Notas iniciais
Eu não tenho nem palavras pra esse capitulo...........

As semanas transcorreram tranquilas no Vale do Café, mas nem tão tranquilas assim na casa dos Benedito. Dona Ofélia ainda estava indignada com a ideia de Elisabeta ter conseguido um trabalho em São Paulo, e gritava para os quatro ventos que jamais perdoaria a filha. As meninas Benedito, por outra lado, estavam todas eufóricas, sem exceção, cada uma à sua maneira. Lídia só pensava nas boutiques chiques e nos homens ricos e bonitos que poderia encontrar em São Paulo quando fosse visitar a irmã. Cecília sonhava com as Bibliotecas, Teatros e Museus da cidade. Mariana já fazia planos de ir com Luccino, há um tempo já estavam procurando peças para a construção de uma motocicleta para Mariana, que estava fascinada com a ideia de pilotar em meio aos homens sob o disfarce de um misterioso motoqueiro. Jane estava feliz pela irmã, uma felicidade genuína. A loira não compartilhava das ambições da irmã, mas possuía uma preferência nada silenciosa por Elisabeta, e qualquer coisa que fizesse a irmã feliz automaticamente a faria feliz também.

Elisa já havia enviado dois textos a Venâncio. Ele havia dito em sua carta que ela não precisaria mudar-se para São Paulo, pelo menos não de imediato, mas a moça estava decidida a ir mesmo assim. Há três dias recebera uma carta de Laura Vieira, que elogiava não só a escrita de Elisa, mas também sua coragem e determinação. A carta terminou com um sincero agradecimento e um convite para jantar na primeira oportunidade. O lançamento da sua coluna havia gerado burburinhos e controvérsias na redação e na cidade, mas, ao mesmo tempo, atiçou a curiosidade de homens e mulheres, que compraram o jornal na expectativa de saber até onde a tal Elisabeta Benedito iria. O modo como seus textos foram recebidos despertou em Elisa uma urgência ainda maior para mudar-se para a capital, ela queria mostrar seu rosto, queria que as pessoas soubessem quem era Elisabeta Benedito, a jornalista.

Foi Darcy quem acalmou um pouco a ansiedade da namorada, sugerindo que os dois fossem juntos, afinal ele sempre teria negócios a resolver na capital e queria que fosse ele a mostrar a cidade a ela. Tinha esperanças de que a experiência com Elisabeta em São Paulo apagasse o mal-estar que ele sentia sempre que colocava os pés na cidade, por conta de todas as memórias tristes de sua infância. Queria levar Elisa ao Teatro e principalmente ao cinema. Estava bastante ansioso para isso, na verdade. Ele compraria pipoca e decoraria cada expressão maravilhada do rosto da namorada quando as primeiras cenas surgissem na tela.

O relacionamento dos dois estava de vento em popa. Agora todos do Vale já tinham conhecimento do namoro de Darcy e Elisabeta e era comum ver os dois andando de mãos dadas, ou cavalgando juntos, ou se encontrando na casa de chá. As visitas de Elisa à ferrovia tornaram-se frequentes, local para onde ela ia simplesmente para passar o tempo. Conversava com Darcy enquanto ele trabalhava, ouvia as histórias dos funcionários e, principalmente, escrevia. Uma semana atrás Darcy mandou fazer uma pequena escrivaninha para a namorada, a colocando estrategicamente de frente para a sua, de modo que ele poderia olhá-la concentrada escrevendo quase todas as tardes.

No sábado da viagem, Ema organizou um pequeno jantar de despedida para a amiga na Fazenda Ouro Verde. Charlotte optou por ficar no Vale, estava gostando da amizade que crescia cada vez mais com as meninas Benedito. As irmãs se abraçaram e choraram na despedida. Seu Felisberto mal conseguia conter todo o orgulho que sentia ao ver a filha indo conquistar o mundo que ela tanto sonhou.

— A vida na capital não é tranquila como aqui no Vale, e por isso sei que você ficará deslumbrada com São Paulo assim que pisar lá. Mas mantenha seu foco, não se deixe ser engolida. Sempre lembre-se de quem você é, de onde veio. Nunca se cale diante das injustiças e dificuldades, o espaço que você conquistou é seu, continue lutando por ele. E visite seu velho pai sempre que possível, eu vou morrer de saudade. Pode ter certeza de que lerei tudo que você escreve. Sua mãe não admite, mas tem guardado seus textos do jornal na terceira gaveta da biblioteca. Estamos orgulhosos. Amo você.

