Speak Now

1 Fale agora ou cale-se para sempre


Notas iniciais
Nunca digam dessa água não bebereis, pois aqui estou me afogando em GaaHina hahahah. AI QUE CASAL MAIS LINDINHO! Resolvi me aventurar com o último desafio do Império e agora estou completamente apaixonada. Originalmente essa one era pra ter apenas 200 palavras, mas não me aguentei e escrevi algo maior. A música é Speak Now, da Taylor Swift.

Gostaria de dedicar essa história a três pessoas que têm me apoiado muito nesses dias: @GatiMatsushita (que inclusive betou essa one), @MSchinder e @_misbehave. Obrigada por tudo ♥

Eu não sou o tipo de garota

Que se intromete rudemente em uma ocasião de véu branco

O coração da ninja de Konoha batia tão forte em seu peito que a mulher tinha certeza de que podia ser ouvido do lado de fora, no pátio da residência do Kazekage, mesmo que estivesse bem escondida atrás das cortinas vermelhas que enfeitavam a sala do líder de Suna. As mãos pequenas se agarravam no tecido delicado e seus olhos — secos de tanto que chorara na noite anterior — estavam fixos no pequeno altar, enfeitado com belas rosas-do-deserto, e seus dois ocupantes: o sacerdote que realizaria a cerimônia e o próprio Kazekage, Sabaku no Gaara.

E em algum lugar perto estava a noiva.

A noiva que não era Hyuuga Hinata.

Mas você não é o tipo de garoto

Que deveria se casar com a garota errada

Ela sabia que aquilo era sua culpa, culpa de todo o medo que sentia.

Tola, tão tola fora Hinata. Havia corrido como uma criancinha no dia seguinte em que ele lhe contara, após beijos trocados e carícias mútuas sob as luzes das estrelas e o luar, que o conselho o estava pressionando para que casasse. Ainda podia sentir os dedos quentes do Sabaku em sua bochecha, traçando um caminho que descia por seu pescoço de forma lenta e deliciosa. Lembrava-se dos suspiros carinhosos em seu ouvido que eram como um pedido silencioso.

Case-se comigo.

Um casamento era coisa séria, ainda mais quando envolvia o líder de uma vila tão influente quanto Suna. O medo de não ser suficiente assombrava-a todos os dias, principalmente quando estava de volta em Konoha, longe dele. Após a descoberta daquela notícia sobre o conselho, foi como se ela sufocasse. Como ela, logo ela, seria digna de ser a mulher do Kazekage?

O medo fez com que Hinata fugisse. Porém, também foi o medo que a trouxera de volta, pois ela percebeu que perdê-lo para sempre era muito mais assustador do que qualquer dúvida sobre si.

Não diga sim, fuja agora

Vou encontrá-lo quando você estiver

Fora da igreja, na porta dos fundos

Hinata conseguia enxergá-lo com clareza dali, o modo como ele sorria fraco, mas aquele sorriso nunca chegava aos olhos aquamarines que ela tanto amava. Conseguia ver como ele apertava as mãos, um claro sinal de nervoso que poucos sabiam identificar, e como de vez em quando ele parecia procurar algo ao redor do pátio.

E foi nesse momento que ela lembrou que não poderia se esconder do Kazegake de Suna em sua própria residência sem que ele soubesse. Os olhos dele se fixaram exatamente no ponto em que ela estava escondida e ele pendeu a cabeça para o lado, levemente confuso até perceber que era ela e, então, ela viu um brilho intenso nos olhos dele no exato momento em que uma música diferente começou a tocar, anunciando a entrada da noiva.

Céus, Hinata pensou, onde estava aquela coragem que existiu durante a batalha contra Pain?

Ao longo todo o discurso do sacerdote, ele olhava diretamente para ela, como deveria ter sido se Hinata estivesse no lugar de Matsuri, a grande amiga do Kazekage que concordara com aquilo apenas pelo bem da vila — e pela sanidade mental de Gaara, já que os anciões não paravam de perturbá-lo sobre o assunto. A morena sentiu vontade de chorar, mas parecia que seu corpo havia esgotado todas as lágrimas. Tudo o que restou fora encará-lo com a mesma intensidade que ele a encarava, fazendo com que ela lembrasse de momentos doces. De como aquela relação se construiu.

De como ela o amava.

Não espere ou diga nenhum voto

Você precisa me ouvir

E eles dizem: Fale agora

A ninja lembrava-se claramente da primeira vez que eles conversaram, em uma das muitas festas de comemorações da vitória da guerra. Ela havia ficado sufocada no meio do clima de felicidade, e não querendo estragar aquilo para os amigos, se refugiou na sacada do restaurante, deixando a brisa noturna acalmar o coração ferido. Após alguns minutos sozinha, a jovem se surpreendeu quando a porta se abriu e o Kazekage apareceu perguntando se ela estava bem.

E pela primeira vez desde que a guerra acabara, Hinata se permitiu desabafar, ainda que se esforçasse muito para não chorar. Contou sobre as perdas, sobre o peso que era seu clã e até mesmo sobre Naruto e seu amor não correspondido. E se surpreendeu o quão confortável ficou na presença dele e como pacientemente ele a escutou, compartilhando um pouco de suas próprias experiências e dores com ela.

