Spidey's happy ending

2 Capítulo 2 - Um novo Homem-Aranha


Os dias foram passando lentamente para Peter. Pessoas o abordavam prestando suas condolências, como se isso adiantasse de alguma coisa. Ele estava decidido a vingar a morte do tio de uma forma ou de outra.

Quando estava na escola, sentia-se em outro universo. Todas as pessoas ali estavam vivendo sua vida, estavam felizes e ele que já não tinha muita família, sentia-se cada vez mais sozinho.

A caminho de sua aula de Espanhol, Peter usava calças jeans largas e um moletom grande o bastante para caber dois dele. Com o capuz cobrindo a maior parte de seu rosto, andava pelos corredores, sentindo-se invisível e intocável e não havia percebido que logo ao seu lado, uma loira o encarava com uma expressão preocupada.

Uma das garotas mais populares da escola, a rainha da beleza conhecida por destroçar o coração dos jovens rapazes. Gwendolyn Stacy, uma loira atraente de olhos claros, observava nosso herói andar sem rumo pelos corredores da escola.

Decidida a abordá-lo e checar se o rapaz estava bem, Gwen se moveu se colocando no caminho de Peter. Impedido de continuar seu caminho, ele levantou o rosto para ver quem o tinha parado. Ao avistar Gwen, ele tomou um choque. Desde que sua tia May tinha ficado doente, ela não media esforços para chegar até Parker. Ele estava cansado de despistá-la, mas tinha de concordar que nutria sentimentos por ela.

A loira o observou ainda com a expressão preocupada que exibia anteriormente. Colocou as mãos no topo da cabeça de Peter e removeu o capuz que a cobria. Segurou seu rosto veemente sem que o mesmo pudesse evitar olhá-la nos olhos.

– O que você quer, Gwen? — Peter suspirou, buscando uma forma de sair daquela situação. Ele conseguiu evitar o contato humano por dias e ela estava quebrando o campo de força ele construiu ao redor de si.

– Saber se você está bem. Eu me preocupo com você, Peter. Pare de me evitar, você sabe que eventualmente nos cruzaremos de novo. É inevitável. — Ela sorriu gentilmente acariciando seu rosto.

– Eu estou ótimo. Agora posso ir? — Falou em um tom furioso, tirando as mãos dela de seu rosto. Obviamente ele não estava bem, mas não precisava de ninguém tendo pena dele, principalmente a garota que ele gostava.

– Não. Deixe-me ajudá-lo....por favor. — Ela suplicou ao mesmo tempo em que alcançou seu rosto novamente. — Por favor, Peter. Deixe-me entrar. Já fizemos isso antes, você sabe dos meus sentimentos por você. Não sou a Mary Jane Watson, isso não é um jogo para mim.

Ele a observou em silêncio. Ela tinha razão, Gwen era provavelmente a garota que mais chegava ao nível perfeição que poderia existir. E ela o queria. Ele. Um cara sem nada de especial. Há semanas que ela vem tentado chegar a ele, nunca tão direta quanto hoje. E desde que sua tia May ficou doente e seu tio Ben morreu, ele não queria saber de nada e nem ninguém....a não ser vingança.

Peter então percebeu que estava em silêncio há muito tempo, Gwen o estava olhando já um pouco impaciente, aguardando uma resposta. Ele suspirou e assentiu.

– Está bem, me desculpe. — Ele sussurrou, abrindo os braços propositalmente para que ela o abraçasse. E ela assim o fez, a loira passou os braços ao redor do pescoço dele e o trouxe para mais perto dela. Perto o bastante para que ela pudesse murmurar três palavras que ele já não escutava há muito tempo.

Quando ela o soltou, ambos tomaram caminhos opostos. Ele se dirigiu para sua aula de espanhol e ali permaneceu até o dia escolar terminar.

Ao chegar em casa, ele finalizou o dispositivo que o permitia lançar teias e finalmente, concluiu o uniforme do Homem-Aranha, era assim que iria ser chamado. Ia fazer justiça, coisa que não lhe foi dada.

Furtou um pequeno rádio policial e passou noites a fio o escutando, buscando algum criminoso com a descrição do assassino de seu tio. Chegou a capturar 4 ladrões antes de descobrir o verdadeiro. A cada dia o ódio dentro de si crescia.

Finalmente o dia havia chegado, partiu ao encontro da vingança. Ao encontrar o suposto assassino do tio Ben, resolveu torturá-lo um pouco. O homem corria com uma arma na mão, ele lançou uma teia grande o bastante para que cobrisse todo o extremo da rua por onde o ladrão supostamente passaria. Olhando para trás e correndo desesperadamente, o homem deu de cara com a teia e não conseguia se soltar.

Soltando uma risada um pouco alta, ergueu os braços e lançou mais duas teias prendendo as mãos e os pés do homem à teia. E então, o Homem-Aranha aterrissou de frente para o bandido, enquanto o mesmo o observava aterrorizado e consciente de que não podia se mover.

– Ora, ora. Veja se não é o assassino de velhinhos. Já pensou em roubar doces de crianças também? — Disse ironicamente e era perceptível a raiva em sua voz.

– O que você quer comigo? Eu não fiz nada! — O homem era corpulento, estava com um máscara de esqui lhe cobria o rosto e vestia roupas rasgadas e usadas.

– Você não lembra de tentar roubar o carro de um idoso e então a sangue frio o matar com um tiro? VOCÊ O MATOU, e agora você vai pagar. — Deu passos a frente, ficando apenas a centímetros do homem. O soar de sirenes estava cada vez mais próximo.

Com o coração a mil, Peter mirou sua teia na direção do criminoso. Um pouco antes de tomar qualquer atitude, algo lhe impediu. Um pensamento de que se o fizesse, não seria melhor do que o próprio bandido. Continuou parado sem ação, até que a polícia chegou, só então saiu de lá e se moveu rapidamente, somente parando quando chegou ao alto de um edifício abandonado.

Retirou a máscara e a jogou de lado, encarou as próprias mãos em terror. O que quase tinha feito? Quase machucara um outro ser humano, por mais que este ser tenha assassinado outro, isso não dava lhe o direito de brincar de Deus.

Decidiu que a partir daquele momento honraria as últimas palavras de seu tio. Agiria com responsabilidade, protegeria os que não podiam se proteger e tentaria participar da construção de um mundo melhor.