se aproximar tanto e fazer o que bem entendia?

– Ruivo imbecil, irritante, maldito, desgraçado... – ele resmungava, virando bruscamente as páginas. – Quem ele pensa que é pra ficar me agarrando daquele jeito?

Mas foi você quem beijou ele primeiro, Mello. – uma vozinha ecoou no fundo de sua mente.

Não precisa me lembrar disso!

Talvez você esteja tão irritado porque não quer admitir que sente algo por ele.

Eu não sou gay e não gosto dele! Ponto final.

Pode mentir o quanto quiser para os outros. Mas mentir para si mesmo só vai lhe fazer mal.

Ótimo. – ele pensou por fim. – Fiquei tanto tempo com aquele viado retardado que agora falo comigo mesmo.

– Mello? – alguém sussurrou em próximo ao seu ouvido e Mello, assustado, pegou o primeiro objeto que viu (o livro) e bateu na cara do desconhecido. – AI!

– I-idiota! – Mello levantou, se deparando com um Mail segurando o nariz.

– Doeu! – ele reclamou fazendo bico.

– Foi sua culpa. Quem mandou chegar por trás dos outros assim?

– Você é cruel, Mello. Se pelo menos desse um beijinho pra sarar...

– Disse. alguma. coisa? – ele ergueu o livro de forma ameaçadora.

– Eu? Disse nada. Nadinha.

– Tsc... – Mello revirava os olhos enquanto Matt ria. – O que é?

– Nada não... Ah... Lembrei por que vim aqui. – ele remexeu no bolso traseiro e tirou uma barra de chocolate. – O novo sabor que você queria experimentar.

– Ah, valeu... – o loiro estendeu a mão para pegar quanto Mail abriu o pacote e colocou um pedaço na boca. – Ei!

– Quer? – o ruivo tentou falar, mas saiu como um ‘’nheer?’’. Mello assentiu e o mais novo sorriu com malícia, apontando com o indicador para o próprio lábio.

Ele só pode estar de brincadeira.

– Nem. ferrando. – e, com isso, eles começaram a disputa de quem-fica-com-a-barra-de-chocolate. O loiro tentava pegar, mas Mail o bloqueava com o próprio corpo, tirando o objeto de seu alcance. – Matt, me dá o chocolate agora!

– Vem pegar então. Ou... você pode provar de um jeito mais fácil. – o ruivo pegava rapidamente um quadradinho e colocava na boca, suspirando em aprovação. – Huum...

Mello cerrou os punhos de raiva, mas não desistiu. Continuou a tentar alcançar a barra e, quando estava prestes a conseguir, com seu rosto quase colado ao de Mail, este lhe roubou um beijo.

– Mmmf! – o mais velho mal teve tempo de reagir, visto que o outro já lhe pedia passagem com a língua e enlaçava sua cintura com a mão livre.

Esse chocolate é bom... Ah, Matt. Que golpe baixo.

Logo os dois andavam, aos tropeços, para um dos corredores da biblioteca, posicionando-se entre duas estantes particularmente altas. Mello contava com aquilo para protegê-los dos curiosos, mas Mail pouco se importava. Para ele, era excitante a ideia de alguém poderia entrar a qualquer momento e descobri-los naquela situação.

– Isso... não é justo. – o loiro reclamava, fazendo bico.

– Eu nunca disse que seria justo. – Mail mordia de leve aqueles lábios vermelhos antes de retomar o beijo.

– Huum... – o loiro suspirava, dando um pouco de trabalho a Matt, que tentava acompanha-lo.

Ele gosta tanto de chocolate assim... ou o beijo que é tão bom?

Mello puxava-o para perto, suas unhas pretas fincadas na camiseta listradas (de vermelho e branco) de Mail. Vários minutos se passaram até que ele começasse a relaxar, o que obrigou o ruivo a colocar outro pedaço de chocolate na boca.

Matt seu maldito... Se você não parar, não sei se consigo...

– Matt... e se virem... a gente aqui? – o mais velho falava entre os beijos, sua voz soando mais fraca que o normal.

– Se quiser... eu posso dizer que te obriguei. – Mail respondia no mesmo tom, aproveitando para tomar fôlego.

– Eu vou parecer fraco assim.

– Você não é fraco, só... caiu na minha armadilha.

– Armadilha?

– É. – Mail colou o corpo ao de Mihael e aproximou os lábios do ouvido alheio, seus braços em torno daquela cintura magra. – Minha armadilha pra seduzir você.

