Srta. tanto Faz
1 Ronnie
-Oi. – Resolvi começar da forma mais normal possível, afinal ela é tão distraída que nem perceberia, assim como todas as outras mães.
- Ronnie minha filha! -gritou arregalando os olhos – O que fizeram com você? Mandei minha filhinha lindinha e me devolvem neste estado deplorável?
- Mãe, ninguém fez nada comigo. — disse num tom áspero, destacando cada palavra.
- Claro que fizeram são 3 argolas nas orelhas, uma no nariz e DREADS, DREADS nos cabelos, só de imaginar o trabalho que deve dar pra manter essa coisa limpa.
- Tá legal mãe, chega, vou pro meu quarto.
- Não vai jantar?
- Não.
Eu nunca fiz questão de me dar bem ou ter um relacionamento feliz com a minha mãe, afinal, por culpa dela nunca tive meu pai, e como consequência aprendi a “me bastar” , nunca construí laços de verdade, como amigos da escola ou de lugares em comum. Levo essa decisão como uma opção espontânea pois, acabei desenvolvendo um vicio, ficar sozinha tornou – se um hábito quase obsessivo. E, em relação a minha mãe, bem, detesto sua mania de limpeza até com a higiene dos meus dreads ela se preocupa, sua histeria fora de série e alem das inúteis tentativas de algum contado amoroso.
O quarto rosa estava me sufocando, é ridículo ver tudo a sua volta estagnado enquanto apenas você evolui de uma forma negativa infelizmente. Decidi sair, andar um pouco pela praia, após 5 meses em Nova Iorque havia me esquecido completamente de como é sentir o vento,a areia e o mar de Long Beach.
Sentei em uma rocha e comecei a lembrar dos meses em Nova Iorque, como uma lampejo de memória lembrei do garoto insuportável que encontrei no Central Parque. O avistei de longe roubando a carteira de uma senhora, mudei o caminho, não queria ser testemunha de um roubo. Na semana seguinte esse mesmo cara tromba comigo enquanto praticava sua hipócrita corrida.
- Desculpe. — falou em um tom amigável.
- Tanto faz. — berrou descontroladamente.
- Não queria te machucar, é desnecessário tanto descontrole. — disse enquanto pegava a bolsa do chão.
- Tan-to faz. — disse tomando sua bolsa e indo embora.
Se não tivesse visto o que vi, até acreditaria que esse cara poderia ser alguém educado e gentil, um bom ator eu diria, quem desconfiaria de um garoto educado, com um olhar doce e convidativo alem de extremamente atraente?
Estava tão imersa em meus pensamentos, as horas tornaram – se praticamente imperceptíveis, quando me dei conta o sol já estava se pondo.
O ator ladrão não foi a única pessoa que me lembrei, pensei bastante no meu pai, em como minha vida seria se ele estivesse incluso nela, minha mãe sempre disse que um dia iria me contar tudo, mas, até hoje nunca soube nada, eu precisava apenas de um nome...
A noite de LB sempre me encantou, é o máximo andar pelas ruas vazias, é como se a cidade fosse só minha, como se ela fosse meu único ente querido, a única “pessoa” que me acolhe verdadeiramente. Após um longo suspiro resolvi voltar pra casa.
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