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11 Algum Tempo Depois...


Notas iniciais
Olha quem voltou...vocês ainda lembram de mim? Sim, eu sei, demorei demais. Eu não planejava que essa hiatus fosse ser tão longo, mas aconteceram coisas nesse meio tempo, coisas que me deixaram desmotivada a escrever. Meu tio, que eu considero como um pai, teve um AVC e ficou um tempo internado, vindo a falecer há poucas semanas atrás. Foi um baque para mim e para toda minha família. Mesmo agora, eu ainda sinto uma dor no peito ao lembrar dele, das brincadeiras que ele fazia comigo e com meus irmãos, dos apelidos que ele me dava, dos desenhos que ele gostava de fazer... Só não parei de escrever porque escrever é a uma das únicas coisas que gosto de fazer, de verdade. Não sou uma pessoa que expressa seus sentimentos facilmente, e a escrita é a melhor forma que tenho de fazer isso. Bom, vou encerrar esse assunto por aqui, sei que vocês não acompanham essa história para saber os detalhes de minha vida. Aviso que o capítulo está grande, o maior da fic até agora. Boa leitura, e perdoem os eventuais erros.

Muita coisa acontece em três meses. De fato, a dinâmica dos acontecimentos pode mudar muito nesse período de tempo. Um bom exemplo era o assunto Lucy-Brianna-Tyler, ninguém mais lembrava do ocorrido, a curiosidade em saber o que acontecera entre as duas amigas havia sumido. O povo se conformou em saber que Brianna estava fora do quarteto de garotas mais populares e pronto.

O assunto do momento agora era outro. Era uma coisa muito mais chocante e deliciosa para aqueles que se deleitavam as custas da vida alheia. A mais nova fofoca de Hainefield era sobre a recém-descoberta fonte de renda da família de Amelia Knieff: lavagem de dinheiro vindo do tráfico de drogas.

Os Knieff eram vizinhos dos Gylehart, e aparentemente não diferiam em nada das outras famílias de Hainefield. A filha deles, Amelia, era como qualquer outra adolescente. Lucy conversara com ela poucas vezes, o contato entre elas era frequente na infância, as duas costumavam brincar de desfile de bonecas juntas, mas depois de um tempo deixaram de se falar.

Fora um mês difícil para a família da loira. Policiais e gente de terno a todo instante nas redondezas, perguntando e vasculhando tudo. Lucy achava aquilo estúpido demais. Eles já não tinham prendido o Sr. Knieff? Por que ainda incomodar a vizinhança toda então?

– Olha lá, Lucy, estão falando dos seus ilustres vizinhos na TV novamente... – Hanna comentou apontando para o aparelho televisor da lanchonete.

Era hora do intervalo, e estavam Lucy e Hanna comprando os lanches para a turma, que ainda incluía Tyler e Natalie. Eles faziam um sistema de rodízio e cada dia uma dupla comprava a comida.

– Eu não aguento mais ouvir sobre esse assunto. É sério, meu pai teve que ameaçar os jornalistas com um processo para eles pararem de incomodar nossa casa. Por que todos não esquecem os Knieff de vez?

– Ah, você sabe, honey – Hanna disse se apoiando no balcão e entregando um papel com os pedidos, Lucy fez o mesmo – Não temos um escândalo grande por aqui desde que o prefeito foi pego saindo com michês. A vida precisa dessas coisas de vez em quando....

– Eu sei, escândalos são deliciosos, mas não quando repórteres ficam te abordando na saída do shopping para que você fale como sua “amiga” Amelia Knieff está lidando com toda a situação...

A moça da lanchonete voltou com os pedidos. Lucy pegou as bebidas: um suco de maça verde para ela, um de laranja para Hanna e coca diet para Tyler e Natalie. Já Hanna ficou com as comidas: tacos para si, peixe grelhado e salada para Lucy, sanduíche de queijo ao pão integral parta Tyler e sanduíche de bacon para Natalie.

– Até que enfim, meu estômago já estava começando a fazer barulhos estranhos – Disse Tyler com a voz um pouco aguda e mole demais, mas logo recompondo-se ao receber um olhar de Lucy. Ele as vezes era afetado demais em publico.