Mello riu.

– Você não me seduziu, idiota. Na verdade, nem é tão bom assim.

– Ah é? Alguém parecia estar gostando bastante há alguns segundos atrás... – seu tom diminuiu ainda mais, se tornando sussurrante, e Mello se repreendeu mentalmente ao pensar no quanto parecia sensual. – Não é... Mihael?

– U-ugh... P-para de falar... se alguém te ouvir...

– Você tem medo?

– Não é medo. – ele respondeu com sinceridade. – É só... estranho.

– Então a gente podia... sabe... tentar fazer você se acostumar com isso.

Mello desviou o olhar, mesmo contra sua própria vontade.

– E-eu não sei ainda... Mail.

O rosto de Matt se iluminou, um sorriso enorme surgindo em seus lábios. Beijou com carinho a bochecha de Mello antes de gruda-la com sua própria bochecha.

– Não precisa pensar nisso agora, ta? – O mais novo, depois de dobrar a embalagem do chocolate e guarda-la de qualquer jeito no bolso, usou os dois braços para dar um abraço carregado de afeto no outro.

– ...tá. – Mello correspondeu prontamente, o corpo um pouco amolecido. Aquele abraço era ainda mais confortável do que se lembrava.

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Naquela madrugada Mail acordou com o som de resmungos.

Lentamente seus olhos se abriram e ele se virou para a cama na qual Mello dormia. Um sorriso triste surgiu em seus lábios ao ver que o loiro se encontrava encolhido sob os lençóis, com os braços em torno do travesseiro, do mesmo modo que fazia ao ter pesadelos.

Desde pequeno o mais velho agia daquela maneira. Sempre que algo de errado acontecia, ele fazia de tudo para superar sozinho, recusando-se a pedir qualquer ajuda. Desde que chegara na Wammy’s se esforçara para não depender de ninguém, afastando todos que tentassem se aproximar.

Agora chega disso. – Mail pensava ao se levantar e balançar lentamente o ombro do outro. – Assisti você lutar sozinho várias vezes, Mello. Hora de romper a bolha na qual você se encolheu.

– Nh... – loiro murmurava ao coçar os olhos. – Matt... valeu por me acordar. Meu sonho era... muito estranho.

Estranho não era a palavra certa para definir o pânico que Mello tentava esconder e Matt sabia disso, mas nenhum dos dois comentou.

– Mello, eu tava pensando... Será que... a gente pode dormir junto hoje?

A expressão de Mail era tranquila, com um leve sorriso, como se estivesse sugerindo uma caminhada no parque. A de Mello, por outro lado, era de tanta vergonha que até suas orelhas ficaram vermelhas.

– O QUE?!

– Dormir junt... – Os olhos de Matt se arregalaram. Ele finalmente entendera o nervosismo do outro. – A-AH NÃO! N-não é isso que você tá pensando! E-eu não quis dizer isso, quer dizer... só se você quiser, mas... – as palavras saíam aos tropeços. – E-eu falei tipo... dormir um do lado do outro.

– Pra que? – ele desviava o olhar, ponderando sua resposta e tentando controlar o riso.

– É que... tá meio frio hoje. – Mail, é claro, não podia dizer que vira o loiro em tal situação constrangedora.

– Diminui o ar condicionado.

O mais novo respirou fundo, se controlando. Era hora de tentar uma técnica diferente.

– Vou colocar de outro jeito, Mello... Eu finalmente saí daquela enfermaria irritante e acho que tenho direito a alguma comemoração. E o que eu quero... é deitar do seu lado.

– Você é um pé no saco mesmo... Não pode ser outra coisa?

– Mello, por favor... – o ruivo se esgueirava para perto dele, afastando as cobertas da cama de Mihael e entrando sob elas.

– Não, pede outra cois... Ei, sai daqui!

– Meeeeeello! – ele segurava os pulsos do loiro, impedindo-o de empurra-lo para fora da cama. – Por favooor! Caramba, eu esperei dois anos pra ter você e agora fica me expulsando?

– Mas que merda é essa? Eu não sou seu, coisa nenh... – havia várias coisas que ele queria dizer a Mail (nenhuma das mais agradáveis), mas este o interrompeu com um beijo longo e profundo. Mihael, talvez por estar cansado, não resistiu, permitindo a provocação do ruivo.

– ... Por favor. – o bico e a carinha de Matt foram demais para o mais velho, que concordou.

