Notas iniciais
Eu não coloquei Yaoi no gênero porque seria pegar pesado demais. Não rola absolutamente nada além de insinuações. xDD

Aquela risada perturbadora e inconveniente estava começando a incomodá-lo ainda mais.

“E então, eu consegui rebater mesmo assim! Gokudera, você tinha que estar lá. Foi demais!”

O braço-direito do Décimo não ouvia uma única palavra do outro guardião; na verdade, concentrava-se em tentar imaginar como diabos Yamamoto podia cogitar a possibilidade de ele gostar de suas malditas histórias daquela porcaria que ele chamava de beisebol.

“E quando todos começaram a gritar, nossa, foi o melhor!”

E aquela risada.

Gokudera tentou manter a calma e retomar o raciocínio, tragando seu cigarro com algo que ele não chamaria de “expressão amigável” estampado em seu rosto.

“Daí...”, ele finalmente fez uma pausa. “Ei, você está me ouvindo? Gokudera? Eeeei?”

O outro não respondeu. Yamamoto continuou, então:

“Gokudera? Ei, Dera? Gokkun?”

‘Isso está começando a ficar realmente incômodo’, pensou, lutando contra o impulso de esfregar o cigarro na cara daquele bastardo.

“Ei, você está me ignorando? Gokudera?... Hayato?”

Certo, foi a gota d’água. Quem aquele maldito achava que era para chamá-lo pelo primeiro nome? E o maldito havia, sim, percebido como aquilo o irritava.

“Hayato? Então, como eu dizia, Hayato, a cara que o treinador fez, hahaha, foi o melhor mesmo! Eu queria muito qu-”

Cansado de ouvir a mesma coisa durante tanto tempo, Gokudera jogou o cigarro no chão, virando-se.

“STAI ZITTO!”, gritou, e, assim que percebeu que o havia feito, sentiu seu rosto ficar levemente vermelho.

Yamamoto parecia estático.

Gritar “cale a boca” em italiano não fora a melhor das escolhas que Gokudera podia ter feito; fazia algum tempo que não falava com alguém propriamente, então sua língua travava em certas sílabas. O fato da frase ter saído com um sotaque japonês ridículo o colocava numa posição constrangedora.

Mas aquele retardado não sabia falar italiano, muito menos como devia soar, então tudo que teve de fazer foi controlar-se para não se sentir ridículo e não corar – foi o que fez, pelo menos até o momento em que percebeu um sorrisinho no canto do rosto dele.

“O que é!?”, cuspiu as palavras, retirando o maço de cigarros do bolso.

Takeshi riu.

“Do que você está rindo??”, perguntou mais uma vez, amassando a caixinha impulsivamente. ‘Droga’, pensou, deixando logo de lado.

Enquanto Hayato mantinha-se ocupado imaginando que Yamamoto havia entendido o que queria dizer, o mesmo continuaria pensando que aquilo fora alguma declaração, uma vez que seu amigo havia corado daquele jeito que ele achava tão fofo.

E os dois continuaram seus caminhos em silêncio, ambos aparentemente felizes com o que haviam concluído, por mais errados que estivessem. Ou nem tanto.

Notas finais
Obrigada por ler!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!