– As filas da cantina são um suplício. Qualquer um que visse aquilo não acreditaria que essa é uma das escolas mais caras de Hainefield – Hanna disse.

– É, eu concordo – Natalie abriu sua Coca-Cola – Meu pai disse que isso é culpa desses novos-ricos e seus filhos, eles não conseguem se adaptar ao nosso modo de vida facilmente...

Embora Lucy concordasse com Natalie, ela conhecia bem o pai da garota e sabia que ele era um conservador hipócrita. Pregava aos quatro cantos o valor da família e tinha um caso com sua secretaria, o que era algo que todo mundo sabia, mas fingia não saber.

A loira desprendeu sua atenção do grupo e quando deu por si, estava olhando em direção a uma mesa onde se via quatro garotas conversando: duas loiras e duas morenas.

E uma dessas morenas era Brianna.

É claro que ela arranjara novas amigas, afinal tinha sido unha e carne com Lucy Gylehart por anos. A loira se perguntava se Brianna já tinha seguido em frente, arrumado outra namorada ou ficante. Não que estivesse com ciúmes, a raiva que sentia toda vez que lembrava do que ela vez anulava essa possibilidade, era mais uma curiosidade. Queria confirmar se o que elas tinham tido juntas era tão insignificante para a morena a ponto dela entrar em outro relacionamento tão rápido.

Hanna lhe deu um olhar compreensivo e Tyler fez o mesmo. Apenas Natalie ficou sem entender nada, pois ela não sabia o motivo de Lucy e Brianna terem parado de se falar. A ruiva tinha desistido de tentar entender o que aconteceu quando Lucy quase gritou que não era de sua conta. O clima ruim só foi quebrado com a chegada de um garoto.

Oliver Spart cumprimentou a todos educadamente, e a Tyler deu um olhar especial. Os dois tinha começado a namorar recentemente, escondido é claro. Estava com a jaqueta do time de futebol americano que sempre usava na escola. Ele não gostava muito do esporte, tinha confessado uma vez ao namorado e Lucy, mas como seu pai foi jogador ele meio que se sentiu obrigado a entrar no time.

Os cinco ficaram conversando até o sinal indicar o fim do intervalo, e então cada um se dirigiu a sua sala. Nenhum deles, nem mesmo Lucy, viu que Brianna os observava com um olhar melancólico.







– xXxXx







Aileen andava pelos corredores do Hainefield High apressada. Se tivesse sorte, conseguiria pegar Lucy na saída da aula de Estudos Sociais. Ela não era uma stalker nem nada, só tinha tomado a liberdade de olhar horário da garota para ter uma chance de falar com ela.

Tinha passado a semana inteira tentando pegar a loira sozinha, mas isso parecia ser uma tarefa quase impossível. Quando não era Hanna que estava com ela, era Tyler, e muito raramente Natalie. Não que o que tinha para falar fosse algo secreto, só preferia não ter plateia caso Lucy respondesse com um sonoro NÃO a sua proposta.

Conseguiu chegar quando a loira estava saindo da sala. Ela estava muito distraída com o celular em uma mão e a bolsa em outra, então Aileen teve que cutucá-la no ombro, gesto que fez a garota lançar um olhar feio para trás, mas logo suavizando a expressão ao ver quem era:

– Ah, olá, Aileen...

– Er, oi Lucy, e desculpa pelo cutucão, você parecia distraída demais.

– Não foi nada – As duas começaram a andar juntas – E então, como vai a vida?

– Seguindo normal. Mas não é sobre isso que quero falar, eu...eu queria saber se você...se você...eu...– Disse com nervosismo visível.

– Calma, respira. Até parece que vai me pedir em namoro...

Aileen empalideceu. Era obvio que aquilo tinha sido brincadeira, mas em seu íntimo chegou a imaginar pedindo a garota em namoro e ela dizendo sim. “Oh meu Deus, preciso parar de comer doces” Pensou.

– N-não, não é nada disso – Deu um suspiro e continuou – Eu só queria saber se você gostaria de ir em minha festa de aniversário de 16 anos.

A morena então entregou um envelope salmão para Lucy, que o pegou e leu o conteúdo.