– ... SÓ hoje. – e, dito isso, virou as costas para o colega de quarto, pronto para dormir. Mail, ainda não estando satisfeito, pegou o controle do ar condicionado no criado mudo e diminuiu muito a temperatura do ambiente.

– Por que mexeu no negócio? – Mello perguntou sonolento.

– Porque é mais gostoso dormir assim no frio.

Mello bocejou e se encolheu para dormir, sem perguntar o que seria o ‘’assim’’. Porém, dois minutos se passaram e ele começou a tremer de frio, os dentes batendo. Somente quando seu corpo estava todo arrepiado, ele forçou-se a olhar de soslaio por sobre o ombro.

Mail estava deitado de lado, o braço esquerdo estendido sobre a cama e o direito junto do corpo, como se estivesse dando espaço a alguém. Contrariado e amaldiçoando o outro mentalmente, Mihael se arrastou para perto e encolheu-se próximo ao corpo do adolescente. Logo os braços de Mail se fechavam em torno dele, uma risadinha ecoando em seus ouvidos.

– C-cala a boca, isso não é engraçado! – Mello agora tentava se soltar e pegar o controle, mas era tarde demais: Matt o prendera.

– Desculpa. – e, sorrindo, o ruivo o beijou carinhosamente na testa. – Boa noite, bebê.

Mello revirou os olhos e, por um instante, pensou em discutir. Entretanto, ao ver a expressão de contentamento de Mail, muito semelhante à de uma criança, ele foi forçado a mudar de ideia. Além disso, o corpo dele emanava tanto calor que o loiro não sabia se realmente era capaz de sair dali.

Enquanto o ruivo o envolvia em seus braços e o fazia sentir-se mais e mais cansado, Mello parecia resistir em permanecer acordado.

Não posso... deixa-lo vencer. – o resquício consciente de sua cabeça o dizia que aquilo era uma disputa, mesmo que todo o resto lhe dissesse para relaxar e deixar que Matt o confortasse e arrastasse para um mundo tranquilo e sem sonhos.

Só... hoje. – ele finalmente se decidiu e, tão logo fechou os olhos, acabou por adormecer.

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// Stalemate //

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– Ótimo, eles saíram!

Mello, para variar, estava irritado. Havia acabado de perder (outra vez) em uma prova para Near e, se não fosse Mail, provavelmente teria esganado o albino. Fora com muito custo que deixara a Wammy’s e fora até o Canil, precisando urgentemente tratar de negócios com Sid. E, é claro, pra fechar com chave de ouro, eles não estavam em casa.

Seu dia com certeza não podia piorar.

– Vamos esperar. – Matt sugeriu. – Daqui a pouco eles voltam.

Bufando, Mello se jogou no sofá e ligou a TV. Mail o acompanhou, observando-o pelo canto do olho.

Naquele dia, Mihael estava mais bonito que de costume. Havia deixado o cabelo crescer um pouco mais e repicado as pontas, dando um ar um pouco mais rebelde. Seu colete deixando à mostra uma parte da cintura estava bem arrumado e suas calças pareciam mais apertadas que de costume, valorizando suas leves curvas (ou era Mail que as olhara por muito tempo). Suas botas negras com pequenos saltos reluziam, assim como o preto de suas unhas e da jaqueta felpuda. Tudo parecia contrapor com a pele e os olhos claros do adolescente, deixando-o ainda mais atraente.

– Tá olhando o que? – ele definitivamente estava de mau humor.

– Nada não. Só percebi que você tá bonito hoje.

Mello ergueu uma sobrancelha para ele e voltou sua atenção à TV. Pelo jeito não estava com vontade de conversar.

Desistindo, Matt o acompanhou (outra vez). Não sabia qual era o filme que estava passando, mas parecia interessante. Eles assistiram em silêncio por algum tempo, até que...

Ótimo. – Mail pensou, irônico. – Cena de sexo.

Quando eram mais novos era comum que, ao assistirem algo do tipo, eles trocassem risadinhas e comentários maliciosos. Com todos os estudos e pressões, eram raros os momentos em que podiam agir como meninos normais e, portanto, sempre que uma oportunidade surgia, eles a aproveitavam.

Porém, como é de se esperar de crianças da Wammy’s House, eles amadureceram muito rápido, precisando deixar de lado algumas práticas infantis e sem propósito. Ainda assim, não sabiam o que esperar um do outro diante daquilo, agora que, além de Mello saber da preferência sexual de Mail, estava muito incerto sobre sua própria.