Quando algumas lágrimas escorreram pelos olhos claríssimos, o Sabaku se aproximou e as limpou delicadamente, fazendo com que a pele delicada dela se arrepiasse com os dedos quentes e firmes. Aquele gesto simples fez com que seu coração voltasse a bater acelerado, mas não de tristeza. Suas bochechas coraram fortemente e quando ele se afastou, levando todo aquele calor consigo, Hinata quase pediu para que voltasse. Eles permaneceram ali, conversando calmamente noite adentro, até que Ino — com um sorriso malicioso que só Ino conseguiria dar — viesse avisar que o restaurante estava fechando e eles estavam voltando para casa.

Ela também se lembrava do primeiro beijo, de como seu coração bateu acelerado, de como os lábios dele eram tão quentes — aliás, ela pensou, tudo em Gaara era quente— e tão macios, se moldando aos dela como se fossem feitos para estarem ali. Lembrava-se de como suspirou como uma garotinha quando eles se separaram e de como ele a segurou pela nuca, beijando-a de novo, dessa vez mais intensamente.

Mas a lembrança que mais aquecia seu coração e lhe trazia coragem era a primeira vez que ele havia dito que a amava.

E você dirá: Vamos fugir agora

Eu vou te encontrar quando estiver sem

O meu smoking, na porta dos fundos

O coração de Hinata se encheu de amor quando aquela lembrança surgiu em sua mente: a voz baixa dizia em seu ouvido que a amava e os dedos quentes acariciavam seu rosto, as rosas-do-deserto, que Gaara a presenteara, estavam em um pequeno vaso ao lado da cama dela, imponentes e tão bonitas quanto o sentimento que explodia em seu peito. Ela havia dito que o amava também e o beijara intensamente para demonstrar todo aquele amor.

Pela primeira vez desde que botara os pés em Suna, Hyuuga Hinata se sentiu cheia de coragem, então não pensou muito, apenas correu em direção ao altar no exato momento em que o sacerdote perguntava se existia alguém que se opusesse àquela união.

— Eu! — Ela gritou quase desesperadamente.

O sorriso que surgiu nos lábios dele competia como um dos mais bonitos que ela já vira em toda sua vida. Os olhos aquamarines brilhavam num misto de alívio, alegria e amor. Todos os presentes estavam silenciosos, mas Hinata podia ver os sorrisos nos rostos de Temari e Ino, assim como o soquinho que ambas deram em Shikamaru, como se dissessem: eu disse que ela não deixaria isso acontecer. Até mesmo Matsuri estava sorrindo, já que ela sabia o quanto eles se amavam, e apenas concordara com o casamento pois o Kazekage estava desesperado e Hinata havia sumido.

Mas agora Hinata estava bem ali, tentando encontrar as palavras certas.

E quais seriam as palavras certas num momento como aquele?

— Eu amo você. — As palavras saiam rápidas e nervosas, mas o ruivo conseguia enxergar a sinceridade nelas assim como naquela primeira vez. — Eu não deveria ter fugido ou deixado que isso chegasse a esse ponto porque eu amo você e eu não posso perder o que temos e tenho certeza que um casamento entre nós também seria muito benéfico para ambas as vilas e

— Hinata. — Ele a interrompeu e a ninja engoliu em seco pela intensidade do olhar dele. Segurou as mãos dela e a jovem quase chorou, pois no começo daquele dia achou que nunca mais sentiria os toques quentes do Sabaku. Ele juntou as mãos femininas e, depois de um sorriso leve, beijou o topo delas. — Obrigado.

Com um último olhar para Temari, que assentiu com a cabeça, Gaara pegou Hinata no colo e os tirou dali, levando-os para uma de suas casas secretas afastadas do centro de Suna.

Quando os pés femininos tocaram o solo, ela entrelaçou os braços na nuca masculina e o beijou fortemente, se inebriando com o perfume que tanto amava e os toques que tanto ansiava.

— Me desculpe por ter fugido… eu… — Ela pedia entre beijos trocados e roupas jogadas pelo chão enquanto eles tentavam caminhar em direção ao quarto. — Me desculp…

— Você voltou. — Ele sussurrou, separando-se dela apenas para retirar o restante das vestes e puxá-la para cima de si sobre a cama. Beijou os lábios rosados, as bochechas coradas, a testa delicada e segurou o rosto dela com as duas mãos, encarando-a fixamente com os olhos inundados de gratidão. — Você voltou e eu amo você, Hinata.

— Eu amo você. — Ela disse, a voz clara e decidida enquanto apoiava as mãos delicadas no peito masculino e se aprofundava naquele amor intenso.

Amor, eu não disse os meus votos

Estou tão feliz que você estava por perto

Quando eles disseram: Fale agora


— Case comigo. — Ele pediu, agora em alto e bom som, acariciando os cabelos longos que se espalhavam belamente por seu peito. A respiração ainda descompassada e o coração acelerado pelo nervoso e medo dela fugir novamente. — Nós vamos fazer isso dar certo, eu prometo, Hinata.

— Eu sei que vamos. — Ela levantou para encará-lo e sorriu, o coração batendo alegre e realizado em seu peito, fazendo Gaara sorrir levemente.

A Hyuuga se martirizava internamente por ter feito as coisas daquela forma, por ter fugido quando deveria ter ficado. Por ter se calado quando deveria ter falado. Mas agora onde estava, bem no calor dos braços dele, ela sabia que tudo ficaria bem e que nunca mais deixaria o medo controlá-la, principalmente se fosse relacionado ao homem que amava.

— E sim, seria uma honra casar com você, Gaara.

Notas finais
Então?? Gente, essa foi minha primeira GaaHina, uhuuu. Espero que minha estreia tenha sido satisfatória haha. Eu gosto muito dessa música e sempre quis escrever algo com ela!!!

Um beijo grande e até a próxima ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!