Space Dementia

16 Capítulo 17 - EPILOGO


Alguns dias depois – Quartel da Divisão de Intervenção

Milo caminhava para o centro do pátio naquele entardecer vestido em seu uniforme completo para falar aos seus soldados e amigos. Não era muito afeito a discurso, mas naquele dia estava sereno e verdadeiramente feliz por poder dar as boas notícias aos outros.

– Divisão de Intervenção! – a voz grossa ecoou auxiliada pelo microfone no púlpito, os duzentos soldados e quinze oficiais se perfilaram e prestaram continência ao seu comandante. À esquerda do púlpito estavam Kárdia e Dégel aguardavam o discurso do General e à direita com o uniforme completo o Patriarca junto com Saori Kido em um costume rosa claro também estavam à espera do discurso. Saori parecia um ponto de luz em meio à negritude de uniformes dos soldados uniformizados das Forças Especiais Divisão de Intervenção de Greenwich. –Descansar.

Milo riu de lado quando viu Ikki de sua cadeira de rodas lhe mostrar o dedo do meio de forma desaforada. O japonês estava bem irritado por ainda estar convalescente, só deixara o hospital há três dias e ainda se curava das fraturas por isso estava na cadeira de rodas.

– Anda Savalas ou você acha que vou ficar fritando nessa merda de uniforme só pelos seus belos olhos? – Máscara da Morte reclamou e o riso foi geral.

– Ainda bem que eu vou me livrar de vocês! – Milo se empertigou – Meus amigo e companheiros de luta depois da última batalha da a qual todos provaram seu valor, muitos dando sua própria vida para salvar a de muitos de nós. – todos ficaram em silêncio e de cabeça baixa à lembrança do amigo querido Aldebaram – Todo esse esforço não foi em vão, hoje podemos dizer que depois de anos de Invasão Engies em nosso planeta, nós finalmente estamos livres. A guerra acabou e nós vencemos.

Os brados explodiram dos soldados em uníssono como um trovão ecoando pelo pátio. Havia no ar um sentimento inédito de felicidade permeada de esperança por dias melhores, além do sentimento de dever cumprido daqueles homens que por muito tempo arriscaram a vida para proteger a Nova Terra.

– Diante disso, agora nos foi dada a escolha de seguir engrossando as fileiras das Forças Especiais de defesa da Nova Terra ou entrar para a vida civil com um bônus do Governo a mérito de indenização. – Milo riu irônico, ele quase bufou, mas controlou-se. Não que a ajuda do Governo fosse ruim, para todos seria uma pequena fortuna, ele só achava que dinheiro nenhum no mundo pagava os anos de sofrimento da guerra – A escolha de cada vocês que estão livres para decidir os seus destinos como nunca tiveram desde que essa guerra começou, tendo também ajuda nos programas de adaptação a vida civil ofertados no Cinturão do Norte. Para quem ficar teremos novas condecorações e recolocação nos outros setores das Forças Especiais. Com a palavra agora Vossa Excelência Srta. Saori Kido.

***

Horas depois os oficiais estavam reunidos ao pé dos escombros do pavilhão dormitório dividindo uma garrafa de vodca.

– E aí o que vocês decidiram? – perguntou Milo enquanto acendia um cigarro.

– Vamos embora, chega de lutar! Vou morar no campo com meu belo... –

Máscara puxou o namorado para os seus braços – Tenho uma bela Villa lá no Cinturão Ibérico, cuidar das flores e ter muitos bambinos!

– Vai sonhando... – Afrodite revirou os olho e pegou a garrafa tomando um gole – Mas a história de morar no Cinturão Ibérico é verdade. Shaka e Mu aprovaram a ideia vamos revitalizar tudo por lá. Não quer vir Milo? Os gêmeos e Marin com a Shina vêm, você e Camus vão fazer o que?

Os gêmeos E as moças assentiram trocando a vodca entre si. Minos e Radamanthys permaneciam a parte observando, Hyoga deixava suas mãos brincarem com os fios negros dos cabelos de Ikki sentado na cadeira de rodas.

– Vamos para o Cinturão do Norte por um tempo cuidar da família. – Camus explicou –

Dégel me mataria se eu sumisse de novo agora e sei que Kárdia também quer Milo por perto. Quem sabe a gente não aparece para uma visita.

– Você vai para longe e o espanhol Saga? Deixá-lo escapar assim? – cutucou Afrodite.

– Ele trabalha no Cinturão do Norte. – Saga deu de ombros pegando a garrafa para si tomando um gole generoso – Vai ficar no exército.

– Talvez não. – Radamanthys interveio como quem não quer nada – Ouvi dizer que ele vai ser destacado para cobrir o hospital da Infantaria aérea no Cinturão Ibérico.