O loiro olhou com cuidado para a tela, tentando não deixar transparecer nenhuma reação. Mesmo assim, era impossível não sentir nada. As imagens eram rápidas e mudavam a todo instante, além do volume alto que não ajudava em nada.

Mail, entretanto, seguia uma linha diferente de pensamentos. Sabia que Mello ainda estava indeciso e respeitava isso, não culpando o loiro de forma alguma por se sentir excitado com o filme. Ele mesmo não estava tão calmo quanto demonstrava. Seu foco era na mulher do filme que, de forma brilhante, Mail percebeu que era loira. Doce, gentil e sensível, ela não era nem de longe parecida com Mello, mas ainda o fazia lembrar dele, de alguma forma.

Me pergunto se Mello gemeria assim comigo... Será que ele é sensível?

– Pff... – Mail mordia o lábio, tentando não rir. O loiro ergueu novamente a sobrancelha para ele.

– O que é tão engraçado?

– Você.

– Eu o que?

– Ficou com vergonha. – ele o olhava com um sorriso bobo, ajeitando os goggles sobre os cabelos.

– Por que eu ficaria?

– Suas pernas. Você cruzou.

Mihael arregalou os olhos por um instante, mas logo se recompôs.

– E daí?

O ruivo revirou os olhos e engatinhou na direção do outro, sorrindo de forma mais pervertida que o habitual.

– E daí... Que você tem algo aí dentro que não quer que eu veja.

– Vai.se.ferrar.

Mail riu e se aproximou, sentando-se bem pertinho de Mello e deitando a cabeça em seu ombro.

– Sério agora... a parte sobre você estar bonito era verdade.

Mello demorou um pouco para responder.

– ... você também... não tá feio. – isso não fazia jus à realidade. Matt estava deslumbrante.

Desde que saíra da enfermaria (há quase duas semanas) seu comportamento estava completamente diferente. O ruivo agora acordava com disposição, sempre sorridente e feliz da vida. Arrumava-se com ainda mais capricho, ajeitando suas calças jeans e sua blusa listrada antes de sair e dobrando-as cuidadosamente ao colocar o pijama. Como agora o inverno estava intenso, também adicionara um colete sem mangas listrado às roupas diárias, o que, juntamente com suas madeixas vermelho-escuras e os goggles alaranjados, dava à sua aparência uma mistura exótica que Mello realmente gostava.

Quanto mais estranhas as coisas lhe parecem... Mais elas te fascinam, Mello, do jeito bom ou do ruim

Não é hora de lembrar disso! – ele se repreendeu.

– Mello.

– Hum? – bastou o loiro olhar em sua direção para que Matt lhe roubasse um selinho. – E-ei!

– Tão fofo... tão... – as pálpebras de Mail pesaram quando ele se aprumou no sofá, de modo a ficar com o rosto próximo e na mesma altura que o de Mello.

– Matt, eu ainda não...

– Não pode responder? Tudo bem. – Mail colocou uma mecha loira para trás da orelha de Mello, sorrindo. – Mas eu não vou parar até que possa.

Segurando aquele rostinho com as duas mãos, o mais novo o beijou pacientemente, inclinando o corpo em sua direção. O loiro deslizava sem perceber pelo sofá, deitando-se em uma posição um tanto sugestiva. Estando sob Mail, ele circundou seu pescoço com os braços, suspirando lentamente ao ter o lábio inferior sugado. O ruivo, quase que com um sobressalto, percebeu que ambos estavam na mesma situação que os personagens do filme, sendo ele o homem e Mello a mulher.

Calma Mail. Não vai ficar nervoso e assustar ele. Vai com calma...

Mello se encolhia como se tivesse vergonha, mas não protestava. Seus movimentos acompanhavam os de Mail, que agora apoiara as mãos nos lados de sua cintura, tentando não cair sobre ele. Mesmo assim, o loiro o puxou durante a maior para do tempo para perto, até afastá-lo um pouquinho para respirar. Seu rosto estava levemente quente e vermelho e seus olhos pesavam, fazendo parecer que estava um pouco excitado. O que, é claro, não era de todo mentira, mas não fazia bem nenhum para o autocontrole de Mail.

Não fica animado com isso, não fica, não fica... Ah, droga.

Mello ainda recuperava o fôlego quando o ruivo se abaixou, não mirando os lábios alheios, mas a bochecha. Trilhou um caminho de beijos dali até o pescoço do loiro, o qual começou a chupar e lamber.

