Spectacula

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Recomendo escutar a música "Kagayaku Sora no Shijima ni wa", da banda Kalafina - música-tema de Alois Trancy.
Dedico à minha pequena Renge-chan (Unconditional Love), por que ela é a minha Trancy preferida em todo o mundo. ♥
Boa leitura~!

A nossa queda é apenas um espetáculo; que após a apresentação, virão os aplausos das pessoas que nunca se espera um beijo da traição — ou toques traiçoeiros.

Todos os seres podem amar, mas apenas os simplórios se deixam levar por tal sentimento. Idiota, lá fui eu; esperançoso, decidi correr atrás da minha felicidade; decepcionado, encontrei-a, de costas para mim.

O vento era o único que me entendia — não sei como; outrora, ele e eu nos compreendíamos.

Levando toda a minha dor para longe e refrescando a minha alma, aquela corrente gélida adentrava teimoso, em minhas narinas e lábios entreabertos, querendo inflar meus pulmões; trazer-me de volta à vida. Vento suave, levando-me por um caminho de lembranças ternas de doces e cuidadosos toques. Toques estes, totalmente falsos.

Os olhos dourados detrás das finas lentes já brilharam para mim, como se eu realmente fosse sua Alteza. Seus toques eram tão fáceis e falsos, todavia, faziam minha carne estremecer sobre os ossos. E eu não sei onde ele está agora, mas agora percebo que nunca fui o seu caminho principal – por isso, quero ir embora daqui; queria ter morrido por mim mesmo, não pelas suas mãos. Mãos essas que me concederam seus traiçoeiros toques.

Não importa quantas vezes eu me lance de um penhasco, ou enterre uma espada dentro do meu peito; não importa se eu deixo de respirar ou se consigo piscar os olhos. Estou farto das memórias. “Se eu fazia de Claude a minha Alteza, eu era apenas um bicho nojento e repulsivo aos seus olhos demoníacos”. O vento me trouxe também o toque mortal de Claude; do seu sorriso doce e olhar amoroso, quase verídicos; toques carinhosos que serviram como meus ceifadores.

Gosto de comparar o amor com a escuridão, pois aprendi a temê-lo tanto como o escuro. Não pude ver que, além da dependência que sofria por Claude, ele era mais um demônio e eu um garoto impuro completamente indigno do título e do sobrenome posto em mim por alguém que sequer tinha laços de sangue.

Aprendi que não se deve amar, por que nunca seremos amados de volta.

E tudo o que se ama vai embora, de mãos dadas com o escuro.

O grito usado para cortar a escuridão como uma espada fora o último contato que tive, enquanto sujo de sangue sob o luar permanecia eu. A obsessão por alguém que levava junto de si a marca do infortúnio, talvez, tivesse sido a pior burrice de alguém humano, mas sei que não era o único que o fez; não fui o primeiro e menos ainda o último. Dei um sorriso amargo, e o vento parou com o seu toque. Será que ele também me traíra?

— O que fui eu, comparado às inúmeras tolices e fracassos daquele mundo? — Levei a rosa branca ao nariz, dragando seu perfume e a lancei para longe, para que nunca mais retornasse do abismo à minha frente.

Engraçado, provavelmente era, por que gargalhava com o meu maior prazer e desgosto. Limpei o líquido que escorreu do canto de minha boca; e pensar que todos aqueles vermes sapatearão contentes ao saberem da morte de Alois Trancy.

O riso morreu, quando senti o vento afagar minhas costas desnudas. O espetáculo acabou com a minha doce morte e agora teria de cair lá embaixo, por que eu fui um menino malvado, no fim das contas. Fechei os olhos — sem medo, eu apenas avançava até que metade dos pés ficasse à mercê do abismo. Ouçam os aplausos, por que são audíveis.

Você também está aplaudindo, Claude?

Notas finais
Curto por que é apenas uma one-shot. Espero que tenham gostado, assim como eu gostei. ♥
Com amor, Suu. ;*
*"Spectacula" é uma palavra latim que significa "teatro"; uma derivação de tal palavra é "Spectaculum", cujo significado é "espetáculo".
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!