Spotlight II

1 Os usos de uma mentira.


Notas iniciais
Um grande olá a todos. Eu sou Noise Kyouko e aqui está, finalmente, a segunda temporada de Spotlight. Eu sei que deve ter gente que pensou que eu não ia voltar, mas gosto de manter minha palavra, e se disse que ia ter mais Spotlight, cumpriria a promessa mesmo muito tempo depois...

Bom, se você ainda não leu a primeira temporada, recomendo fortemente fazer isso. Não é uma fic grande, só tem 20 capítulos, a te ajudará muito no entendimento da historia. Agora, caso você já seja um leitor antigo, então muito bem-vindo de volta e obrigada por continuar me acompanhando nesse novo projeto. ♥

É isso. Sigam comigo nessa nova fase de Lucy e os outros, e dessa vez, espero, sem hiatus longos e nenhuma outra perturbação...

Lucy terminou de arrumar sua mala. Sentada ao seu lado, Aileen via alguma coisa em seu celular depois de já ter terminado a sua própria.

A família Gylehart passaria as férias de verão em Venice Beach, Los Angeles, o que era por si só um evento muito importante, já que seria a primeira vez em anos que todos passariam algum período longo de tempo juntos. A última vez que Lucy lembrava-se da família estar toda reunida assim ela nem tinha idade para estar na escola.

Aileen, obviamente, não era uma integrante da família Gylehart, mas por insistência da loira, também estava indo na viagem. Lucy agarrou-se firmemente ao pretexto de que a Calverley era sua “melhor amiga”, e que sem ela iria se sentir solitária. Catherine estranhou, perguntando se o posto de melhor amiga não era de Hanna, ao que a filha apenas deu uma desculpe de que tinha duas e então por fim, a matriarca deu a permissão.

—Três semanas de puro lazer nas praias exuberantes de Venice… — Aileen deixou o celular de lado enquanto Lucy sentava-se ao seu lado. Entrelaçaram as mãos.

— Que nós vamos aproveitar muito, não é? — A loira deu um sorriso de canto, o que fez a namorada corar forte.

— Pervertida.

— O que? Mas eu nem disse nada… — Disse com olhos arregalados.

— Nem precisava. Seu olhar revelou tudo.

— Oh… Você fica tão fofa envergonhada, sabia? — Lucy passou os braços sobre o tronco e Aileen, abraçando-a — Mas é sério, eu não falei aquilo com segundas intenções… Se bem que agora que você falou nisso…

A Calverley não respondeu nada, ficando ainda mais vermelha, o que se intensificou quando Lucy começou a depositar beijos em suas bochechas, beijos que chegavam cada vez mais próximos a boca. Mas antes que isso acontecesse, as duas foram interrompidas com batidas na porta.

— Lucy, seu pai está esperando lá embaixo como carro…

A Gylehart inspirou fundo, visivelmente frustrada por ter sido interrompida. Aileen apenas riu enquanto observava a loira ir em direção a porta de seu quarto e destrancá-la.

— Por que você sempre deixa a porta trancada, mocinha? — Catherine ergueu uma das sobrancelhas, inquiridora.

— Pra nem você ou outra pessoa chegar aqui e nos pegar falando certas coisas. Principalmente sobre garotos, sabe?

A mulher deu de ombros, como se não se ligasse para o assunto.

— De qualquer forma, Kenneth nos aguarda, então é melhor descermos logo.

— Claro…

A garota concordou e pegou sua mala, que Aileen trouxe até ela. As duas saíram do quarto e Lucy fechou a porta, descendo as escadas acompanhada da mãe na frente e da namorada ao lado.

—Você realmente mente muito bem, e nem sei se isso é bom… — Sussurrou a morena no ouvido da Gylehart mais nova.

— É uma habilidade essencial para se viver em sociedade, e quando não se está mentindo para encobrir coisas verdadeiramente erradas, que mal tem? — Respondeu sussurrando também.

— Nada. Você tem razão… Eu acho.

Saíram da casa, Catherine ficando para trás a fim de trancar a porta, e se deparam com um sorridente Kenneth as aguardando do lado de fora encostado em um Land Hover Evoque vermelho de quatro portas. O sorriso no rosto do homem era enorme.

— Prontas para embarcar na melhor viagem de férias de todas as suas vidas, senhoras? Eu sou Kenneth Gylehart e serei seu motorista nesse incrível passeio — Fez a melhor imitação de um motorista/guia turístico que conseguia, o que arrancou risadas de Lucy e Aileen e um revirar de olhos de Catherine.

— Ora, me poupe, Kenneth.

— Isso se chama descontração, querida. É muito bom e devia tentar às vezes — Piscou para a esposa. Todos então colocaram as malas em seu devido lugar e entraram no carro.

— Senhoras passageiras, queiram por favor apertar os cintos... E Lucie, minha princesa, estou falando especialmente para você. Lembro que quando era mais nova costumava não fazer isso — Olhou diretamente para a filha pelo retrovisor.

— Ok, pai... — A loira colocou o acessório de segurança — Bem preso.

— Ótimo — Sorriu e deu a partida no carro — Venice Beach, nos aguarde, o clã Gylehart está a caminho!

