Spiderman - Suffering Side
3 Capítulo 2 - Lições de Vida
CAPITULO II
Seu trabalho escolar e suas tarefas regulares deixaram de receber sua devida atenção da parte de Peter. Suas notas baixaram relativamente e seus trabalhos domésticos eram deixados de lado. Com Carradine por detrás das grades, nada o assegurava que sua fuga não seria uma opção breve. O homem que matara aquele a que lhe era dado um amor de pai, mantinha sua vida entre os inocentes e culpados, encontrava-se sem qualquer castigo de tal digno arrependimento. Nada o faria sentir o mesmo que Peter sentira após ver o caixão sendo enterrado no enorme cemitério de Nova Iorque no meio da imensa chuva, naquele mesmo local que lembrava os cidadãos das vidas perdidas, maioria pela criminalidade e injustiça no seu país. O jovem apenas olhava para os céus cinzentos sentindo água em contacto com seu rosto, pensando – Porquê ele? Será a inocência o elo mais fraco? – Nada comprovava o contrário, nada indicava uma possível negação para esta difícil afirmação. As suas lágrimas daquela tarde permaneciam em seus olhos durante os meses que passaram, nunca conseguira ultrapassar a perda da vida de seu Tio Ben, nada faria desaparecer a sua dor interior. Seria a vingança uma hipótese? Um remédio para seu sofrimento? O seu coração negava tal pensamento, este o fazia lembrar das palavras de Stark, o mesmo homem que virara de um destruidor sem coração para um herói. Após o rapto nas mãos de terroristas, ele fora ordenado construir um míssil que o mesmo desenhara para as tropas inimigas, a arma suficiente para destruir América. Ele começou a ter uma perspectiva correcta do mundo e do significado de paz que antes entendia, tudo fruto de saborear o desespero. Ao construir um fato mecânico de fora do conhecimento inimigo, ele conseguiu escapar mas, com um preço. Ele descobre que, após sua violenta captura, ele teria que utilizar um pequeno aparelho em seu peito chamado Reator Ark para dar força ao seu coração de dar suas respectivas batidas. Isto lhe obrigara a construir seu fato que, ao reconhecer seus actos para a contribuição de guerra e de banhos de sangue, cortou quaisquer contractos referentes ao tema e tornou-se o herói conhecido como, Iron Man! As suas acções foram totalmente inesperadas e demonstraram ao mundo que qualquer pessoa poderia mudar para o melhor. Contudo, a sua compreensão fora desafiada pela sua ignorância, ela assim perdeu e apoderou-se de Peter. Este encontrava-se perdido, queria deixar tudo que lhe aconselharam para trás, uma jogada que lhe poderia arruinar.
Contudo suspeitando, as traseiras da escola Midtown por detrás da parede rochosa do colegial era um local livre de atenções da parte da equipe escolar devido ao seu isolamento. Após as aulas, um certo número de alunos escondiam por entre a criação de árvores pertencente a uma densa mata e exerciam certas acções ilegais como era o caso do tabaco e, inclusive, drogas fortes ou leves. Obviamente, os responsáveis pelos jovens que cometiam o crime desconheciam, de facto, nem imaginavam tal coisa. Peter encontrava-se nesta zona pela primeira vez, nunca lhe achara de agrado encaminhar-se para aquele local. A sua chegada fora derivada do seu estado de confuso em que a sua mente se encontrava. A sua lida ocorrera dez minutos atrás . Os seus pensamentos o distraíam da grande movimentação na zona frontal do colegial, no exterior. Estava deprimido pensando no mesmo assunto que o atormentara durante meses. Harry viera ter com ele, reparando na sua expressão triste e profunda, como se não ali estivesse, olhando numa direcção cega. Uma linda rapariga ruiva encontrava-se ao lado de seu amigo, esta era Mary Jane Watson, a sua melhor amiga. Mesmo sentindo algo por ela, o seu amor pertencia a Gwen Stacy, uma bela jovem de cabelos loiros e olhos azuis. O seu namoro com Eddie Brock o impedia de progredir sua relação num nível mais avançado, algo que ele lamentava.
-Pete, algum problema? – Não houve resposta vinda de Parker. Era compreensível tal silêncio. As suas atenções estavam fora do captar de sua visão, apenas dentro de sua mente vagueando por entre imagens passadas do incidente anterior – Pete! – Um mínimo olhar lhe fora lançado.
-Diz…
-Estás bem? O que se passa? – Mary pergunta preocupada.
Era certo que ele não queria falar acerca do assunto, mas ambos queriam conhecer a sua razão para tal aspecto preocupante – Nunca o vi assim, o que lhe terá acontecido? – Era certo que tais palavras percorriam a cabeça de ambos seus colegas.