– Aah! – Mihael deixou escapar, o corpo subitamente alerta. Já estava bastante aceso desde a cena do filme, de modo que realmente não pôde controlar.

Depois disso, Mail não se conteve. Sugava, lambia e até dava umas mordidinhas; qualquer coisa para manter aquela sensação boa em Mello. O loiro resmungava, tentava empurrá-lo, pedia para que parasse, mas suas exigências vinham tão entrecortadas por suspiros e baixos gemidos que Mail mal as ouvia. Cada som de aprovação de Mello era motivo para que tentasse algo mais, tudo para proporcionar o melhor dos sentimentos ao loiro.

Tão entregue... Será que ele percebe que arqueia as costas na minha direção, implorando pra ser tocado?

– Mello... E-eu posso...

– ...inalmente chegamos! – a porta foi aberta com um solavanco, revelando Sid e Caster que pararam abruptamente. Se pareceram atônitos com a cena foi somente por um instante, já que logo seus rostos se abriram em sorrisos. – Então finalmente o loiro abriu as asinhas? Ah, somos dois então, Mello querido. Estou oficialmente largando as mulheres.

– Ótimo, três gays na minha sala. Não tem jeito melhor de passar o domingo... Ah, cara, vocês têm mesmo que fazer isso no meu sofá? – Sid suspirava ao fechar a porta.

As vozes dos mais velhos pareceram clarear a mente de Mail, que baixou os olhos e se deu conta do que estava fazendo. O pescoço de Mello estava cheio de marcas, algumas mais claras e outras bem visíveis, mas esse não era o problema. O fato era que o loiro não parecia tão contente. Seu corpo estava clamando por Mail, mas não era isso que sua mente queria (ou pelo menos não por enquanto). E ambos estavam prestes a fazer algo imbecil, que magoaria Mello mais do que tudo que o ruivo já havia feito, simplesmente por terem ficado um pouco... alterados.

Eu sou tão idiota.

– Então, o casal vai sair do meu sofá ou não? Arrumem um motel ou algo assim.

Mello não o encarava. Não parecia triste ou irritado, era mais como se estivesse... envergonhado com a atitude selvagem de Matt e com a própria. Precisava com urgência se acalmar. Se não estava nem pronto para se dizer homossexual, como poderia se deixar levar com tanta facilidade assim? Aquela sede deveria ser contida, pelo menos até colocar seus sentimentos em ordem. Caso contrário, Mello tinha medo de fazer algo e se arrepender depois.

– Mello? Matt? Terra chamando os viadinhos? Tem gente falando aqui.

Matt rapidamente se levantou, sentando na ponta oposta do sofá. Mello também se ajeitou, a atenção voltada para Sid.

– Que foi?

– Como assim ‘o que foi’? Eu moro aqui! Quero deitar no meu sofá, então tirem a bunda daí... Ah, é... – Sid se lembrou de algo. Virando-se para Caster, ele estendeu a mão. – Pode ir me pagando.

– Tsc... merda. – O cara do gel colocou uma nota de cem na mão do outro.

– O que apostaram? – o ruivo perguntou descontraído, querendo logo mudar de assunto.

– Apostamos em quem seria a mulher entre vocês dois... e eu estava certo! – o moreno se aproximou e enlaçou o pescoço de Mail, brincando com seu cabelo. – Nunca duvidei de você, garanhão!

– Meu cabelo!

Caster desatou a rir e mesmo Mello abriu um sorrisinho, apesar do que o homem dissera dele.

De volta aos lugares, eles passaram longos minutos tratando de negócios. Mello, principalmente, parecia não ter pressa nenhuma em encerrar a conversa, o que para o mais novo não era surpresa. Ele estava apenas fugindo do assunto principal, outra vez.

Para com isso. – Mail se xingou. – Precisa dar mais espaço e tempo pra ele.

Deste modo, o ruivo passou a conversa inteira no mais completo silêncio, incluindo o trajeto de volta. Seu maior receio era de que sua boca o traísse, revelando seus pensamentos.

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// Stalemate //

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– ... não vai pedir pra dormir comigo hoje?

Melo se perguntava o que havia de errado com Matt. Desde que saíram do apartamento (se é que dava para chama-lo assim) de Sid, o ruivo estava cauteloso com ele: não fazia comentários maldosos, não o importunava com bobagens e nem sequer o tocava com segundas intenções. Basicamente, o loiro fora deixado em paz a tarde inteira e, se comparado ao comportamento anterior de Matt, aquilo era um mau sinal.