– Sua festa de aniversario? Está bem, eu vou.

O sorriso que a loira exibiu ao terminar de falar foi tão lindo que Aileen ficou uns segundos paralisada. Foi preciso que Lucy estalasse os dedos em frente ao seu rosto para fazê-la voltar a realidade.

– Certo, então te espero lá...

– Uhum, até logo Aileen.

Disse e entrou em uma sala. A morena nem tinha se dado conta de que já tinham chegado ao destino dela. Deu meia volta e foi para sua próxima aula com um sorriso estampado no rosto. Não queria se iludir com Lucy Gylehart, mas era impossível não se sentir inebriada pela presença dela.







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Uma semana depois...





18:08

De: Hanna Devil

Para: Lucy



O que está fazendo para demorar tanto a me responder?





18:10

De: Lucy

Para: Hanna Devil



Me arrumando.





18:11

De: Hanna Devil

Para: Lucy



AONDE VOCE VAI!!!





18:13

De: Lucy

Para: Hanna Devil



Festa de aniversario da Aileen Calverley, eu não achei que você fosse querer ir...





18:15

De: Hanna Devil

Para: Lucy



1° Aileen Who 2° Não fique “achando” nada, me pergunte antes sua lerda.





18:16

De: Lucy

Para: Hanna Devil



Aileen é a presidente do clube de literatura e a menina que me ajudou com meu discurso. E eu vou ignorar o “lerda”





18:17

De: Hanna Devil

Para: Lucy



Estarei aí em 15 min.





– Sabe, Lucy, você está deixando muito a desejar no quesito amiga prestativa esse ano – Dizia Hanna enquanto se maquiava em frente ao espelho da cômoda – Primeiro foi o lance da boate gay e agora isso?

A loira revirou os olhos e respondeu:

– Não faça drama, só achei que você não se interessasse por uma festa de alguém que mal conhece.

– Mas você conhece, o que automaticamente também me faz próxima dessa tal Ellie.

– Aileen.

– Que seja. Mas mudando de assunto – Disse com um sorriso malicioso que Lucy viu pelo reflexo do espelho – Ela é o seu tipo?

– Ora, nem comece com esse assunto. Não há nenhuma chance remota de rolar algo entre mim e ela.

– Por quê? Ela é tão feia assim?

– Não, longe disso – A loira se lembrou dos olhos azuis-claros e do cabelo preto de Aileen – É que eu acho que ela é hétero.

– Você acha, não tem certeza. Devia investir para ver no que dá.

– Não, mesmo que as chances existam prefiro não investir. Aileen é muito legal e você sabe que não quero me envolver com alguém a sério tão cedo.

Hanna suspirou. Sabia que embora já não sofresse por Brianna, Lucy ainda não estava 100% bem. Nas últimas semanas ela vinha tendo as chamadas “ficadas casuais” e para ser sincera a negra não tinha gostado de praticamente nenhuma garota. Eram todas fúteis e superficiais demais, sem contar irritantes. Lucy merecia alguém legal.

– Certo, mas eu ainda acho que vocês combinam...

– Fala de mim mas e você? Faz um tempinho dese o último namoro sério.

Hanna ia responder, mas elas escutaram uma batida na porta. Lucy disse para a pessoa entrar e logo viram Tyler fechando a porta e depois se jogando na cama:

– Onde vocês duas vão? – Perguntou ele com o cotovelo apoiada no colchão e a cabeça na mão.

– Aniversario de uma tal de Aileen – Respondeu Hanna.

– E nem me convidaram?

– Achei que estaria com Oliver...

– Não, ele foi a um jantar com a família. Estou tão só...

– E então veio nos perturbar?

– É. Estou indo com vocês – Disse ele se levantando da cama – Espero que essa festa seja boa.

– Ninguém merece – Lucy revirou os olhos, colocou o celular na bolsa de mão e pegou um pacote embrulhado com papel de presente rosa prateado – Vamos logo.

– Antes vamos passar no Golden Hill Mall, afinal não podemos chegar na festa sem presentes, não é? – Disse Tyler apontando para ele e Hanna.

– Está bem, que seja. Mas sejam rápidos, eu não quero chegar atrasada.