-Hei, M. J. Podes ir andando para casa, eu fico aqui com o chavalo.
Ela respira a fundo – Okay, então depois diz-me alguma coisa.
-Está bem – Harry tinha algo em sua mente. Querer ver a M.J. fora de seu alcance assemelhava ser o seu principal objectivo de momento. Peter não reparara, nada o fazia verdadeiramente despertar do seu pesadelo. Antes de aconselha-lo, uma certificação de que Jane encontrava-se fora da zona colegial era importante. Ali estava ela, acenando com a sua mão despedindo-se, ainda com um olhar de preocupada a Peter — Creio que deverias de vir comigo ter com o Flash e o resto do pessoal nas traseiras da escola. Podias-te aliviar um bocadinho com um charro.
A sua mínima atenção não mudara. Continuava meio distraído em sua mente e preocupando-se minimamente o que ocorria em seu redor.
-Harry, tu sabes que eu não fumo – O diz continuando a transmitir palavras sem vida no tom fraco de sua voz.
-Peter, com uma cara dessas experimentar já é algo. Acredita, como é que achas que eu lido com o me pai? Ele ignora-me o tempo todo, eu apenas preciso de fumar uma e já fico bem. Tu darias muito mais valor à vida se te juntasses a mim e ao resto do pessoal. Anda lá bro, não perdes nada ao tentar – Assim o pensava, contudo existem sempre certas consequências inevitáveis pelo acaso e coincidência, aquelas que nos chocam com grande impacto sem qualquer aviso.
A sua decisão fora vagamente pensada, apenas seguiu seu colega sem qualquer raciocínio pelas consequências que tal acção poderia ter. A sua presença fora estranha para os restantes três que preparavam para acender seus cigarros. Encontrar Peter ali era do mais anormal imaginável para os idiotas de sua turma. Aquele que o gozava mais era Flash Thompson, um rapaz loiro que, maior parte dos dias, utilizava a mesma camisola de Basketbol com o número “9”, um casaco cor-de-laranja e umas jeans azuis. Ele era o melhor de sua equipe em Midtown e, obviamente, um dos mais populares da turma.
-Que raio… — Os sussurros enviados a ambos seus colegas eram ouvidos por Parker – Hei, Harry! O que está o Parker aqui a fazer, estás a brincar certo?!
Osborn apercebia-se que o estado de Peter era grave e qualquer ofensa o poderia magoar imenso.
-Flash, acalma-te. O Peter veio aqui porque eu convidei-lhe, por isso cala-te e dá-me lá dois cigarros.
O que estaria ele a fazer? Seria que não conseguia ver o erro que estava prestes a cometer? Tal coisa poderia ser descoberta e o que pensaria sua tia May? O que pensaria Gwen Stacy acerca dele? Parker seria conhecido como um bandido, alguém que parecia um “alien” em território familiar, uma pessoa totalmente diferente do seu verdadeiro ser. Mas tudo ocorrera sem quaisquer remorsos, sem qualquer sinal de arrependimento. Apenas sentia-se neutro. Harry colocava um cigarro na boca de Peter, como seria a sensação? Breves momentos faltavam para a chama de seu isqueiro, era tarde demais para deter o consumo do fumo que iria entrar em seus pulmões. Uma sensação de agonia dá uma má reacção forte ao que ingerira para seu corpo; sua garganta ardia como nunca, sentindo-a áspera e como se estivesse a engolir uma chama e sua cabeça começara a sofrer tonturas, tudo isto fruto duma primeira tentativa em fumar o seu primeiro cigarro. O que fizera ele? Agora sentia o verdadeiro sentimento de arrependimento em sua acção, uma escolha que o seguira sem qualquer pensamento em a exercer. A imagem perante seus olhos estava perdendo sua claridade, sua nitidez devido às grandes tonturas que mexiam com sua cabeça. Nunca se sentira de tal maneira, fora uma experiência para a vida que o iria servir de exemplo para futuras ocasiões, contudo, o preço para o tal ainda estava encaminhando-se. A dupla porta das traseiras desvendara uma personagem que era sentida como uma ameaça e, se assim fosse o seu entender, poderia castigá-los e dar de conhecer a seus pais do sucedido. Este era o Professor Curtis Connors, um homem de grande simpatia, conhecimento e inteligência. Deparara-se com grandes desafios em sua vida após a perda de seu braço direito quando era adolescente, Curtis tivera que enfrentar todas as suas dificuldades e prosseguir com o seu sonho de ser um homem de Ciência, algo que conseguira alcançar com infindáveis anos de trabalho, esforço e dedicação. Como um homem de justiça, tal criminalidade era intolerável para a escola Midtown, algo que deveria de ser reconhecida como uma acção sem perdão, uma acção com os seus respectivos castigos e lições. Nunca lhe fora possível pensar em ver Peter Parker envolvido numa situação como aquela. A sua cara de surpresa fora a última imagem que vira antes de perder os sentidos na relva das traseiras de Midtown.
