Sphere
2 Capítulo 2 - As outras esferas
Notas iniciais
Não – Esta foi a resposta da Esfera
Natan passou por uma sensação de alívio, mas a apresentação de antes dobrou a tensão. Começar em um “jogo”, sabendo da existência de outros portadores de esferas além dele, tudo estava baseado em descobrir as identidades dos outros 4 participantes, um por um. Porém, a esfera de Natan não lhe permitia fornecer dados subjetivos como “Onde eles ficam?” e “Qual o nome deles?”.
– Eu posso ter perguntado se iria morrer, mas como estava confuso, acabei colocando depois a expressão “em breve”. Isto quer dizer que não se aplica ao que ocorrerá depois... De qualquer forma, eu só tenho 1 pergunta à cada 24h com respostas simples de “sim” e “não”, não posso perder meu tempo me preocupando com o inevitável que irá ocorrer – Pensou.
Aparentava estar confiante, mas por dentro sentia-se preocupado e com a sensação de estar sendo observado a qualquer momento, a batalha psicológica já tinha começado, sem ele perceber.
– Eles não podem estar tão longe, se não me engano, durante as perguntas que fiz nesta semana, eu tinha perguntado se todos os participantes estavam na cidade, a esfera respondeu que sim, então terei que ser cuidadoso até mesmo ao sair de casa.
Interrompendo a fala de Natan, a Esfera estava trabalhando em um novo programa, e terminou com :
– Spheressory terminado – Ao mesmo tempo que a frase foi pronunciada, uma fumaça saía de dentro de uma cavidade que se abrira na esfera, quando Natan olhou, era um acessório semelhante à um relógio, mas com uma esfera ao centro, da mesma cor que a original, vermelha, e o resto do acessório estava dourado.
– Isto será dado aos portadores para que possam fazer perguntas fora de suas casas, já que chamam menos atenção aos outros portadores e nós, esferas originais, já estamos com nossas raízes presas às casas de nossos respectivos portadores.
Dito isto, Natan percebeu que não seria tão fácil de proteger sua localização, e o principal alvo, que antes era a identidade dos portadores, tornou-se agora a residência deles, para que possam destruir a esfera original do inimigo e aniquilar o portador. Natan pegou o acessório que a esfera lhe dera, colocou-o no braço e saiu de casa, usando um capuz, evitando assim que seu rosto pudesse ser evidenciado à outro portador de esfera. Estava de tarde, e tinha começado a chover. Natan tinha saído com a ideia simplória de terminar logo com este jogo, mas com uma esfera ineficiente para a maior parte das perguntas e ainda com um tempo considerável de demora para reiniciar, pensou como se fosse o alvo mais fraco, e também não sabia por onde começar a procurar, então logo percebeu que era idiotice insistir na busca e tornou caminho de volta para casa. No percurso, ficou espantado com algo :
– Está aqui... Como? Porque alguém faria isso? – Exclamou
O que Natan observou era, pendurado no alto de um poste, um acessório com uma esfera, igual ao seu, mas com uma esfera de cor verde. Um de seus defeitos era o de esboçar chamativas expressões e o de observar fixamente para algumas coisas, mas pensou rápido e desviou o olhar. A rua estava movimentada com várias pessoas passando, no meio tempo em que Natan olhara para a esfera verde, o portador poderia ter observado de longe. Era um truque simples, porém eficiente.
– No momento em que eu parar de andar e me virar, ele observará que eu o estou procurando, o que concluirá para ele que sou um portador de esfera, e nada adiantará pegar o acessório agora, já que o importante para o portador é a esfera original. – Pensou
Olhando cuidadosamente para as pessoas ao seu redor e com receio de olhar diretamente para a cara dos possíveis suspeitos, foi abaixando a cabeça cuidadosamente e revirando olhares, até que uma pessoa que trocava olhares chamou sua atenção. Estendendo sua mão com seu Spheressory vermelho à boca, cochichou:
– O outro portador é aquela pessoa, Esfera?
– Número de respostas concedidas já foi concluído, retorne novamente em 18h – Inferiu a Esfera.
O nervosismo que sentiu naquele momento não se deu à lembrar que se passaram apenas algumas horas desde sua última pergunta feita antes para a Esfera, mas sim, ao evento que ocorreu logo depois. Ambos o acessório de esfera verde no poste e seu acessório de esfera vermelha começaram a vibrar e a emitir um distinto som. Ficou confuso à primeira vista, mas clicou em um dos botões do acessório, que parou de emitir o som e vibrar.
– Fui descoberto, merda! – Repetindo a frase no pensamento e começando a correr para outro local, Natan procurou escapar da vista de seu inimigo.
No alto de um apartamento, esvaindo as cortinas, um estranho homem trajado socialmente fixava seus olhos em Natan. Levantando de sua poltrona, o homem saiu do apartamento e se direcionou à rua onde se encontrava o poste com o Spheressory Verde. Sem se aproximar muito e mantendo distância de pelo menos 10 metros, descobriu a parte do terno em suas mãos, à primeira, parecendo um estranho objeto que logo se revelou. Era um Spheressory de cor Preta. O homem apertou um dos botões de seu acessório e apontou para uma senhora que estava andando por esta rua. Imediatamente a senhora ficou com os olhos sonolentos e vazios, como se estivesse hipnotizada, e o homem perguntou:
– Para onde foi que o garoto de capuz correu?
– Virou a rua à esquerda e se dirigiu ao parque. – Disse a senhora, sem hesitar
Os olhos da senhora voltaram ao normal e ela perguntou-se o que aconteceu. O homem esboçou um leve sorriso e falou para si:
– Parece que o jogo finalmente começou.
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