– Hum... – os murmúrios maliciosos foram crescendo deixando Saga irritado e Kannon notou soltando um risinho. Shura estava tendo um trabalho dos diabos com Saga, mas ele era persistente e o geminiano gostava disso.

– E vocês, Radamanthys e Minos? O que vão fazer agora? – perguntou Milo aos híbridos que até então permaneciam calados.

– O Rada vai para a Villa comigo ora! Pensei que não ia precisar explicar.

– Ir embora com você? Ha, ha, ha. – debochou o híbrido de olhos dourados – Você nem me pediu em casamento.

– Wyvern!

– Sem chance grego. – Radamanthys jogou o cigarro fora se afastando calmamente com as mãos no bolso. Kannon revirou os olhos e foi atrás dele e começaram a discutir baixinho mais afastados dos demais que ficaram rindo.

– Minos?

O norueguês parou de rir quando percebeu todos os olhares em si.

– Ah... Eu... – Minos coçou a nuca sem jeito – Vou para o Cinturão do Norte.

– Com quem? – Hyoga instigou, já sabia da decisão que levaria Minos ao Cinturão do Norte. Um acerto que envolvia muito além dos dois, eles mesmos Ikki e Hyoga, também foram convidados a ir ao Cinturão do Norte.

– Com... Ninguém...

– Minos. – Ikki cortou de olhos fechados.

– Vou trabalhar com o Patriarca. – admitiu para assombro de todos. Camus ficou admirado – Ele e Dégel querem que eu assuma a parte da pesquisa sobre os Híbridos e os Engies, haverá uma divisão especificamente para controlar isso agora.

– Bastardo! Ele só quer um motivo para ficar perto de você Griffon. – Milo soltou e todo mundo riu deixando o norueguês corado – E vocês casal modelo o que vão fazer da vida? – Milo olhou para Hyoga e Ikki.

– Nós vamos para o Cinturão do Norte treinar a equipe de Intervenção do Governo. Faz parte da Divisão que o Griffon vai comandar a parte da pesquisa – Ikki explicou pegando a mão do namorado nas suas – Algo como o antigo M15 ou a CIA que existia antigamente.

– Não acredito! Vocês não casam de lutar não? – Mu os questionou, estava espantado que os amigos ainda quisessem fazer parte do Governo.

– Também acho! Eu hein! – Afrodite fez cara de nojo

E todo mundo pareceu concordar, só Minos e Radamanthys, Hyoga e Ikki não falaram nada.

***

UM ANO DEPOIS – CINTURÃO DO NORTE

– General Romanov as fichas que solicitou estão na sala de reuniões esperando pelo senhor. – uma mocinha alvoroçada tentava acompanhar os passos rápidos e decididos do loiro de terno e gravata impecáveis.

– Informe o General Amamiya que vamos dar início à reunião. Major Griffon já chegou?

– Sim senhor. Estão esperando na sala de reuniões junto com o Patriarca e Julian Sólon.

– Obrigado Yoko, você está dispensada. – Hyoga sorriu para a jovem que piscou várias vezes aturdida e corada – Não precisa mais avisar o General.

Hyoga continuou pelo corredor até o elevador privativo onde um Ikki Amamiya olhava-o se aproximar com cara de poucos amigos.

– Flertando com a secretária Romanov? – Ikki se virou para o elevador olhando o loiro de soslaio.

– Você fica uma delícia com esse uniforme já lhe disse isso? – o moreno estava usando o uniforme negro social das Forças Especiais. Túnica, calça social justa e quepe, no peito brilhavam as insígnias de condecoração das patentes. O cabelo rente a nuca embaixo do quepe negro.

– Não desconverse a garota quase derreteu na sua frente!

– Minha sala tem isolamento acústico e sem câmeras. – continuou Hyoga entrando no elevador depois de abri-lo com a sua identificação – O que acha de uma reunião mais tarde Major Amamiya? Só nós dois... Minha mesa é de vidro reforçado e base de titânio. Foi uma fortuna, mas vai ser bem aproveitada espero. – o loirinho passou a língua nos lábios de coração vendo Ikki estreitar os olhos ao notar o gesto.

– Trapaceiro. – Ikki entrou no elevador também parando bem em frente ao russo.

– Fica na cobertura e ninguém pode nos ver do chão se você me imprensar no vidro das paredes. – continuou Hyoga com um sorrisinho.

Milo passava a língua por toda a extensão generosa do membro do Frances que estava se desfazendo a sua frente, abocanhou enfim o membro o abrigando na boca e Camus grunhiu enterrando os dedos nos cachos dourados do grego.

– Milo pode chegar alguém... – falou Camus entredentes quando sentiu os dentes rasparem a carne rija do seu membro que o fez revirar os olhos.

– Então não temos muito tempo ruivo.