O ar familiar de seu quarto fora a primeira sensação que tivera após a sua recuperação. As suas paredes continham um azul carregado, tecto e arredores eram pintados de um branco limpo e fresco, sua tia fazia limpezas à casa semanalmente e, quando Ben era vivo, pintavam as paredes. De facto, a última vez que seu quarto fora pintado, seu tio assim o fizera; a sua secretária encontrava-se um pouco desarrumada com um pequeno número de livros escolares e sua porta estava aberta, significando talvez que sua tia May o via periodicamente, certificando-se que ele estava bem. O cheiro de estufado o fazia lembrar dos maravilhosos cozinhados da senhora que o tratara como seu verdadeiro filho, uma mulher de grande amor. O que lhe custaria imenso era de pedir perdão à sua tia. Encontrava-se nervoso por não se sentir preparado para enfrentar as consequências, algo que não pensara antes de as praticar. Tudo graças à influência de Harry Osborn, aquele a que era dado a posição de melhor amigo em sua amizade, talvez porque ele seria um dos seus únicos amigos. Seria essa a razão para conviver com uma pessoa tão diferente de seu ser? Osborn nunca lhe incluíra numa situação tão complicada como a que se envolvera.
May passava grande parte de seu tempo em sua pequena cozinha de sua modesta casa. Os seus cozinhados eram um grande forte desta senhora, sempre soubera cozinhar seguindo os passos de sua mãe. Ela sabia o quanto Ben Parker gostava da comida que preparava, era raro não complementar o jantar durante a noite com grande gosto ao saborear. De vez em quanto, ela perguntava-se “O que achas do comer, Bem?” falando para si mesma. Peter descera com extremo cuidado, entretanto pensando no que iria dizer. Era vergonhoso olhar para trás e reparar na asneira que cometera,. A aparição inesperada de Peter a fizera sentir uma dor em seu coração. Sua preocupação se demonstrava por um grande abraço e suas lágrimas que percorriam seu rosto após o esvaziamento da grande carga que a pressionava. Nunca lhe fora sentida tanta tristeza desde o momento em que seu tio morrera, sua grande consolação lhe era transmitida pela sua impaciência de chegar a Peter. Uma grande pressão se fora de seu interior, e mais uma vez sentia conforto.
-Peter, nunca mais faças isto – Suas palavras eram separadas pelo gaguejar.
Agora ele conseguia compreender o sofrimento que poderia causar aos seus amados seguindo as decisões incorrectas. Compreendera que, contudo a morte de seu tio fora uma fase de sofrimento e queda, sua vida prolongava e ainda haviam aqueles que o adoravam pelo o fundo de seus corações. Mary Jane, Harry Osborn, Gwen Stacy, Eddie Brock, Professor Connors, tia May, Tony Stark…seus amigos, sua família. Aqueles que se preocupavam com ele numa demasia nunca pensada, numa enorme quantidade de amor que nunca se dera conta. A morte de Ben também fora um golpe forte para sua mulher, mas o caminho continuara. Nem a morte separava o amor que os unia, um outro mundo os esperava, pois, o amor é eterno.
-Desculpa tia May – Era inevitável chorar e lamentar-se de sua derrota, de perder contra seu lado obscuro, aquele que o quisera controlar através de sentimentos vingativos – Eu…eu ainda estou tão abalado com a morte do tio Ben…eu não-não sabia o que fazer…estava perdido, estava….
May olha-lhe nos olhos, demonstrado sua enorme compaixão e sinceridade
– Peter, a morte do teu tio nos abalou a todos. Eu todos os dias, sempre que olho para aquela mesa, nos imagino juntos como dantes. Ele, ele era o maior de todos nós, mas tu mais serás. Pensa no teu futuro Peter, por favor. Tu és a única pessoa que me resta, eu não saberia o que fazer se tu… — As palavras desnecessárias deixaram aquele vazio que entrara na consciência de Peter. O que fizera ele? Teria sua mente desistido da coragem, da forte e determinada mentalidade que tivera? Spider-Man é aquele símbolo que o significava a justiça, a verdade, a sinceridade e a coragem. Aquele seu fato passava mais além de um simples traje, era uma pele secundária. Uma pele que protegia aqueles em verdadeira necessidade, aqueles que necessitavam da ajuda de um elo mais forte. A aranha que simbolizava este poder era o seu coração, a sua mudança.