* ♥ * ♥ * ♥ * ♥ * ♥ *

A viagem até Venice durou algumas poucas horas, e Kenneth seguiu pelo percurso todo com um bom humor inabalável, cantarolando alto pelo trajeto várias músicas de artistas dos anos 60 que Lucy e Aileen nem faziam ideia que existiam.

Lucy achou o humor radiante do pai maravilhoso, e percebeu que sentia muita falta de momentos assim com a família. Na maior parte do tempo não havia de fato uma interação entre eles, com Kenneth passando boa parte do dia em seu escritório e Catherine envolvida em eventos filantrópicos dos quais nem se importava de verdade. Mal se viam, embora morassem na mesma casa.

Quando enfim chegaram, Aileen se deparou com uma casa (não tão grande para ser uma mansão, como a dos Gylehart em Hainefield) branca de arquitetura moderna e com algumas partes de madeira. Logo na entrada, depois de se passar pelos muros de cerca viva, podia-se ver uma piscina retangular e a porta que dava acesso à residência. Era ali, a Calverley ficou sabendo, que a família passava a maioria de seus verões.

Como a casa possuía apenas quatro quartos, ficara decidido que Lucy e Aileen dividiriam um quarto, o que as duas — Lucy principalmente — comemoraram.

— Anthony deve chegar amanhã, e Stacy algum tempo depois… — Kenneth falou com a boca cheia de sanduíche, recebendo um olhar reprovador de Catherine por isso.

Estavam na cozinha lanchando, sanduíches de peito de peru e queijo cottage e suco de laranja para beber.

— Ele vai vir com a Erin? — Lucy perguntou, embora a resposta fosse óbvia.

— Naturalmente. Estão noivos e não vão se desgrudar um do outro — O homem sorriu ao responder — Mal acredito que meu primogênito vai casar daqui há pouco tempo… Ainda ontem era só um menino. Espero que a sua vez demore a chegar, Lucy.

— Se chegar, pai. Muitas garotas hoje em dia não querem casar…

— Um pensamento dessa nova geração que concordo… — Beijou a testa da filha — Do jeito que o mundo é repleto de idiotas, não quero correr o risco de entregar minha filhinha para um deles…

A garota apenas riu, embora não pelos motivos que o pai pensava. Trocou um olhar com Aileen, que também sorria de canto. S eles soubessem da verdade...

— E não vai, isso eu posso garantir — Falou a loira mais para si mesma.

Horas depois, Lucy e Aileen estavam deitadas na rede na varanda. No céu, o sol começava a se pôr, pintando toda a paisagem com tons de azul e laranja.

— Lucy… — A morena chamou o nome da namorada, que virou o rosto para ela.

— Sim?

— Por que você pareceu meio decepcionada ao saber que a noiva do seu irmão viria também?

A pergunta pegou a pegou de surpresa. Lucy era, em essência, um tanto difícil de interpretar, mas Aileen fazia isso com muita facilidade. Era como um dom.

— Eu pareci decepcionada? — Tentou forçar um sorriso despreocupado — Não foi nada, talvez só uma impressão sua. Por que motivo eu não quereria Erin aqui com a gente?

— Não sei, mas talvez seja isso mesmo, uma impressão errada minha — Falou, embora não estivesse muito convencida disso. Foi dizer algo a mais, no entanto, o celular de Lucy tocou o som habitual de notificação.

— É a Hanna… — Sorriu ao ler o nome na tela. Era uma chamada em vídeo — Olá, Hans. Como vão as coisas aí em Mykonos?

Sensacionais O rosto da garota negra apareceu coberto por um chapéu de sol O povo grego é bem simpático, e as praias são maravilhosas. O lugar passa uma sensação muito boa de calma, embora seja lotado de turistas

— Não sabe como estou morrendo de inveja. Você vai para um lugar paradisíaco na Grécia e eu nem sequer saio do estado… — Fez um biquinho fofo e Hanna riu.

Acho que o mais importante não é bem para onde se vai, e sim com quem se está Disse olhando diretamente para Aileen, que estava com a cabeça colada a de Lucy, vendo o vídeo. A morena corou.

— Você tem toda razão — Tirou por alguns segundos a atenção da tela e fitou intensamente a namorada — E falando nisso, sente muita falta do Cliff?

Sinceramente? Nem taaanto assim. Cliff é um amor e eu realmente gosto dele, mas o grude às vezes é demais

— Entendo…

E ficaram as três conversando pelo celular, Hanna contando muito detalhes de sua viagem e coisas que ela achou mais curiosas do país. Só deram o assunto por encerrado quando a aparelho de Lucy apitou avisando que estava com a bateria quase esgotada. Já era noite quando as duas decidiram entrar. No quarto que dividiam, enquanto esperava Lucy terminar de tomar banho, Aileen voltou a pensar na reação da namorada a confirmação da presença da tal noiva de Anthony, Erin, e depois quando foi indagada sobre isso. Era estranho, e ficou claro que ela mentiu em dizer que não era nada demais.

Não queria começar a se preocupar a toa, mas tinha algo que Lucy decididamente não estava contando, e os motivos para isso ainda eram um total mistério.

Notas finais
Caso gostem, comentem, por favor. É muito legal ler a opinião dos leitores, sejam elas elogios, surtos ou criticas. É isso aí e até a próxima!