Stalemate
4 IV. O doce chocolate quente de Mail.
Notas iniciais
– Parabéns Matt!
Para todos os estudantes, as aulas já haviam começado. Na sala de Mail, onde estavam os alunos de seis a nove anos, o professor de álgebra lhe dava os parabéns.
Após passar um problema extremamente complexo no quadro negro, chamara o ruivo de olhos verdes para resolvê-lo.
O pequeno, um pouco corado e trêmulo, levantara e resolvera corretamente, ganhando aplausos de todos, exceto de um loiro de olhos azuis que comia chocolate ao fundo da sala.
Mail voltava, caminhando timidamente, para seu lugar ao lado do loiro.
– Nada mal para o primeiro dia. – Mello comentou, rindo. – E eu já te disse, não precisa ser tão tímido.
Mail sentou-se e desviou o olhar para o chão, as mãozinhas fechadas sobre as coxas.
– N-não é algo que eu possa controlar... – Corou ainda mais.
Mello riu e pegou uma pequena barra, estendendo ao ruivo.
– Chocolate? – Perguntou, abrindo outro sorriso.
O ruivo aceitou, levando-o timidamente à boca e aprovando com um discreto aceno de cabeça, alargando o sorriso do loiro.
Algumas crianças cochichavam, à volta, totalmente impressionadas, olhando e apontando para os dois. Mail, se é que era possível, corou ainda mais e escondeu o rosto entre os cabelos, enquanto Mello olhava à derredor, irritado.
– O que é? – Perguntou, seco, para um grupo de meninas que olhavam para eles. Elas se sobressaltaram e viraram para frente, observando o professor que gesticulava com a mão.
O loiro franziu o cenho para os demais, que voltaram sua atenção para frente.
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– Mello... – O ruivo perguntava, um pouco tímido, enquanto sentavam sob uma grande árvore, nos jardins.
– Fala.
– Sabe... Mais cedo... Na aula de álgebra?
O loiro parou de comer seu chocolate e olhou para o outro, observando-o com atenção.
– Sei.
– Por que... – Mail corava levemente. – Todos estavam apontando pra gente? – As duas esmeraldas ergueram-se timidamente para o mais velho ao seu lado.
Mello riu.
– Digamos que... – Ele desviou o olhar para frente, pensativo. – Eu não costumo dividir meus chocolates.
Mail continuou a olhá-lo, interrogativo, esperando uma explicação. Mas os olhos azuis do loiro apenas fixaram-se rapidamente em Mail e ele riu, abrindo sua barra de chocolate preferida e mordiscando um pedaço.
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Alguns dias depois.
– Ei, Mello.
Mail e Mello se encontravam nos jardins, no topo de uma grande amoreira, sentados em um galho alto e grosso. Mello apoiava as costas no tronco, comendo chocolate e observando os arredores, enquanto Mail lia um pequeno livro azul.
– Que foi?
– Você gosta de chocolate quente?
O loiro se aprumou.
– Eu... Acho que nunca provei.
O rosto de Matt se iluminou, suas órbitas verdes brilhando de entusiasmo.
– Então olha só! – Mail inclinou-se para o lado, mostrando uma das páginas do livro azul para Mello. Os dois leram as poucas linhas rapidamente, as perninhas do ruivo balançando no ar. – Fácil, né? Eu posso fazer pra você... – Ele corou e abaixou os olhos, arrumando os goggles sobre a cabeça. – Se... V-você quiser.
– Eu quero! – O loiro falou, os olhos azuis arregalados de excitação.
Mail erguera os olhos para ele e, sorrindo, pegara em sua mão.
– S-sério?
Ambos coraram. Talvez pelo toque repentino ou pelo olhar que recebiam um do outro.
Por instinto e por curiosidade, Mello concordara. A pequena mão quente de Mail sobre a sua parecia aquecer-lhe as bochechas.
Os lábios cheinhos de Matt curvaram-se em um sorriso tímido.
– Vamos?
Uma brisa, nem forte nem fraca, passou pelos jardins da Wammy’s. Afastara os cabelos ruivos de Mail para o lado, tornando seu rosto radiante ainda mais adorável. Mello, ainda com a mãozinha ligada ao outro, olhava-o, atônito. Sentia o vento afastar-lhe as mechas loiras, o ar fresco penetrando em seus pulmões e revigorando seus pensamentos.
Foi impossível não sorrir de volta para o ruivo à sua frente.
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Mesmo alguns dias depois de provar o chocolate quente de Mail, Mello ainda lembrava-se do gosto. Doce, envolvente, o chocolate derretia rapidamente em sua boca.
Com sua natureza insistente, tentou de diversas maneiras fazer com que o ruivo lhe fizesse a bebida mais vezes, mas este recusou.
– Por que você não tenta? – Mail argumentava, talvez pela décima vez.
– Porque eu gosto daquele que você faz! – Mello erguera-se, irritado.
Todos no refeitório observavam o desenrolar da cena. A criança mais briguenta do orfanato, Mello, discutia audivelmente com seu melhor amigo, Matt. Os dois conversavam mais para o fim do ambiente, um pouco afastados, e todos os outros, distribuídos entre as mesas, cochichavam com vigor.
Mello levantara de um salto, os cabelos loiros chanel balançando pelo movimento, assim como suas vestes negras excessivamente largas. Estreitava os olhos azuis para o ruivo a sua frente, que corava mais a cada segundo, percebendo a quantidade de gente que os observava.
– Faz pra mim!
Mail suspirou, entediado, ao mesmo tempo em que sentia sua vergonha aumentar. Os fios vermelhos lhe cobriam os olhos, mas não as bochechas coradas. Torcia, por baixo da mesa, a blusa larga e listrada com as mãozinhas levemente gordinhas.
Toda aquela atenção lhe deixava apreensivo.
– T-Tá.
Apesar de querer que Mello aprendesse por si mesmo a fazê-lo, estava sendo muito pressionado naquele momento. E não era como se ele não gostasse de ver Mello feliz por algo que ele houvesse feito.
– Sério?
O rosto do loiro se iluminou. Era ótimo ter alguém que fizesse algo tão gostoso para ele sempre que quisesse. E embora parecesse egoísmo de sua parte, tinha certeza de que Matt, de certo modo, gostava de agradá-lo.
– É. – O ruivo respondeu, baixinho. Suas perninhas balançavam, incomodadas, como se quisessem sair correndo dali.
Mello sorriu vitorioso e, sem pensar, agarrou o pescoço do ruivo em um abraço. Mail corou violentamente, mas, antes que pudesse expressar qualquer reação, o loiro o soltou e, juntos, deixaram rapidamente o refeitório, sob muitos olhares curiosos.
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