– Mas... você não fica bravo quando eu faço isso? – Mail rolou em sua cama de modo a encarar o loiro do outro lado do quarto.

– Eu não disse isso...

– Mas fica me chutando pra fora da cama. Todo dia.

– É só que... é... – Mello desviava o olhar.

– Mello, depois do que aconteceu lá no Sid eu não sei mais se você gosta ou se eu só ‘tô te obrigando.

Esse lerdo... E ainda tem coragem de dizer que me conhece. – Mello apontou o dedo para ele e falou duramente:

– O-olha aqui... se eu realmente quisesse me livrar de você, eu já teria feito isso há muito tempo. Então... p-para de falar bobagem e usa essa cabeça de vez em quando.

– Seu rosto tá corado. – Mail inclinava a cabeça um pouco para o lado, como fazia quando criança.

– V-VOCÊ OUVIU ALGUMA COISA DO QUE EU DISSE?

– Aham! – Mail mordia o lábio, feliz da vida. Levantou-se com um pulo e praticamente se jogou sobre o loiro, abraçando-o forte. – Mello, seu lindo! Não precisa ter vergonha.

– V-vergonha? Quem ta com vergonha, imbecil? ... Ugh, eu já disse que você é pesado, ruivo maldito?

– Mello... Mello... – ele dava beijos em sua bochecha, deixando-a mais vermelha e febril. — ... Mihael.

As safiras se ergueram lentamente para ele.

– ... por que você fica me chamando assim?

– Porque é o seu nome. E porque é uma coisa que só eu sei sobre você. – Mail sorriu para ele como uma criança. – Eu gosto disso.

– Mas o Watari também sabe.

– ... Mello, não corta o clima.

– Mas isso não faz sent... – o ruivo o silenciou com o indicador e Mello lhe deu um olhar como se perguntasse ‘’sério?’’.

– O amor não tem sentido, Mihael. Você só o sente... e aceita.

O mais velho tirou o dedo do outro de seu lábio e riu.

– Essa foi a coisa mais gay que eu já ouvi.

Sorrindo, Mail se inclinou e o beijou bem lentamente, tão feliz que o coração parecia explodir no peito. Mello, agarrando suas costas, correspondeu com todo o sentimento que pôde, colocando em atos o que não podia transformar em palavras.

Esse cara... Eu o odeio. E, ao mesmo tempo...

As línguas se enroscavam, prendendo um ao outro. Era intenso, molhado e tão delicioso que nenhum dos dois tinha a menor vontade de parar. As vozes de suas almas gritavam uma pela outra, sedentas de desejo. O calor que envolvia seus corpos era suficiente para fazê-los arfar, tal beijo ardente que trocavam. Não se recordavam de ter precisado controlar com tanto vigor a árdua tentação que tinham diante dos olhos. A atração física obscurecia o lado racional de suas mentes, levando-os a quase sucumbir por completo.

Quando finalmente se afastaram, depois de alguns minutos, Mail não podia estar mais feliz.

– Bem melhor assim, né?

– É... – Mello olhava para baixo – ... você tá pegando o jeito.

Ambos riram e se encolheram sob as cobertas, bem aquecidos. Mail escondera seu rosto no pescoço de Mello, o que fez o loiro rir.

– A gente dormia assim antes, lembra? Quando você tinha pesadelos.

– Sabia que... às vezes eu nem tinha? Só queria dormir com você.

– Safado.

Foi a vez de Mail rir.

– Talvez... eu já gostasse de você naquela época.

Aquilo foi o suficiente para calar o mais velho. Mail o estava jogando contra a parede e ele ainda não tinha ideia do que responder.

– A-ah, não precisa dizer nada agora. – o ruivo se apressou em completar, percebendo o silêncio. – Eu sei como é estranho no início. Não se preocupa.

Mihael o abraçou com mais força, esperando que aquilo fosse resposta suficiente. Suas pálpebras já pesavam quando virou o rosto para dar um beijo na bochecha de Mail. Este riu baixinho, repetindo o gesto no pescoço do mais velho, que se arrepiou.

Tão logo a lua iluminou o céu, Mello adormeceu, deixando Mail alguns minutos em claro. Este erguia os olhos de vez em quando, admirando a expressão tranquila do outro. Irritava-se consigo mesmo ao pensar em quanto tempo perdera com pessoas sem valor, das quais ele nem ao menos gostava, se poderia ter tentado com Mello muito antes.

Deixa pra lá. – ele pensava.

Finalmente o que queria era seu.