Spirits - Shadow Dream.
2 Ajudando um morto a morrer.
Notas iniciais
E que comesse as críticas!
06:00 AM.
O mundo das almas é tão incolor quanto você pode imaginar. Ele é igual ao mundo dos humanos: árvores, casas, pessoas. Porém é tudo sem cor. Só vemos os corações de pessoas coloridos. Não bem colorido, já que é um marrom escuro que lembra de longe um preto. Esse marrom é a cor que diz se o corpo está livre ou não. Se já está possuído por outra alma, a cor varia para de um cinza claro até um transparente.Acho que acabei contando ontem sobre algo de um prazo para possuir uma alma, correto? Hoje pela noite irá expirar o meu prazo, e ainda não encontrei um corpo que me agrade. Sabe, é difícil saber que corpo escolher. Há pessoas tão belas e enérgicas, com uma vida toda pela frente. Há pessoas adultas e de coração mal, que realmente merecem morrer. Há pessoas de idades tão serenas que dá um aperto em pensar adentrar seu corpo. Há crianças tão jovens... É uma coisa difícil para mim. Não digo pelos outros, mas pra mim é difícil. Viver nesse beco sem saída é complicado.Andei sentado – não completamente, somente havia flutuado por cima de um banco – na praça para observar as pessoas, e a única pessoa que me agradou foi um rapaz chamado Johannes Mitto. Johannes é um homem de estilo Punk, Rockeiro... Não sei como dizer detalhadamente. Ele acabou se envolvendo com uma menina e ela acabou sendo assassinada por uns homens mais tarde. Johannes ficou depressivo e tentou suicídio várias vezes, mas não conseguiu. Acho que matar alguém que quer morrer não é tão ruim, então tentarei entrar nesse cara.Johannes é órfão, vive num apartamento com seus dois amigos. Seus pais eram drogados e morreram assassinados depois de se envolverem no mundo das brigas. É sozinho no mundo e só tem seus amigos, sendo que juntamente com eles possui uma banda de Rock’ n Roll. Estaria fazendo um favor para ele, então penso que ele será a “vítima”.Não quero entrar logo agora, acho que vou esperar pela tarde. Gosto de entrar num corpo quando estou prestes a evaporar. Não gosto dessa vida, já disse. Mas chega de blablablá, acho que você, leitor, já se enjoou disso. Mas enquanto o tempo não passa não posso fazer nada. É infeliz, cruel....18:00 PM.Então a noite chegou, e como eu sabia que iria acontecer, aconteceu. Estava lá, na frente do quarto do Mitto. Olhei ao redor e abri a porta – atravessei a parede -, e quando vi, algo havia acontecido: havia um corpo estirado no chão. Como alma, aquilo não me assustou, mas quando me aproximei, percebi que o corpo não era de nenhum dos habitantes daquele quarto, e sim uma senhora de idade, com uma mensagem na mão. A senhora não possuía um rosto sereno, pelo contrário, possuía uma face pálida com muitas rugas e sangue. Por não possuir mão, não consegui abrir o bilhete. Meu tempo estava acabando, não tinha tempo de deixar o Johannes ler o bilhete e dizer algo para eu entender a história, então tive que invadir o banheiro e invadir o corpo de Johannes. Johannes estava imundo: cabelo sujo, roupas fedidas e um olhar depressivo. Ele precisava de um banho, mas já que não posso com a água, aquilo foi o mesmo que dizer: você precisa beber veneno.Me senti enfurecido. Podia ter esperado ele tomar um banho primeiro, mas não rolou. Corri para o quarto novamente e quando vi o corpo caído, peguei o bilhete e guardei. Corri para o telefone e liguei para a Polícia – como eu sabia o número deles? – na espera de uma ajuda. Não rolou. O número estava indisponível e talz. Resolvi ler o bilhete. A letra era de revistas: recortada e colada. Demorei pra decifrar, mas era algo como: “Primeiro quem você amava. Depois quem amava você. Os próximos mortos serão aqueles que sobraram.”Procurei alguma coisa como uma carteira e o que eu encontrei foi só um cartão, onde o nome da senhora estava escrito. Abgail Mitto. Como ele era órfão, pensei em algo como uma avó ou coisa do tipo. Resolvi descer para o primeiro andar e comunicar os gerentes sobre aquilo. Não demorou muito para que a polícia aparecesse acompanhada com dois homens: Julius e Muriel, os colegas de quarto de Johannes. – Saímos por 01 hora e você mata sua avó, Jo? – Perguntou Muriel, o homem de cabelos castanhos e grisalhos.