O grego varreu a mesa dos papeis que estavam sobre ela e deitou o ruivo sobre o tampo de vidro enquanto abria o cinto do uniforme de Camus e abaixava as calças dele ao mesmo tempo em que abria o seu próprio zíper, o Frances segurou as bordas da mesa gemendo baixinho enquanto Milo com a língua massageava sua entrada ao mesmo tempo em que introduzia dois de seus dedos para preparar o ruivo. Camus se perguntava o quanto estava louco por se permitir aquilo em plena sede do Governo a dez minutos de uma reunião com o Patriarca.

Quando Milo o penetrou ele entendeu porque, por causa daquele rego quente e louco que o fazia perder a razão. Milo se inclinou sobre a mesa se apoiando em um braço enquanto o outro empinava um pouco a bunda de Camus para que ele pudesse entrar no ruivo plenamente. Ambos mordiam os lábios para abafar os gemidos que cresciam à medida que as estocadas ganhavam velocidade, Milo enterrou o rosto na curva do pescoço de Camus e os dentes na carne tenra para evitar gritar quando o gozo veio forte e intenso e o francês segurou a borda da mesa até os nós dos dedos ficarem brancos quando o clímax o atingiu ao mesmo tempo em que Milo.

– Savalas a reunião já vai começar! – gritou Hyoga do lado de fora

– Cinco minutos. – Milo falou num fio de voz ainda dentro do ruivo quase desmaiado sobre a sua mesa.

– Tudo bem... Limpe bem as mãos, ou melhor, tome um banho, vou atrasar a reunião em dez minutos. Vai ficar me devendo.

– Pelos deuses que vergonha. – Camus fechou os olhos desejando se enfiar em um buraco.

***

Mu olhou para o campo aberto que ficava em frente à vila vendo a aeronave oficial do Cinturão do Norte pousar e não era só ele que observava os dois homens que desciam da aeronave. Todos os cinquenta moradores da pequena Villa, entre proprietários e empregados observavam os dois oficiais que se aproximavam de Afrodite e Máscara da Morte que vieram receber os recém-chegados.

– Seu filho da puta não acredito que está trabalhando para o Governo! – Máscara abraçou Milo e em seguida Camus – Você também Camus?!

– O que aconteceu com "agora vou ficar com a família?" – Afrodite também cumprimentou os amigos. Vestia uma túnica de seda chinesa vermelha, os cabelos claríssimos trançados enquanto Máscara usava um macacão jeans. Milo e Camus estavam em seus uniformes das Forças Especiais.

– A família está no Governo! Dégel é Ministro da segurança mundial e Kárdia secretário adjunto do Patriarca. – Milo deu de ombros – Não deu para evitar.

– Mu vai tirar o Shaka daquela maldita sala e chamar os gêmeos e Radamanthys. – Máscara conduziu os amigos para dentro da Villa – E já não era sem tempo que vocês vieram nos visitar! Pensei que nunca viriam.

– O que estão fazendo no Governo? – Afrodite quis saber abraçado a Milo

– Estamos na Divisão de planejamento estratégico de guerra. O Patriarca resolveu investir pesado na defesa da Nova Terra para não sermos surpreendidos novamente, ele não quer outra Grande Catástrofe.

– Olha só quem resolveu aparecer! – Kannon e Saga chegavam junto com Shaka todos se reuniram na casa de Máscara e Afrodite – Fugindo do serviço?

– Na verdade a visita faz parte do trabalho, nós só unimos o útil ao agradável. – Camus e Milo trocaram olhares – Nós viemos convocar vocês para integrarem nossa equipe no Cinturão do Norte. Indicações da Inteligência isso quer dizer, General Hyoga Romanov. Acho que o conhecem.

– Puta que pariu! – exclamou Kannon, eles se entreolharam admirados, Máscara estava divertidamente chocado. Então o moleque tinha mesmo subido nas Forças Especiais!

– Então... Ele e o Ikki são agora os “cabeças” de uma operação de varredura e pesquisa na Nova Terra. O intuito é descobrir qualquer indício de nova invasão ou velhos focos de mutações ou operações suspeitas envolvendo alienígenas no perímetro do nosso planeta. – Milo fez uma pequena pausa olhando as expressões curiosas e levemente ansiosas dos amigos para dar o golpe de misericórdia – Fazer uma limpeza. Teremos carta branca para equipamentos, pessoal e informações. A ordem é exterminar qualquer ameaça.

Camus e Milo observaram todos trocarem olhares, Afrodite morder o lábio e bater as unhas uma nas outras de forma ansiosa. Mu e Shaka se olharam e o segundo quase implorava a Mu alguma coisa, os gêmeos estavam aos risinhos junto com Radamanthys.

– Quando é que a gente começa? – Máscara falou por todos e Milo gargalhou logo sendo acompanhado por todos.

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