Elisabeta sequer procurou enxugar as lágrimas, pois sabia que ao abraçar o pai mais lágrimas cairiam. Ela o amava muito e era imensamente grata a ele por tudo. Seu pai a conhecia como a palma de sua mão, e sempre sabia o que falar. Não iria decepcioná-lo.

Dona Ofélia aproximou-se do marido e da filha com lágrimas nos olhos que ela insistia em esconder, mesmo sendo impossível no estado em que se encontrava. Puxou Elisabeta para um abraço e ao final dele acariciou o rosto da filha.

— Tem certeza de que não quer desistir dessa ideia maluca? Isso não vai dar certo, Elisabeta! Eu estou com um pressentimento ruim. Mas sei que você vai de qualquer jeito, porque seu pai lhe estragou e você é minha filha impossível. Prometa que vai tomar cuidado, meu coração tá pequenininho do tamanho de um botão de tão apertado.

— Eu prometo, mamãe. Eu sei me cuidar. Amo você.

Ofélia depositou um beijo na testa da primogênita e foi difícil soltar sua mão. Era difícil ver uma filha partir.

Darcy abriu a porta do carro para a namorada e a ajudou a se acomodar. A noite estava escura, não havia muitas estrelas no céu, mas ele conhecia bem o caminho, chegariam logo cedo pela manhã, descansariam na casa de Julieta e depois ele deixaria Elisa no jornal. À noite a levaria no cinema.

Começaram a viagem em silêncio, Elisabeta ainda lutava, discretamente, com uma lágrima solitária que teimava em cair vez ou outra. Não havia muito o que olhar pela janela com aquela escuridão, mas Darcy respeitou o espaço da namorada, depositando uma mão na coxa dela enquanto dirigia.

Até que a moça adormeceu. O jovem lorde alternava seu olhar entre a estrada e a linda mulher que dormia no banco ao lado. A última coisa que imaginou que aconteceria ao sair da Inglaterra era se apaixonar, e ali estava ele, completamente encantado por Elisabeta Benedito. Não havia mais como fugir do que sentia, e muito mesmo esconder. Era mais do que paixão, era amor. Ele segurou uma mão de Elisa e levou à boca, depositando um beijo ali. Soltou rapidamente quando precisou colocar as duas mãos no volante para tentar desviar do carro que se aproximava deles, na contramão, prestes a colidir. Darcy puxou o automóvel para o acostamento, um barulho de batida sobrepôs o som dos freios e a areia da estrada se transformou em poeira.

***

Darcy acordou um tempo depois, ele não sabia calcular exatamente quanto. Sua cabeça doía e ele levou a mão à testa, que sangrava. Seu braço direito doía de forma insuportável, e ele sentiu o peso de Elisabeta sobre ele. Olhou desesperado para o lado. A moça permanecia desacordada, o carro amassado praticamente a empurrando para cima dele. Ele queria sair do veículo, buscar ajuda, mas tinha medo de fazer movimentos bruscos e prejudicar a situação de Elisabeta caída sobre ele. O medo tomou conta de cada célula do corpo do lorde. Os braços de Elisa sangravam, e ele não conseguia se concentrar na respiração dela. Pensou o pior. As lágrimas começaram a escorrer e ele teve que conter um urro que se formava em sua garganta. Ele estava perdido. E não de um jeito bom como quando percebeu que estava apaixonado por Elisabeta. Ele estava perdido de um jeito devastador. A dor que sentia era maior do que qualquer dor física. Seus ferimentos já não eram tão graves diante do medo e do desespero que sentiu ao ver a mulher que ele amava desacordada a seu lado.

— Por favor, meu amor, esteja viva. Por favor, Elisa. Você não pode me deixar. Não agora. Não assim. Eu nunca vou me perdoar. Por favor. Por favor. Por favor… — o grito se transformou em um sussurro, o desespero quase personificado diante dele. — Você é teimosa, sei que não vai se deixar vencer por isso. Você vai acordar e me ouvir dizer que te amo. Eu te amo, Elisabeta Benedito. E você vai me ouvir dizer.

Notas finais
Oi, não me matem :) Eu amo vocês :) Essa cena é crucial para algo que estou planejando desde o incio da fic e também porque eu sei que no fundo todo mundo queria ter visto o Darcy preocupado com a Elisa Mas me digam,o que vocês sentiram ao ler esse capítulo?