– O que aconteceu aqui, senhor Mitto? – Dizia o delegado, interrogando a todos que estavam ali.Mais no fundo, jornalistas faziam entrevistas e gravavam algumas coisas:– Próximo ás 18:00 horas, um homem supostamente encontrou um corpo caído em seu apartamento. A vítima da vez é Abgail Mitto, avó de Johannes, um dos habitantes do local. Um colega de quarto se declarou sobre o assunto: “– Sei que Johannes não fez isso, mas por qual razão sua avó estaria morta no quarto dele?”A polícia faz a investigação no local. Aguardem mais informações.– Vamos, vamos, saiam todos daqui. Somente a polícia e os moradores do local, saiam, saiam! – dizia o delegado....Depois de toda a aglomeração, o delegado finalmente conseguiu um tempo a sós comigo. Aquilo estava horrível. De tanto corpo para pegar, fui pegar justo de um assassino — ? -. Era algo horrível ser suspeito de algo. O delegado olhava pra mim com uma cara de “vou te matar, seu assassino”, meus amigos me encaravam com cara de nojo. Estava com medo. Era um homem adulto, teria de morar por 01 mês nesse corpo, e eu não queria morar na cadeia.
– Então, senhor Mitto, como vou dizer... Você é o único suspeito que temos, então precisamos lhe ouvir. Qual é sua versão da história?Pensei. Eu só sabia de um pedaço da história, e como não podia dizer que sou uma alma, meio que me meti em um beco sem saída.– Bem senhor... Como posso dizer... Eu estava no banheiro, prestes a tomar banho. Não sei o que aconteceu comigo que resolvi não tomar. Fiquei no banheiro, pensando na vida. De repente, ouvi um barulho, mas pensei que fosse algo na rua. Depois que pensei bastante na vida, resolvi sair e ver o que havia acontecido, e me deparei com a minha querida avó... Sabe, ultimamente minha vida anda conturbada...– Querida avó? Segundo seus colegas você a odiava. Ela vivia perseguindo você e você a maltratando.– Bem, isso é verdade... É que... – pensei muito, demorei pra responder, não sabia o que dizer. – Sabe... É minha avó... Mesmo não gostando dela, é querida, se ela não tivesse feito a mamãe, eu estaria mortinho.– Mamãe? Ela é mãe de seu pai.– Cof, cof... Isso, papai...O clima estava tenso. Um dos motivos de eu não gostar dessa vida é de eu não saber o que aconteceu antes de eu dominar o corpo do humano. Fiquei pensando o que aconteceria. Resolvi então mostrar a carta para o delegado.– Senhor delegado, tinha isso junto com o corpo. – Falei, pegando a carta e entregando lentamente para o delegado.Antes que eu conseguisse terminar de entregar, ouvi passos correndo desesperadamente no corredor. O barulho ia se aproximando, como se quisesse pegar algo antes que fosse tarde de mais. O barulho chegou próximo e arrombou a porta, caindo no chão um corpo. A mulher de cabelos castanhos levantava a mão e apontava para a carta, murmurando algo: – A.. Cart... Ele.. Aque...A mulher caía em sono profundo com fortes fraturas na cabeça. Uma poça de sangue começou a cair no local, e o delegado entrou em choque. Julius ajudava o delegado a levar o corpo para o primeiro andar, onde a gerente – que também trabalhava como enfermeira, pelo que entendi – iria cuidar da menina que ainda estava viva. Muriel continuava no local, intacto, olhando para mim com um olhar de medo. Fiquei parado, quando senti algo falar em meus ouvidos. Parecia alguém, algum espírito. Ele dizia: “Aqueles que sobraram”. Então, ali terminava, digo, começava meu primeiro dia de vida como humano assassino.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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