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– Ah, olá Lucy e... Hanna e Tyler, não?

– Sim, é um prazer – Disse Lucy a cumprimentou com um beijo no rosto, Hanna e Tyler a imitaram.

– Tem algum problema virmos ser sermos convidados? – Hanna pergunotu.

Aileen balançou a cabeça em negação. Para falar a verdade ela estava muito surpresa e contente. Hanna Dyer, assim como Lucy Gylehart, não era do tipo que precisava de convites para o que quer que fosse, a pessoa deveria se sentir honrada se ela aparecesse em sua festa.

– Bem, vamos entrando, por favor – Deu passagem para os três.

Assim que viu as mãos entrelaçadas de Tyler e Lucy sentiu um nó no peito. Tentou dizer a si mesma que não devia se importar com isso, mas não adiantava nada.

– Aqui está seu presente – Lucy lhe entregou o embrulho, Tyler e Hanna fizeram o mesmo – Espero que goste.

– Obrigada, é claro que vou gostar, é um presente seu...– A morena corou assim que se deu conta do que tinha dito, o que não passou despercebido por Hanna – Enfim, sei que está não é exatamente o tipo de festa que estão acostumados, mas espero que gostem...er, vou lá guardar os presentes...

– “Oh, eu vou gostar porque você que deu...”. Sério, isso foi gay, muito gay mesmo.

– Não enche, Hanna.

– Ela tem toda razão, dava para ver o brilho no olhar da garota ao te ver...

– Até você, Tyler?

– É só a verdade...– O garoto disse batendo um high-five com Hanna.

– Deixe estar vocês dois...bem, vamos procurar algo para beber, nem que seja Schweppes.





xXxXx –





Já no final da festa, restavam poucas pessoas na casa de Aileen. A grande maioria dos convidados era da família, então Lucy e os outros dois ficaram no canto conversando. Ocasionalmente um grupo de garotas que usavam roupas que eram adequadas para senhoras com o triplo da idade delas ficava olhando na direção do trio e sussurrando, como se tentassem decidir vir falar com eles ou não.

Aileen tinha sido bem prestativa, e conseguira dar atenção aos parentes e ao trio, não deixando ninguém de lado. Quando foi a hora do parabéns e as luzes foram apagadas, ela olhou na direção de Lucy, que de uma maneira estranha, não conseguiu desviar seu olhar. Foi uma situação estranha que durou alguns segundos.

– Aileen? – A loira perguntou tocando o ombro da garota que prontamente se virou – Estamos indo, eu gostaria de me despedir e dizer que adorei a festa.

– Oh, obrigada. Eu sei que foi algo meio careta e tudo o mais, mas...

– Não, foi legal, é sério.

– Se você está dizendo, quem sou eu para discordar, não?

Hanna, que assistia a interação das duas com grande interesse, resolveu intervir:

– Sim Elle, foi uma festa boa, mas não foi uma festa digna de 16 anos. Esta é a verdade.

Lucy olhou a melhor amiga de uma forma espantada. Internamente mandava a negra calar a boca. Já Aileen se sentiu um pouco incomodada pelo nome dito errado, mas decidiu que era melhor ela confundir do que fazer a clássica e incomoda pergunta: qual é mesmo seu nome?

– Não me leve a mal, comemorações como essas são legais, mas você acabou de fazer 16, merece uma coisa especial. Me diz uma coisa, você já foi em alguma boate?

A morena arregalou os olhos. Sabia que pessoas como Lucy e as amigas iam a esse tipo de lugar com frequência, mas ela era bem diferente, achava que só pisaria em um quando já fosse de maior.

– N-não...

– Então está certo, baby. Diga a sua mãe que você vai sair com a gente. Decidiu Hanna.

– O que?! – Lucy disse em um tom meio alto demais, virando-se para Aileen no processo – Não que eu não queira sair com você, é só Hanna não bate muito bem da cabeça as vezes...

– Vê se me erra, Lucy. Eu só quero proporcionar um aniversario inesquecível para a garota. E então, você topa?