-Tia, eu já tomei a minha decisão. Eu quero estar aqui contigo, e com todos os meus amigos. Não quero pretender ser alguém que não sou. Eu gosto muito de ti, quero apoiar-te sempre que necessitares da minha ajuda.
Sua noite passara com remorsos de seus actos, mas com a consciência mais leve. Sentia-se perdoado por si mesmo em tomar a escolha que deveria de ter tomado desde o inicio. Stark tinha razão, sua raiva e vingança não seria um rumo desejável para ser encaminhado. Era apenas um rumo para os cobardes, para aqueles sem coragem. Aqueles que pretendem eliminar todas suas dificuldades em vez de as enfrentar com dignidade.
Opercurso humano é o maior mistério de todos, um curto caminho imprevisível com a hipótese de grandes reviravoltas virando sua direcção original. Uma grande mudança afectara a vida de um jovem com o nome de Eddie Brock. Os seus olhos observavam uma foto da loira rapariga sorrindo, uma fotografia que tirara no dia dos namorados – O que vai ela pensar sobre isto? – Não podia mentir que a verdade teria que ser confessada em breve, era algo que não poderia permanecer guardado longe de seu conhecimento durante muito mais tempo. Não houvera um único dia, uma única hora, um único segundo em que não olhara para a face da jovem que guardava seu coração com todo seu amor. A delicada rapariga que tocara em suas emoções desde a primeira vista. Nunca lhe deixara lhe olhar, sentia uma grande força de dedicação para conquistar seu lugar como aquele que a protegia, o homem que se iria casar um dia e ter uma família. O seu futuro, os seus planos e desejos foram terminados pela aparição de sua encaminhada e próxima morte. A sua separação com o seu grande amor, o que significava tudo para ele! Sua raiva consumia seu corpo, estava só em seu quarto. Sua luz apagada, sua janela somente captava ligeiros raios de sol, a luz que se iria vaporizar no seu último momento, contudo seu amor iria continuar forte. Morte era apenas um próximo obstáculo até a grandiosa reunião, como cristão assim o acreditava, contudo sua morte se aproximava e todas suas crenças começavam a perder seu significado. Sempre pensara forte, sempre mantivera sua cabeça erguida para o seu inevitável problema, mas sua força não era capaz de permanecer até ao fim. Fraco, apenas conseguia pensar em Gwen. Finalmente conseguira conquistar-lhe o coração e algo os separara. Uma barreira onde o lado de Eddie era um poço para seu fim. Em sua visão, Stacy gritava de dor e sofrimento ao ver Brock caindo para o seu infindável destino. Nunca parara de sentir nervoso pensando que seu último dia se aproximava.
A casa Senhorial de Norman Osborn apenas demonstrava a riqueza que este tinha em seu poder. O seu enorme tamanho e riqueza era inconfundível, mesmo numa cidade de vasta população como Nova Iorque. Sua construção rochosa apenas demonstrava as gerações que viveram em seu lar, o lar de maior conhecimento na cidade. Oscorp era a companhia número um de tecnologia cientifica dos Estados unidos.
-Não fui isto que te ensinei, Osborn! – A raiva de seu pai causava um ambiente de grande ameaça a Harry. Sua fúria pela descoberta de seu segredo o fizera pensar na reputação de seu nome, algo a que ele não poderia dar ao luxo de perder – Já pensaste no teu nome?
-Tu não mereces a minha confiança, pai! Tu nunca gostaste de mim, apenas tens amor aos teus lucros e à tua reputação! – Sua coragem de enfrentar seu pai era escassa, pois, sempre deixara toda sua raiva em sua cabeça, nunca a libertara. Mas naquele dia, era o momento de dizer tudo que sempre achara – Como pensas que eu me sinto? Desde a morte da minha mãe que tu me tens ignorado! Estou farto, estou farto! Tu não tens controlo sobre as tuas prioridades, pai! Tu deixas o teu filho em segundo plano como se eu fosse uma pessoa qualquer! Eu sou teu filho!
Norman não sabia o que dizer. Não tinha qualquer tipo de resposta para dar seu filho que justificasse ou que contradissesse o que Harry lhe dissera. Estava completamente estupefacto com a verdade. Encontrava uma certa raiva no seu interior, contudo reconhecendo a afirmação.
-Eu vou para o meu quarto… — Harry dissera após o momento de silêncio entre os dois, ladeando seu pai para a escadaria do Hall.
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