Aileen pensou por uns segundos. Quando ela teria a oportunidade de sair para uma boate com Lucy e seus amigos outra vez? Nunca mais. Ela aproveitaria essa chance e se divertiria como nunca pela menos uma vez na vida.

– Claro que topo, só esperem eu ir dar uma desculpa qualquer para meus pais...

– É assim que se fala garota! – Tyler deu um sorriso, e recebeu um olhar mortal de Lucy em troca.





xXxXx –



Depois de Aileen inventar uma pequena mentira para os pais “eu vou dormir na casa de Lucy Gylehart para uma noite das garotas”, lá estavam os quatro dentro de uma das boates mais famosas de Hainefield, a Plummix. O problema da idade foi resolvido porque Lucy e Hanna eram figuras conhecidas do segurança.

– Wow, esse lugar é incrível, eu sabia que boates eram legais, mas não imaginava que fosse tanto...– Aileen falava gritando por causa do barulho do ambiente ser muito alto.

– A noite só está começando, se prepare – Hanna respondeu – O que me faz lembrar que precisaremos de alguém para ficar sóbrio...Lucy?

– Por que eu?

– Porque você ficou resmungando para “não levar a Aileen para o mal caminho”. Já que está tão puritana hoje então não vai beber nada.

– Aff, então vou arranjar uma mesa para sentar...enquanto todos vocês vão se divertir.

– Isso, vai lá, Lucy Lolli Pop...

A loira então fez uma careta para a amiga e foi sentar-se em um sofá coberto de couro preto e circular. Iriam ser horas de puro tédio, por isso resolveu pegar o celular e ficar navegando na internet. Nem notou quando alguém se sentou ao seu lado até que a pessoa resolveu falar:

– O que uma bela moça faz aqui sozinha?

Era uma voz feminina. Lucy então levantou o rosto na direção da voz e viu uma morena muito bonita a fitando com um sorriso de canto. Ela parecia ser mais velha, algo em torno dos vinte e poucos anos.

– Não vejo porque isso seria do seu interesse, e eu levo a sério aquela coisa de não falar com estranhos – Respondeu de forma suave, bem calma.

– É meio arisca, ou estou enganada? E o problema de eu ser estranha pode ser resolvido agora mesmo. Rebecca Stratford, prazer...

Lucy analisou a moça a seu lado outra vez. Era obvio que ela estava flertando, mas o que a tinha motivado a investir? Aquele era um ambiente hétero, e a loira não era do tipo que podia ser descoberta muito fácil.

– Chloe Wilson – Falou o primeiro nome falso que lha veio a mente.

A morena deu uma risada abafada, o que fez Lucy franzir o cenho:

– Algum problema?

– Eu sei que seu verdadeiro nome não é esse...Lucy Gylehart.

A mais nova se enrijeceu. A situação estava começando a ficar estranha. Primeiro essa garota mais velha vem e começa e paquerá-la em um ambiente onde supõe-se que todos sejam héteros depois revela saber seu nome real. Na cabeça da loira aquilo só podia significar uma coisa:

– Você é uma repórter, não é?

– Hã?

– Sim, é claro, só pode ser sobre o caso dos Knieff. Você vem aqui e inicia uma conversa já sabendo quem sou. Vocês são bem persistentes mesmo, não é? Quantas vezes vou ter que dizer que eu e Amelia não eramos amigas? É bom sumir de perto de mim ou...

– Ei, calma aí... – Rebecca levantou as mãos em rendição – Eu não sou repórter, relaxe. Só sei o seu nome por quê...Bom, você é uma Gylehart, é muito difícil alguém nessa cidade não saber.

– E qual motivo de você vir aqui falar comigo? – perguntou ainda meio desconfiada.

– Bom, eu estava por aí achando tudo bem entediante, quando te vi vindo para cá. Era a oportunidade perfeita para te conhecer melhor, já que agora você está aparentemente solteira... – Ao ver o olhar surpresa da loira explicou – Sim, eu sou uma assídua frequentadora do The Hoax, e te vi uma vez com a garota dos Coxx lá. Não se preocupe, seu segredo está bem guardado comigo, assim como o meu está com você, certo?

– Certo.

– Sabe – A mais velha foi chegando perto de Lucy – Eu geralmente não tenho interesse em pessoas mais novas, principalmente da sua idade, mas você é um...caso a parte.

– E que tipo de interesses seriam esses que você não tem com pessoas mais novas da qual sou exceção? – A loira estava entrando no jogo.

– Quer mesmo saber?





xXxXx –





“Céus, quem é a atirada?”

Hanna olhava para onde Lucy estava sentada com uma morena. Tyler estava ao seu lado, junto com Aileen. Os dois dançavam feito orangotangos chapados com ácido. Se quisesse que seu plano desse certo, teria que agir rápido. Puxou a morena que dançava e disse meio alto em seu ouvido:

– Que tal você ir lá ficar um pouco com a Lucy, hein? A bebida pelo jeito já afetou sua cabeça, é bom dar um tempo senão é capaz de entrar em coma alcoólico.

– E-eu estou b-bem...- A fala embolada dizia o contrário.

– Estou vendo. É sério, vai lá sentar um pouco. Depois você volta.

– Tá. O-onde está Lucy?

– Ali – A negra apontou na direção da loira. Quando Aileen viu que tinha uma garota conversando com ela instantaneamente fechou a cara.

– Quem é aquela? V-vocês conhecem?

– Não. Agora vá logo – Deu um empurrão de leve na garota, que começou a caminhar meio desajeitada. Ao chegar no sofá onde Lucy estava sentou-se de qualquer jeito, quase caindo em cima da loira.

– Lu..L-lucie, Hanna me d-d-disse para dar um tempo com a bebida aqui...

– E vejo que com razão, não? – A garota riu. A morena do lado pareceu não achar tanta graça, já que fechou a cara assim que Aileen chegou.

– Q-quem é você? – A morena apontou para a mais velha. Havia certa hostilidade em sua voz.

– Creio que não seja da sua conta. – O tom da outra foi o mesmo.

– Ei, ei. O que foi isso? – Lucy interveio – Para que falar desse jeito, Rebecca?

– O que? Foi ela quem começou!

– Ela está bêbada, releve.

– Relevar? Uma ova! Mas quer saber? Fique ai com sua amiguinha bêbada insolente. Estou fora...

Disse isso, pegou sua bolsa a saiu furiosa. Lá se ia uma paquera promissora de Lucy.

– M-me desculpe, L-lucy. Eu n-não quis espantar a sua amiga e...

– Não, tudo bem...

– Não, n-não está tudo bem. Eu só...

A morena ficou ereta e olhou diretamente para o rosto da loira, nos olhos verdes claríssimos. Por alguns segundos perdeu-se no olhar de Lucy, hipnotizada pelo seu brilho. Teve muita vontade de fazer uma coisa, mas era errado, ela sabia. Talvez a loira a repelisse, talvez ficasse assustada demais para fazer algo. Aileen só tinha que tentar, as consequências ela deixaria para depois, culparia o álcool pelo que estava prestes a fazer.

E então lentamente e de uma forma suave, sues lábios tocaram os de Lucy.

A reação que ela esperava da loira não veio. Ela não a empurrou e gritou que aquilo era nojento, simplesmente arregalou os olhos por uns segundos, até depois fechá-los e começar a corresponder o beijo.

Aquilo era a melhor coisa do mundo para a morena. Um misto de sensações agradáveis, eletricidade e leveza percorrendo todo seu corpo. Colocou uma das mãos no rosto da loira, sentindo a maciez da pele, que só perdia para a dos lábios. Lucy estava quente, e Aileen podia apostar que ela também. Foi quando as duas pararam o beijo, afastando os rosto por alguns centímetros. A loira abriu os olhos lentamente, e quando pareceu se dar conta do que tinha acabado de fazer, levantou-se em um sobressalto:

– E-eu..eu vou procurar por Hanna e Tyler, acho que está na hora de irmos...

– Eu vou com você...– Aileen parecia estar um pouco mais sóbria.

– Não! eh...fique ai, eu vou sozinha.

E Lucy deu as costas a morena, que agora estava dividida entre ficar feliz pelo beijo e triste por que provavelmente a loira dali em diante nem um olhar lhe dirigiria.

Notas finais
É isso aí, até o próximo ^^.